terça-feira, 30 de setembro de 2008

domingo, 28 de setembro de 2008

Sou só eu que noto aqui uma falha?

RTP1 vai estrear em Outubro um late night show ao estilo de Jay Leno ou Conan O'Brien, com apresentação de Júlio Isidro.

I shall say this only once

De onde menos se espera: esta é uma óptima crónica sobre o que se passou ontem, e torna-se urgente saber quem é José Manuel Ribeiro.

Futebol?



Decidi que a partir de hoje não falo mais de futebol com gente que não se põe a chorar imediatamente sempre que olha para esta foto. É que não falo mesmo.

Paul Newman

Paul Newman: já são restam muitos assim.

E não me dá jeito nenhum

Juro, juro, epá mas é que juro mesmo, que se a capa d'O Jogo de amanhã for «Dia de Reyes» que eu me atiro pela janela.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tame the Kant

Por norma não gosto de trocadilhos nos nomes de blogues, mas este Tame the Kant desarmou-me todas as defesas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Obrigado Obrigado Sá Pinto

O Obrigado Sá Pinto é uma resposta àqueles que sempre defenderam que era necessário ser apoiante do Sporting para se escrever bem sobre futebol. Por outro lado, é um sintoma triste. Se happiness writes white, no futebol a derrota sempre escreveu melhor do que a vitória. Haver gente do Benfica a escrever como escreve a equipa editorial do Obrigado Sá Pinto é a prova consumada da alteração de estatuto que o clube sofreu na década de 90. Estamos oficialmente ao nível do Sporting: para o bem e para o mal.

Um queirosiano

«Pacheco Pereira pode ir ao nosso site e formalizar uma queixa através de um formulário.»

José Azeredo Lopes, presidente da ERC, respondendo a Pacheco Pereira

Bernie Mac

Pesquiso sobre a «crise financeira» e tento recordar-me dos nomes das instituições de crédito que faliram. O Google prova que a minha ignorância é perigosa:

terça-feira, 23 de setembro de 2008

OSP

«(...) O SLB deste ano é o aquecimento do Maradona, capaz de ir jogar com uma equipa italiana, assumir o jogo e a bola, atacar com oito jogadores, com abandono, sempre que há hipótese (mesmo sem saber como é que se ataca bem), e depois defender como a selecção brasileira de 82. É o Balboa a correr desgovernado e a mostrar que devem faltar para aí três jogos para ser o defesa-direito titular (ou pelo menos um Vítor-Paneira-a-lateral-direito-na-segunda-parte-à -Eriksson-para-virar-o-jogo, 20 anos depois), o Reyes a simular fintas completamente parado, o Di María a fazer sabe-se lá o quê, o Suazo a correr sozinho contra toda a defesa do Nápoles, o Yebda a fintar, e o Carlos Martins com birra dentro do campo. E quatro defesas vestidos de encarnado a sentirem-se sozinhos no mundo. (...)»

Obrigado Sá Pinto

TV talk

(...) BARTLET I didn’t even think there were that many white women.

OBAMA I see the numbers, sir. What do they want from me?

BARTLET I’ve been married to a white woman for 40 years and I still don’t know what she wants from me.

OBAMA How did you do it?

BARTLET Well, I say I’m sorry a lot.

OBAMA I don’t mean your marriage, sir. I mean how did you get America on your side?

BARTLET There again, I didn’t have to be president of America, I just had to be president of the people who watched “The West Wing.”

OBAMA That would make it easier.

BARTLET You’d do very well on NBC. Thursday nights in the old “ER” time slot with “30 Rock” as your lead-in, you’d get seven, seven-five in the demo with a 20, 22 share — you’d be selling $450,000 minutes.

OBAMA What the hell does that mean?

BARTLET TV talk. I thought you’d be interested.

(...)

(Com um obrigado ao DBH)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Distrito de Évora

Ourique não é Évora, mas o Ouriquense não deixa de remeter para a experiência de Eça no Distrito de Évora: entre 1869 e 1870, Eça de Queirós escreveu, a solo, o jornal - em todas as suas secções - que assinava sob vários pseudónimos, naquilo que terá sido, ainda antes de Pessoa, a primeira experiência blogger registada em Portugal.

