quinta-feira, 31 de maio de 2007

Post com Keira Knightley



Há algo de verdadeiramente assustador em Pirates of the Caribbean: At World's End: o desfecho deixa antever uma quarta sequela.

Fernandoguerrização

Eu, como bom capitalista, defendo o primado do mercado sobre todas as coisas. No fundo, também sou darwinista. Isto para dizer que considero que Fernando Guerra é, de facto, o melhor. As encomendas que tem justificam-se. Passando à frente do lamento sobre a falta de concorrência, digo que me começa a incomodar a fernandoguerrização da arquitectura portuguesa. Não há palheiro construído em Portugal que não seja fotografado em contra-luz realçando a silhueta negra da pessoa que está estrategicamente colocada sob o lintel do vão aberto, que tem um braço ou uma perna ligeiramente flectida a indicar movimento e dinamismo. Percebam, sou darwinista, mas o monopólio legitimado pelo mercado não deixa de ser monopólio, e prejudica a «pluralidade de opiniões», neste caso de «estéticas», ou lá o que é.

Do ateísmo norte-americano

(...) Não me chateiem com a existência de Deus. A teoria da evolução é ofensiva? Fátima aconteceu? Houve milagres? A terra tem 4000, 6000 anos ou lá o que é? Aquela cena vagamente canibalesca da transubstanciação é para levar a sério? Há vida depois da morte? Por favor. (...)

Erro sobre o objecto, caro Vasco. Não é por aí que o gato vai às filhós, talvez não te fizesse mal ler a tal bibliografia. Dizes que não há aí argumentos novos, mas o teu reportório está fraco. E os elefantes não são cor-de-rosa, são azuis. Um abraço.

E a primeira vitória do Benfica na pré-época

A partir de ontem Cristiano Ronaldo passou a ser o segundo melhor jogador do Manchester United.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Jaime Lerner

(...) Nunca estive em Curitiba, mas agora que vêm aí eleições para Lisboa podemos e devemos olhar para cidades exemplares em matéria de gestão e planeamento. A peça do NYT chamou-me a atenção para um episódio interessante. Em 1972, o prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, ordenou a transformação de uma avenida de seis blocos numa área pedonal. A mudança estava prevista num plano para cidade que tinha sido aprovado seis anos antes, mas as queixas dos comerciantes da zona impediram que se concretizasse. Lerner perguntou aos empreiteiros quanto tempo é que demoraria fazer a obra. Responderam-lhe quatro meses. Insatisfeito, Lerner pediu que fosse feita em 48 horas. A execução durou só um pouco mais: 72 horas. Lerner sabia que a única forma de acabar o trabalho era tentar fazê-lo depressa, antecipando-se a protestos e providências cautelares. Depois de concluída, a mudança teria um "efeito de demonstração" que serviria para neutralizar os críticos. Foi o que aconteceu.

Pedro Lomba

Gosto disto



(ver também o divertido vídeo da obra, acompanhado à guitarra por Emmet Ray)

Pela sua saúde

Pessoalmente gosto muito de greves. Confrontado com a falta de meios para me dirigir ao local de trabalho, juntando a isto o meu ódio ao automóvel, tomo sempre a decisão de caminhar ruas acima. Ora notem: Rua do Ouro, Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade, Marquês, Avenida Fontes Pereira de Melo, Saldanha, Avenida da República, até aqui ao Campo Pequeno. Tudo feito em 40 minutos, passo constante, ritmo cardíaco acelerado, calorias esturricadas, sistema cardiovascular oleado, músculos das pernas despertados, transpiração farta. O único ponto negativo são os automobilistas que buzinam furiosamente, plenamente convencidos de que o que os está a atrasar é o colega da frente e não esse incentivo sindical à saúde pública que é a greve, o que incomoda o cidadão que se esqueceu de carregar o iPod e por isso passeia exposto à poluição sonora. Fora isso, é só vantagens, isto das greves, é o que vos digo. Melhor melhor era despedir todos os funcionários públicos da área dos transportes: eu ficava mais em forma e o estado poupava uma Ota de euros.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Humor refinado, crítica mordaz, ou simples patetice?

CARMONA Acabou por avançar. Como será a lista? Baterá as de Isaltino e Valentim Loureiro em número de arguidos?

O inestimável Marcelo Rebelo de Sousa, num blogue sem sitemeter e sem comentários (não, não, não é como o Abrupto: os leitores podem comentar, só não se dão ao trabalho.)

2-0 ao intervalo

João Caetano Dias vs. Vital Moreira: por enquanto, só há jogo de um dos lados.

