terça-feira, 30 de junho de 2009

À atenção de João César das Neves

Em Nothing to be Frightened of Julian Barnes revela que se tornou definitivamente agnóstico quando sentiu que era desconfortável pensar na omnipresença de Deus durante a masturbação (e, consequentemente, na possibilidade de estar a ser observado por toda uma série de parentes falecidos.) O motivo é, como o próprio confessa, frívolo, mas não podemos deixar de lhe reconhecer alguma autoridade.

Luís Coimbra

O maradona tem toda a razão: não há absolutamente nenhuma razão para que a chegada do Luís Coimbra à blogosfera não seja celebrada. Desde que conheço a blogosfera que sei que a blogosfera foi feita para o Luís Coimbra, e desde que conheço o Luís Coimbra sei que o Luís Coimbra foi feito para a blogosfera (embora tenha conhecido o Luís Coimbra numa época em que nem sequer o PC estava massificado, quanto mais a internet, quanto mais a blogosfera.)

Mas a questão «MILF» já me vai obrigar a uma releitura

Eu bem tentei explicar que o meu modus operandi como «escritor» (não me posso rir porque me doem os rins) era «moldar a realidade àquilo que mais me convém» mas a verdade é que um comentador anónimo de há tempos é que tinha toda a razão: o meu problema é querer meter-me com os mais velhos (sentido figurado) e «não ter unhas» para o fazer (eu não respondo a todos os comentários, mas todos eles me ficam cravados no coração, podem estar assegurados disso.) Rogério, pá, pede já imediatemante desculpa da minha parte às pessoas vivas que tentaram infrutiferamente, por meia-hora, remover-te do computador: isso não se faz, aquele meu texto não era caso para isso (aliás, o meu texto só existiu essa é uma situação que me merece solidariedade já que muitos dos meus posts só viram a luz do dia porque havia pessoas vivas que já estavam a dormir). Mas então vamos lá à lagosta. Eu li esse ensaio num avião há já alguns meses e não o voltei a ler desde então, o que explica esse incidente do cordeiro e todas as fragilidades interpretativas que são evidentes a partir daí. Mas lembro-me de que fiquei com essa mesma impressão de o ensaio ser curto - David Foster Wallace é de facto alguém que destrói a reputação do «poder de síntese» como qualidade literária de uma forma muito eficaz - o que me causou alguma desilusão (tinha abordado o texto carregado de expectativas.) E o meu ponto é este: DFW não foi capaz de causar em mim uma inquietação suficientemente forte ao ponto de me fazer hesitar a cada vez que como marisco que tenha sido cozinhado vivo (o que, infelizmente, é muito raro). Aquele pequeno interlúdio onde tento «isolar e definir as virtudes e defeitos de David Foster Wallace» era apenas para explicar aquilo que eu gosto em DFW, e não algo para o qual eu estou definitivamente incapacitado para fazer, que é «isolar e definir as virtudes e defeitos de David Foster Wallace». Apesar disto, sinto-me na obrigação de tentar explicar a situação dos «preconceitos». Quando afirmei que DFW «parece não transportar consigo nenhum preconceito» não estava a desconsiderar o facto de ser evidente que DFW põe todos os pré-conceitos ou conceitos que existem sobre qualquer tema em cima da mesa e à vista de todos. O que me parece é que ao fazê-lo DFW destrói a influência que os preconceitos têm em nós, na medida em que os fantasmas deixam de assustar quando são encarados. Um preconceito é uma inclinação natural para observar determinadas coisas de um determinado ponto de vista. Mesmo que estejamos conscientes desses nossos preconceitos, sentimos algum reconforto quando os vemos em acção; os nossos preconceitos fazem parte daquilo que somos e não há razão nenhuma para não os acarinharmos. Se DFW «transporta os preconceitos todos, e transporta também a consciência de que transporta os preconceitos todos, e a consciência de que essa consciência pode a qualquer momento deixar de ser vantajosa para se tornar incapacitante» (e aqui quase que parece que se está a explicar a causa da morte de DFW) então está a reciclar os preconceitos para «bibliografia», para trabalho de campo, fazendo a devida autópsia a cada uma dessas forças até aí vivas. Deste modo tira o tapete ao leitor mais céptico que não gosta de ser transformado. Porque é isso que DFW nos faz nos melhores ensaios: transforma radicalmente a nossa maneira de olhar para as coisas. Foi isso que ele não foi capaz de fazer comigo no ensaio da lagosta, e era só isso que eu queria ter dito.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Miles, Michael, Angela, David, Polly, Victoria, e Ruth