Outro goodie que eu podia aqui transcrever é o relato da primeira experiência de Eça com o haxixe. Lembrem-me.

Um tiro de pólvora seca

E pronto: finalmente há um encontro entre Mexia e César das Neves e é sobre a crise financeira. Que anti-clímax, pá.

Viegas!, Viegas!, Viegas!*

(...) o outro problema chama-se “comando da televisão”. Tem uma série de botões e serve para mudar de canal.

Francisco José Viegas

* Ensaiemos, camaradas, porque seria importante conseguirmos eleger Francisco José Viegas para qualquer coisa.

Chrome

Descobri: não dá para fazer «pequeninos» com o Google Chrome. O Google Chrome, que como o nome indica foi feito pela Google, não se dá bem com o Blogger, que como o nome indica foi comprado pela Google.

Isto seria impossível com o Chrome. Mas é possível com o Firefox. Viva a Mozilla.

Porto Covo

O Grande Colisionador de Hadrões na óptica do utilizador, por Rogério Casanova.

Venho de fim-de-semana e o Porto empatou, Santana Lopes «irá» ser constituído arguído, Sócrates berrou num comício, o Benfica não perdeu pontos, houve inundações no «centro» no melhor dia de praia do ano no «sul», e temo que um sms que enviei ao autor do post acima citado possa não fazer sentido algum, incidente que já foi reinvindicado por um conjunto de entidades, nomeadamente a Sagres e a Grant's.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Filipe Gaidão

Quem não leu que vá ler o texto do Pedro Mexia na Time Out sobre o Lux.

A propósito: um dia - uma noite - tive um encontro imediato com Marisa Cruz numa discoteca. Eu estava no caminho dela, ela disse «com licença», eu afastei-me. Ficámos amigos. Tirando este episódio, nunca mais me cruzei com nenhuma «figura pública» na «noite» (e isto deve ter sido em 2002) à excepção do Filipe Gaidão, que está em todo o lado: no outro dia estava na Area das Amoreiras, mas aposto que à mesma hora foi avistado no Corte Ingles, na Baía de Cascais, a levantar dinheiro na estação de serviço de Aveiras e na festa de lançamento do festival Queer Lisboa. Ok, esta última foi forçada.

Do estilo

Acabei de usar um ponto-e-vírgula num sms.

Gelo aos esquimós

«Parece que Portugal vai mesmo vender o “Magalhães” à Venezuela. É um feito notável: vender chavismo ao Hugo Chavez. É quase como vender gelo aos esquimós.»

João Miranda

tralalá rebeubéu pardais ao ninho

«Digam o que disserem sobre a necessidade inequívoca do método experimental e tralalá rebeubéu pardais ao ninho, a verdade é que tudo começa por crer. (...)»

Filigraana

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A vida social de Pedro M.

Estado Civil: o único blogue do mundo que estala com a dra. Andreia e almoça com Manoel de Oliveira.

«O que eu sinto»

Ultimamente tenho reparado muito nos adolescentes. Os adolescentes sempre me foram uns bichos estranhos, mesmo quando eu era um (não, não acredito na teoria da árvore e da floresta). Mas ultimamente há padrões de comportamento (toda uma carreira falhada na sociologia) que me têm desinquietado. Um deles é a violência verbal entre casais, se se pode aplicar a palavra «casal» a um par de adolescentes de sexos opostos. Invariavelmente, se vejo um casal teenager na rua, noto que estão a discutir e quase sempre de um modo muito agressivo. «Puta», «nunca mais te quero ver», «cabrão», «és nojento», «porca de merda». Over and over again. Não sei se nós éramos assim, mas suponho que não. Até porque quando não estão a insultar-se mutuamente, os adolescentes falam muito de «sentimentos». Que elas falem de «sentimentos», tudo bem, mas que eles ajudem à festa deixa-me perplexo. Ainda agora mesmo: «tens de compreender o que eu sinto, preciso da tua ajuda». «O que eu sinto»? Sinto? Quando eu tinha 16 anos, os únicos sentimentos que exteriorizava eram provocados pelos resultados do Benfica. E esses eram os únicos que eram tolerados pelo resto do bando. Hoje em dia imagino que um jogo do Benfica para as competições europeias que calhe em cima do horário dos Morangos poderá obrigar um rapazote ao zapping, e isto é muitíssimo triste.  «O que eu sinto?», assim, no meio da rua, à frente de toda a gente? Não sei onde isto vai parar.

