segunda-feira, 29 de março de 2010

Moderno e reaccionário

Viver em frente à Gulbenkian expõe cruelmente a mediocridade do meu talento para a profissão que escolhi; expõe, também, a mediocridade da prática contemporânea da arquitectura. Tudo o hoje se faz de bom, fazia-se nos anos 60; tudo o que se faz hoje e não se fazia nos anos 60 é mau. Já é possível ser-se moderno e conservador ao mesmo tempo, o que se calhar foi sempre aquilo que eu procurei.

Eu gostava de vos dizer alguma coisa sobre este livro, mas a Amazon não está a colaborar nada



Acabei de ver a tradução portuguesa já à venda. A Amazon ainda não me entregou a minha cópia. Ando tão desiludido com a Amazon. Também ando desiludido com a BookDepository, não sei se já vos tinha dito.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dan Baber



(Procurem também pela história do foie gras)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Não, nós é que não merecemos isto (II)

Eu sei o que passei em 2005. Desci a avenida, sim senhor, mas o travo era amargo. A equipa de Trapattoni era uma equipa sem talento que nunca entusiasmou o adepto. Jogávamos sempre para o 1-0: quando ele miraculosamente aparecia, o italiano que saiu do Benfica porque queria «estar com a família» mas depois foi para o Estugarda dava ordens para comecar o cattenaccio, um cattenaccio amador que deveu grande parte do seu sucesso à sorte e não à astúcia. Acabámos a época com uma média vergonhosa de 1,5 golos marcados e 0,9 sofridos por jogo. Este ano a média é de 2,6 marcados e 0,5 sofridos, e eu não tenciono descer a avenida com o mesmo semblante carregado de 2005.

Não, nós é que não merecemos isto

Não, Bruno, nós é que não merecemos isto: o campeonato, obviamente, não está sob suspeita. E não está sob suspeita por duas razões claríssimas:

1. O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol não deu seguimento ao recurso de Vandinho. Se o campeonato (aquela competição que está a ser disputada pelo Benfica e pelo Braga) está «sob suspeita», então o Conselho de Justiça da FPF é um cúmplice de Ricardo Costa, e não um justiceiro da verdade.

2. Não sou jurista, mas o passo argumentativo de considerar um (abro aspas) «Assistente de Recinto Desportivo» um «espectador» (como lembra o Filipe, aqueles senhores que nos revistam à entrada), é cretino. Mas mesmo que não fosse, a lei é cretina: um máximo de 4 jogos de suspensão para jogadores que agridam «espectadores» é uma lei que está a abrir as pernas à espera de ser violada.

Por isto, o campeonato não está «sob suspeita». Mas compreendo que seja esse o escape emocional que os adeptos do F.C. do Porto recorram para lidar com o trauma. Não esperem é que nós ajudemos à convalescença.

Miss Zooey goes dancing

Bloodbuzz Ohio

Mais um tema de avanço (já conhecemos Terrible Love e Runaway) de High Violet.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ser escritor (II)

O que revela algum provincianismo nosso: ser «economista», «advogado» ou «engenheiro», não levanta nenhuma suspeição; já ser «artista», «cientista», ou «escritor», põe-nos logo em modo de defesa. Repito: há, acreditem, maus artistas, maus cientistas e maus escritores. O direito a ser artista, cientista e escritor não está reservado aos bons artistas, bons cientistas e bons escritores. Tal como é possível ser mau médico e mau padre, e não apenas pela via da incompetência (coisa que por exemplo nunca conseguirei explicar à minha avó). A vida é assim.

Ser escritor

Da direcção dessa "fundação" fazem parte, entre outros, as "escritoras" (sic) Lídia Jorge e Clara Ferreira Alves. Se já era discutível que Lídia Jorge fosse escritora, que dizer de Ferreira Alves, animadora televisiva de sucesso e conhecida engraçadista profissional?

