domingo, 30 de maio de 2010

An open book



Love is an open book
to a verse of your bad poetry

I Can Change, LCD Soundsystem

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A capacidade de resiliância do ser humano: notas sobre o festival-RFM

Infelizmente não tenho conseguido evitar assistir a alguns momentos televisionados desse festival a que muita gente já apelida como o festival-RFM (amostra: 1), e por isso sou forçado a interromper o fim deste blogue de modo a poder conferir alguma utilidade a esses momentos e afastar esta sensação de desespero tão grande, tão grande, tão grande.

O primeiro momento televisionado a que assisti do festival-RFM incluía um ser humano do sexo feminino de idade indefinida chamada «Ivete Sangalo» aos pulos no palco enquanto parecia estar a tentar cantar, mas não fiquei com a certeza absoluta disso. Uns dias mais tarde, pude confirmar, noutra transmissão televisiva digna de suicídios em massa chamada «Globos de Ouro» (que tem no entanto o mérito de ser a única cerimónia daquele género no mundo totalmente improvisada), que «Ivete Sangalo» de facto tem por hábito tentar cantar, embora possamos atribuir essa precipitação desgraçada a um efeito secundário da ingestão por parte de «Ivete Sangalo» de uma substância provavelmente ilegal destinada a tornar esses momentos não tão insuportáveis para «Ivete Sangalo» como o são para todos nós que, por imposição moral ou indisponibilidade financeira, não ingerimos a mesma substância.

O segundo momento que a televisão me mostrou do festival-RFM revelou um gigante a fazer um solo de guitarra durante 19 minutos, naquilo que era obviamente o fim de um concerto, com a particularidade de a guitarra estar deitada no chão e o guitarrista estar de pé, o que me deixou descansado: não estava a perder nada, obviamente aquele não estava a ser um bom concerto rock, os bons concertos rock não acabam com guitarras deitadas no chão e com os guitarristas de pé, acabam com os guitarristas deitados no chão e com as guitarras por todo o lado. Fui capaz de perceber que se tratava de John Mayer, uma pessoa que, apesar de tudo, merece todo o nosso respeito, todo o nosso respeito.

O terceiro momento do festival-RFM que me foi vergastado foi, provavelmente, o mais deprimente, e explica-se rapidamente: no palco estava o João Pedro Pais a fazer de conta que não era o João Pedro Pais mas sim uma estrela rock, comportamento chocante que 168 pessoas testemunhavam ao vivo.

O quarto momento deu-se no mesmo dia do terceiro, o que prova a extraordinária capacidade de resiliência do ser humano, e a magnitude do seu abalo explica-se através da mais simples das descrições daquilo que se estava a passar: uma reunião dos Trovante. Os Trovante, para quem não se lembra, foi uma banda composta, entre outros, pelo Luís Represas e pelo João Gil, cujo único objectivo foi o de tranquilizar as gerações futuras pois não, não, os anos 80 não foram assim tão bons. Para compor o espectáculo e homenagear os artistas, a organização tratou de reunir o público dos Trovante, ou aquela parte do público dos Trovante que estoicamente sobreviveu aos Trovante.

Já hoje, apanhei aqui na televisão o Carlos a tocar com os Fonzie: o Carlos é uma pessoa que já emprestou a sua simpatia a um concerto da banda em que eu participo e cujo trabalho ainda hoje é lembrado com saudade. O Carlos, para quem não sabe, é o baixista dos Fonzie, uma banda que vende no Japão e assim, que o festival-RFM não merece (não sou fã, but than again, também não sou japonês.) Felizmente, acabei de confirmar que os Fonzie não estavam programados para participar no festival-RFM e que só lá foram porque uma banda de quem eu nunca ouvi falar e que certamente é muito pior do que a banda onde o Carlos toca baixo desistiu. O público, esse, era todo constituído por pessoas legalmente impedidas de comprar bebidas alcoólicas. O Carlos, esse, é um dos gajos mais porreiros que já conheci e genuinamente uma óptima pessoa.

Por fim, essa média-empresa chamada Xutos-e-Pontapés. Os Xutos-e-Pontapés foram uma banda particularmente importante no panorama do rock português dos anos 80 mas calhou que o sucesso e o dinheiro e a passagem do tempo os transformasse numa versão franchisada deles próprios. Nos dias que correm, não passam de um longo bocejo que o público da RFM toma por rebelde, mimetizando aquela cruz com os braços enquanto confirma uma reunião de departamento pelo BlackBerry. Como bem observou a minha mulher, a partir de uma certa idade começa a ter graça (os Rolling Stones, AC/DC), mas os Xutos ainda não estão lá; os Xutos estão naquela idade em que já não é credível que aquelas pessoas têm mesmo vontade de se vestir com picos na cintura e lenços no pescoço mas que apesar disso se vestem com picos na cintura e lenços no pescoço porque isso continua a render um milhão de euros anuais, embora não estejam ainda preparados para serem vistos como o circus act em que se tornou o Mick Jagger, por exemplo. Deu-me vontade de voltar aos anos 80 - sim, mesmo considerando os Trovante - só para ver como isto era a sério, como isto era antes das guitarras acústicas e das aplicações financeiras.