Frases

Quanto à noiva, estava num misto de dia mais feliz da vida dela com alívio por finalmente ter chegado o dia mais feliz da vida dela.

Nós temos direito a essa Espanha incivilizada, quero lá saber da Espanha zapatera.

Deve limitar-se a utilização de açúcar.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Feira do Livro I



Desde a chegada da Fnac, reconheçamo-lo, a Feira do Livro tem vindo a perder o interesse para quem gosta de comprar livros a preços baixos. Uma das suas defesas tem sido o investimento no espaço, com instalações temporárias encomendadas a arquitectos criativos, que têm conseguido transformar os espaços do bar e dos auditórios em acontecimentos dignos de registo, que valem só por si a ida ao Parque Eduardo VII. Infelizmente até isso parece ter os dias contados, a avaliar pelas tendas que lá estão este ano, sem critério e sem surpresa. Por isso, a ida à feira transformou-se para mim num cumprir de uma obrigação, num gesto conscientemente solidário para com os livreiros, e numa oportunidade para comprar aquele livro que está em lista de espera e que por alguma razão ainda não foi adquirido. O Melacómico era um desses. 9,60€ (na FNAC está marcado a 10,80€) como recompensa a Nuno Costa Santos, que nos ofereceu durante o tempo de existência do blogue o prazer imenso de o ler. É uma prática que tenho vindo a seguir: quando os blogues que leio com regularidade são tornados em livro, lá vou eu comprá-los, mesmo quando os mesmos permanecem on-line. Não é uma prática muito racional, admito, mas é uma forma de agradecer aos seus autores o tempo e o investimento que fizeram. Porque toda a gente que mantém um blogue sabe o tempo e o investimento que são necessários para fazê-lo com qualidade.

domingo, 27 de maio de 2007

Links, letra T

- Não me apercebi que os tristes tópicos da Helena tinham desaparecido da lista da direita. Problema corrigido.

- E em jeito de mea culpa, corrijo o lapso da ausência do Tradução Simultânea. Parece mal, logo agora que o Nuno Miguel Guedes colocou este blogue numa daquelas listas para pensar, mas isso é problema dele. Só me incomoda o bom gosto do Nuno (A Pastoral Portuguesa, A Voz do Deserto, A Sexta Coluna, A Causa Foi Modificada), que parece dar a entender que a lista é a sério.

Sobre a final da taça

O vocalista e o baixista são do Sporting. O público dançante do Pinhal Novo.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Estoril-openização

(...) É o que dá esta invenção ridícula dos estádios confortáveis e dos espectáculos seguros e com condições: agora lá vão as familiazinhas, todas unidas e a passarem o "tempo de qualidade" juntas como recomendado pelos psicólogos..... vai tudo à bola: crianças, adolescentes, paneleiros, lésbicas e, ultimamente, até mulheres.

Não admira o estado deplorável das actuais assistências. Sou do tempo em que o jogo se via sentado em bancos de pedra ou no peão, à chuva e ao sol, mas sem abrir o bico porque o Oliveira estava a dar uma cueca a um gajo do Vizela. Hoje em dia não. Vai-se para o futebol como se fosse para o Lux: ver as outras pessoas iguais a nós. Nestas condições não é possivel desenvolver um trabalho de fanático com um mínimo de qualidade. (...)

maradona, em rescaldo

Eu sabia que havia uma razão para ter deixado de ir ao futebol. E sabia também que isso tinha coincidido com a demolição da antiga Luz e a construção daquele cesto de pão, o Estádio do Sport Lisboa e Benfica. Sabia também que muita coisa tinha ficado debaixo daquelas pedras, como aquele jogo contra o Farense (aliás, dois jogos contra o Farense, já falo do segundo) em que chovia a cântaros num Domingo à noite e em que eu, desprovido de guarda-chuva, abandonei, mais umas quantas pessoas, o jogo ao intervalo, não só porque tinha água a trepar-me por todos os orifícios mas porque o Benfica estava a perder 0-1, só tendo visto, por isso, em casa a reviravolta da segunda parte (2-1). Senti que tinha traído o clube, senti. Ou o outro jogo contra o Farense, num belo dia de sol com estádio cheio, onde aos 10 minutos de jogo já o resultado ia em 2-0, para o Farense, com dois golos de um preto que já não me lembro qual deles era (talvez o Chiquinho Conde, lembro-me que era um gajo que já tinha passado pelo Sporting), e que acabou 6-2, com hat-trick do Maniche (do tempo em que ele jogava a extremo-esquerdo), resultado apenas obtido após a cirúrgica lesão do preto, quando o resultado ainda marcava 0-2. Adiante. Neste estádio novo, onde não chove e está sempre sombra, há qualquer coisa que falta. O foco de interesse balança-se entre o relvado e as bancadas, o que, como mostra o maradona, é triste. É a estoril-openização do futebol, a todos os títulos lamentável.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

