segunda-feira, 30 de maio de 2005

Sonhando acordado com locais distantes 20

A relatividade do espaço-tempo passa pela construção de uma tabela de distâncias de referencial afectivo. Não conseguir estabelecer contacto visual pode ser considerado um handicap mortífero numa análise de proximidades, mas a possibilidade de ficar a ouvir o silêncio de uma cidade que fica (diz o mapa) a um par de milhares de quilómetros, durante um período de tempo virtualmente sem limites, transforma o sistema métrico numa base impotente para traduzir o real comprimento da recta que une dois pontos. Há no entanto que ter em conta o pouco interesse que esses dois pontos têm em contribuir para a evolução das ciências exactas, exceptuanto (claro está) quando se trata provar a exactidão biológica do binómio macho/fêmea.

Falta (mais do que) injustificada

, e foi por causa dessa merda que não foste tocar ontem?

Educação mental

Entretanto, e provavelmente sem saber, João César das Neves (há muito tempo, demasiado, que o professor não era citado aqui) deu hoje um dos mais sólidos argumentos a favor da educação sexual:

(...) Ficámos a saber que quem defende que a masturbação, homossexualidade e promiscuidade não são coisas boas, ou que a relação sexual deve ser dentro do casamento, é "ultraconservador". Este grupinho de iluminados não entende que essa classificação se dirige à esmagadora maioria da população portuguesa.(...)

Se o retrato é este então a «esmagadora maioria» precisa urgentemente de ser educada.

P.S: Tirando obviamente a «promiscuidade». Esta táctica não é nova em César das Neves: juntar no mesmo saco assuntos completamente distintos numa atitude muito pouco honesta. Quem o lê (e alguns concordam) associa imediatamente a relação sexual fora do casamento com promiscuidade, por exemplo. Isto é inaceitável, sob qualquer ponto de vista (mesmo o religioso).

Democracia

O Governo francês poderá cair nas próximas horas devido à vitória do “não” no referendo à Constituição Europeia. O executivo reuniu-se de emergência durante a manhã e o primeiro-ministro encontrou-se com o Presidente francês. Jean-Pierre Raffarin não adiantou qualquer pormenor sobre o encontro mas tudo indica que deverá demitir-se ou ser demitido pelo Presidente Jacques Chirac.

Se era para acabar em cenas destas, porque não se ratificou o raio da coisa em sede parlamentar?

Da percepção

Well, if you ask me*, I think you're not half of it, but twice as it.

*Yes, I know that my opinion is biased.

Entretanto, por cá

Acabaram-se as angústias sobre o referendo, não é? Podemos todos arrumar as nossas cópias da constituição (cof, cof) na estante e esperar por desenvolvimentos gauleses, porque assim como as coisas estão não vamos a lado nenhum.

Não sei porquê mas

agrada-me o NÃO francês. Não tanto pelo "não", mas mais pelo "francês". E ganhei uma certa simpatia por aquele povo que julgava arrogante na sua cultura europeia. A França que sempre liderou o processo europeu, que sempre foi vista como a cara e o corpo de um projecto inevitável, como a representação perfeita de uma Europa que quer enfrentar a América. Afinal, o povo disse não. E, como isto (ainda) é uma democracia, o povo é soberano.

domingo, 29 de maio de 2005

Sonhando acordado com locais distantes 19

Na cozinha, à vez.

Post de um benfiquista que vive junto ao Marquês de Pombal

Que alívio.

Sim, posto durante a final da taça

Globalização

(conto curto)

Seu maior sonho era exportar pro mundo inteiro suas idéias anti-globalização.

no FDR

Catherine Slessor

Navigating a quiet revolution: Portugal's current generation of architects are inspired latter-day navigators and explorers of a shrinking world

Catherine Slessor,
The Architecural Review, Junho 2004

Poised on the western periphery of Europe, Portugal has always been on the edge, looking outwards. Since its foundation in the twelfth century, the country's history has been marked by cycles of invasion, occupation exploration, emigration and return. Hemmed in between Spain, its overbearing Iberian neighbour, and the vast watery gulf of the Atlantic, Portugul has long been drawn to the enigmatic, enticing sea. The country set sail in the early fifteenth century and never looked back, its explorers and navigators opening up lucrative trade routes to Africa and India. Today, former Portuguese colonies include Brazil, Goa, Macau and Mozambique, reflecting an extraordinary geographical and cultural diversity.

Portugal still has a migrant soul. In the modern era, industrialization and rural poverty fuelled mass migration to cities such as Lisbon and Oporto, swelling their populations and creating a new urban underclass. Following the Second World War, large numbers left to seek work elsewhere in Europe--Paris currently has the second largest Portuguese population after Lisbon. Economic migration is still a hard fact of Portuguese life, with successful emigres often marking their return by building a house on a plot of land (the so-called maisons de reve). Yet the corrosive effects of this dislocation are evident. Portugal's rural interior remains chronically poor and depopulated, with 80 per cent of the country's population occupying a narrow coastal strip between Lisbon in the south and Viano do Castelo in the north. Somewhat alarmingly, this swathe of more or less continuous suburbia has become one of the most densely inhabited parts of Europe, but the rapidity, vapidity and intensity of such development is clearly not sustainable.

For most of this century, Portugal's geographic isolation has been compounded by the political constraints of the Salazar dictatorship, which lasted from 1928 until the Carnation Revolution of 1974. Initially, the re-establishment of democracy was a painful process, but since the 1980s. Portugal has assumed a more confident Western European demeanour, its economic and political life greatly transformed since it joined the European Community in 1986. In some respects, the Portuguese experience parallels that of Ireland, another Catholic Rationalist fastness on the western fringe of Europe, in which poverty and diaspora are an indelible part of national consciousness, and whose traditional economic and social structures were quietly revolutionized by massive EC investment and engagement with the wider world.

Architecture is also feeling the effects of these changes, most obviously in quantitative terms, with the Portuguese profession witnessing a phenomenal growth. In 1980 there were around 1500 architects in Portugal, but this number has now risen to over 10 000, with the number of architecture schools also increasing from two to 23. Though more does not necessarily mean better, architecture is now disseminated, discussed and practised with a renewed vigour and been given wider public impetus by spectacles such as the Lisbon Expo of 1998 (AR July 1998), Oporto's stint as European City of Culture in 2001, and the sporting fiesta of Euro 2004.

Vernacular roots

Historically, Portuguese architecture is firmly rooted in the vernacular, with craft-based, artisanal origins and a limited range of forms and materials. Apart from a Brazilian-style flourishing of Modernism in the 'verdant years' (1) of the 1950s, progress has been slow, and Portugal's urban landscape is not an inspiring sight, with many fine historic town centres in a dilapidated state, surrounded by chaotic peripheries interspersed with unimaginative new development. Yet within this maelstrom it is possible to detect touches of refinement. Over the last 30 years, Modernism has been an essentially liberating influence, nourished by the abstraction, sensitivity and social awareness of the Oporto School positioned at a crucial geographical and philosophical distance from the state-sanctioned orthodoxy of Lisbon. The notion of what architect and curator Pedro Gadanho calls 'critical scarcity' (2) also strongly underpins the best recent Portuguese architecture. Lack of resources together with a relatively unsophisticated construction industry has forced architects to be especially inventive, epitomized by the poetically understated work of familiar pioneers such as Fernando Tavora, Alvaro Siza and Eduardo Souto de Moura, who embody a resonant sense of Portuguese regional identity.

Today's emerging generation is able to draw on a much wider frame of reference than was ever possible for predecessors, that typically involves studying and working abroad (notably on the 'Erasmic axis' of Rotterdam and Basel) to absorb different cultural, conceptual and technical influences. As Yehuda Safran observes, 'In Portugal today, you no longer have to be a Tavora with a Gulbenkian stipend in hand, to travel abroad and enter into the worldwide web of architectural discourse'. (3) Such experiences naturally help to enrich and inform, but on their return, these latter-day explorers must also fit into Portugal's still relatively small architectural milieu in which people tend to know one another, so generating a degree of professional and social pressure. Moreover, many younger architects have spent time in the offices of the masters. 'The sons have too much respect for the fathers', notes Fatima Fernandes, (4) which perhaps helps to account for the inherent conservatism that still touches much Portuguese architecture.

