sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Alerta laranja

O primeiro quiosque que consultei não tinha a Sábado.

Aviso à navegação



Pode ser que a inebriação que me causa a sua beleza física me esteja a toldar o juízo, mas tenho andando muito espantado com as reacções que um pouco por aí pululam sobre Manuela Ferreira Leite. Lembram-se do vídeo de Sócrates a não apertar a mão a Luís Amado? Eu lembro-me. Isso, e o episódio de ontem, «todos os meus acessores usam o magalhães». E a licenciatura. E os projectos na Guarda. E o orçamento. E agora esta coisa das eleições americanas de 1960. São umas atrás das outras. E, acima de tudo, o carácter que daqui resulta, esta plasticidade cínica e medíodre. Estou farto, fartinho desta merda. Meus amigos, quando chegar a hora este blogue vai vestir-se de laranja e começar a campanha. Podem deixar de me ler já. Ficam avisados.

(O vídeo acima é um pedaço - agora passo a usar o vocabulário MFL e tudo - da entrevista do outro dia de Ferreira Leite à Sic-Notícias.)

Luvas

Estou chocadíssimo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mas o Carteiro de Pablo Neruda não é obrigatório, pois não?



Semana de comprar a Sábado, está visto.

(Obrigado ao Nuno pela dica.)

Chimp shampooed, dick tattooed

So what can a poor boy do? You come out of the hotel, the Vraimont. Over boiling Watts the downtown skyline carries a smear of God's green snot. You walk left, you walk right, you are a bank rat on a busy river. This restaurant serves no drink, this one serves no meat, this one serves no heterosexuals. You can get your chimp shampooed, you can get your dick tattooed, twenty-four hour, but can you get lunch?

Martin Amis, Money, numa citação de The Art of Fiction

Exaltou-me especialmente o duplo sentido da palavra «serves» (serves no drinks, serves no heterosexuals) e o som de chimp shampooed, dick tattooed. Era só isto, podem continuar com as vossas vidas.

Os animais

Eu vou passar a citar, na íntegra, as afirmações de Paulo Rangel que indignaram os animais o blogue da Associação Animal:

- “Não faz sentido haver um Dia do Cão.”
- “Também não [faz sentido haver um Dia dos Animais]”.
- “Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”
- “Os animais merecem protecção mas não são titulares de direitos.”
- “Não são eles que têm esse direito [de ser bem tratados e protegidos]. Nós é que temos essa obrigação.”
- “Para mim essa é uma concepção errada [a de que os animais devem ter direitos]. Acho que só as pessoas devem ser titulares de direitos.”
- “Os animais [também sofrem], mas não sofrem como nós.”
- “
A caça ou as touradas, enquanto tradições com determinadas características e determinados limites, são toleráveis. Fazem parte da Cultura.”
- “Muitas tradições não acabaram e estas [caça e touradas] são daquelas que para mim não devem acabar.”
- “Faço uma separação ontológica entre as pessoas e os animais.”
- “Num contexto cultural devidamente integrado, certas tradições [como a caça e as touradas] – ainda que possam chocar algumas pessoas – são admissíveis. É a minha posição.”
- “Não sou contra [a exibição de touradas na RTP].”
- “Desde que devidamente contextualizado [a transmissão de touradas pela RTP, televisão do Estado, expondo as crianças à violência contra os animais], não vejo nisso qualquer problema.”
- “A menos que esteja em causa a extinção de espécies, não acho mal [utilização de peles para confecção de vestuário].”
- “A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais. O Homem é ontologicamente diferente dos restantes animais.”


Estou absolutamente solidário com os animais a Associação Animal. É absolutamente inaceitável que se trace uma linha divisória entre o Homem e o Animal. Este tipo de atitude é discriminatória, e revela preconceitos conservadores que infelizmente ainda estão bem presentes na nossa sociedade. O facto de ainda não ser reconhecido em Lei o casamento entre um casal de espécies diferentes revela bem o «estágio pré-científico» em que vivemos. Está provado, há muito, que 98% do ADN do ser humano é semelhante ao ADN do chimpanzé, e infelizmente parece que são esses 2% que estão a prevalecer sobre os restantes 98%, o que revela o afastamento do comportamento democrático destas questões. E a Igreja Católica tem mantido um silêncio ensurdecedor sobre estas matérias, escondendo assim o incómodo que é o imperativo moral estabelecido no Livro do Génesis - o episódio Noé. Que o líder parlamentar de um partido que se diz «de poder» afirme coisas como «A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais» deixa-me entristecido por ser português. Mais, deixa-me entristecido por pertencer à espécie humana.

Oh meu Deus



(Atenção: em Portugal as pessoas vêem isto como «um golo de Cristiano Ronaldo.»)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

É a «falta de tempo», stôr

Ando a escrever tão mal.

Dubaya

O problema de W. é corresponder tão explicitamente à visão que tanta gente quer ter de George W. Bush e de não lhe acrescentar nada. Formalmente, aquele meio-tom que adopta, de sátira mas não tanto assim, falha porque não se percebe o objectivo. Como sátira é fraco, não arrisca quase nada e não tem assim tanta graça. A primeira cena, que mostra a discussão na sala oval que levou à expressão «eixo do mal», é particularmente infeliz ao assemelhar-se a um mau sketch de Saturday Night Live: as personagens são apenas caricaturas inconsequentes, com alguns altos e baixos, é certo, mas até essa irregularidade mostra como a sátira não foi levada a sério: os «maus» (Rumsfeld, Karl Rove e Cheeney) são relativamente bidimensionais; os «bons» (Powell) são relativamente poupados e aparentam ter uma espinha dorsal. Se quisermos, podemos comparar W. a um exercício aparentemente semelhante - uma sátira a um presidente ainda em exercício - que é Our Gang, de Phillip Roth, para percebermos o que W. poderia ter sido e não é. E a questão não é a suposta meiguice que Oliver Stone terá revelado para com Bush: W. é tudo menos meigo ou imparcial, como irracionalmente alguns críticos apontaram. W. apresenta Bush como a personagem que todos nós já construímos na nossa cabeça e fá-lo com um sucesso discutível, num exercício estilisticamente medíocre. E é cínico. Porque parece insinuar que só não foi mais longe porque quis ser bem educado. É um aluno que não faz o trabalho de casa e que se apresenta perante o professor a dizer que a culpa foi do cão.