The Curious Case of David Fincher

É difícil falar de Zodiac sem estragar minimamente que seja a festa a quem ainda não o viu. Queria só alertar para o currículo de David Fincher: Alien 3, Se7en, The Game, Fight Club, Panic Room e, agora, Zodiac. Isto não é uma filmografia seleccionada, é o currículo completo das longas metragens de Fincher. Descontando Alien 3 (não sou fã do género), todos são filmes de que gostei particularmente. Todos. E agora, para nos esmagar mais uma vez com o seu bom gosto, está a filmar uma história de F. Scott Fitzgerald, com Cate Blachett, Brad Pitt e Shiloh Jolie-Pitt (os pais já a puseram a render, o que esta gente de classe baixa está disposta a fazer supera todos os limites que supomos existirem no que toca ao respeito, carinho, ternura e amor pelas crianças). Ou seja, se David Fincher estivesse cotado em bolsa, eu seria accionista.

O comentário elitista e ligeiramente ofensivo do dia

O lado positivo da coisa: eles estão a ir lá mais para longe. Agora é na Brandoa. Começou com as Amoreiras, o que me atrapalha directamente o dia-a-dia. Depois foi para o Colombo, sempre é mais longe mas tem a desvantagem de congestionar os acessos à Luz. Depois disso, a Expo, mas a coisa não pegou por aí além. O Almada Fórum foi o princípio do fim, sempre é a margem sul e ainda por cima do lado mau. Agora, o apogeu, todos à Brandoa. E logo o maior da península ibérica. Um festim. Ide, gentios, ide, e não voltem.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Oferta e procura

De repente toda a gente quer Lisboa. Depois de Helena Roseta, António Costa, Ruben de Carvalho, José Sá Fernandes, Fernando Negrão, Telmo Correia e Garcia Pereira, Carmona. É o oitavo candidato conhecido.

Adenda: são 12, afinal. Faltam Manuel Monteiro, José Pinto Coelho, Paulo Trancoso e o moralizador Gonçalo da Câmara Pereira. Uff.

Mayor Mendes

Boucherie, ainda tens uns dias para aquela coisa das assinaturas.

Outro «comentário jocoso» sobre o Governo a ameaçar uma suspensão

(...) Não é evidente que poucas vezes a RTP e a RDP terão sido tão pouco controlados pelo Governo como são hoje? (...)

Vital Moreira

terça-feira, 22 de maio de 2007

Diversas cidades do mundo

(...) nas televisões internacionais como nos jornais locais de diversas cidades no mundo (...)

Miguel Poiares Maduro na blogosfera, meus amigos, algures por aí, numa cidade do mundo.

Cannes 2007



Diane Kruger, à espera de par para formar «casal feio», no Guardian.

Choque e pavor



Ou, como dirá o Vasco Barreto, um casal «muito bonito».

«A beleza do casal é inversamente proporcional à dos seus elementos»



Um casal muito feiinho, coitadinho, ela com o braço manchado, ele ostentando o penteado mais totó que Cannes jamais viu.

Desculpa lá, .

(Quanto ao Casanova, é fazer petição. Vamos a isso?)

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Senhor professor

É curiosa a definição de Manuel Salgado na lista de António Costa. Em vez do simples «Arquitecto» aparece «Professor catedrático de Arquitectura do Instituto Superior Técnico» que é, face à primeira, uma ocupação bastante secundária de Salgado. Mas enfim, ser professor catedrático fica sempre bem.

James Howard Kunstler



«There's not enough prozac in the world to make people feel ok about going down this block.»

In Loko

Sempre que oiço um músico fascinado pela técnica lembro-me dos sexólogos: o tema é interessante, a abordagem é fastidiosa. E quando são seis em palco, todos os melhores executantes nacionais dos respectivos instrumentos, é apenas isso que vejo: homens a brincar com o instrumento. Deve ser bom para eles, mas para quem vê não é bonito.

domingo, 20 de maio de 2007

Obviamente, não é nada disto que vai acontecer*

A minha jornada ideal:

0:00 - Começa o jogo nas Antas, em Alvalade e na Luz.
0:01 - Golo de Anderson. 1-0 Porto.
0:02 - Golo de Anderson. 2-0 Porto.
0:04 - Penalti (inexistente) sobre Adriano. Golo de Anderson. 3-0 Porto.
0:08 - Golo de Quaresma. 4-0 Porto.