Finding a voice

There are indications, however, that a new generation is starting to find its own voice, tempered and inflected by more exotic influences and general intellectual curiosity. Within this issue, along with work by the established master Eduardo Souto de Moura, whose Braga stadium (p42) shows a new confidence and maturity, are projects by emerging practices such as Aires Mateus, ARX Portugal, Guedes + deCampos, Promontorio Arquitectos and Antonio Portugal & Manuel Maria Reis. In all its various manifestations, their work displays a fascinating cross fertilization of ideas that sympathetically and realistically address the Portuguese condition. Even the Azores, a remote outpost of Portuguese territory marooned in the mid Atlantic, has proved an unexpectedly fertile breeding ground for vibrant experiment (p74). Certain themes emerge--an eagerness to expand the repertoire of forms and materials, a concern with context, a sensitivity to the past (many young architects are working responsively with old buildings), all underscored by an innate awareness of local culture and tradition. There is great hope that, mindful of their recent history, Portugal's new generation of architectural navigators can grow in confidence to absorb and transmute local and global influences to ferment a quiet revolution of their own.

(1) See an essay by Ana Tostoes, 'The legacy of the verdant 1950s' in Portuguese Architecture-a new generation, 2G, IV 2001, p131.

(2) Pedro Gadanho helped to organize the seminal Influx series of exhibitions devoted to the work of younger Portuguese architects between March 2002 and September 2003 at the Silo-Espaco Cultural in Oporto, in conjunction with the Serralves Foundation. An accompanying catalogue Influx: Recent Portuguese Architecture, published by Civilizacao Editora with dual Portuguese and English text provides a lively snapshot of current practice.

(3) Influx: Recent Portuguese Architecture, Civilizacao Editora, Oporto, 2003, p14. 4 In conversation with the author. Fernandes and her partner Michele Cannata edited a major survey of recent work Contemporary Architecture in Portugal 1991-2001, Edicoes ASA, Oporto, 2001. An updated version is due out later this year.

sábado, 28 de maio de 2005

Perceber Lisboa

Para se perceber Lisboa é absolutamente essencial ler o artigo de hoje da Actual: Lisboa vista por Manuel Salgado. Em vez dos lugares comuns que enchem de ruído o debate urbano da capital, Manuel Salgado avança, com a sua habitual clareza, propostas ambiciosas, coerentes, de longo prazo, que deveriam ser a âncora estratégica para os próximos 20/30 anos. Não fosse o nosso sistema político atribuir o cargo de Presidente da Câmara ao partidos políticos e Lisboa estaria muito bem entregue nas mãos de Manuel Salgado.

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Recém-chegado

O Sítio do Não Sei.

Sonhando acordado com locais distantes 18

Por ser demasiado bom é que pode sugerir uma ideia de irrealidade.

E escrevia poemas sobre o tosco

O arquitecto é um empreiteiro que aprendeu a mexer no Photoshop.

Concorrência desleal

(...) Entretanto soube-se que o governo francês gastou mais de 130 milhões de euros no envio de exemplares da "constituição europeia" aos seus concidadãos. (...)

in Portugal dos Pequeninos

My Hero

Hoje, Alain Senderens made my day: French Chef Throws Away Michelin Stars. Qual Piano Man, qual quê, esta é que é uma história difícil de acreditar.

Transubstanciação



in Público de hoje (sem link, sem link).

As achas todas na fogueira

Caro Ricardo, percebo o grito (Respeito pelo Arquitecto na obra, precisa-se!), mas deixa-me arriscar que o problema talvez seja o arquitecto não se dar ao respeito. Quando dizes que «importa imperar o bom senso e não ceder perante os caprichos do cliente», apesar de perceber o motivo do desabafo, não me deixa de incomodar essa atitude face ao cliente. De uma vez por todas temos de perceber que o melhor amigo do cliente na obra tem de ser o arquitecto, não o contrário. E se isso não é assim agora então é preciso mudar. Mudar os arquitectos, claro está.

Sonhando acordado com locais distantes 17

Onde uma biblioteca cheia de livros numa língua incompreensível nos obriga a encomendar textos vindos do outro lado do Atlântico. Numa língua compreensível.

Onde estão as varandas e os terraços de Lisboa, generosamente voltados para o Tejo, nas colinas que sobem (ou descem) lado a lado?

Precisamente.

quarta-feira, 25 de maio de 2005

O Código de Barras



O João, no mundo difícil e muito hardcore que é o da construção civil do Portugal profundo, conseguiu arrancar esta obra com pilares dançarinos. Parabéns.

P.S: João, que tal arquivares a série Livro de Obra num local próprio, por exemplo num blogue autónomo? Fica a sugestão.

P.S2: Já agora que estamos numa de recados, que tal introduzires os bonecos que faltam nos textos do Hardblog Plus?

Sonhando acordado com locais distantes 15

Everything, and everyone, has a time; a person has to fit yours. So she was the right-enough woman, at the right-enough time.

White City Blue, Tim Lott

Info

Arranca hoje a 75ª Feira do Livro de Lisboa. Este ano o recinto tem a assinatura de Marcos Cruz e Marjan Colletti (marcosandmarjan).

There is always a temptation for a young architect to start out with style

When style is forced to become a trademark, a signature, a personal characteristic, then it also becomes a cage. The effort to be recognisable at any cost, to put your hallmark on things, kills the architect and his or her freedom to develop. The mark of recognition lies in the acceptance of the challenge. And then, yes, it does become identifiable: but by a method, not by a trademark. Perhaps my style lies in the way I interpret architecture: the sort of challenge represented by responding in a straightforward and different way to needs and expectations that are themselves always different. There is always a temptation for a young architect to start out with style. But I started with doing: with the building site, with research into materials, with the knowledge of construction techniques, conventional and otherwise. My journey through architecture started out from technique and has gradually led me to an awareness of its complexity as space, expression and form.

Logbook, Renzo Piano

Epiderme

O Pedro Jordão voltou e trouxe imagens. Uma boa notícia.

terça-feira, 24 de maio de 2005

Palmadinha

Eu gosto de Guterres. Sinceramente. Reconheço nele um homem bom, um coração disponível, uma capacidade de gerar simpatia que fica sempre bem em política. Não estou a praticar ironia de baixo calibre, estou mesmo a ser verdadeiro. Mas este homem bom revelou-se incompetente para governar Portugal (reparo agora que ser incompentente para governar portugueses não me parece lá grande defeito). E por isso me espanta extraordinariamente a sua nomeação para um cargo, seja ele qual fôr, nas Nações Unidas. Que Guterres tenha capitalizado o seu charme político até à presidência da Internacional Socialista ainda percebo, mas este voto de confiança dado por Kofi Annan não passa disso mesmo, um voto de confiança. Desiludem-me estes critérios (ainda que não viva iludido com a ONU).

Ainda o bom António

Uma coisa é certa: os refugiados vão começar todos a dialogar.

Saldos

Vende-se. Político português. Pouco uso (apenas exerceu cargos de governo). Barato. Ideal para altos cargos internacionais.*

*Oferta limitada ao stock existente.

Sonhando acordado com locais distantes 14

Hoje, pelo andar da carruagem, bem se pode esquecer o acordado do título.

Sonhando acordado com locais distantes 13

Onde um gesto simples afasta as preocupações trazidas, sem pedir licença, pelo cansaço.

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Tecnologia atrasa amor

Ia atrasado, com as flores na mão, mas as portas automáticas do metropolitano teimaram em não reconhecer o seu passe.