Obviamente, não é discutível que Lídia Jorge seja escritora; Lídia Jorge é escritora, ponto. O que percebemos deste texto de João Gonçalves é que João Gonçalves não gosta de Lídia Jorge, não gosta dos livros de Lídia Jorge (deixemos Clara Ferreira Alves fora da conversa). Dizer, por não se gostar dos seus livros, que Lídia Jorge não é escritora, tem subjacente a ideia de que ser escritor é uma virtude (que João Gonçalves não reconhece em Lídia Jorge) e não um ofício (escrever é um ofício; qualquer pessoa que ganhe a vida a escrever - e isto inclui os argumentistas das novelas da TVI - é um «escritor). É, defende João Gonçalves, um estatuto moral que apenas é conferido àqueles que achamos que o merecem (e com isto estamos a colocar a nossa opinião num pedestal que nos deveria desqualificar à partida). Para João Gonçalves, não existe o conceito de «mau escritor»; um escritor é - como Deus? - e esta formulação não admite variantes. Esta ideia - para além de agressiva - é auto-destrutiva: não duvidamos que João Gonçalves tem coisas para dizer da escrita de Lídia Jorge (eu, por exemplo, acho-a aborrecida e excessivamente poética - cá está: para mim, «poético» também não é virtude, é apenas um adjectivo), mas ao implodir à partida qualquer hipótese de diálogo João Gonçalves destrói qualquer pertinência que a sua avaliação poderia ter. Ficamos a saber que João Gonçalves tem uma opinião sobre a escrita de Lídia Jorge mas que se recusa a revelar; por temer o confronto, esta é uma atitude cobarde.

terça-feira, 23 de março de 2010

Não se riam

Quim; Paulo Ferreira, Pepe, Ricardo Carvalho, Miguel Veloso; Nani, Raúl Meireles, João Moutinho, Cristiano Ronaldo; Liedson e Saleiro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ter ido

«A lot of people think they want to write, and they don't want to write: they want to have written

Michael Lewis, falando sobre The Blind Side (o livro que deu o filme que deu o oscar à Sandra Bullock)

Nove euros e vinte, mas

Sadismo na arbitragem portuguesa

Não quero deixar passar em claro a arbitragem profundamente lamentável do jogo de ontem: ter mantido Bruno Alves em campo durante os 90 minutos contra a vontade do próprio jogador foi de uma crueldade insuportável. Espero uma punição exemplar para Jorge Sousa.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Obviamente



Não sabia da existência deste livro até hoje. Descobri-o porque acabou de ser publicado o novo livro do Michael Lewis (Super Michael para vocês) sobre a Crise, que, evidentemente, vocês devem ler com toda a atenção e oferecer aqui ao vosso amigo (este é o link para a BookDepository: custa 18,27€, é praticamente dado). Não precisam de oferecer este Home Game: An Accidental Guide do Fatherhood porque obviamente acabei de o encomendar. Depois do golo do Kardec de ontem, esta está a ser uma sexta-feira gloriosa.

Pontes, barragens, ir à lua, etc

Mostro à minha mulher uma canção em produção (sem falsas modéstias , uma canção fabulosa). «Olha o que eu fiz», ouve, ouviste? Ela sorri e diz que sim, que gosta muito. Mas o entusiasmo não trepa pelas paredes. É, como direi, excessivamente tranquilo. Pressiono-a, «mas só isso, gostaste?», gostaste do quê, explica? Ela insiste que gostou muito e não percebe o que quero eu mais. Reparo então que vai passando a mão pela barriga enquanto fala, discretamente. «Olha o que eu fiz», diz essa mão, sem saber que o está a dizer. E então eu percebo a patética condição masculina, best supporting actor, agradecemos a colaboração.

quinta-feira, 18 de março de 2010

São Sete Voltas P'rá Muralha Cair (naaaaaa na na na naaaaaaaa na na naaaaaaaaaaaaaa)



Este vídeo nunca poderá ser o hino do mundial, tenham lá paciência, porque o hino do mundial terá de ser sempre um vídeo idiota, em slow-motion, filmado de cima, épico, com mulheres jovens e bonitas (agora as mulheres também gostam de futebol, um dos maiores retrocessos civilizacionais desde que se deixou de usar chapéu) agarradas à bandeira e a bandeira agarrada nelas, patrocinado por uma marca de cerveja sem álcool (beba com moderação), e, acima de tudo, totalmente isento de qualquer tipo de humor, sobretudo o humor auto-depreciativo, Deus nos livre do humor, o desígnio nacional não se compadece com o humor. Não, este vídeo nunca será o hino do mundial: imaginem mostrar isto ao Madaíl, vocês estão malucos?