Horta



JagerJanssen architecten

Vícios

Procuro um email antigo que enviei a um engenheiro e descubro que lhe escrevi com itálicos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Bernard-Henri Lévy

«IT IS, or was, fashionable to look down on Bernard-Henri Lévy, a French writer and intellectual. The left tends to despise him for questioning its idols. It doesn’t help that he is rich, talks intelligibly and has a beautiful wife. The right condescends to him for being vain, glib and writing too many books. (...)»

Big brains and a hairy chest, The Economist

Não surpreende

O PS, afinal, não quer o casamento de pessoas do mesmo sexo. O PS, que no recreio fez troça em grupo de Manuela Ferreira Leite, não quer o casamento de pessoas do mesmo sexo. O PS, afinal, é mais Fundão que Armani. Não surpreende.

A história da blogosfera (e deste blogue)

«Apesar de não ter talento nenhum, insistiu.»

De uma nota de rodapé da biografia de Eça de Queirós (MFM), citado de cabeça, fazendo referência a um contemporâneo qualquer de Eça que agora me escapa.*

(* Era suposto este texto estar em pequenino; deixei de conseguir escrever coisas em pequenino, sem saber porquê, ainda não veio cá a casa nenhum engenheiro do Google explicar o sucedido. As letras pequeninas são da maior importância para aquilo que é descrito por um grupo de especialistas como a «identidade» deste blogue. Sinto-me amputado de uma ferramenta importantíssima, a letra pequenina, aquele comentário espertalhão, aquela nota de rodapost - fui o primeiro a cunhar isto,«rodapost», Pacheco, quando escreveres a história da blogosfera lembra-te de mim. Mais alguém padece deste mal? Um fórum? Uma linha de apoio?)

Prime

Para a criação do clube de fãs do Antiques Roadshow da BBC.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Do Regime (com maiúscula)

«A» (por exemplo) casa-se com «B» (admitamos) e é escolhido o modelo «separação de bens» (hipótese meramente académica). Até aqui, tudo bem. Porém, chega a hora de preencher a declaração de IRS e «A» e «B» percebem então que só há uma hipótese: declaração conjunta (lá se vai a «separação»). Os «bens», esses, aparecem bem juntos no «reembolso»: o cheque vem escrito em nome de «A» ou «B». «Ou». E o «regime de bens» passa a ser então um artifício legal que só tem eficácia com o divórcio. Portanto, chamar-lhe «regime de bens do casamento» é um eufemismo com laivos de tabu oitocentista. E um grande nariz do Estado enfiado pela nossa janela dentro.

Sim, eu tenho amigos de esquerda, mas

«Sim, eu tenho amigos de direita, mas da direita democrática: gente que se cumprimenta com dois beijinhos.»

Ivan Nunes

Ando desde ontem a iterar rascunhos para uma inversão desta lógica, sem sucesso.

43

Sobre Before the Devil Knows You're Dead - cuja apreciação crítica também chuto para canto - há que realçar um único dado: Marisa Tomei nasceu a 4 de Dezembro de 1964.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Chavez

O aspecto que achei mais interessante neste último incidente Chavez foi a cobardia evidente do ditador Venezuelano: Chavez manda regressar a casa o embaixador nos EUA «até que haja um novo governo no país». Isto, a dois meses das eleições, é obra.

David Foster Wallace



Acabei de limpar as teias de aranha da minha conta da Amazon para trocar 10 euros por uma cópia de Consider the Lobster. Nunca li David Foster Wallace e este é um gesto de contrição. Escolhi o ensaio porque estou num ciclo (os animais, as mulheres e eu: todos temos ciclos) que me anda a afastar da ficção (estou a ler a biografia do Eça de Queirós, de MFM). E porque lá dentro também há um ensaio sobre McCain, resultado do acompanhamento de Foster Wallace fez da campanha de 2000. Ou por outra razão qualquer. A verdade é que, sem saber porquê, senti-me em dívida.