Sonhando acordado com locais distantes 12



What has the Internet ever done for us?*

*Adaptado de Life of Brian

Sonhando acordado com locais distantes 11

Mas com datas próximas.

Post que fala da lista do fórum da família e afins das assinaturas da notícia do sexo e silva

Maria d´Assunção de Mello Cabral da Câmara de Sousa Loreto
Maria João Pinto Basto Bobone Pinto de Magalhães
Maria Leonor da Costa Pinheiro Líbano Monteiro Rocha e Mello
Maria Inês da Costa Pinheiro Líbano Monteiro de Sepúlveda Veloso
Maria Cristina Ferreira da Silva da Costa Freitas da cunha Monteiro
Rita Maria Pinto Basto Pinheiro Torres Sarsfield Rodrigues
Margarida Maria Sottomayor Pinto Castello Branco Silva Fernandes
Maria Helena Kol de Carvalho Santos Almeida de Melo Rodrigues
Ana Rita Botelho de Queiroz Franco Falcão Deyrieux Centeno
Maria Antonieta Teixeira Monteiro Sanhudo Novais da Cunha Coutinho
Graça Maria do Monte-Pegado de Sa Coutinho de Sousa Pinto
Paula Cristina Ponces Rodrigues de Castro Camanho Romano Martinez
Pedro Maria de Castro Mello Albuquerque sottomayor Noronha e Silva
Maria Carlota Vasconcelos Teixeira Avides Moreira Santiago Sottomayor

etc.

É do caraças esta lista.

Sonhando acordado com locais distantes 10

Onde duas palavras tentam, em vão, convencer que se esforçam por cobrir.

Aquele que sempre preferiu fazer a falar



Fizesse eu a história da arquitectura e Renzo Piano seria ensinado nas escolas. Há no sorriso deste homem uma vontade de transformar o mundo que a sua arquitectura denuncia. Aliás, pode dizer-se que esta arquitectura é desenhada pelo sorriso fácil deste Genovês filho de construtor, que encontrou em Paris uma pátria adoptiva. É pena que a sua obra, no contexto académico, seja constantemente encostada ao rótulo técnico, o seu nome listado juntamente com Norman Foster, Richard Rogers ou Nicholas Grimshaw, arquitectos que fazem da técnica um fim e não um meio. Piano é diferente. Diz-se artesão. Gosta do detalhe, do encaixe, da tectónica que tem elevado a arte. O bom Frampton gosta dele, e eu também. É um escape real do beco sem saída em que se está a enfiar a arquitectura contemporânea, fascinada pelo não-lugar, pela não-materialidade, pela não-arquitectura. Renzo Piano (que, e fica uma nota pessoal, encaixa num estranho perfil de herói que tenho: o seu nome são palavras de cinco letras) desenha para construir, enquanto outros desenham para falar.

Obra

Está a nascer



a nova sede do NY Times.

O meu perder é muito feio

Já só me falta ouvir que ganhámos porque eles deixaram. De resto já ouvi tudo.

Adenda (20 minutos depois): afinal já disseram: este foi o campeonato oferecido por Sporting e FC Porto ao Benfica. Triste, muito triste.

Mandasse eu no mundo

e o Benfica seria campeão com outra equipa. Foi esta: pobre, sem brilho, defensiva, previsível, banal. É isto uma queixa? Não, apenas um desabafo. Mas ganhar assim sabe a pouco.

domingo, 22 de maio de 2005

Então, e não falas de bola, hoje?

Jack Johnson 6

Vamos lá ver se dá para perceber. Um tipo é surfista. Gosta das ondas. Quando a coisa está flat, pega numa guitarra e sobrepõe umas letras sobre miúdas a uns quantos acordes de fim de tarde. Os amigos começam a achar piada. Passam palavra. O disco é gravado. Passados uns tempos, vem dar um concerto a um pequeno país (ainda que com boas ondas) a 12608 km de casa. E ouve uma sala lotada a cantar, palavra por palavra, as melodias incrivelmente simples que se lembrou de compor debaixo da bananeira. Deve ser de um tipo perder a cabeça.

Jack Johnson 5

Momento alto do concerto. Jack Johnson convida Donavon Frankenreiter (nem acredito que acabei de acertar à primeira nesta ortografia) e toda a sua banda para acabar o concerto. Donavon solava, e solava, obrigando Jack Johnson a interromper abruptamente pentatónicas furiosas e virtuosas. Fim de canção. Cena, já esperada, do adeus prematuro: os músicos encenam a retirada de palco. Todos acenam e começam a dirigir-se para o backstage. Todos? Não. Um irredutível havaiano permanece especado a olhar para o fundo da sala. Quem sabe se influenciado por substâncias caras a Ivo Ferreira. Provavelmente. Mas a verdade é que o cabeludo teve de ser puxado pelo braço por Jack Johnson. Por ele ainda lá estava a debitar slides e hammer-ons.

Jack Johnson 4

«I can't believe we've waited so long to come here.»

Jack Johnson 3

Houve alturas em que a secção masculina do público estava quase toda virada de costas para o palco. Nesse aspecto Jack Johnson não foi o único a dar espectáculo ontem.

Jack Johnson 2

Nunca tinha estado num concerto onde o público cantasse, integralmente, todas a lyrics. Arrepiante.

Jack Johnson

- Então, por quanto é que conseguiste?
- Nem imaginas, 70 euros!
- A sério?!
- Sim, ganda sorte.
- E não conseguisses, como é que fazias?
- Pedia ao meu pai para me vir buscar.

Coliseu dos Recreios, ontem, por volta das 20h39

Sonhando acordado com locais distantes 9

Onde a madrugada é a mais útil altura do dia.

Sonhando acordado com locais distantes 8

Uma porta, uma janela, muitos livros, um conforto incomparável.

Sonhando acordado com locais distantes 7

Onde o dia começa preguiçoso e só depois de muito incentivado.

sábado, 21 de maio de 2005

Assim na prancha como na guitarra

Sobre Jack Johnson e toda a aura surfista que o rodeia relembro um texto do Nuno Costa Santos, publicado n'A Capital e re-publicado no Quase Famosos e re-re-publicado aqui:

«Todos nós temos um amigo surfista. Até o Ramalho Eanes deve ter um amigo surfista. Mais: até a Maria Gabriela Llansol deve ter um amigo surfista. Nem que seja o Rodrigo Herédia – que, segundo as revistas, é amigo de meio mundo. Eu tenho vários amigos surfistas – alguns dos quais vêm do tempo da adolescência. Surfistas que passavam a vida a ler Kierkegaard e Yeats, mas ainda assim surfistas (é claro que faço estas referências cultas só para não alienar todo o meu prestígio já no primeiro parágrafo).
E quem é amigo de surfista durante a adolescência sabe que mais cedo ou mais tarde vai fazer o papel de namorada de surfista. Sim, mais cedo ou mais tarde o amigo de surfista vai ficar durante horas dentro do carro e em intermináveis passeatas no meio dos rochedos à espera que o surfista acabe de subir e descer ondas. Há quem dê em louco. Há quem dê em maricas. E há quem dê em poeta, como é o meu caso (que, segundo o que se diz por aí, é uma mistura dos dois primeiros).
E o que é que faz um amigo de surfista quando entra na casa dos 30? Começa a ouvir música de surfista. Ora, um dos mais renomados representantes da chamada música de surfista é um tipo chamado Jack Johnson – também ele surfista, nascido no Havai. Johnson vem ao Coliseu, no próximo dia 21 de Maio. Escusam de ir tentar comprar bilhetes nos sítios normais porque esgotou. Quem quiser estar durante horas rodeado de rapariguinhas loiras (as verdadeiras namoradas de surfistas) tem de ir à candonga. Não se preocupem com a possibilidade de levarem uma sova por ciúme. A surfística rapaziada estará toda a adorar o homem que faz para milhares de pessoas aquilo que um surfista engatatão (passe o pleonasmo) costuma fazer ao fim da tarde na praia: tocar músicas para conquistar miúdas.
Johnson gravou três álbuns. O último, In Between Dreams, acaba de sair. Confesso: não convence tanto como os primeiros, Brushfire Fairytales e On and On. Ainda ontem, um amigo (talvez o único que não é surfista) disse que se não conhecessemos os primeiros e só ouvíssemos In Between Dreams, provavelmente o disco passar-nos-ia ao lado. Perante afirmação tão certeira, não quis ficar atrás e comentei - enquanto erguia a bica e o rissol - que este podia ser um primeiro álbum de Jack Johnson, anterior a Brushfire. Parece que o talentoso havaiano resolveu voltar a surfar umas ondas antigas quando já estava quase a chegar à praia.
O registo é mais ou menos o mesmo: músicas suaves, entre o blues, o funk e o hip hop de fim de tarde, com a solarenga voz de Johnson por cima. Mas, para irmos directamente ao assunto, os dois primeiros álbuns têm melhores músicas. Quem ouve «Inaudible Melodies» (do primeiro) não se esquece da canção – e é capaz de passar o dia a repeti-la (no meu caso, dada a minha falta de voz, levando à letra o título). O mesmo se passa, por exemplo, com «Times like these», «Traffic in the sky» e «Wasting Time», de On and On. Em «In Between Dreams» é tudo mais fácil, às vezes quase banal.
As melhores música talvez sejam «Breakdown» e as duas últimas, «Do You Remember» e «Constellations». Também há pelo meio uma música de engate: a curtinha Belle, cuja letra é «Oi lienda/ Bella che fa?/ Bonita, bonita que tal/ But belle/ Je ne comprends pas francais/ So you’ll have to speak to me/ Some other way». Não, não sabia que Jack, um exímio letrista, tinha convidado Zezé Camarinha para escrever umas coisas.»

Fortunate Fool

Encontrei o meu bilhete*.

O site de Jack Johnson é um mimo: sucedem-se versões não editadas de canções suas, em duetos inesperados, mais ou menos subtis, mais ou menos solos, sempre com a boa onda que o caracteriza.

Para quem se interessa: *missing in action há cerca de dois meses.

Sonhando acordado com locais distantes 6

Onde o cinzento mal cumpre a sua função.

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Sonhando acordado com locais distantes 5

Onde no «corpo e meio» cabem dois corpos inteiros.

Sonhando acordado com locais distantes 4

Onde uma tempestade primaveril ameaça a compostura da janela.

Sonhando acordado com locais distantes 3

Onde alguém que mora em frente não sabe a sorte que tem.

Sonhando acordado com locais distantes 2

Farei disto uma série.

Benefício da dúvida

Muita gente se espantou por Pedro Sales ter vindo dizer que a coluna de Joana Amaral Dias era uma das melhores da imprensa portuguesa. Por mim estou preparado para acreditar na afirmação, até porque tudo leva a crer que a coluna em questão seja mesmo melhor do que a média.

Bonito de se ver.pt

A maturidade chega quando os amigos se começam a casar e a usar os endereços electrónicos das empresas onde trabalham para enviar piadas sobre a jornada do fim-de-semana.

À procura do meu espaço

Não há por aí um «sítio do ainda não sei»?

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Sonhando acordado com locais distantes

Onde, por exemplo, se declaram amizades infinitas.

quarta-feira, 18 de maio de 2005

O futebol, a rádio, e os 'e's sobre-valorizados

Peseiro é Péseiro, alcoolemia é alcolémia (continua).

Portugal surreal

Artigo 121º do RGEU:

As construções em zonas urbanas ou rurais, seja qual for a sua natureza e o fim a que se destinem, deverão ser delineadas, executadas e mantidas de forma que contribuam para dignificação e valorização estética do conjunto em que venham a integrar-se.Não poderão erigir-se quaisquer construções susceptíveis de comprometerem, pela localização, aparência ou porpoções, o aspecto das povoações ou dos conjuntos arquitectónicos, edifícios e locais de reconhecido interesse histórico ou artístico ou de prejudicar a beleza das paisagens.

Subscrevo por baixo

(...) A ligeireza com que o resto do país se juntou à causa é francamente incomodativa. Pessoalmente, dispenso a solidariedade de circunstância. Já é suficientemente complicado lidar com a aura trágica num clube onde ninguém se esquece, em momento algum, da possibilidade real de derrota, seja contra que adversário for, sem termos de entrar em campo a lutar contra o décimo segundo jogador da outra equipa: o azar trazido pelo lampião anónimo que pensa torcer por nós. Assim como o Figo não pode ir à selecção nacional quando lhe dá jeito, dos outros clubes exige-se um permanente sectarismo, não uma qualquer tentativa de objectividade. Não há partilha, há competição. Para a glória, assim como para a calamidade, estamos cá nós.

O Silva

Eu, lampião anónimo, assumo-o: hoje não torço pelo Sporting. Que fique claro. Não desejo a vitória do Sporting, como não desejo a derrota. Simplesmente não desejo nada. Como vou ver o jogo e, ao contrário de outras pessoas, gosto de futebol e não só do Benfica, talvez deseje um bom jogo. Muitos golos, de preferência. Que fique 6-5, independentemente de quem ganhe. Torci pelo Sporting na meia-final, como aqui o disse, porque isso ajudaria (como ajudou) o Benfica. Mais nada. A partir de agora o Sporting está entregue aos Sportinguistas. A glória será (é) só vossa.

Impõe-se

João Miguel Amaro Correia, por extenso.

Não é a primeira, não é a segunda

O maradona (que entretanto já tratou de co-incinerar os posts anteriores ao dia de hoje) mantém o prognóstico de derrota do Sporting (ver Táctica de Jogo). É quase comovente esta mistura explosiva de humor, sportinguismo, conhecimento futebolístico e bem-escrever.

Jornal dos Arquitectos

Lá vamos nós levar na corneta com as “metamorfoses”, os “fluxos”, as “bio-arquitecturas”, o “cyber-habitar” e merdas que só interessam a quem não tem tomates para fazer arquitectura de tijolo e cimento e pensamento.

terça-feira, 17 de maio de 2005

Deus enquanto arquitecto

Aqui.

Via Abrupto.

O arquitecto enquanto Deus



Renovation and Expansion of the Morgan Library, New York City (NY)
Renzo Piano

Ela mexe-se

Descoberta curiosa.

E o resto é paisagem



Braga

Senseless aforismo

Quando o alçado é bonito, pouco se aproveita; quando o corte é bonito, o espanto dura um momento; quando a planta é bonita, não nos apetece de lá sair.

Casa de férias

Quando a palavra regionalismo fazia sentido faziam-se coisas assim.

P.S: E faz toda a diferença ser crítico. Tem de o ser, obrigatoriamente.