E vamos todos comer caracóis.

90:00 - Porto é campeão, após vitória por 7-0 nas Antas. Em Alvalade acaba 0-0. Na Luz, acaba 0-2. Fernando Santos é despedido.

* Tenho sérias dúvidas sobre a última frase do post.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Isso era

Passo por três adolescentes na rua, com aspecto veraneante. Apanho uma parte da conversa:

- Ele estava a atirar-se a mim, mas andava com outra.
- É para veres o que ele fazia quando andava contigo.
- Pois.
- Mas ele era boa pessoa, não era?
- Sim, isso era.

Policy vs. Politics

Filipe Santos Costa diz que Manuel Salgado é o primeiro erro de António Costa. Salgado, «um nome em alta no PS», vai para a Câmara para defender «interesses pessoais», os do seu gabinete. Como sabe Filipe Santos Costa esta informação? Disse-lhe Carrilho, no seu «livro». Quanto à fonte, estamos conversados. Mas sobra saber se a hipótese é válida (ignorando o Lyotard português). A priori, só podemos especular. E se o fizermos, teremos de o fazer para qualquer independente não-político (lá vai Roseta). Ou seja, queremos que os profissionais competentes abracem a vida pública, que contribuam politicamente, ao mesmo tempo que lhes retiramos qualquer tipo de autoridade moral para o fazer. A política aos políticos, avisa Filipe Santos Costa. Daqueles que o primeiro emprego foi na jota e cujo currículo não está manchado pelo sector privado e os seus ameaçadores interesses. E ai de quem, Jesus, se lembrar de entregar o pelouro do urbanismo a um arquitecto. O regabofe corporativista seria total. Não. O pelouro do urbanismo está muito mais bem entregue a, por exemplo, um engenheiro agrónomo. Mas da jota, da jota.

Diferenças

Sim, quer António Costa quer Fernando Negrão são terceiras escolhas. Mas só um é uma escolha de terceira.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Manuel Salgado 2009

É claro que não apetece votar António Costa, é claro que toda a gente vê a jogada de Sócrates, esta habilidade de ratoeira, num país em que o maior partido da oposição está pouco mais do que moribundo, num país em que o caso Independente durou até ser raptada uma menina inglesa no Allgarve, em que toda a gente se desinteressa. E claro que o filme que vejo é este: António Costa ganha, Manuel Salgado fica 2 anos como vereador, António Costa volta para o governo em 2009, Manuel Salgado é apresentado como número um (isto se resistir aos primeiros seis meses de concelhia do PS). Não interessa. Esqueço a política por um instante e penso na cidade. Qual é a melhor candidatura, aquela que terá maior capacidade de transformar a Câmara, de transformar a cidade, e sim, aquela que representa uma ideia de cidade mais consistente? Ainda não sabemos, teremos de esperar pela campanha. Mas só um louco se surpreenderá.

As voltas

Manuel Salgado está na lista de António Costa (como número dois?) A minha mulher já começou a rir: de facto, não está fácil não votar PS.

Salvo por Fernando Rosas

Anthony Hopkins. Ryan Gosling. Não, não, não são eles que povoam a minha lista Warhol. Fernando Rosas. Sim, salvo por Fernando Rosas. Até ontem vivia imerso em suores frios por não ter ninguém, ninguém que se visse, um nome, uma frase, um vislumbre. Ontem, à entrada para a sessão das nove e meia de Rupture, levanto os olhos do livro de Eduardo Pitta que segurava na livraria e quase juro ter visto uma luz branca como auréola. Ali, mesmo à minha frente, o grande (falo de diâmetro) Fernando Rosas. Nada disse, com medo de estragar o momento. Dirigi-me à sala e Fernando Rosas continuou a acompanhar-me. Ali, na mesma sala que eu, umas cadeiras ao lado. Com aquela sua voz distinta e sedutora. Caríssimos, Anthony Hopkins disse «my "dick" is good» e eu ri-me em comunhão com Fernando Rosas. Ganhei.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

É ilegalizar

O Vaticano, por Alexandre Andrade:

(...) Vaticano, esse estado de duvidosa legitimidade cujas principais exportações são o desplante, o dogma, a arrogância e a intromissão nos assuntos alheios.