JPC vs MFM

João Pereira Coutinho entrevista Maria Filomena Mónica.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Um hermeneuta pós-hegeliano

«(...) Querido Casanova, se alguma coisa oblitera a leitura da realidade futebolística de Freitas Lobo é o facto de ele ser um comentador ideológico na linha de um hermeneuta pós-hegeliano que não se libertou ainda dos ancestrais vícios dialécticos e meta-narrativos.»

11 de Setembro

A invocação do 11 de Setembro também é uma colecção de memórias privadas. Como a chegada do homem à lua, ou o 25 de Abril, não há quem não saiba exactamente onde estava e o que estava a fazer às 9 da manhã (hora local) do dia 11 de Setembro de 2001. Eu dormia e fui acordado pela minha irmã: «um avião chocou com o World Trade Center». Sensivelmente um ano e meio antes, em Março de 2000, estava no átrio das torres gémeas a tentar convencer os meus pais e irmãos a subir ao observation deck, iniciativa que acabaria por se revelar infrutífera. Nessa altura ninguém sabia quem era Bin Laden, George W. Bush ainda não era presidente, e Sócrates era ministro do Ambiente. Em Londres e Madrid houve muita gente que assistiu incrédula ao nine eleven sem saber que assistia ao primeiro capítulo da história que conduziria à sua morte. O homem que terá dado origem a isto tudo vive dentro de uma caverna com ligação à internet. Passados sete anos, já ninguém está de acordo. 

Tudo a descarregar

Qual é a melhor banda do mundo? Obviamente, os Radiohead, que deram um concerto aparentemente memorável em Santa Barbara (com um muito obrigado ao João Lopes).

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

The moose in the room

«The moose in the room, of course, is her lack of experience.»

A Economist, essa entidade homogénea que tem direito a preciosidades estilísticas destas. Não sei se repararam: «moose». Eu acho isto óptimo.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Parem as rotativas

Luís Filipe Menezes admite recandidatar-se à presidência do PSD

Bernardo Mota

Quando Bernardo Mota disse «o problema neste ponto foi que Federer não flectiu as pernas», percebi que todo o esforço dos nossos antepassados para construir aquilo a que chamamos «civilização» poderá ter sido em vão. A verdade é que Murray esgotou-se contra Nadal, e o dia a menos de descanso não terá sido alheio ao resultado de ontem. Pode também especular-se sobre o resultado do hipotético encontro entre Nadal e Federer, e não escandalizará ninguém admitirmos que a vitória poderia ter caído para o tipo de Maiorca. Apesar disto tudo e também do Bernardo Mota, Federer já avisou que não quer parar nos 13, mesmo se o comentador do Eurosport acha que «infelizmente, os patrocinadores do US Open intervêm muito na cerimónia dos prémios».

Devo precisar: o que é «intervir muito, infelizmente»? O comentário foi produzido quando uma directora da Lexus entregou a chave de um carro que Federer acabara de ganhar, forçando assim, infelizmente, Federer a, infelizmente, agradecer o gesto e, infelizmente, mostrar satisfação por, infelizmente, ter acrescentado, infelizmente, um Lexus à sua colecção. Eu próprio fiquei infeliz, o Bernardo Mota ficou infeliz, mas não há registo de que a única pessoa com razões para ter ficado infeliz - Andy Murray, obviamente por não ser ele a levar o Lexus para casa - tenha experimentado a infelicidade.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

De Alexandria a Guadalajara

Pode ser um objectivo remoto como tantos outros, e se não servir para mim que alguém pegue na ideia: tirar um ano sabático e percorrer o mundo segundo esta lista que gamei do blogue da Ler:

Feiras do Livro

Alexandria, Egipto - 21 de Fevereiro a 5 de Março
Riga, Letónia - 28 de Fevereiro a 2 de Março
Bruxelas, Bélgica - 5 a 9 de Março
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos - 11 a 16 de Março
Leipzig, Alemanha - 13 a 16 de Março
Paris, França - 14 a 19 de Março
Bangkok, Tailândia - 26 a 30 de Março
Bolonha, Itália - 31 de Março a 03 de Abril
Londres, Reino Unido - 14 a 16 de Abril
Linz, Áustria - 23 a 27 de Abril
Buenos Aires, Argentina - 21 de Abril a 12 de Maio
Bogota, Colômbia - 23 de Abril a 5 de Maio
São Petersburgo, Rússia - 24 a 27 Abril
Budapeste, Hungria - 24 a 27 de Abril
Praga, República Checa - 24 a 27 de Abril
Genebra, Suíça - 30 de Abril a 4 de Maio
Basel, Suíça - 2 a 4 de Maio
Turim, Itália - 8 a 12 de Maio
Varsóvia, Polónia - 15 a 18 de Maio
Tessalónica, Grécia - 29 de Maio a 1 de Junho
Nova Iorque, EUA - 29 de Maio a 1 de Junho
Madrid, Espanha - 30 de Maio a 15 de Junho
Cidade do Cabo, África do Sul - 14 a 16 de Junho
Toronto, Canadá - 15 e 16 de Junho
Guayaquil, Equador - 4 a 13 de Julho
Tóquio, Japão - 10 a 13 de Julho
Hong Kong - 23 a 29 de Julho
Edimburgo, Escócia - 9 a 25 de Agosto
São Paulo, Brasil - 14 a 24 de Agosto
Gotemburgo, Suécia - 25 a 28 de Setembro
Barcelona, Espanha - 8 a 10 de Outubro
Frankfurt, Alemanha - 15 a 19 de Outubro
Belgrado, Sérvia - 20 a 26 de Outubro
Bratislava, Eslováquia - 6 a 9 de Novembro
Moscovo, Rússia - 26 a 30 de Novembro
Guadalajara, México - 29 de Novembro a 7 de Dezembro

Quem diria

«(...) Mas houve uma ocasião em que o Pato Donald de facto foi a votos. Eu devia ter uns oito anos quando organizei a primeira eleição, em família. Não havia um posto específico em jogo; era uma eleição como jogo, o que era talvez normal para uma cabeça moldada pela experiência das presidenciais de 1980 e por passar os domingos à tarde com um jogo de sociedade chamado “As eleições e os partidos”. Os dois candidatos eram o Tio Patinhas e o Pato Donald e, de acordo com a dinâmica eleitoral, acabou por resultar convencionado que o Tio Patinhas era o candidato da direita e o Pato Donald o da esquerda.
A história da derrota do Pato Donald é um pouco embaraçosa. Naquela tenra idade em que os instintos se revelam mais crus, foi precisa uma certa ajuda minha para decidir o resultado. Esquerda e direita, a família dividiu-se ao meio. Uma avó, porém, tinha votado no Pato Donald de forma que considerei irregular (uma cruzinha fora do quadrado? Já não me lembro), fechando os olhos ao facto de que um avô tinha votado Tio Patinhas de forma igualmente irregular (não preencheu o boletim e deu-me simplesmente um papelinho com o nome escrito: Tio Patinhas). Graças a este expediente, o milionário de Patópolis venceu a eleição sem posto pela estreita margem de doze a onze, ou coisa parecida.
O Pato Donald candidato da esquerda, o eleitorado dividido ao meio e o resultado decidido com uma chapelada. O meu pequeno sufrágio familiar antecipou a grande política americana em duas décadas; quem diria.»

Ivan Nunes

domingo, 7 de setembro de 2008

Casanova

O Rogério Casanova estreou-se na Ler em crónica que ainda não li porque o meu exemplar da revista conseguiu fazer-se barricar num restaurante japonês do Chiado de onde não sai desde ontem. Antes deste pequeno episódio, tive no entanto tempo de espreitar a página intitulada Pastoral Portuguesa e quero daqui revelar ao mundo que o Rogério Casanova é tal e qual o boneco que lhe atribuiram. Serve isto para desmontar o estragema do Casanova de se fazer dissimular na anonimidade do quotidiano, escondendo a face do público. Meus amigos, estudem bem o boneco da Ler e quando o virem na rua não o deixem escapar. Podem dizer que vão da minha parte.