How Far Can You Go é um auto-retrato geracional dos católicos ingleses que têm a idade de David Lodge. O tema é o sexo. O tema é o facto de o tema ser o sexo. Ter sido um jovem católico inglês durante a revolução sexual não foi fácil, e David Lodge explica-o com ternura e sem amargura com recurso a Miles, Michael, Angela, David, Polly, Victoria, e Ruth. O narrador intromete-se muito com o leitor pondo a nu várias vezes a técnica narrativa que está a ser usada, forçando a diluição da fronteira entre narrador e autor. David Lodge quis com isso dizer que em How Far Can You Go não estamos apenas no domínio da ficção: trata-se de um relato obrigatoriamente autobiográfico. Acreditei em tudo, tudo me pareceu verosímil. Até porque neste início de milénio Portugal ainda conhece os seus Miles, Michael, Angela, David, Polly, Victoria, e Ruth, e eu a eles.

O Mário Zambujal

O Mário Zambujal está ali na televisão. Ao que parece, a falar sobre o Benfica. Não interessa. Nunca li nada do Mário Zambujal. Também não interessa. O Mário Zambujal disse uma vez: «O bom não é ir à praia; é ter ido.» Haverá sempre um lugar no meu coração para o Mário Zambujal.

Consideremos a carne da lagosta

O homem mais inteligente que Rogério Casanova leu na vida de Rogério Casanova esforçou-se há uns anos para me estragar as férias da semana passada. O esforço, inconclusivo ainda que meritório, foi o ensaio Consider the Lobster, curiosamente incluído na colecção de ensaios intitulada Consider the Lobster. Em Consider the Lobster, o homem mais inteligente que Rogério Casanova leu na vida de Rogério Casanova dedica 19 páginas a explicar aos bárbaros - nós - porque não se deve fazer aquela coisa às lagostas - e ao restante marisco que se cozinha vivo. David Foster Wallace é de facto um ensaísta muito bom; é muito bom porque escreve como se estivesse a pensar em directo, dissecando todos os pormenores disponíveis num esforço regado a notas de rodapé, que faz com que o leitor se distraia e pense que aquela voz é a sua própria voz e que aquele raciocínio é o seu próprio raciocínio e que aquela experiência é a sua própria experiência; inevitavelmente o leitor sentir-se-à muito mais inteligente do que aquilo que é e isso é bom. David Foster Wallace parece não transportar consigo nenhum preconceito em relação aos temas que aborda (sendo o ensaio sobre McCain o mais notável nesse ponto de vista), apenas a sua capacidade interpretativa e o seu talento narrativo que é incapaz de moldar a realidade àquilo que mais lhe convém - que é o modus operandi dos maus escritores (é, seguramente, o meu) - fazendo-nos acreditar que aquela sua realidade é a Realidade e portanto também a nossa realidade. Como já se percebeu, o homem mais inteligente que Rogério Casanova leu na vida de Rogério Casanova - e não devemos contestar este dado - afronta com bastante assiduidade o lugar-comum, confronto que nasce não da vontade de David Foster Wallace mas da simples constatação de que o lugar-comum não resiste à observação de David Foster Wallace. E no caso da lagosta o lugar-comum é o Maine Lobster Festival, uma orgia anual celebrada por um conjunto de pessoas que, segundo David Foster Wallace, nunca pararam para pensar o que estavam a fazer ao animal. Perante isto, David Foster Wallace trata de olhar para a chacina como chacina que é e tenta explicar que, basicamente, aquilo não se faz. Não se faz, não se faz. Para tentar explicar que aquilo não se faz e consequentemente estragar as minhas férias, David Foster Wallace recorre a alguns argumentos, digamos, frágeis, como por exemplo «e se fosse com um carneirinho, como é que era?» Eu não sei como é que seria se fosse com um carneirinho, mas sei que se a carne do carneirinho fosse mais saborosa se o carneirinho fosse cozido vivo então haveria fortes probabilidades de o carneirinho ser cozido vivo. Felizmente isso não acontece e os carneirinhos são cozidos já mortos. O que também sei é que no Algarve as pessoas não são como as pessoas do Maine e sabem perfeitamente aquilo que estão a fazer ao bicho, o que levou a Dona Lurdes (nome fictício) de Lagos a dizer-nos «o melhor é comer e não pensar nisso.» De facto, a Dona Lurdes (nome fictício) tem toda a razão e, sem o saber, resumiu dessa maneira cerca de 58% das minhas crenças religiosas: o melhor é comer e não pensar nisso. Pela minha parte garanto que comi muito - para deleite da Dona Lurdes (nome fictício) e dos patrões da Dona Lurdes (nome fictício) - e quase não pensei nisso - para infelicidade póstuma do homem mais inteligente que Rogério Casanova leu na vida de Rogério Casanova. A minha opinião, quando acidentalmente calha pensar nisso? A minha opinião é que aquilo não se faz: não sou nenhum bárbaro, então.