Egomaniac

«All writers are slightly set by status anxiety, you have to be an egomaniac to write, up to a point.»

Martin Amis, nesta conversa aqui

Pára tudo

"A la Selección la voy a dirigir yo"

W.

Já aqui venho explicar porque achei W. uma merda.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Performance anxiety



Começo a ser perito em comentar assuntos que desconheço quase por completo com base apenas na observação - astuta, quase sempre - dos efeitos que essas questões provocam no meio ambiente e social - como o maradona, por exemplo, que não precisa de ver os jogos do Sporting para lhes adivinhar o andamento (e aqui há que dignificar o nome do post do maradona, «Marcelo Rebelo», porque é importante exteriorizar que percebemos a referência: maradona cita Marcelo Rebelo de Sousa como exemplo de comentário sem rede, eu cito o maradona, etc, tudo está na ordem certa.) Como é evidente, este post serve para comentar o mais recente post de Rogério Casanova, datado de 28 de Outubro, que precede o anterior, datado de 08 de Outubro, ficando nítido aos nossos olhos quando visto em contra-luz, e após ser banhado com sumo de limão, um hiatus temporal entre os dois posts de, aproximadamente, 20 dias. Eu não queria estar aqui a precipitar-me em conclusões infundadas, portanto vou socorrer-me de provas materiais que mostrarão, beyond reasonable doubt, que Casanova está a sofrer, talvez devido a um processo de mimetismo involuntário, de um mal semelhante ao que Casanova acusa Wood de sofrer:

«(...) O que me parece é que Wood terá sucumbido à maldição do crítico: a pressão da coerência. A partir do momento em que uma série de argumentos justíssimos contra um tipo de excesso recorrente cristaliza numa teoria estética, o crítico vê quase sempre, paradoxalmente, o seu leque de ferramentas reduzido, pois depara-se com a necessidade de deformar as suas análises futuras para que coincidam com o novo ângulo de visão.(...)»

Longe de mim acusar Casanova de «coerência», e portanto deixo claro que não é a coerência que está a pesar sobre os ombros de Casanova, mas antes a performance. O que Casanova tem feito desde Julho de 2006 é semelhante ao que Federer fez no ténis: elevou esta merda para outro patamar, um patamar relativamente inacessível para o resto de nós., e agora, depois de se ter apercebido dessa mudança de paradigma operada pelo próprio, começou a intervalar os seus textos em períodos que começaram a exceder o razoável, de forma a permitir ao texto sofrer as iterações necessárias até atingir o estado de apuramento desejado. Ora, tal como acontece com, por exemplo, a Rondanini Pietà, que deixou um braço solto ali caído, também o presente texto de Casanova apresenta um pormenor que deixa antever um longo período de gestação do mesmo: o facto de, inexplicavelmente, Casanova não fazer referência a este texto de James Wood. Como é possível dizer-se que «(...) James Wood (...) tem andando em campanha eleitoral nos últimos dias» e não citar o texto que o mesmo dedicou a Saramago? Eu avanço com a resposta: o texto de Wood data de 27 de Outubro, apenas um dia antes do deadline que Casanova tinha para entregar o seu post aos engenheiros do blogger, e portanto não houve tempo para refazer o equilíbrio da estrutura argumentativa do post, que andava a ser esculpido há, pelo menos, 15 dias. Não quero com isto emitir juízos de moral, mas achei importante alertar a população para o facto de se ter tornado evidente que este senhor sofre de performance anxiety. Esta é a minha teoria, porque ainda não estou preparado para admitir que coisas destas se escrevem entre a leitura do Record e a consulta das cotações da maionese nos mercados internacionais.

Ensaio sobre a lucidez

A mentira dos mercados desregulados, por Nuno Garoupa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Jesus



Na quinta-feira, três secos ao Portsmouth; hoje, cinco secos ao Estrela. Não vejam ironia nem sarcasmo onde eles não existem: este homem está a merecer uma chamada a um grande.

Serviço (mais do que) público

De 2003 a 2007 aqui; de 2007 a 2008 aqui.

como se estivéssemos num estúdio de tatuagens que cumprisse todas as normas arquitectónicas e sanitárias da ASAE



«(...) Os restaurantes de hotel em Lisboa são um híbrido de lisbonites que querem ser turistas na sua cidade, e de turistas que não querem deixar de ser turistas na nossa cidade.A lógica é embaralhada com os hotéis de design, ali à Estefânia como quem vai para o bilhete de identidade ou prestar declarações à pêjota. Se não fugirmos pela designação (e design é designar sem ar), aterramos em lugares inóspitos, sem realidade (design mata dasein), salas de espera de dentistas em Marte, cadeiras que se confundem com mesas e restaurantes omo branco mais branco não há. No restaurante Saldanha Mar, no Fontana Park Hotel, à Estefânia, é como se estivéssemos num estúdio de tatuagens que cumprisse todas as normas arquitectónicas e sanitárias da ASAE. E todos os comensais parecem deslocados. Nem turistas, nem lisboetas que querem ali estar para fugir a Lisboa, nem nada. (...)»