Emily Blunt



Emily Blunt, que em The Jane Austen Book Club quase que nos faz esquecer que Maria Bello também está em cena. Quase.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

«Vou ser muito breve, mas»

O que faz o bloguista em apuros? Sim, vai a uma «sessão pública». Sobre o quê? Não interessa. Aqui as palavras chave são «sessão» e «pública». No presente caso, que envolveu o vosso narrador, foi de urbanismo, mas podia ter sido de literatura ou culinária. Há sempre o «painel». O «painel» tem sempre uma pessoa entusiasmada por ali estar, dois convidados institucionais que acham - erradamente - que não estão ali a fazer nada, e dois convidados que de facto não estão ali a fazer nada. Antes de mais, as horas. A sessão era solene e a cargo de um organismo público, pelo que se espera algum decoro com a pontualidade. Devido a um erro de cálculo, cheguei meia-hora mais cedo. Cheguei sozinho? Não. Um vulto que identifiquei a uma distância capaz de desmentir as minhas dioptrias provou ser Gonçalo Ribeiro Telles, monárquico, paisagista, octogenário e pontual. Cada vez gosto mais de octogenários, e a simpatia com que Ribeiro Telles brindou as duas meninas que tratavam da logística no anfiteatro reforçou essa ideia ao lançar uma esperança sobre a longevidade da testosterona. Depois, começaram a chegar os outros. Do ex-ministro à «moradora», do presidente da junta à outra «moradora» não faltou nada. Nem Nuno Portas, que não vi mas ouvi ser mencionado, qual divindade omnipresente. O painel explicou o objectivo da sessão, passou o devido power-point, foi fotografado e como sempre totalmente incompreendido. O primeiro a ter a palavra foi o reitor, académico, habituado a falar para plateias onde não conhece «90% dos presentes», e seguiu a cartilha certa, sem esquecer a «piada» e a «citação» («conhecer é perdoar», não tirei notas, ajudem-me, será «O Monte dos Vendavais»?), para depois intervir o «técnico», neste caso a «técnica», que leu com habilidade as frases projectadas pelo computador e pela ordem certa, que é mais difícil do que pode parecer. Depois, o «debate», o momento mais ansiado na «sessão pública» e mais propenso a gerar material para o bloguista em baixo de forma. O ex-ministro, que levantou a mão prontamente,  perguntou pelo metro, se iria haver uma saída de metro ali, para as «alunas» não sofrerem a insegurança própria das áreas isoladas, e saiu sem ouvir a resposta, a provar que o académico que habita nele levou a melhor: interessou formular «a problemática», não tanto chegar a uma conclusão. O presidente da junta, que não foi convidado para a sessão «devido a um erro», como assumiu o vereador, colocou questões interessantíssimas a que ninguém deu importância, como é apanágio dos assuntos das «freguesias», e o académico representante da faculdade que vai ser deslocada perguntou se vai sobrar dinheiro da operação para a construção do novo edifício, a provar que apesar de ser «de letras» está muito preocupado com a matemática da coisa. E com razão, pois o vereador admitiu que se terá de fazer «omeletes sem ovos», o que prova a sua reputação de excelente cozinheiro. O climax, como sempre, aconteceu quando se deu a palavra ao «povo», ou melhor, ao «homem comum», apesar de se ter dado o caso de terem sido duas mulheres. Numa sucessão (acabei de escrever «susseção») de acontecimentos que puseram a nu a riqueza que é a assimetria sociológica dos centros urbanos, que permite adivinhar, por exemplo, se determinada pessoa diz «encarnado» ou «vermelho» consoante o código postal, a representante dos moradores da Columbano Bordalo Pinheiro chamou por diversas vezes «atrasados mentais» aos responsáveis camarários - numa intervenção que contou com a preciosa colaboração do microfone que andara a falhar durante a toda a sessão - e a moradora do Bairro Azul publicitou a sua preocupação sobre o futuro da sua área de residência, pedindo um plano «civilizado». Pelo meio sugeriram-se insinuações xenófobas (a «mesquita», «os indianos») e pediu-se ao vereador que tratasse do problema do «cheiro a xixi de gato». Gonçalo Ribeiro Telles foi elogiado por toda a gente, o que me tranquilizou ligeiramente, apesar de ninguém lhe ter elogiado a pontualidade, o que pode ser explicado pelo facto de a única pessoa que lhe comprovou a pontualidade não ter falado. Não falei, e não fosse este post e a minha ida teria sido em vão. E alguém que me explique como se adapta o edifício da prisão, porque o vão adaptar. Alguém que faça o favor de vir cá casa explicar. Se puder ser, enviem o Ribeiro Telles.