segunda-feira, 15 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sair do armário

A minha primeira vez foi aos 16 anos. Exactamente: a primeira vez que alguém notou que eu tinha cabelos brancos, eu tinha 16 anos. A partir de então, os sacaninhas não desarmaram. Reproduzem-se mais depressa que judeus no colonato. Resultado: estou grisalho. Não é «estou a ficar grisalho», como os grisalhos por vezes dizem, é mesmo «estou grisalho». Entendo que «grisalho» se define por uma maior percentagem de cabelos brancos face a cabelos de outra cor, e se adoptarmos essa definição, estou grisalho. Saio hoje do armário porque não fui capaz de conter as lágrimas e o soluço ranhoso enquanto segurava o cabelo que me caía no barbeiro. Foi mais forte do que eu. É isto fim? Aparentemente não: vivo rodeado de gente que me diz «antes tê-lo branco do que não ter.» E é verdade: eu tenho muito cabelo, o que só aumenta o número absoluto de cabelos brancos. Muito mesmo, vocês ficariam espantados: tenho ainda mais cabelo do que seria de esperar de alguém que se chama cruelmente «Lourenço». Tenho tanto cabelo que o meu barbeiro hoje só me reconheceu ao fim de seis minutos. E ele, boa pessoa, interessada no meu bem estar, lá repetiu: «antes tê-lo branco do que não ter.» Um dia ainda hei-de apresentar aos meus amigos o José Eduardo Bettencourt.

quinta-feira, 11 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Não confirmo que esta movimentação foi devida a Manuel Godinho

Uma boa notícia: a partir de agora este blogue ficará isento de sucata política. Esses assuntos serão tratados em sede própria.

Reitman



«I'm like my mother, I stereotype. It's faster.»

quinta-feira, 4 de março de 2010

Passos Coelho

O Pedro Lomba diz exactamente aquilo que tem de ser dito sobre Pedro Passos Coelho (mas ficamos à espera do desenvolvimento das razões do seu apoio a Paulo Rangel.)

Vítimas

À frente da porta principal da CML (ali no Campo Grande) estavam 17 pessoas em greve. Vestiam coletes amarelos (parecia um acidente em cadeia) e ostentavam faixas com palavras de ordem. Um deles dizia: «Basta de serem os funcionários a pagar a crise». Um deles tirava fotos e ria-se. Os outros contavam anedotas. Estão, aparentemente, «fartos de pagar a crise». E como estão os funcionários públicos a «pagar a crise»? Estão a ver os seus ordenados descer? Estão a ver os seus subsídios acabar? Estão a trabalhar mais do que as estafantes 7 horas diárias (com excepção para os que estão de baixa psiquiátrica e afins)? Estão a ser despedidos? Não. Os funcionários públicos (enfim, aqueles 17) estão convencidos de que estão «a pagar a crise» porque não vão ser aumentados. É difícil acreditar em tamanha ignorância, mas é mesmo verdade: há pessoas que estão convencidas de que «a crise» se paga com congelamentos de salários. Para aqueles que realmente estão a pagar a crise (os desempregados) isto é uma afronta que deveria ser corrida ao pontapé.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Situação profissional

Ao Dica da Semana, Adelaide de Sousa revelou que o marido, «o fotógrafo norte-americano Tracy Richardson», é quem fica em casa a tratar da casa e do bebé; a Adelaide cabe a tarefa de trazer o ganha pão para casa. Ou seja, este senhor («o fotógrafo norte-americano Tracy Richardson») não só é casado com Adelaide de Sousa, como tem por profissão ser casado com Adelaide de Sousa. Não me lembro desta área no liceu.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mozart

Já está quase tudo desempacotado. Ontem foi dia de ligar o aparelho de som. Os dois primeiros álbuns a rodar lá em casa foram The Virginia EP (The National), e Magnífico Material Inútil (Os Pontos Negros). Mozart torna-os inteligentes, pelo que estão a acabar-se estes dias de escolhas musicais por capricho: a partir de agora vai ser tudo muito pensadinho.