O projecto é de Aires Mateus. A fotografia é do João Morgado. O texto, claro, do Lourenço Viegas.

domingo, 26 de outubro de 2008

A tenda

Não queremos propriamente ter acesso à «tenda vip», mas há sempre uma parte de nós que não é capaz de recusar o convite. Quando lá chegamos, porém, percebemos que a «tenda vip» é mais «tenda» do que «vip», que é só gente parecida connosco, com dois braços, duas pernas, uma cabeça, e que tudo é um bocado mais divertido lá fora. A «tenda vip» vende a ilusão aos que lá se encontram que são «vip», mas só é enganado quem acha que ser «vip» é uma condição que pode ser atribuída por uma «tenda». No fundo, percebe-se que falhei o bar aberto.

Fechar a mão em concha em torno de uma vela em noite de chuva

«Podes não acreditar, eu sei que é difícil, mas ainda há compaixão no mundo, certamente secreta e ilegal, cautelosa e ocasional, mas ainda há, não somos todos cool como o gelo e os famosos, ainda há quem esteja atento ao medo e à dúvida e feche a mão em concha em torno de uma vela em noite de chuva.»

Pedro Mexia

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fogo cruzado

Não percebo esta surpresa angustiada que se abateu sobre as pessoas acerca do sucesso que têm vindo a ter os romances de José Rodrigues dos Santos: desde a Guerra do Golfo que sabemos que há ali um talento nato para a ficção.

Que se foda Lisboa

Este texto da Rititi é tristíssimo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eu, obedeço

Registado.

Haider

Isto é muito bom.

Books vs. shoes

Em Books vs. Cigarettes George Orwell fala da sua experiência como funcionário de uma loja de livros em segunda-mão, e em como essa experiência ia matando a sua relação com os livros. Um dos dados que achei mais curioso diz respeito à discrepância entre os livros que eram emprestados pela loja (um dos seus negócios) e os que eram vendidos. Os livros «mais vendidos» não eram os «mais emprestados» e vice-versa. Orwell, numa análise que parece clara, sustenta a ideia de que os primeiros (os emprestados) são livros que as pessoas querem de facto ler, e que os segundos (os vendidos) são livros que as pessoas acham que devem ler, mas que - devido a não terem saída no mercado do empréstimo - lêem pouco. Será uma questão de status e de exibicionismo intelectual? Era assim no princípio do séc. XX, e continua a ser um pouco assim no início do séc. XXI. Não vamos mais longe: o meu post de anteontem (o do queijo) não é mais do que a minha vaidade revelada através de uns quantos livros, semelhante àquela vaidade que testemunhei em Milão das pessoas que se vestem ostensivamente bem (a ideia conceptual que sustentou o post era esta, faltou talento para a colocar em evidência). Mas o que tem mais graça é que eu só li um deles antes de escrever o post - Books vs. Cigarettes, no avião, é curtinho. Os restantes 4 eu suspeito que sejam bons (Saul Bellow, Philip K. Dick, Don Delillo, David Lodge: não há como enganar) e, ou mas, sei que são passíveis de me emprestar alguma credibilidade pessoal, ainda que eu não produza nenhum pensamento interessante sobre eles. Leste o Roth? Li o Roth, pá, aquilo é muita bom, e pronto, achamos que «ler o Roth» é só por si suficiente. Claro que não é e claro que nós podemos não gostar «do Roth» sem que isso nos desqualifique. Mas, à partida, será saudável que quereramos gostar «do Roth» mesmo sem o conhecer. É uma espécie de curiosidade saudável e que de vez em quando produz resultados positivos. E isso leva-me a Agustina, que explica que escreve «por narcisismo». Sim, «por narcisimo», porque não? E, se alguém escreve «por narcisismo», também pode ser possível ler «por narcisismo». Ler torna-nos melhores aos nossos próprios olhos? Responde a uma necessidade de afirmação pessoal, por muito fútil que possa parecer? Acho que sim. Mas se quiserem mais pormenores, posso postar aqui uma foto dos sapatos que comprei por 13 euros, que são lindos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Jesus Cristo outra vez

Que Obama era Jesus Cristo outra vez, já sabíamos; mas que era uma versão melhorada da primeira, ficámos a saber com esta confissão do João Galamba, que deu por ele a «a olhar para as suas [de Obama] referências a Deus e à religião sem [se] sentir minimamente incomodado.»*

* Ponto um: as referências a Deus devem incomodar; quando não incomodam os ateus, não são referências a Deus, são outra coisa.

* Ponto dois: ando há algum tempo a reunir as condições para responder ao João Galamba seja no que for, sem sucesso. A sua prolificidade envia-me ao tapete, e vou perdendo oportunidade atrás de oportunidade. Este post, por exemplo, podia ser uma resposta equilibrada e estruturada, com a qual o leitor pudesse aprender alguma coisa. Em vez disto, encarem-no como uma homenagem ao João Galamba, o meu autor preferido de coisas com as quais discordo profundamente.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Milão, 2008

Atenção: este post pode conter níveis de concentração de bom gosto literário não recomendáveis a pessoas com corações fracos.

Milão, 2008, então. As expectativas, geradas por pessoas que claramente não percebem nada disto («ai, não é uma cidade muito bonita, é industrial, e mais não sei o quê»),* eram baixas, e portanto foi quase fácil à cidade de Ronaldo (1997-2002; 2007-2008) e Ronaldinho (2008-...) vencer e convencer. Primeira surpresa: as galerias Vittorio Emanuele II, que são um estrondoso sucesso, como comprova a foto seguinte:



Logo ali ao lado, a praça cheia de pombos e pessoas a atirar milho aos pombos e pessoas imigrantes a vender milho às pessoas que atiram milho aos pombos, actividade por mim registada neste belo momento:



Sobre a praça, o Duomo, exemplo maior do Gótico Flamejante, arquitectura de finais da Idade Média, a anunciar o Renascimento já aí ao virar da esquina. Não subimos lá acima, mas garantiram-nos que a vista que de lá se desfruta não anda muito longe disto:



E o que dizer das lojas, da moda, das grandes marcas capazes de deixar qualquer um convertido numa dessas pessoas que dão importância às marcas? Nada. Nada a dizer, apenas deixar para a posteridade uma dessas montras como ilustração:



Mas claro, como em qualquer cidade italiana, a grande vencedora é a gastronomia, de simples propósitos e complexos alcances. A pizza? Porque não? E o gelado? Pizza e gelado? Acontece que eu gosto muito, muito de pizza, tanto que cheguei de Itália ontem e hoje fui jantar ali na Rua do Jardim dos Regedores precisamente uma pizza, até porque estava atrasado para a minha reunião de condomínio. E já que falam nisso, aqui está uma foto de grupo do nosso condomínio:



Em suma: Milão foi das melhores surpresas que uma cidade conseguiu provocar em mim. Uma cidade equilibradíssima, com gente de todas as formas e feitios – das bonitas às extremamente bonitas, há de tudo – e com uma certa, vá lá, independência daquilo que já é, infelizmente, imagem de marca de Itália: americanos e japoneses. Japoneses que vi poucos, de facto, embora mesmo à frente no nosso hotel tenha conseguido fotografar um deles em amena cavaqueira com um local:



Nota: esta última foto não é um livro, é um queijo, veio na mala muito bem embaladinho para não deixar pivete na roupa toda.

Nota bastante honesta: o DeLillo não foi comprado em Milão, foi comprado na FNAC do Chiado. Esta é uma informação que eu não precisava de ter fornecido, mas a verdade acima de tudo, é o lema deste blogue.

Nota higiénica: reparem como eu fui capaz de não incluir pés nas imagens, habilidade não ao alcance de qualquer um.

Adenda: Post corrigido às 09:45 do dia 22-10-2008, depois de ter sido alertado por uma leitora quanto à minha ignorância.

* Grandes, grandes dúvidas sobre a validade desta vírgula aqui.

De uma brevíssima audição do novo dos Madredeus

O Pedro Ayres Magalhães passou-se de vez.

Jugular

Um gajo vira as costas e é isto: o 5 Dias rebentou e nasceu o Jugular, um blogue que se irá auto-destruir num prazo provável de 15 meses.

Ronaldinho show

Estive vai não vai (não fui) para marcar presença no Giuseppe Meazza este fim-de-semana. De resto, correu tudo bem e já cá volto para contar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Jorge Coelho

O Governo e Jorge Coelho, por Pedro Lomba.

Nada de demagogia

Deco

Não vi o jogo (estava, juro, a ver o Dartacão) mas fui espreitar o onze inicial. E do meio-campo para a frente foi isto: Raul Meireles, Manuel Fernandes e João Moutinho; Danny, Hugo Almeida e Cristiano Ronaldo. O que é que esperavam?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Evidências

«(...) [Rogério Casanova] anda a praticar (na blogosfera, no Actual e na Ler) uma crítica nova e paradoxalmente antiga, isto é: não tem medo de abordar os livros como um virgem, liberto das categorias analíticas institucionalizadas, com independência e com piada – o que me agrada. (...)»

GAF

Ando a tentar explicar isto a toda a gente, mas começo a observar que estou a perder amigos.

Amén

Lembrado pelo Tiago Cavaco: a 15 de Outubro de 2002 começava assim A Coluna Infame:

«BEM-VINDO. «A Coluna Infame» é o novo blog (web-log) português de artes, literatura, política e ideias. Para conservadores, liberais e independentes, mas não só. Mande-nos sugestões, comentários, links para artigos e sites. Não deixe evidentemente de visitar o nosso inspirador, o grande Andrew Sullivan, em www.andrewsullivan.com. Este blog, mantido por João Pereira Coutinho, Pedro Lomba e Pedro Mexia, é independente de partidos, igrejas, grupos económicos ou lóbis de qualquer género. Nem sequer estamos sempre de acordo uns com os outros. Somos homens livres, que maçada. «A Coluna Infame» ficará uns dias em fase meramente experimental, dado o facto de um dos seus autores estar em Oxford, a ver a civilização, o outro no Tribunal da Boa-Hora, a defender oficiosamente ladrões de auto-rádios, e o terceiro pelos cafés do Saldanha, entre pilhas literárias e musas condescendentes e caprichosas. Mas em breve o trio estará reunido. Num computador perto de si.»

Dois mil e dois, caraças.

Desculpem o mau jeito

«But [Lobsters] are themselves good eating. Or so we think now. Up until sometime in the 1800s, though, lobser was literally low-class food (...)»

David Foster Wallace, Consider the Lobster

David Foster Wallace é uma espécie de máquina de picar carne muito bem abastecida - não em qualidade mas sempre em quantidade. Aliás, a qualidade deixa de ser um assunto em David Foster Wallace porque um dos seus talentos é conseguir com que uma bifana salgada possa ser mais interessante do que um naco do lombo mal passado. O processo é sempre o mesmo: partir de um dado conjunto de preconceitos (inevitáveis) para proceder a uma recolha de dados o mais extensa possível que, depois de triturados, reorganizem as fundações desses mesmos preconceitos (alguns sobrevivem, outros não). E o estilo, admiravelmente voluntarioso, consegue deixar claro que é uma voz bem identificada que nos fala (DFW refere-se constantemente a ele próprio com o objectivo de sujeitar o leitor às mesmas condições que geraram o texto e com isso emprestar credibilidade emocional aos julgamentos) ao mesmo tempo que se mascara num tom jornalístico quase objectivo (ok, ok, não é líquido que o «jornalismo» e a «objectividade» se dêem bem). E ainda temos de juntar à festa a obsessão de DFW pelo subtexto, e pelo subtexto do subtexto (acabei de ver ontem, por exemplo, uma nota de rodapé a uma nota de rodapé, isto numa crónica sobre o mundo da pornografia) e pelo subtexto do subt... and so on. É muito estranho, não estava habituado a ler coisas assim. A vitória final de Wallace será convencer-me que não devemos cozinhar lagostas vivas, mas essa conclusão ficará para amanhã.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Da chapada como catalisador literário