É ilegalizar o Vaticano, talvez.

Fernando Negrão

Fazemos assim: esquecemos isto das eleições, entregamos já o pelouro dos «espaços verdes» ou da «juventude» a Helena Roseta, poupamos dinheiro e tempo a toda a gente, e endereçamos os nossos parabéns ao dr. António Costa. All in?

terça-feira, 15 de maio de 2007

«Ne le dis à personne»




Francês, «comercial», pró-americano tal qual Sarkozy, repleto de mulheres bonitas. Não se pode querer mais.

Helena Roseta

Helena Roseta fez um esclarecimento aos membros da Ordem dos Arquitectos. Passa-se, então, o seguinte: os estatutos (os estatutos, os estatutos) não mencionam qualquer incompatibilidade entre o «exercício da arquitectura» (sic), como, por exemplo, ser presidente da ordem ou estagiária, e a «mera candidatura» ao cargo de presidente ou vereador de uma Câmara Municipal. E, num assomo de integridade moral, revela que irá pedir a suspensão de funções durante a campanha e que, suspiramos todos de alívio deontológico, irá primeiro renunciar ao cargo de Presidente da Ordem em caso de ser eleita. Estamos esclarecidos.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Bruno Vieira do Amaral, com «parênteses em letra pequenina no fim dos post»

O Bruno Vieira do Amaral é um dos melhores bloguistas nacionais:

Aos 16 anos, conheci o meu pai. Estávamos a 100 metros da campa do meu avô. Ele abraçou-me e chorou. Eu, mais por solidariedade filial do que por emoção, também chorei.

Não conheço outras personalidades.

(Há uma cena (olha aí a primeira vez que utilizo a palavra «cena» como em «aspecto») no blogue da Atlântico que até agora ninguém reparou e que me atazana o juízo: a data aparece sempre duas vezes em cada post, uma em cima, outra em baixo. Acho isto, por assim dizer, desnecessário. O técnico do template que veja isso.)

Má língua

Promessa: no próximo fim-de-semana analisarei ao pormenor as entradas do concurso Intervenções na Cidade, que têm vindo a ser publicadas no blogue da Trienal. Outra promessa: coisa boa daí não virá. Teaser: até agora, apenas uma ideia merece o título.

ouça-se o espernear dos animadores culturais

Uma nota muito acertada de Pacheco Pereira:

Desde João Soares que Lisboa está financeiramente ingovernável. Os presidentes podem fazer um ou outro arranjo, centrar as atenções numa ponte ou num viaduto ou num grande plano de reconversão da Baixa, que a distracção pode ter sucesso, mas as dívidas e os juros crescem exponencialmente. Sem resolver esta questão, tudo o resto é fazer uns arranjos florais nos jardins. O único exemplo a seguir é o de Rui Rio. Apareça alguém a dizer que vai seguir o exemplo do Porto, ouça-se o espernear dos animadores culturais a dizer de que o “contabilista” está a “matar” a cidade, e Lisboa pode vir a ser finalmente governável.

No Benfica as «más épocas» são isto

O Benfica fez uma das «piores épocas de sempre». É «gozado» na Europa, é «gozado» na segunda circular. Joga um «futebol feio». Tem um «treinador derrotado» e «incompetente». Um plantel «miserável». Jogadores «ridículos» (mais o Beto). Não se lhe viu um bom jogo. É claramente inferior ao Porto (que tem um plantel «galático») e ao Sporting (quem tem um plantel pedófilo repleto de Cristianos Ronaldos). Não vale um charuto. É péssimo.

À entrada para a última jornada, ainda pode ser campeão.

Quem quer ganhar a Câmara de Lisboa?

Corre por aí Fernando Seara. Espero que para longe, qual Forrest Gump, sem parar, sem parar, até desaparecer no horizonte.

«avaliação do pluralismo político-partidário na televisão pública»

(...) Ora, a ERC colocou esse documento ‘on-line’ e diz “preto no branco” quantas notícias é que a RTP1, RTP 2 e RTPN devem dar sobre o governo e o PS! Sim, estão a ler bem. Se algum leitor conhecer alguém que trabalhe com o Mugabe ou o Chávez mande-lhe o ‘link’ com o ‘site’ da ERC. Eles vão adorar. E vão adorar porque a ERC defende que o Governo e o Partido Socialista devem ter, tendencialmente, 50% (cinquenta por cento) das notícias políticas dos noticiários. Ou seja, 50 por cento das notícias políticas da RTP vão ser sobre o governo e o PS, que caso não saibam, são a mesmíssima coisa. (...)