Silêncio

para que se escute com atenção.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

O mar é de todos

Escrevi há cerca de uma hora um post sobre a capa do DN de hoje. Apaguei-o minutos depois, na certeza de que o que eu gostaria de dizer seria provavelmente dito por alguém, com mais talento. Pois bem, tinha razão. Cá está.

domingo, 15 de maio de 2005

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Acabo de ver, na Sic-Notícias, num programa intitulado «Tempo e Traço», que aborda os temas da arquitectura, paisagismo e design, uma curta entrevista a Júlio Machado Vaz. O professor falava da sua casa, a casa que construiu recentemente. Pelas primeiras imagens da obra percebi que se tratava de um óptimo projecto de arquitectura. A casa é um paralelipípedo sereníssimo, comprido, de betão à vista cinzento-chuva, implantado num terreno relativamente acidentado mas coberto por um manto verde de relva fresquíssima. O interior é directo e coerente com a austeridade delicada da imagem que se forma no exterior. O contraste entre este corpo racional e ortogonal com o manto ondulado vegetal é uma aposta ganha. Mas o que mais me espantou foram as palavras de Júlio Machado Vaz. Todo o processo que conduziu à construção da casa é interessantíssimo e serve de exemplo do processo arquitectónico que é muito frequente neste tipo de projecto. Digo isto porque estou desde há algum tempo para cá a tentar escrever um texto sobre a complexidade (e contradições) da relação entre cliente e arquitecto no que toca à construção da casa própria. O melhor mesmo é tentar reproduzir as declarações do professor, de memória, na primeira pessoa. Cá vai:

«Cresci a ouvir falar numa casa. Toda a minha família, o meu pai, os meus tios, os meus avós, falava constantemente de uma casa que eu nunca cheguei a conhecer. Uma casa carregada de histórias familiares. Essa casa foi vendida sem que eu chegasse a conhecê-la, o que eu achei uma obscenidade. Decidi então que um dia reconstruiria essa casa, a tal casa que eu nunca cheguei a conhecer, para poder voltar a criar uma referência familiar. Deu-se nessa altura o primeiro milagre: o meu filho mais velho escolheu arquitectura. Achei que estava tudo feito: eu tinha o dinhero, ele tinha o talento, e a casa construir-se-ia quase por geração espontânea. Foi-me apresentada a primeira ideia para a casa e eu tive um choque. A casa não era nada daquilo que eu tinha imaginado. Eu tinha uma casa velha de pedra para reconstruir e achei que era isso que ia fazer: uma casa de pedra, com uma varanda à volta, com os meus netos a brincar no jardim à frente. Quando vi aqueles desenhos achei que nunca iria ser capaz de habitar aquela casa. Ou a casa ou eu, um de nós, seria um extra-terrestre. Porque não quis desiludir o meu filho nem mostrar a minha total falta de cultura e de gosto, nada disse, e a casa seguiu e foi construída. Combinámos então vir cá passar o primeiro fim-de-semana. Eu vim cheio de dúvidas. Continuava a achar que não iria ser capaz de habitar aquela casa. Deu-se então o segundo milagre: nessa noite, quando me deitei pela primeira vez, senti-me como se tivesse vivido toda a vida naquela casa. E hoje vejo-a como algo que eu estou a deixar para o futuro, para os meus netos, os meus bisnetos. Uma casa que vai ter a sua própria história. E acho que isso é o mais importante.»

Apetece-me dizer que nem em todos os projectos se tem a sorte de ter como clientes os próprios pais e, mais ainda, um pai que, por respeito e consideração pelo filho, lhe dá carta branca para projectar. Apesar disso este é um óptimo exemplo daquilo que é a dificuldade, ou melhor, a diferença de sensibilidade e visão entre o arquitecto e o cliente, diferença essa que torna difícil a comunicação entre quem domina o ofício (a arquitectura) e quem tem um desejo muito forte de (re)construir uma casa pensado na (re)construção de memórias afectivas fortíssimas. Acredito que esta casa nova e estranha terá uma muito maior facilidade em ser palco de afectos e memórias do que uma preconceituosa casa de pedra com varanda à volta. Porque a casa é de hoje, com uma identidade própria e uma beleza que é sua.

Júlio Machado Vaz tem um blogue, o Murcon, que aproveito para juntar à lista de links. Aproveito também para lançar daqui um pedido ao professor para que, se possível, publique algumas fotografias da sua casa, para todos podermos partilhar desse seu «milagre».

Even cheaper

Do Porto, pela Ryanair, a partir de €24.99 (ida), e €0.99 (vinda, se a coisa não correr bem).

sábado, 14 de maio de 2005

Rui Santos, Sic-Notícias, 22h02

«O Sporting errou na estratégia, aliás, como eu tinha previsto.»

Googlado

É o que está a acontecer com este blogue. De há uns dias para cá o sitemeter tem registado um número de visitas muito fora do normal. Digo-o com a preocupação natural de quem reconhece uma utilidade importante ao sitemeter como indicador do número e tipo de leitores que um blogue tem. Sim, interessa-me saber quantos leitores tenho. Só escrevo porque sou lido. Toda a gente que tem um blogue assim o faz, mesmo aqueles que o negam. Por isso é importante para mim que o sitemeter seja uma coisa fiável. O meu deixou de o ser. O motivo? É ir ao Google e fazer uma pesquisa por "site isabel figueira". O resultado prejudica toda a gente, mas, sobretudo, todos aqueles que procuram fotos em bikini. Se o fenómeno se mantiver apagarei o post que está a dar origem a isto tudo (e provavelmente terei de alterar este, já que contem a mesma expressão). Por enquanto vamos ver no que isto dá.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

Análise imparcial

Onze contra onze, diz o povo, e tudo pode acontecer. Pois, mas interessa saber que onze contra que onze. Para esclarecer quaisquer dúvidas que possam existir, aqui fica uma imparcial (como se pode conferir) comparação dos dois prováveis (ou aproximados) onzes:

Guarda-Redes

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Quim
scp: ricardo

Ricardo joga bem com os pés. Quim joga bem com as mãos. 1-0, para O Glorioso Sport Lisboa e Benfica.

Defesa-Central Direito

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Luisão
scp: polga

Vou tentar ser sucinto neste post. Por isso, e dados os dois nomes em questão, passa-se ao seguinte. Obviamente, 3-0 para O Glorioso Sport Lisboa e Benfica (a diferença de qualidade entre estes dois jogadores é tão grande que vale por dois.)

Defesa-Central Esquerdo

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Ricardo Rocha
scp: beto

Se, em vez da marcação, qualidade de jogo aéreo, carrinhos in extremis, poder físico, corte de cabelo entre outras, o palavrão e a má educação fossem armas a ter em conta num defesa, talvez, e digo apenas talvez, pudéssemos conseguir estabelecer uma tentativa de princípio de comparação entre o grande Ricardo Rocha e beto. Como o «filho-da-puta, cabrão» ainda não impede golos, 4-0 para o O Glorioso Sport Lisboa e Benfica. De caras.

Defesa Lateral Direito

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Miguel
scp: rog...

Próximo!

Defesa Lateral Esquerdo

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Dos Santos
scp: r. jorge

Porque Dos Santos é mais parecido fisicamente com Roberto Carlos (pele de tez escura e careca orgulhosa) usaremos esse facto como critério de desempate. 6-0.

Trinco:

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Petit
scp: rochemback

O rochemback é o melhor jogador da outra equipa. Será justo dizer que se impõe atribuir o pontinho a essa equipa, aqui no tópico "trinco", e, por isso, vamos ignorar que estamos a comparar esse gordo "tomá no cu" com Petit, e vamos lá ser sérios: 6-1, pontinho para a outra equipa.

Médio Centro:

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Manuel Fernandes
scp: custódio

7-1.

Médio Direito

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Geovanni
scp: moutinho

Moutinho consegue aqui recolher toda a compaixão do analista. Afinal, não por acaso que, para os lados de Alvalade, já lhe chamam «o novo Simão». 7-2.

Médio Esquerdo

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Simão
scp: viana? barbosa? douala?

Não interessa. Simão é Simão é Simão. Golo de livre directo (ao fim de 253 jogos) e mais um de penalti duvidoso. Vale por dois. 9-2.

«Segundo avançado»

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Nuno Assis
scp: s. pinto

Pelo poder de explosão, pela garra, pelos anos todos de entrega ao clube, pela empatia com a massa associativa, pela agressão a Artur Jorge (ok, esqueçam o resto, pela agressão ao Artur Jorge), ponto verde. 9-3

Ponta de Lança: Nuno Gomes
scp: liedson (o quê? não joga? quem? pini quê? hat-trick em Braga? quem? não conheço)

10-3.

Treinador

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica: Trapattoni
scp: peseiro

Menos um ponto a cada equipa. 9-2.