Nunca agredi fisicamente ninguém (a não ser os meus irmãos, mas eu era o mais velho e precisava de estabelecer os limites da reserva territorial) mas já fui agredido. Aconteceu uma vez: não garanto que estava sóbrio e o murro de mão fechada do indivíduo que eu acusara - justamente - semanas antes de me ter roubado um boné - um boné, graças a Deus que a adolescência só se vive uma vez - foi o suficiente para me deixar estatelado no chão. Sou cristão, perdoei-lhe, mas não sou parvo e a outra face ficou intacta. Mantive a dignidade, mas posso ter hipotecado uma carreira brilhante: lendo a entrevista de Lobo Antunes ou os obituários de Norman Mailer percebo que não tenho futuro na literatura. 

E quando a tua fé na arquitectura atravessa uma crise



É tão bom que até irrita.

domingo, 12 de outubro de 2008

Inveja

Não era preciso ler a sua mais recente crónica para a LER (o episódio Martin Amis) para se perceber que há muita coisa a invejar em Rogério Casanova. E não estou a falar do (inegável e inigualável) talento. Peçam-me para explicar e eu talvez o faça.

Notas da FNAC

- A Noiva Cadáver de Tim Burton está no «Espaço Infantil»;
- A nova (e aclamada) tradução de Guerra e Paz para o inglês está à venda por 10 euros (pela incontornável Penguin). A minha mulher tratou de tratar disso;
- 10 euros? Não, 9. E eu não tenho cartão FNAC: nas máquinas de venda self-service o desconto continua a aplicar-se, até quando é a questão que se impõe;
- Magnífico Material Inútil a 12,95€. Não chega a 1 euro por canção.

O derrotado da vida

Tentei, tentei, tentei, mas aquela atitude «Pilar, sabes, já não há humanistas como eu e o Gabo» exasperou-me. A história do meu atrito com Saramago ainda está por resolver e tem-se manifestado sobretudo nas entrevistas. Eu, que gosto de entrevistas a escritores mesmo quando nunca lhes li nada de significativo, deprimo-me com as de Saramago, sempre tão previsíveis naquilo que é a sua maneira de olhar o mundo, jogando sempre naquele campeonato que só interessa aos comunistas, da «coerência», como se a coerência fosse uma virtude per se, como se «ser comunista» fosse uma virtude. Não há nada que me aproxime de Saramago, e Saramago não tem um milímetro de charme que possa seduzir alguém que não frequenta a Soeiro Pereira Gomes. É, sobretudo, e isto é o pecado capital para alguém que se quer ficcionista, um homem sem imaginação, um derrotado da vida que é derrotado isoladamente, não como os outros que eram vencidos mas em manada, sempre tinha mais graça. Eu gostava de gostar de Saramago mas já desisti de tentar. Para compensar, vou comprar o Público que enviou Anabela Mota Ribeiro falar com Lobo Antunes. Porque com Lobo Antunes nunca falha, é o meu autor de respostas a entrevistas favorito (um homem que contou como a guerra de África parava aos domingos para ouvir o Benfica merece tudo, tudo de bom.)

Não me lembro da última vez

Não me lembro da última vez que escrevi um post às 3 da manhã. Melhor, lembro-me: era solteiro e a blogosfera atravessava o seu período heroico. A Coluna Infame já tinha acabado (o período pré-heroico) e se tivéssemos sorte podíamos apanhar em directo a actualização do Dicionário do Diabo: era só esperar pelas 4h30 da madrugada e ir fazendo refreshes múltiplos. Ricardo Araújo Pereira ainda era fundamentalmente uma sigla. A «esquerda» era quase moribunda, estando o José Mário Silva quase sozinho na luta. Hoje o culpado foi o concerto dos Pontos Negros, aqui ao pé de casa, no MusicBox, uma sala absolutamente não preparada. Apesar do desiquilíbrio total do som (graves ausentes, agudos estridentes) o concerto foi um bom concerto. O hype não fez estragos: tirando a presença de João Botelho (esse mesmo) e de Tiago Bettencourt (esse mesmo) o ambiente era quase familiar, apesar de eu não conhecer lá ninguém. Percebia-se que o público queria estar ali e que os Pontos Negros também «só queriam estar ali» (perdoem-me a adaptação). A «primeira parte», a cargo dos Golpes, não desiludiu e rivalizou com o prato principal. A minha mulher, que concorda em absoluto com o Samuel Úria quando diz que «isto só podia ser deliciosamente adolescente» (à excepção do «deliciosamente») ficou em casa, a provar que a sensatez ainda é um reduto feminino. Eu, que ainda não consigo adormecer, vim para aqui lembrar 2004 e meditar sobre a mais convincente chamada à fé que me fizeram nos últimos tempos: os tipos dos Pontos Negros quiseram acabar cedo porque amanhã é domingo e «dia de ir à igreja». Eu deveria ir e pedir perdão por ter começado o dia a esquecer-me do baptizado de uma filha de uns amigos. A superioridade moral deles fez com que o seu único comentário fosse: «Anda cá ter, estás cá num instante». Fomos a Évora, violando sucessivamente vários artigos do Código da Estrada, voltámos melhores pessoas e ficámos a conhecer mais uma filha de Deus. Em suma, foi um dia onde mais uma vez senti a amargura da minha imperfeição e o conforto da - não merecida - redenção. Entretanto parece que a fadiga começa a vencer a batalha e isso significa que ficamos por aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Declaração de voto

Juro que não sei: para que serve uma «declaração de voto»?