domingo, 28 de junho de 2009

Norberto



Norberto Lobo é dos raros génios - talentos inexplicáveis - que Portugal tem.

Está a chover

«Oh Christ, the exhaustion of not knowing anything. It's so tiring and hard on the nerves. It really takes it out of you, not knowing anything. You're given comedy and miss all the jokes. Every hour you get weaker. Sometimes, as I sit alone in my flat in London and stare at the window, I think how dismal it is, how heavy, to watch the rain and not know why it falls.»

Money, Martin Amis


(Este foi um momento patrocinado pela minha relutância em sublinhar livros e pelo meu Nokia qualquer coisa, estou aqui a olhar para ele e não consigo adivinhar o modelo, não está escrito em lado nenhum, pela minha saúde, mas é um daqueles que não é muito antigo mas parece antigo, que não tem funções nenhumas, só despertador, cronómetro, calculador e lembretes - e foi precisamente um lembrete onde eu tinha escrito «P 184» que me levou à página 184 do meu exemplar de Money de onde retirei esta passagem. O meu Nokia qualquer coisa só tem espaço para 10 lembretes e os restantes 9 estão ocupados com coisas extremamente importantes como este aqui que diz «Carro» - com maiúscula e tudo, meu Deus, eu ponho maiúsculas em lembretes. Ou seja, tivesse eu um lápis à mão - já ninguém usa lápis - ou um Nokia daqueles mais caros e estava aqui o John Self todo espalhado, é a vontade que me dava. Enfim, as vossas férias, foram boas?)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Correu tudo muito bem

Correu tudo muito bem e até melhor do que o esperado: nas últimas 24 horas tomei quatro duches e emagreci o meu peso à nascença (3,6 Kg, sendo esta uma estimativa bastante conservadora). Agora, se me dão licença, vou ali submeter-me a uma manhã passada ao balcão de um serviço municipal.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Festa



(Se não tiverem mais nada que fazer; aposto que em vossas casas não se consegue dormir com o calor)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Culpa

Houve uma troca de ideias civilizada entre o Almirante Ramos e o João Lisboa sobre a crítica deste último ao Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco d'Os Golpes que vale a pena ler. Se numa primeira análise tendo a concordar com o Almirante - «Seria bom que isto tudo caísse e sobrassem apenas as canções e a sua verdade» - não posso deixar de dar razão ao João Lisboa quando diz que «O resto, à volta, poderá não ser o mais importante - não é, de certeza - mas não deixa de ser interessante como tema de discussão». Até porque a música pop é demasiado epidérmica para resistir às leituras contextuais. Mas percebo o incómodo do Almirante: está subjacente a estas observações «sociológicas» um tom crítico de condenação moral impossível de mascarar; há uma culpa qualquer que se cola a quem parece ser previligiado, o que acaba por ser uma ideia muito religiosa que, talvez paradoxalmente, tem contaminado aquilo que se tem escrito sobre este álbum.