Esse mesmo

«Soube de fonte segura que o Tiago Bettencourt (esse mesmo) considera a minha música ofensiva

Tiago Cavaco

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Miss Him

«I don't believe in God, but I miss Him.»

Sem ironias

Ó maradona (aqui a interjeição invocativa serve o propósito de forçar a miníscula), o Sporting também tem um jogador que verte o seu futebol nos campos por onde passa apenas porque o trabalho pelo qual é pago é jogar futebol:

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Céu sobre Lisboa

O Ivan Nunes informa-nos da morte de Pedro Ornelas, autor d'O Céu Sobre Lisboa, e redige com elegância o devido obituário. Para além daquilo que disse o Ivan, o Pedro Ornelas era também um apreciador de arquitectura, e foi devido a isso que, em tempos, troquei argumentos com ele sobre alguns temas. Não conhecia o Pedro Ornelas pessoalmente, e já se passaram três ou quatro anos desde essas conversas, mas, e se alguém que lhe seja chegado vier a ler estas linhas, aqui fica a minha homenagem a alguém com quem aprendi alguma coisa.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Jogador

Reservou-me o destino que a minha iniciação a Dostoievski se desse através de um volume comprado no Modelo de Grândola a 4,99€ (O Jogador), que comprei devido a este primeiro parágrafo sublime:

Наконец я возвратился из моей двухнедельной отлучки. Наши уже три дня как были в Рулетенбурге. Я думал, что они и бог знает как ждут меня, однако ж ошибся. Генерал смотрел чрезвычайно независимо, поговорил со мной свысока и отослал меня к сестре. Было ясно, что они где-нибудь перехватили денег. Мне показалось даже, что генералу несколько совестно глядеть на меня. Марья Филипповна была в чрезвычайных хлопотах и поговорила со мною слегка; деньги, однако ж, приняла, сосчитала и выслушала весь мой рапорт. К обеду ждали Мезенцова, французика и еще какого-то англичанина: как водится, деньги есть, так тотчас и званый обед, по-московски. Полина Александровна, увидев меня, спросила, что я так долго? и, не дождавшись ответа, ушла куда-то. Разумеется, она сделала это нарочно. Нам, однако ж, надо объясниться. Много накопилось.

(Citar no original foi uma tradição que começou no Ouriquense e que não tenciono violar.
)

Flex Foots



I don't know what I have done
I'm turning myself to a demon

Tiger Mountain Peasant Song

(Não há maneira, tal qual os «Overkill Driver», de lhes acertar com o nome.)

Necessário

A antipatia é geralmente uma forma de timidez, ou mais ainda de falta de auto-estima. Nós preferimos a simpatia de quem gostamos e dispensamo-la a quem não nos interessa. Ser simpático, mostrar alguma polidez no trato com as outras pessoas, implica partirmos do princípio que essa polidez nos é exigida. A insegurança de quem não se percebe desejado pode levar à distância desinteressada que se interpreta como antipatia. Sermos necessários aos outros pode não passar pela nossa vontade; não nos assiste o direito de questionar essa condição, mas apenas de a conhecer. Perceber que isso é uma forma de humildade é perceber que a timidez inicial é também uma forma de egoísmo que se assume como uma defesa perante a desilusão. Mas como acontece sempre que adoptamos um princípio geral sob forma de minuta, acaba por pagar o justo pelo pecador. Essa defesa assume-se então como algo que necessita de ser atacado (e desmontado), e isto é certamente uma das piores tentativas aforísticas da história da blogosfera.

Necessárias

Aos 30 apercebo-me que, no fundo, não gosto assim tanto de crianças nem de animais. (...) Deixá-los existir sem demasiadas sentimentalidades é a resposta mais cristã.

(...)

Não ando para conversas. (...) E por vezes irrito-me e digo coisas que não queria a pessoas de quem gosto.

(...)

Num período igual ou menor a duas horas adoro a praia.

O Tiago que me perdoe alguma descontextualização, mas estas frases eram-me necessárias.