Cá está. A análise que se impunha. Agora atrevam-se lá a dizer que são onze contra onze.

Separados à nascença



Paul Klee, nach der Zeichnung 19/75, 22 x 16 cm, auto-retrato de jmac.

Cabrões

A malta que, desde há uns anos para cá, tem vindo a transformar a Ponte Vasco da Gama numa pista de corridas tunning, com a conivência das autoridades, matou esta noite uma pessoa (procurei o link da notícia mas não encontrei, ouvi na TSF). Fiquei suspenso a ouvir para saber quem tinha morrido e não escondo a frustração quando ouvi "o morto não era o condutor do carro alterado". Cabrões.

Actualização: Aqui fica a notícia, e a reacção pronta da Associação Portuguesa de Transformação e Acessórios Automóveis.

quinta-feira, 12 de maio de 2005

O aborto contra ataca

O Vasco Barreto re-publica um texto de 2003 sobre o aborto. É uma explicação moderada e fundamentada de uma posição pessoal a favor da despenalização do aborto, em Portugal, até às 10 semanas (ou 12). Só hoje o li decentemente, se por decentemente se puder entender uma leitura paredes meias com uma alheira e uma imperial. Nunca é demais dizer que um dos maiores absurdos da situação actual é a caricaturização das posições antagónicas, com o tempo de antena a ser constantemente dado aos extremos de cada lado. O texto do Vasco é, por isso, um óptimo contributo para a discussão. Vale a pena ser analisado ao pormenor, coisa que talvez farei, mas para já dou um contributo pessoal ao tema. No texto do Vasco alude-se ao facto de esta ser uma questão onde são raras as mudanças de posição, numa referência àqueles que defendem a aprovação directa na assembleia de um projecto de lei que resolva o problema, já que o referendo terá deixado de ser uma opção viável para alterar o status quo. Concordo com esta caracterização de base do estado da actual discussão: a irracionalidade apresenta índices muito elevados. Mas no meio disto tudo há uma mudança de opinião: a minha. Continuo a considerar, como sempre o fiz, o aborto como uma prática moralmente condenável (e aqui falo das situações que estão fora do âmbito da actual lei), tal como o Vasco às tantas diz: «(...) sou inclusivamente obrigado a tolerar que se pratique o aborto (nos prazos legais que discutimos) como método contraceptivo rotineiro. Porém, nada me obriga a respeitar quem, devidamente informado, continue a fazê-lo.» A questão de fundo está resolvida. Resta decidir que posição tomar quanto ao papel que deve o Estado ter no meio disto tudo. Votarei "sim" no próximo referendo (se ele chegar a existir), coisa que não teria feito em 1998 se tivesse podido votar (era menor). A minha convicção explica-se sucintamente: considero que a possibilidade de realizar o aborto legalmente e com as condições de saúde exigíveis contribui decisivamente para duas situações-chave: (1) o fim da vergonha e do perigo que são os abortos clandestinos, e (2) a diminuição de facto do número de abortos realizados. Este último ponto representa mais uma convicção bem-intencionada do que uma constatação estatística, coisa que talvez desenvolverei noutro post. Por agora deixo a interrogação maior que se levanta ao ler o texto do Vasco: se não é possível determinar nenhum prazo cientificamente coerente para a realização do aborto (o que me parece consensual), e se, a juntar a isso, há outras razões que levam a que um aborto realizado às 10 semanas seja diferente de um realizado às 25 semanas (o que me parece também consensual), não estaremos a perpetuar a condição subjectiva e moralista da discussão (mesmo considerando os argumentos de ordem pragmática que são invocados)?

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Chuva

E, de repente, um inesperado acontecimento devolve-me a serenidade: o som da água que cai lá fora, batendo no chão, no tecto, nos carros. Gosto de chuva, e sempre tive um fraquinho pelos momentos quando ela aparece assim, fora de tempo, sem se fazer anunciar, depois da seca, antes do verão. O som é contínuo, lento, constante, quase envergonhado, como quem pede desculpa por não ter aparecido à hora marcada.

A ler

O novo dirigismo cultural (III), por Vasco Graça Moura.

Não o acho infantil

Bem pelo contrário, bem pelo contrário. Sim, há as letras e os bonecos, mas já viste onde ficam? Não interessam as coisas em si, mas o resultado de quando aplicadas onde devem ser aplicadas. Não o acho infantil. Mesmo.

É mesmo assim

Não me preocupa não deixar a minha marca, basta-me que deixe o meu recibo.

terça-feira, 10 de maio de 2005

Critérios editoriais

«V: Ainda sonha com a guerra?

ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que,agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisasextraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.

V: Parava a guerra?

ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?

V: Não vou pôr isso na entrevista...

ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?»


António Lobo Antunes, em entrevista à Visão (algumas semanas atrás)

O preço da fama

Um dos malefícios da mediatização da arquitectura é sobre-valorização dormente daquilo que é caro. Basta passar os olhos pela lista dos vencedores do Pritzker para se perceber que o que ali se vê são as obras de arquitectura mais caras que se pode encontrar. Não pretendo com isto insinuar que é fácil fazer arquitectura com mais orçamento. O que me inquieta é pensar que o nosso espírito crítico baixou tanto que nem percebemos esse pormenor. O que se reflecte na arquitectura que vai fazendo história, que é quase unicamente de iniciativa pública, com recursos elásticos. Exceptuando a habitação (e as casas, também elas, caras), a arquitectura que tomamos por interessante caracteriza-se por um elevadíssimo preço por metro quadrado de construção. Inconscientemente (ou não) é mais difícil reconhecer qualidade em obras, diga-se, baratas. E contribui para que a arquitectura continue a ser vista como uma actividade que encarece a construção, tornando-a dispensável aos olhos dos promotores. Não tenho dúvidas que a batalha da arquitectura se ganhará provando a sua utilidade ao olhos do cliente, de qualquer cliente. Para isso a classe devia ter interesse em divulgar e premiar obras correntes, não no sentido da arquitectura banal, mas no sentido do orçamento vulgar. Tentar uma aproximação às necessidades do consumidor (a arquitectura, como qualquer outra coisa, consome-se). Conseguir que a arquitectura deixe de ser vista como um luxo.

Direitos humanos 2

Privado.

Direitos humanos

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Balls



Pavilhão da Realidade Virtual, Manuel Vicente

Quando um gesto arquitectónico se torna metáfora de uma coragem desalinhada.

Rigor

Em operação concertada com o jornal A Bola, o Complexidade e Contradição torna público que não publicará na semana que se inicia hoje quaisquer declarações que possam contribuir para o destabilizar e o incendiar do ambiente futebolístico nacional*.

* A não ser aquelas que manifestamente possam beneficiar o Benfica. Critérios editoriais.

Não sei do meu bilhete para o concerto do Jack Johnson

E isso chateia-me particularmente.

Hard

«Eu, com os empreiteiros, é de +*&$%"@ para cima.»

Pessoa devidamente abatida com a derrota do Benfica e com o álcool ingerido na noite antes, Bairro Alto, Sábado, lá para as 2 da manhã

«Vê lá se participas em concursos, para ver se ganhas alguns, não te fiques pelo blogue, a escrever coisas sobre o Ratzinger.»

Pessoa devidamente alcoolizada, Bairro Alto, Sábado, lá para as 2 da manhã

Alguém percebeu o que queria o Manuel Graça Dias dizer no artigo do Expresso sobre a Casa da Música?

«Se calhar não pôde dizer o que queria.»

Pessoa devidamente identificada, Bairro Alto, Sábado, lá para as 2 da manhã.

sábado, 7 de maio de 2005

É um roubo, é um roubo

E cá nos preparamos nós, Benfiquistas, para mais um jogo onde a vitória nos será entregue pela arbitragem, sem vergonha, à vista de todos. Primeiro, não marcará um penalti a favor do Benfica, só para não dar muito nas vistas. Depois, expulsará um jogador do Penafiel por este lhe chamar "filho-da-puta". E para finalizar, assinalará um penalti onde haverá dúvidas. Antes do fim do jogo, mostrará ainda o segundo amarelo a mais um jogador do Penafiel por este fazer uma segunda falta para cartão amarelo que, como manda a jurisprudência do futebol luso, devia ser perdoado. Estou tranquilo, portanto.