A "américa de Palin"

«Tenho cada vez menos tolerância com este tipo de exercícios. E a diminuição da tolerância pode passar rapidamente a alergia quando nos lembramos que muitos dos que se derretem numa poça de baba com estas imagens (que, na essência, não se distinguem dos clipezinhos sobre a ignorância geográfica dos americanos) são os mesmos que depois fazem uma carreira inteira a dizer que o islão fundamentalista, intolerante e terrorista não é o verdadeiro islão, que as imagens de palestinianos a festejar na rua a queda das Torres Gémeas não é o verdadeiro palestiniano, ou que o cigano negociante de droga não é o verdadeiro cigano. É estranho: o esforço do contexto e da nuance desaparece por altura da Ellis Island. Chegados aí, "a América de Palin" pode ser inteiramente representada pelo traço grosso do preconceito, da colagem cinematográfica de exemplos e da generalização psicológica bruta (nem se dando ao trabalho de tentar a distinção entre quem vota Palin, ou quem principalmente 'não vota Obama', da própria Palin), formando um conjunto que vou tenho cada vez mais dificuldade em distinguir da xenofobia. Não percebo nada de história da América, mas sei o suficiente para poder dizer que a América de hoje, a mesma que provavelmente e se deus quiser vai eleger Obama, não foi feita contra a "américa de Palin", mas sim e especificamente com "a América de Palin", podendo dar-se mesmo o caso de que alguns dos aspectos mais bonitos da América tenham nascido pela mão da "américa de Palin".»

maradona

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A questão do casamento

A questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo é-me razoavelmente indiferente. Nem acho que estamos a viver uma situação de discriminação, nem acho que a abertura do regime de casamento a homossexuais seja um ataque seja ao que for. Acima de tudo, parece-me absurdo. Não entento porque razão quererão os homossexuais casar - a não ser a questão da adopção, mas pelo que sei não estará vedada ao regime de união de facto e é toda outra conversa - e não percebo onde está a discriminação (este texto do Jorge Miranda faz algum sentido). O casamento é uma figura legal que nasceu com a tradição do reconhecimento da união entre um homem e uma mulher, e que sempre foi protegido por causa da - sim, sim - procriação. A única externalidade positiva que um casamento gera assume a forma da perpetuação da espécie. Pode argumentar-se muita coisa, por exemplo que o casamento já não é o que era e mais não sei quê. Que o casamento está em crise, já todos sabemos, mas ainda não cheguei a esse ponto em que foi decidido resolver a crise do casamento alterando o próprio conceito. Tentar transformar o casamento numa outra coisa para o salvar ou adaptar ao mundo moderno é como emitir mais notas porque as pessoas estão pobres: o efeito pretendido é anulado. Posto isto, se os homossexuais querem poder casar, não vejo absolutamente nenhum incoveniente. Não há razão para que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não apresente as mesmas patologias do casamento entre pessoas de sexos opostos, e isto serve para prever uma procura muito diminuta desta variante do casamento. Pode argumentar-se que será uma medida que combaterá a discriminação e o preconceito, atitude que acho louvável, mas julgo que não será eficaz na prossecução desse objectivo. Quem ainda mantém vivos os anti-corpos em relação aos homossexuais, continuará a fazê-lo após a alteração à lei, e eventualmente animará esses mesmos sentimentos. A reputação geral do Estado está tão em baixo que não ajudará à implementação dessa alteração de mentalidades. A discriminação da homossexualidade não nasce de nenhum eventual regime jurídico, nasce de outra coisa qualquer que não desaparecerá tão cedo. É desejável que desapareça? Não me parece sequer haver lugar para essa discussão. Volto ao início: parece-me absurdo que se alargue o conceito (porque é isso que ele é) do casamento à união entre pessoas do mesmo sexo, mas se isso parece ser um assunto tão importante para tanta gente então que se faça. O espaço público político não se pode dar ao luxo de se alongar no tempo sobre estas questões, quando há tanto por discutir. A crise económica, por exemplo, como lembra Žižek.

Paulo Tunhas

Paulo Tunhas.

RIBA Gold Medal

Siza's architecture is one of quiet, restraint, patience and gentle melancholy.

Só qualidades em vias de extinção.

Le Clézio 2



Um pouco por todo o lado, Le Clézio tem sido elogiado não só pelo que escreveu mas também por ser «um homem bonito». Ser «um homem bonito» aparece como um pormenor paralelo à sua carreira literária, como uma curiosidade, e certamente nada terá tido a ver com o facto de lhe ter sido atribuído o Nobel. Mas, e se fosse uma mulher? Está de todo afastada a hipótese de haver sexismo na Academia? Há alguma «mulher bonita» nobelizada?

(Na foto, a vencedora do Nobel da Literatura de 2043, Zadie Smith.)

Le Clézio

E pronto: o Eduardo Pitta sabe coisas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Agenda

Entretanto o José Mário Silva anunciou-nos que estará presente hoje no programa do Francisco José Viegas, lá na Antena 1, juntamente com a Isabel Coutinho, o Eduardo Pitta e o Rogério Casanova, para anteciparem o Nobel de amanhã. Para quem ainda acha que «Rogério Casanova» é um anagrama de «Thomas Pynchon» (não faço a menor ideia do que queria dizer com isto, mas estou sem tempo para rever esta coisa), valerá a pena sintonizar a rádio do estado logo à noite.

'Tás com medo?

Outra coisa: o blogue de José Saramago não tem Sitemeter. 