A «extrema-direita»

Os partidos da extrema-direita subiram todos (incluindo, na cabeça de Manuela Azevedo, o partido «pirata» sueco) e a Europa tremeu. Por cá, suspirámos de alívio porque é a extrema-esquerda que ocupa esse lugar de protesto; por muito que não gostemos do Bloco de Esquerda - e não gostamos - não comparamos esse tipo de radicalismo ao radicalismo xenófobo ou racista, nem achamos que o Partido Comunista representa algum tipo de ameaça ao sistema democrático. No entanto, parece-me que a baixa votação da extrema-direita em Portugal não se deve à falta de inclinação natural do eleitorado português para votar nesse campo político; deve-se, na minha opinião, à falta de um líder carismático. Quem viu entrevistas de Pim Fortuyn percebe imediatamente o abismo que vai entre o holandês e aquele senhor do PNR. E quem anda «nas ruas» sabe que os «valores» defendidos pela extrema-direita têm, como se diz, penetração eleitoral, sobretudo a área da imigração e da segurança. As pessoas que conheço que são de extrema-direita (e conheço algumas: condenam África ao fracasso, querem fechar as fronteiras, acham que «os pretos» estragaram isto, defendem Salazar inquestionavelmente, etc) não votam na extrema-direita porque não existe em Portugal uma escolha credível nesse campo. O Bloco de Esquerda não cresceu nos últimos anos apenas pela simpatia que geraram algumas das suas propostas num eleitorado receptivo (o aborto e o casamento homossexual, sobretudo); cresceu sobretudo devido à adequação da linguagem de Francisco Louçã à televisão (Louçã é um mestre do soundbyte) e a alguma simpatia que pessoas como Miguel Portas são capazes de gerar (apesar daquelas atordoadas idiotas sobre a semana de trabalho de 35 horas para «gerar emprego», Miguel Portas é sempre aquela pessoa com quem apetece beber uma sagres). À extrema-direita só falta um líder que saiba articular duas frases seguidas (algo que o Pinto Coelho manifestamente é incapaz) e que deixe cair o tom violento e crispado das palavras. Isto não nos deve sossegar: o eleitorado está aí para ser conquistado.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Instrumental

O Bloco de Esquerda Franciso Louçã visto pelo Pedro Jordão.

Não custa nada

O meu contributo para a elevação do debate político em Portugal e a necessária purga que terá de ser feita na linguagem vai no sentido de lembrar que «empenhamento» e «empenho» são sinónimos e que será só uma questão de não complicar.

sábado, 13 de junho de 2009

Meio milhão

Tenho meio milhão de pessoas à minha porta a fazer questão de manifestar a sua diferença de opinião quanto ao facto de eu precisar de dormir. Entretanto, há outro meio milhão de pessoas na rua que está, neste preciso momento, a telefonar àquele outro meio milhão de pessoas no sentido de saber onde esse outro meio milhão de pessoas «está». Esse outro meio milhão de pessoas está a responder «à janela do Lourenço, o cabrão quer ir dormir mas nós não vamos deixar», que o outro meio milhão de pessoas, devido à embriaguez de todos os meios milhões de pessoas que estão na rua, percebe como «ronhonhó ronhonhó ronhonhó», the peanuts style. Tendo ententido que o outro meio milhão de pessoas estava no outro lado da cidade, este meio milhão de pessoas decide então ir de encontro àquele outro meio milhão de pessoas, por razões difíceis de explicar aqui. Esse outro meio milhão de pessoas, que está sossegado a embriagar-se sozinho, decide que é melhor encontrar o outro meio milhão de pessoas «a meio caminho», pois já ali está à espera há pelo menos oito imperiais. Este fenómeno de migração intra-urbano vai gerar a desintegração dos dois meios milhões de pessoas envolvidos, cada um em 250 mil pessoas; posteriormente, as metades vão complementar-se mutuamente, dando origem a dois grupos de meio milhão de pessoas recombinados. Quando derem por isso, ambos os grupos de meio milhão de pessoas vão reiniciar o processo e vão telefonar-se mutuamente no sentido de apurar com a exactidão possível onde «está» cada um. Pelo caminho espero que deixem cair por terra o projecto colectivo que é impedir-me de dormir, até porque amanhã tenho um compromisso na Covilhã ao meio-dia.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O pós-modernismo pode andar por aí mas

Uma Passagem pelas Urgências: Notas Breves, um post magnífico do Tomás.