Jorge Perestrelo

Quando, na hora da morte de um homem relativamente novo, os amigos e colegas conseguem falar com um sorriso na cara, é porque a sua vida foi boa.

Parasitas

«O campo alberga mais inimigos da literatura [insectos] do que um curso de Gestão.»

Pedro Mexia, in Grande Reportagem 226

O que é que é isso, ó meu?!

Morreu Jorge Perestrelo.

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Tony Blair (com foto)



Os meus amigos de direita julgam-me um controverso progressista; os meus amigos de esquerda julgam-me um fascista. Não serve esta indiferente curiosidade para me vestir com o manto da independência que muito boa gente julga sacra. Apesar disto, sou de direita. Não sei bem explicar a origem do fenómeno, mas julgo acreditar que politicamente estou do lado onde não estão aqueles que entendem que a palavra "socialismo" consegue carregar alguma conotação positiva. Adiante. Serve isto tudo para tentar dar a devida importância ao que me preparo para, solenemente, afirmar: Tony Blair é o único estadista europeu digno desse nome. Estadista. Líder, carismático, eficaz. Não há em nenhum outro país europeu ninguém por quem eu tenha tanta estima e consideração política. Note-se, não faço análise política de fundo, porque não tenho formação para isso, apenas professo uma simpatia própria de quem olha de baixo. Alguma direita, é sabido, gosta de Blair porque lhe aponta políticas de direita, o que, sendo ou não justas essas alegações, serve mais para irritar a esquerda do que outra coisa qualquer. Mais: há quem aponte Blair como o pai de uma "terceira via", a via do centro, que eu nem me atrevo a tentar compreender. Pois que Tony Blair seja de esquerda que para mim é indiferente (até porque a esquerda anglo-saxónica não é bem a esquerda desta cultura afrancesada pós-Maio de 68 que nós, infelizmente, herdámos). Sinto talvez que a principal razão que se atreve a tentar explicar a minha admiração por este homem é o sorriso fácil da sinceridade: vejo Blair no parlamento (aquela impecável sala de madeira e verde) e vejo sempre um homem motivado, confiante, alegre, com um sentido de humor genuíno e fácil e extremamente à vontade. Se a Europa estivesse a ser conduzida por Tony Blair eu votaria com alegria no "Sim" a tudo o que me perguntassem.

O site oficial da Isabel Figueira está on-line desde ontem

Quanto é que custa fazer um jardim no Parque Mayer?

É somar o preço das plantas ao dos honorários que Gehry tem a cobrar.

Manuel Subtil

Se ninguém comenta eu acabo com a brincadeira.

Por condescendência

Toma lá um link. Espera, melhor, toma lá dois.

«O Polga, em particular, anda a descobrir o Hugo que há dentro dele.»

O Sporting é um clube incapaz de glória. Até para as vitórias temos que perder jogos. A falta de qualidade do espectáculo futebolístico de ontem e a tragédia de ver um potencial arrumador de carros a fazer as vezes do Cantinho do Morais, tudo teve que acontecer para retirar brilho e consequência ao feito de se atingir a merda de uma final de uma competição mediocre, a qual vamos perder de modo claro para o CSKA de Moscovo. A tragicomédia de perdermos a final em casa, mas em campo institucionalmente neutro, adensa ainda mais esta aura esquizofrénica típica do sportinguista.

Convenhamos que o jogo não foi assim tão mau. Sucede que a ultima vez que vi tantas oportunidades de golo num jogo de bola foi no Horta do Peres contra o Bom João, disputado no pelado da Horta da Areia, ali como quem vai para o cais novo de Faro, a seguir à linha do comboio, do lado esquerdo. O Polga, em particular, anda a descobrir o Hugo que há dentro dele. E o Douala, preto dum cabrão, continua a pensar que para se ultrapassar um adversário é preciso fazer simulações: alguém que lhe explique que não é falta se ele der um toque para a frente e correr para a ir buscar do lado de lá do adversário.

Ora muito bem, segunda-feira, às cinco da manhã, lá estaremos para comprar os bilhetes da final, conquanto não chegue nenhum a casa pelo correio, em gesto de amizade. Agora vou comprar um carregador para o meu telemovel. Coatam-se aos milhares o numero de carregadores de telemovel que se perderam de mim. Eles fogem e depois não encontram o caminho de casa....


Ponto 1: Faço copy/paste dos posts do maradona porque ocasinalmente eles perdem-se do blogue, fogem e depois não encontram o caminho de casa.

Ponto 2: Tulius, não te esqueças de juntar mais este texto ao arquivo.

Ponto 3: O maradona vaticina a derrota do Sporting. Adeptos leões, precaução: estamos a falar do indivíduo que previu a derrota do Chelsea.

Oh such a perfect day (com um delay de 24h)

Este é o dia perfeito.
05.05.05

in A Natureza do Mal

Gregos e troianos

Incomoda-me este politicamente correcto no futebol que torna quase obrigatório que fiquemos contentes pelas vitórias dos clubes que não são o nosso lá fora. Representa uma espécie de nacionalismo que repudio. Se estou contente com a vitória do Sporting? Não diria contente, mas sem dúvida satisfeito, porque isso beneficia o Benfica. Mais desgaste, mais desconcentração, mais um jogo à quinta-feira antes do campeonato acabar (ainda que mais motivação também). Comoveu-me a alegria dos adeptos de um clube que fez história a 1 minuto do fim, mas foi uma comoção que durou 2 minutos. Se me tivessem perguntado ontem, antes do jogo, qual seria o melhor resultado, responderia «a lesão do Liedson e do Rochemback». Desculpem, mas é mesmo assim.

P.S: Obviamente gostava de ver o Sporting ganhar a final. Pelo mesmo motivo: beneficia indirectamente os clubes portugueses (maior pontuação na UEFA), e, portanto, o Benfica.

Forward

Pedro Mexia pronuncia-se sobre o Abrupto e Pacheco.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

Cidade jardim

«O jardim é o primeiro passo para nada se resolver.»

Desta vez não concordo com o João. Não me interpretem mal, acho a prosposta de Carrilho disparatada, fazer um jardim ali. Mas se há coisa que em Lisboa se reclama duramente é a existência de mais jardins, jardins bem feitos, grandes, consequentes, de estar, de respirar, espaços públicos por excelência. Abrir vazios, como vai dizendo por aí Manuel Salgado, é uma tarefa que se impõe à capital nos próximos tempos. Criar estruturas verdes realmente estruturantes, e não apenas uns canteiros inócuos (como o futuro jardim do Arco do Cego). Lisboa precisa de jardins e de gente nos jardins, quotidianamente. É uma das grandes chagas do séc. XX e do modernismo: a desconsideração pelo jardim enquanto unidade urbana, quando tudo ficou reduzido a rectângulos funcionais, com o verde a servir de contínuo onde se implantam os blocos . Lisboa tem um complexo com o verde. Pensa que Monsanto resolve o problema dos índices (tudo é medido em índices abstractos, que nada explicam), sem perceber que um pulmão desertificado só serve para descargo de consciência.

P.S: E há ainda o clima a ter em consideração. Sempre me pareceu um paradoxo que fossem os britânicos a dar lições sobre como desenhar e construir jardins, eles que vêem o sol quando a rainha faz anos. Nós, por cá, ou estamos em casa ou a caminho da praia, quando o termómetro passa a marca dos 25 graus. Não faz sentido. Não há melhor do que um dia de sol no jardim.