O «mercado»

A propósito do post anterior, já foi há mais de 6 meses que alertei para o facto de o Complexidade e Contradição ter uma média de visitas superior ao Geração de 60. Este é um facto que deveria ter provocado um tsunami de consternações e uma série de medidas retificativas pela ilustre equipa do Geração de 60, que, parecendo que não, tem na sua equipa gente que, vá lá, qualquer dia nos estará a governar. O que foi feito? Nada. A situação mantém-se inalterada, como provam as estatísticas que passo a citar:

Sitemeter do Geração de 60 às 16:13 de hoje:

Total 65,124
Average Per Day 234
Average Visit Length 2:42
Last Hour 18
Today 152
This Week 1,637

Sitemeter do Complexidade e Contradição às 16:14 de hoje:

Total 257,068
Average Per Day 242
Average Visit Length 1:53
Last Hour 17
Today 135
This Week 1,693

Isto dá vontade de arrancar cabelos.

Mas é preciso ser o Miguel Poiares Maduro a vir explicar tudo?


por Miguel Poiares Maduro

«O ruido ideológico faz-me voltar à questão relativa às culpas e diferença entre Estado e mercado no contexto da actual crise financeira. Desta vez, no entanto, para defender o mercado. É que a narrativa da crise tem apenas acentuado as culpas do mercado, talvez como instrumento de um combate ideológico masi alargado. Mas temo que tal apenas confunda de novo ideologia com Estado e mercado (sei que este é um combate perdido mas não desisto).
Acontece que muitos se esquecem que as duas primeiras instituições que estiveram na origem desta crise (Fannie May and Freddy Mac) eram agências federais americanas, entidades públicas encarregues de facilitar a concessão de crédito à habitação. Foi, igualmente, o Congresso americano que insistiu que estas instituições financiassem muitos dos créditos de mais elevado risco de forma a fomentar uma política de habitação (como lembrou recentemente o ex-Presidente Clinton). Isto não quer dizer que a responsabilidade seja do Estado. Lembro isto apenas para reforçar que o problema fundamental na origem desta crise é a inexistência de qualquer relação entre a tomada de risco e a responsabilidade pelo mesmo. Mas isso passou-se tanto no mercado como no Estado e não tem primordialmente a a ver com Estados liberais, socialistas ou sociais-democratas (basta recordar que nos anos 90 a Suécia passou por um colapso idêntico do seu sistema financeiro: não creio que a Suécia seja um exemplo de neo-liberalismo…).»

(Ando nesta coisa dos blogues há muito, muito tempo, e deixem-me que vos diga que há muito, muito tempo que não via um post com um racio de frases pertinentes / frases dispensáveis tão alto como este - tende para o infinito - e que ainda por cima se cola exactamente àquilo que eu ando a pensar desta história toda mas sem saber (eu sabia que era qualquer coisa deste género, mas não sabia que era exactamente isto que o Miguel Poiares Maduro escreveu porque o Miguel Poiares Maduro ainda não o tinha escrito), que me devolve a esperança na espécie humana, incluindo a malta que anda para aí a construir as cruzes em madeira para a crucificação do Capitalismo e do Mercado e do Bush - já estou a ver a cena toda: antes da cerimónia, Pôncio Pilatos pergunta à multidão enquanto lava as mãos: Quem querem que liberte, o Capitalismo ou Bush?, e a população, vermelha de raiva e sedenta de vingança, grita em uníssono: BUSH!, BUSH!, LIBERTA BUSH!)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

I - coração - MEC

Não precisávamos de mais razões para amar MEC, aquelas que tínhamos chegavam para as encomendas, mas, pronto, que fazer?, aí está.

Parem as rotativas! Parem as rotativas!

Bergessio chamado à selecção.

Fumadores, racistas e poluidores

«(...) A grande maioria da população considera a homossexualidade uma depravação, um acto intrinsecamente desordenado e contrário à natureza. Não se trata de um preconceito, mas de uma opinião válida e legítima a ponderar. E não deve ser confundida com homofobia, que é agressão ou discriminação de pessoas. É possível discordar fortemente da orientação de alguém, tratando-o com respeito e consideração. É isso a democracia e é assim que somos chamados a lidar com fumadores, racistas, poluidores. (...)»


O problema de João César das Neves já não é de fundo; a sua visão do mundo é conhecida e só surpreenderá os mais adormecidos. O meu problema é com as tácticas usadas, e aqui reconheço que é preciso sofrer de uma mais dedicada obsessão (culpado) para começar a detectar os padrões. A última frase do troço que aqui reproduzo é um exemplo do estratagema mais usado por JCN: a redução de tudo o que considera ser amoral a um conjunto mais ou menos homogéneo. Desta vez foi uma repugnante comparação entre «fumadores», «racistas» e «poluidores», mas o mais frequente costuma ser «gays» e «pedófilos». O que JCN consegue com este tipo de coisas é a implosão de qualquer validade que os seus textos possam ter. No fundo, é um favor que nos faz.

domingo, 5 de outubro de 2008

Coen



Os irmãos Coen são a melhor coisa que aconteceu ao cinema nos últimos anos, e Clooney é o seu profeta (Brad Pitt é também absolutamente irresistível: não me ria assim desde Kiss Kiss Bang Bang).

sábado, 4 de outubro de 2008

As cobras também usam Channel

O álbum só sai na segunda-feira, mas a Antena 3 fez o favor de nos oferecer uma ante-estreia. Amigos: Magnífico Material Inútil é a melhor coisa que aconteceu ao rock português em muitos, muitos, muitos anos.

Dina Aguiar e a filha de Dina Aguiar

Dina Aguiar. É o grande momento do fim-de-semana. Ao Expresso, na reportagem sobre os ateliers dos Coruchéus, a jornalista explica: que não se lembra dos termos do contrato que fez com a CML em 1999 (uma útil amnésia), que «deixou claro» que iria partilhar o expaço com a filha «licenciada em Belas Artes», e que «o problema desta sociedade é a dor de cotovelo e a inveja.» Priceless.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A «vontade do povo», esse empecilho

«Fidel Castro critica o Governo do irmão, acusando alguns governantes de só se preocuparem em satisfazer as vontades do povo, apesar da frágil situação económica.»