Ricardo Costa, O ministro TV Guia

sábado, 12 de maio de 2007

Um conselho

Vão ver o vídeo do panda que o maradona pôs lá naquele blogue dele.

14

Hoje dei o meu primeiro mergulho de mar do ano. É esperado para a próxima terça-feira o regresso dos meus testículos.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Concordo com Helena Roseta



O futuro presidente da câmara deveria ser alguém licenciado em arquitectura.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O PS tem um rumo para Lisboa

A 27 de Abril, Miguel Coelho, líder da concelhia de Lisboa do PS, afirmava que «naturalmente» o PS já tinha candidato para as eleições intercalares. Naturalmente, esqueceu-se de avisar Vitalino Canas.

Não é hora de elogios



(...) Alguns leitores dirão, certamente, que estou a ser cínico e até cruel. Por favor, não é hora de elogios. (...)

Só para lembrar que é hoje.

Isto está giro

Bom, há muita coisa a acontecer e o name dropping começou. Ou melhor, começaram os empurrões estratégicos. Manuel Alegre lança Helena Roseta, o que seria uma boa notícia para a Ordem dos Arquitectos. E Maria José Nogueira Pinto diz o que muitos sabem, que Manuela Ferreira Leite daria uma óptima presidente de câmara. Melhor ainda, acrescento, se contar com o apoio da própria Nogueira Pinto. Isto está giro.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Quem não sente, não é filho de boa gente

A Laura Abreu Cravo (que não conheço, apesar de partilharmos iniciais), teve o desplante, afino, o topete de me colocar na quinta posição dos blogues que a fazem pensar. Como pessoa de bem que sou, hesitei muito em reagir, pensando que estas insinuações rasteiras e gratuitas só deveriam merecer o desprezo e a ensurdecedora ignorância (acho que foi Francisco Louçã que inventou isto, um «silêncio ensurdecedor» sobre qualquer coisa, há que reconhecer que o petiz tem jeito para as palavras). Reparem como até atrás do Tiago Galvão fiquei, só para terem um cheirinho da magnitude da ofensa. Assim, aqui me apresento ao terreiro, pronto para desmentir o cobarde e vil ataque feito à minha dignidade, e ao bom nome da minha família. Que fique registado, solenemente, que este blogue não serve, nunca serviu, e nunca servirá para pôr alguém a pensar. É uma questão de princípio e de valores, valores esses obviamente ameaçados em países não liderados por Nicolas Sarkozy. E à Laura Abreu Cravo responderei nas instâncias adequadas, pois vivemos num Estado de Direito, onde este tipo de comportamento não pode, de modo algum, ser tolerado.

Ok, cá vai:

A Coluna Infame (prémio póstumo, ainda há dois dias estava on-line, agora sumiu, canalhice)
A Memória Inventada
A Origem das Espécies
Voz do Deserto
Aquele blogue do maradona

Nem só de Cláudias Vieiras vive o homem

Há na blogosfera uma omissão gritante de referências aos recém-regressados mupis da Calzedonia.

World Full of Great Cities

Sete e meia, saio, entro no metro, leio Joseph Heller (nota para posteriores posts), saio do metro, entro no Pingo Doce, pago, pego nos sacos em direcção a casa, passo em frente ao Nicola, no Rossio, vejo um casal estrangeiro de meia-idade (talvez inglês) sentado a comer um impecavelmente apresentado prato de carpaccio, acompanhado por uma garrafa de vinho tinto, ali, pouco depois das sete e meia, numa praça atravessada à pressa por gente ansiosa por chegar a casa e, olhando para eles, percebo que há uma Lisboa que lhes (me) escapa.

(Não consigo encontrar um título para o post que esteja a altura, perdão)

Obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, e obrigado, Tiago.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Richard Dean Anderson, onde estás tu?

E isto (vou no segundo link, sem apostas), bem, há que não olvidar que estamos perante um homem casado.

Bilhar de bolso

Isto é quase tão bom como as transcrições do apito dourado.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Prós e Contras

Acabei de ligar a TV e estou já rendido: é enternecedor a energia pujante de Mário Soares e Adriano Moreira, dois homens com mais de 80 anos, uma jovialidade que nos envergonha e verga a todos. Oitenta e dois anos Mário Soares, oitenta e quatro Adriano Moreira. Ainda agora, Adriano Moreira começou uma frase do seguinte modo: «No fim da guerra 39-45, lembro-me...»