Coisas que não se escrevem todos os dias

Pacheco Pereira em festa. Parabéns ao (pelo) Abrupto, sem dúvida um fenómeno que figurará na história da comunicação social em Portugal.

Imagino JPP de chapelinho na cabeça, serpentinas a esvoaçar pela Marmeleira, pequenos bolos em pratos coloridos. Afinal, festa é festa.

Jovem

Pratica o bloguismo seguro. Usa sempre protecção.

Ai a minha vida

Quando se vai escrevendo posts à noite há uma altura em que os textos passam a ser arrumados no dia errado. Dobrada a meia-noite a data anuncia o dia de amanhã. Como este post. Interpreto este acontecimento como um sinal do blogger que temos de ir dormir. O dia de amanhã espera-nos, sem drafts.

É oficial

O posto de «Rei do post curto» (que pertence, como todos sabem, ao Tiago Oliveira Cavaco) está seriamente ameaçado pela entrada na arena do Nuno Costa Santos. Aguardemos.

quarta-feira, 4 de maio de 2005

Nem que para isso tenha de votar em Guterres branco

Não quero para presidente da nossa república alguém que juntou o seu nome a um abaixo-assinado que visava impedir a construção de uma obra que, em todos os sentidos, representa o melhor daquilo que a arquitectura tem para oferecer. Não cometo a imprudência de confundir os planos de participação cívica, mas compreenderão que é uma questão de princípio. Não pela posição pessoal do futuro candidato, mas porque se corre o risco de tornar uma opinião em jurisprudência: retrógrada, obtusa, intolerante. O abaixo-assinado, lembre-se, tinha como motivo apenas discordâncias arquitectónicas. Os professores catedráticos não gostavam, pronto, temiam pela desqualificação do espaço urbano da faculdade. Quando se eleva esta incapacidade para reconhecer qualidade numa área estranha à estupidez de uma concertada manifestação pública, só se pode considerar o facto como um desrespeito pela pertinência de uma actividade.



Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, Manuel e Francisco Aires Mateus, em destaque no A Weekly Dose of Architecture

Janela de oportunidade

Feminismos

A prova de que a mulher ainda é discriminada está no facto de se tolerar a existência de algo como o Fórum Mulher (TSF).

Nesse dia

Entre teatros, metido numa esquina com a «travessa dos teatros» ou qualquer coisa do género, há um café-restaurante. Espreita S. Carlos lá em baixo. Não lhe vê a cara, só os lados. Anicha-se tranquilamente aos pés do Mário Viegas, paredes meias com o S. Luiz. Tudo à volta parece ser de tardoz. É um espaço residual que resulta numa pequena variação geométrica. Dá-se pouco por ele. O Chiado está cheio de gente para cima e para baixo, numa sexta-feira de clima ligeiramente ameaçador para dia de primavera. A estátua de Pessoa está longe de ficar só. Sente-se o cheiro das pessoas. Mas ao dobrar da esquina, numa rua que mete para dentro, parece que alguém se esqueceu de descobrir aquele sítio. As pessoas passam, sem ligar. E espantam-se aqueles que aos poucos gostam de viver a cidade. Nos cafés. Naquele café, no centro de Lisboa agitada. Mas aí nada é agitado. Não se dá pelo tempo a passar. Conversa-se sobre os assuntos mais banais, sobre os assuntos mais sérios. Mas nada disso interessa realmente, naquele café onde até os empregados se desligam calmamente. O que interessa é dizer. E ouvir. Descobre-se mais um bocado de cidade, que ganha significado. Um imenso significado. Ao contrário do fingimento dos teatros que abraçam aquele café, aí nada é falso.

o café, 6 de Maio de 2004, escrito dois dias depois

Relativismos

Ser pós-moderno é também acreditar que um conceito como casa é tão relativo ao ponto de não precisar de ser associado a um lugar, mas mais a uma condição de proximidade íntima.

Fernando Pessoa virgem aos 27 anos

- Achas o Paul Auster bonito?
- Não.
- Mas tem pinta...
- Sim, tem.
- Acho que a mulher dele é bonita.
- Oh, por amor de Deus, já viste algum escritor que não se safe bem?
- Os escritores safam-se bem?
- Claro. Os escritores e os artistas.
- Não fazia ideia. Pensei que era o contrário.
- Não é. As mulheres adoram isso.
- Já perguntei a algumas e todas me responderam o contrário.
- Isso é um género de mulher.
- Não estás a confundir o ser escritor ou artista com o ser famoso?
- Talvez.
- Diz-me um escritor falhado que se safe.
- Safam-se.
- Acho que não.
- Acho que sim.
- Está bem.

Detalhes

O melhor sub-título da blogosfera: Ivan Nunes, n'A Praia: If you admire me, hire me.

terça-feira, 3 de maio de 2005

Isto hoje está divertido

Para os voyeurs.

Lista exaustiva de todos os locais onde quero ir até chegar o Verão e que me distraem do que tenho para fazer

Aí.

Difícil de trabalhar

quando a nossa concentração vagueia pelo silêncio de Zurique.

Convence-me

Give me a reason to love you, canta ela. Infeliz, se precisa de razões.

Que farei quando tudo arde?

Há dias em que um indivíduo não devia sair de casa. Dela.

Sms 5

Deve dar um bonito espectáculo, visto de fora.

segunda-feira, 2 de maio de 2005

Passa ao outro e não ao mesmo

A mafaldinha e a Jessica já me lixaram. Então cá vai:

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

(Partindo do princípio que ainda não googlei Fahrenheit 451 e portanto não faço ideia do que se trata) Gostava de ser o Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina. Porque o narrador fala directamente com as personagens, já que nestes anos todos de catolicismo nunca o narrador falou comigo directamente, mas sobretudo por causa da piscina.

Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?

Já.

Qual foi o último livro que compraste?

Leviathan e The Book of Illusions (no mesmo dia), ambos de Paul Auster, para oferecer. Ao Leviathan perdi-o no avião, o que já começa a ser hábito meu, ainda assim deu tempo para o ler (mas não para oferecer). Quanto ao The Book of Illusions deu tempo para o oferecer mas ainda não para o ler. Está na estante à espera que se fechem as páginas de Mr. Vertigo.

Qual foi o último livro que leste?

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Uma boa história, bem contada.

Que livro estás a ler?

Mr. Vertigo, do tal que literariamente é parecido com Paulo Coelho, e (cá está, mais do que um ao mesmo tempo) Against Interpretation, uma colecção de ensaios dos anos 60 da Susan Sontag (período de leitura: percurso de Metro entre as estações do Marquês de Pombal e Alto dos Moinhos, e vice-versa).

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Não dá para trocar os livros por pessoas? Se sim, reduzo a lista para 1 item. Quais livros, qual quê. Está tudo doido...

A quem vais passar este testemunho (3) e porquê?

Ao João, porque o gajo deve ficar todo lixado por ter de perder tempo a responder a isto; ao Ivan e ao Tulius, porque acho que estão em dívida com o Difool; e à Mariana.

domingo, 1 de maio de 2005

A bola no mundo editorial

O que aqui se encontra, agora livre de pagamento, não tardará a só estar disponível em papel, capa colorida, biografia de Vasco Barreto na contra-capa. É fazer copy/paste enquanto é tempo, pessoal, depois não digam que eu não avisei. É isso, ou o mundo editorial luso é de vistas curtas.

Parece-te bem?

É desta que eu tiro o link

Percebe-se: João Pedro George já não tem nada para triturar em território nacional. Está já tudo (des)feito em cacos. Então dá o passo que quaquer jogador da bola eventualmente acaba por dar: o salto para o estrangeiro. Ainda não se ambientou, mas isso não o impede de mostrar umas reviengas jeitosas. Curto, muito curto, não vá a assistência descobrir-lhe a careca. O alvo? Paul Auster. O tiro? Dizer que literariamente se parece com o Paulo Coelho. Ou muito me engano ou o passo foi maior do que a perna.