Jesus perdoa

Entretanto, Jesus perdoa; Jesus, meus irmãos, perdoa.

(Isto vai ser um ano disto, não vai?)

O Psi 20

Apesar de estar ainda sobressaltado com as mais recentes movimentações eleitorais e o anúncio surpreendente de eleições antecipadas, não deixo de saber apreciar aqueles pequenos momentos da vida em que percebemos que tudo isto vale a pena. Um desses momentos, que se repete quotidianamente, é o relatório radiofónico da abertura da Bolsa e os respectivos movimentos de sobe e desce das acções. Eu não tenho nenhum interesse na Bolsa, entendam, não há nada que me interesse menos do que a cotação da Edifer ou da Novabase - e eu nem sei se a Edifer e a Novabase estão cotadas. Mas tenho muito interesse nesta língua que é a nossa, cheia de encantamentos e deliciosos movimentos de anca que nos seduzem como uma brisa fresca de verão que entra pela janela entreaberta fazendo ondular a cortina que se insinua discreta, suave, leve, como papoilas saltitantes num vasto campo de primavera que recebe o sol como só a natureza sabe fazer, tão pura, tão magnânime, tão ameaçada pelo Homem destruidor e irresponsável, tão bela de tão frágil. E lá estou eu, todas as manhãs, à espera da simpática menina das cotações e ansioso para saber que sinónimos vai ela usar, porque já sei que em oito relatos de sobe e desce os verbos não se vão repetir. E nunca saio desiludido: se a PT «sobe», o BCP «escala»; se a Cimpor «ganha», a Mota Engil «avança»; se a EDP «cresce», a Sonae «adianta-se»; já se a Teixeira Duarte «cai», o BES «tomba»; se a Jerónimo Martins «recua», a Galp «arrefece»; se a EDP Renováveis «perde», a Portucel «baixa». É impossível não acordar bem disposto depois de uma performance assim.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

S. Caetano à Lapa



(Nunca mais consegui assistir a discurso de vitória de uma forma inocente.)

Esperar por Outubro

Não tenho absolutamente nada a acrescentar àquilo que já foi dito sobre as eleições, o que torna este post quase tão inútil como a sondagem das legislativas que a SIC, para dar vazão a uns milhares de euros que tinha para ali jogados, decidiu encomendar. Concordo com todas as linhas de análise que afirmem que Sócrates é cocó e que Manuela é Hera feita mulher. Agora é esperar por Outubro.

sábado, 6 de junho de 2009

Dia de reflexão

Even

Silence, de Shusaku Endo, tem o tom grave e sério do convertido. A linguagem é seca e cadenciada; os parágrafos são curtos; os capítulos são ultra focados. Desde cedo se percebe que Endo escreveu com um objectivo, com um ponto de chegada definido. E não o esconde. O último capítulo - antes do «apêndice» - acaba assim:

But Our Lord was not silent. Even if he had been silent, my life until this day would have spoken of him.

Não há muitas mais maneiras de resumir o Cristianismo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Efeito nulo

Fica aqui então uma nota de protesto à Calzedonia pela escolha de Gisele Bündchen para garota de cartaz. Reparem, Gisele Bündchen existe sem a Calzedonia; a Calzedonia existe sem a Gisele Bünchen. Não havia necessidade de fechar desta maneira o leque. A Calzedonia construiu uma reputação assente no surpreendente anonimato das suas caras e corpos. A Calzedonia habituou o público a esperar no fim de Maio por novas estrelas no firmamento. As meninas da Calzedonia sempre foram «as meninas da Calzedonia», e este é um rótulo que não desprestigia ninguém, bem pelo contrário. Ao escolher Gisele Bünchen para ser «menina da Calzedonia», a Calzedonia deu um tiro no pé: Gisele Bünchen nunca será «menina da Calzedonia» e não é suposto conhecermos pelo nome as meninas da Calzedonia. O verão começa mal, ai se começa.