As sobrinhas do João Lagos

O maradona não gosta do Estoril Open porque acha que é um mau torneio por não conseguir trazer jogadores com uma ambição maior do que chegar a número três no mundo. Esquece-se que o pecado original não é esse: o Estoril Open é um torneio de terra batida, e a terra batida, como sabemos, é um piso que foi inventado pelos espanhóis para poderem ganhar jogos (isto foi antes do Moya, do Ferrero e do Nadal, claro está). A terra batida (o nome, reparem, o nome) é um piso onde se joga quatro metros atrás da linha de fundo, onde a bola passa sempre a dois metros da rede, onde o vento só é superado como táctica de jogo pelo top-spin, onde os serviços não passam dos 190 km/h porque, ai ai, têm de levar top-spin, e, sobretudo, feio como a merda. E, lembremos, a terra batida é o suporte de um Grand Slam que Pete Sampras nunca se dignou a ganhar (e que o Michael Chang ganhou, mantenhamos viva a memória), o que só por si lhe valeria o título de O Maior de Sempre pelo bom gosto (isto se o Federer não conseguir não ganhar o Roland Garros até ao fim da carreira, algo que tem vindo a atingir com brilhantismo). O ATP deve ter regras mesmo fodidas, lá no sistema de pontuação, que obriga os Medvedevs deste mundo a virem ao Cruz Quebrada Open, porque acredito que nem esses (mais o Kafelnikov) têm vontade em passar por lá, porque meninas do Luso há em qualquer torneio de ténis, não são só as sobrinhas do João Lagos que são boas. Quanto ao Muster, não gozes comigo.

Não há regra sem excepção: tenho de agradecer ao João Lagos o facto de ter visto jogar ao vivo Marcelo Rios, o melhor jogador de todos os tempos mais baixo do que eu (1,78m, eu, não ele, 1,75m).

domingo, 6 de maio de 2007

Ganhou Sarkozy



Até porque, e sofro ao perceber que tenho de ser eu a vir lembrar isto, o lugar feminino na república francesa está tomado e muito bem entregue.

Diz que há outros

Vossas excelências não terão reparado, mas eu ajudo: a revista Sábado vai começar, a partir da próxima edição, a distribuição de livros inéditos de autores portugueses. Entre eles a Rosa Lobato Faria que, como é pornograficamente óbvio, não é o motivo deste meu post. Anotem, portanto: já esta quinta-feira sairá a colecção de crónicas do João Pereira Coutinho da Folha de São Paulo; lá mais para a frente, um volume que reunirá textos dos blogues Aviz e Origem das Espécies, do nosso estimado Francisco José Viegas; e também uma colectânea de crónicas da «esquerdista» Maria Filomena Mónica, intitulada Confissões de Uma Liberal. Diz que há outros.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Primeiro fascista, depois ecologista

Ok, isto pega-se, é um bocado parvo, mas ninguém parece conseguir resistir-lhe. Cá estão os meus resultados (com orgulho a minha previsão foi certa):

#1 You are a libertarian conservative. You hold that the free market is the best way of organising economic activity, but you combine this with adherence to more traditional social values of authority and duty.

E podia ter sido (por esta ordem):

#2 Market Liberal
#3 Christian democrat
#4 Third Way
#5 Social Liberal
#6 Social Democrat
#7 Anarcho-capitalist
#8 Fascist
#9 Ecologist or Green
#10 Classical socialist
#11 Communist
#12 Anarcho-communist

E meto 5 contos em como a minha mulher é um 4 ou um 5.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Cenas da vida conjugal

Ontem, já passava da meia-noite:

Ela (lendo a Visão da passada quinta-feira): Temos de arranjar televisão, rapidamente.
Eu: Porquê?
Ela (com um ar assustado): Só agora percebi que morreu o Iéltsin.

Streaming TV

Ontem foi noite de televisão pela internet lá em casa (somos muito modernos). Primeiro, deu para apanhar o fim do debate entre Sarkozy e aquela femme, na TF1, em tradução simultânea por parte da minha mulher. Ela, insuspeita de ser pró-Sarkozy, lá disse que ele era «bonito» (sic) e que tinha «carisma», enquanto que Ségolène, que «não é assim tão fraca», gera fácil simpatia (eu aponto-lhe, assim à cabeça, uma qualidade imediata). Cá para mim, foi KO técnico. Neste momento, ser francês é mais fácil do que ser lisboeta, eleitoralmente falando. Depois, começámos a ver a série do António Barreto. A ela pareceu-lhe um pouco chato. A mim, considerando que foi um programa quase só com velhos em lares, pareceu-me mais entusiasmante do que o futebol do Chelsea. E um pouco assustador. O António Barreto é das pessoas mais consensuais em Portugal, e nem por isso deixa de ser interessante, o que é extraordinário. A acompanhar.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Higgins vs. O'Sullivan



Pois que estás enganado.