Da irresponsabilidade da Administração Bush

Isto, via este.

Nem que estivesse prestes a dar a luz quadrigémeos

No episódio 14 de Studio 60 on the Sunset Strip (uma série que apostou no suidício como estratégia), a personagem de Amanda Peet, grávida*, após rejeitar várias vezes as investidas amorosas do realizador do show (o Josh de West Wing), tenta explicar-lhe as razões da rejeição, dando a entender que duvida das reais intenções do pretendente. Às tantas, diz-lhe: «Is the attraction physical?» O ex-Josh indigina-se com a acusão e responde: «How could it be? Look at you: you're the size of a minivan». Isto, obviamente, indignou-me. Indigna-me (1) que as mulheres considerem a «atracção física» uma forma menor de atracção; e (2) indigna-me que alguém (this is for you, Sorkin guy) ache que consegue escapar com o argumento de que a Amanda Peet grávida não é «atraente». É que nem que estivesse prestes a dar a luz quadrigémeos.

* A personagem e Amanda Peet, acaba de me informar a wikipedia.

Jovem, usa o contraceptivo

Métodos contraceptivos negam «verdade do amor conjugal», diz Bento XVI

Ora isto é uma declaração que me conforta. Desde a sua nomeação que Bento XVI estava a construir comigo uma relação de confiança e esperança, destruindo aos poucos os preconceitos que eu tinha sobre ele. Andava a sentir-me uma pessoa muito má devido aos «maus sentimentos» que exteriorizei quando ouvi, na Renascença, e em Latim, a terrível palavra «Josephus», no dia do fumo branco. É por isso que este ressurgimento do bom e velho Ratzinger me devolve alguma dignidade enquanto «pessoa humana»: eu tinha alguma razão, eu tinha alguma razão, eu tinha alguma razão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Consider the Benfiquista**

A logística*

* da minha vida determinou que eu me vá apresentar hoje na Luz com Consider the Lobster debaixo do braço. Convidava todos os leitores de Foster Wallace a comparecerem junto à porta 20 no final do jogo para escalpelizarmos as ocorrências desta noite embebidos no espírito wallaciano, discutirmos o conteúdo de Up, Simba, e alinharmos estratégias para o endorsement oficial a McCain.

** Consider the Benfiquista, uma das obras que Wallace não pôde acabar, onde explorava a questão sobre o direito que os jogadores e equipa técnica do Benfica têm de causar tanto sofrimento aos adeptos, nomeadamente através de jogos como o do Sporting no passado sábado, que trouxe a esperança de vermos a equipa a jogar bem hoje e a passar a eliminatória, esperança que será violentamente sodomizada à frente de toda a gente e que obrigará a ERC a ordenar a interrupção da transmissão da Benfica TV.

George Parr




(Obrigado André.)

Não conhecia esta dupla, John Fortune e John Bird, nem a sua personagem, George Carr. Aconselho vivamente uma agressiva deambulação pelo YouTube.

the big dialogue of literature

(...) "There is powerful literature in all big cultures, but you can't get away from the fact that Europe still is the centre of the literary world ... not the United States," he told the Associated Press. "The US is too isolated, too insular. They don't translate enough and don't really participate in the big dialogue of literature ...That ignorance is restraining." (...)

No Nobel prizes for American writers: they're too parochial

Casas da câmara

O pecado original desta trapalhada toda sobre as casas da câmara é a semântica: casas da câmara. A câmara, por definição, não deve ter casas. Aquele mecanismo que obriga as cooperativas de habitação a entregar 10% dos fogos à autarquia devido à cedência dos terrenos é absurdo. Se há uma compensação a pagar, que se seja paga em dinheiro. Façam as contas, um levantamento, qualquer coisa, e afiram o valor patrimonial dessas casas todas. Façam também um levantamento dos inquilinos que por lá andam e tentem perceber quantos deles se enquadram num regime qualquer de apoio social. Aos que não conseguirem provar ser meritórios de subsídios sociais, despejem-nos. Depois, vendam essas casas. Acaba-se com esta história toda e ainda se paga umas contas a uns fornecedores, que andam aí que nem bancos americanos a abrir falência.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Penúria

«E há os ateliês dos Coruchéus; os de Belém. Cedidos, como em toda a Europa, a artistas, que não vivem propriamente na penúria.»

Obviamente, Baptista-Bastos não percebeu nada.

Mêlée

Quando calha acordar bem disposto e optimista sobre a espécie humana* - aconteceu todos os dias até à idade da consciência e outra vez em 1993 - esse sentimento tem a infelicidade de provar apenas algumas horas de vida. Sobrevive exactamente até ao momento de entrada na carruagem do Metro, onde, sem motivo aparente, sou empurrado, pisado, carga-de-ombrado, ensanduichado, à bruta. Não sei o que se passa com os outros, apesar de saber que são o inferno, para que dia após dia insistam neste tipo de conduta totalmente incivilizada. Tentei descobrir um objectivo, um incentivo que levasse aquela gente toda a tratar a entrada e saída da carruagem como uma mêlée**, mas ou eu sou muito pouco perspicaz ou a coisa foge ao meu entendimento. Caro empurrador dos outros à entrada do metro: se estás a ler isto, para com isso.

* Num momento de pré-consciência, quando já não estamos a dormir mas ainda não estamos acordados, a «humanidade» apresenta-se aos meus olhos reduzida a um único exemplar, a minha mulher, e esse dado pode levar a que seja cometida essa imprudência.

** «Melee (from the French mêlée IPA: [meˈleː]) generally refers to disorganized close combat involving a group of fighters. A melee ensues when groups become locked together in combat with no regard to group tactics or fighting as an organized unit; each participant fights as an individual.»