Quem quer ser presidente da câmara? #2

Quem quer ser presidente da câmara?



Carmona suspenderá o mandato até Outubro, segundo o Público, assumindo Marina Ferreira a presidência temporária da CML. Ou seja, esta dança das cadeiras na CML tem dado um verdadeiro significado àquela máxima política: não se é presidente, está-se presidente.

Temas

A Atlântico deste mês tem, entre outros, dois óptimos artigos: Os Católicos e o Estado Laico (com um follow-up no Insurgente), escrito a duas mãos pelo André Abrantes Amaral e pelo Adolfo Mesquita Nunes, e um de Rui Ramos que não me lembra agora o nome mas que é sobre as casas portuguesas. Dois temas que me são caros e que, num mundo ideal, eu comentaria extensivamente. Para já, fica a nota de adesão aos dois pontos de vista. Quem não leu, que leia.

Mas é mais violento se

Não nasci em 1977 (um pedaço depois). Mas fiquei estarrecido ao ver isto escrito assim, a seco:

As raparigas de 1977 têm 30 anos

Note-se que não há aqui nenhuma consideração melancólica, própria desta geração sem um fascismo ou um PREC para combater. Apenas a constatação de um facto por parte de alguém que nasceu em 1977 (julgo que o Pedro Lomba é de 77). E percebemos que é duro, o dia em que as raparigas da nossa idade fazem 30 anos. É duro, é violento. Mas é mais violento se lá chegarmos solteiros (sobretudo se elas começarem a lá chegar não-solteiras, fica a nota para os meus amigos sub-30).

De vez em quando dá-me para a pregação da superioridade moral do casamento como destino último do animal humano, crença absoluta e puramente autobiográfica, pelo que tolerarei com bastante candura os vossos desvios deste caminho que anuncio. Bare with me.

«Tolerarei»? Raio de língua, a nossa.

[...] somos praticamente gays (excepto num aspecto: não somos) [...]

Em defesa de Christopher Hitchens, por Tiago Galvão.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Oioai

Pedro Puppe e companhia apareceram para lembrar que o rock (porque é isso que eles fazem) é a mais democrática das artes musicais. Os «Oioai» (manifestação número um da carta de intenções) são uma banda portuguesa de música popular (leia-se, mais uma vez, rock), interessada em dizer o que lhes vai na alma, sem que para isso tenham de recorrer a mais do que três acordes por tema (exagero estilístico, meu e deles). A excessiva cantabilidade dos refrões, o som simples das duas guitarras cruas e só ligeiramente distorcidas, as melodias contagiantes do baixo e a batida simples da bateria, abrem caminho à adesão do ouvinte, que vai encontrando afinidades nas letras cantadas pelo timbre esforçado da voz limitada de Puppe. Porque aquilo a que se propuseram os Oioai foi cantar canções de amor, e essa surge como a motivação primordial (mesmo antes da aprendizagem dos três acordes), o que os define como uns trovadores contemporâneos e urbanos do amor, de uma certa classe jovem, educada e lisboeta. Puppe vai escrevendo cartas às meninas da geração Erasmus, mostrando que está só e revoltado com a distância: elas vão fugindo para Barcelona, ou para Londres, cidade que Puppe quer incendiar (E agora o que é que eu vou fazer), num Blitz amoroso armado por uma Telecaster violentada. Musicalmente, os Oioai nunca saem da previsível articulação de acordes, colmatando a falta de inventividade com uma vontade que explora ao máximo essa limitação: o single, Jardim das Estátuas, é um tema de dois acordes apenas, como que a provar aquilo que dizem na entrevista que disponibilizam no seu site: mais de três acordes é jazz. Esta humildade ingénua terá nascido verdadeira, não duvidamos, mas é evidente que se tornou em algo que os Oioai não querem abandonar, mesmo que aprendam o quarto acorde. A comparação com os Toranja é inevitável, mesmo que isso os irrite: Puppe é amigo de Bettencourt, trata-se de rock cantado em português, até o modo de tratar o amor é semelhante. Mas fica a sensação de que os Oioai não se levam tão a sério, e que tocam não por necessidade artística mas por puro gozo juvenil. É um álbum que tem andado em repeat cá por casa.