Parece que o bilhete, para cada dia, custa 58 euros, o que, dados os milhares de participantes no evento, reforça a minha sensação de que o mundo é um sítio muito hostil.

domingo, 23 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

O Milito, que deverá ser suplente no Mundial, atenção

Não há muito mais a acrescentar: Mourinho levou o Chelsea ao título 50 anos depois e o Inter ao título europeu 45 anos depois. E tornar-se-à num futuro próximo no primeiro treinador da história a ganhar a Liga dos Campeões com três equipas diferentes (o Real pode começar a pensar nas faixas), podendo, a partir desse dia, justificar estatisticamente o título de melhor da história. E Diego Milito, por deus, Dieto Milito: como é possível fazer o que ele tem feito e manter aquele ar de criança no recreio da escola, de quem acabou de ver o Pai Natal, de quem tudo parece ser um pouco inacreditável? Gostava de ver os registos oficiais (faltas cometidas, cartões, etc.), mas adianto já que Milito deve ser das melhores pessoas que andam no futebol.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

IV

Nasceu o quarto filho do Tiago Cavaco, que continua, admiravelmente, a tentar a comunhão perfeita entre o número de filhos e a contabilidade discográfica. És um exemplo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Novilíngua

«Católico assumido».

Radical é a não convocatória do Ruben Amorim, pá

Um jornalista, à hora do almoço, considerava a recusa do preservativo, do casamento homossexual e do aborto «posições radicais» do Papa.

Apaga lá isso antes que a gente se chateie

Ou o Pedro Vieira falhou uma tentativa de humor (esta é uma hipótese meramente académica sem qualquer suporte no texto mas que faço porque costumo gostar do que o Pedro escreve) ou passou-se totalmente da cabeça.

O Zé Castro não vai o mundial, pelo amor à santa

Portugal não percebe nada de futebol. O Carlos Queiroz é maluco mas não pelas razões que Portugal acha que o Carlos Queiroz é maluco. Portugal acha que o Carlos Queiroz é maluco porque, e cito, convocou «seis centrais». Vamos lá ver: Carlos Queiroz convocou seis centrais por dois motivos: primeiro, não dá para perceber se o Pepe está ou não em condições, e segundo, o Ricardo Costa pode eventualmente jogar a lateral-esquerdo, na eventualidade eventual de Queiroz finalmente perceber que o Duda é o uma merda e que o Fábio Coentrão faz falta no meio-campo, onde o único canhoto a marcar presença é o Miguel Veloso, que, já agora, não pode ser considerado para a posição de lateral-esquerdo porque o único trinco da convocatória, para além do Pedro Mendes, é o Pepe e, lá está, não sabemos se o Pepe vai ou não. Portanto, isto é tudo muito complicado, sobretudo para o Zé Castro que não vai a lado nenhum. A razão pela qual o Queiroz é maluco é, obviamente, a não convocatória do Javier Zanetti português, o Ruben Amorim, o único jogador português à excepção do Cristiano Ronaldo que não sabe jogar mal.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Carlos Queiroz é maluco

Perguntem a quem quiserem

Ontem foi o dia em que o meu filho mais vezes brindou o mundo com o seu sorriso.

domingo, 9 de maio de 2010

Uma limpeza

O resumo é fácil de fazer: mais vitórias (mais duas do que o Braga), menos derrotas (menos uma do que o Braga), mais golos marcados (mais oito do que Porto), menos golos sofridos (em igualdade com o Braga), mais pontos (mais cinco do que o Braga), melhor marcador (Cardozo). Ou seja, uma limpeza. Obrigado Jorge, para o ano há mais.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Enfim, a Vanity Fair

Hitch 22

«My looks by then had in any case declined to the point where only women would go to bed with me.»

Christopher Hitchens, na pré-publicação das suas memórias, um livro que vai finalmente cristalizar a mais genial criação de Christopher Hitchens: Christopher Hitchens

Por estes dias

Tenho de admitir que o catolicismo dá ainda mais sentido à vida dos ateus do que à minha.

There are meetings which, when cancelled at the last minute, give one an ecstatic feeling of having cheated death for a little longer.

«The only way to get anything unpleasant done is of course to line up a yet more unpleasant task as an alternative.»

O Alain de Botton tem um twitter.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hitchens / Martin Amis

E agora, demografia

Em Portugal os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres estão cada vez mais pobres. A classe média está, portanto, em vias de extinção. Agora eu vou explicar porquê. A razão é demográfica: quem se reproduz em Portugal são os ricos e os pobres. A classe média deixou de se reproduzir. Tem um filho, dois quando a coisa foge ao controlo. O pobre tem mais filhos porque não sabe e não tem incentivos para o planeamento familiar; o rico tem mais filhos porque pode. A falta de mobilidade social portuguesa (o maior problema do país, mas de longe) faz o resto. Obrigado por este bocadinho, vou ali voltar para o trabalho.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Stasis Benfiquista*

1. Não são apenas os sinais exteriores de riqueza do guarda-redes do Paços que devem ser investigados (bem me avisaram: se não viste o golo, não vejas), são também os sinais exteriores de riqueza do fiscal de linha que não viu o fora-de-jogo ainda mais evidente do que o penálti sobre o Maxi. Grão a grão, grão a grão;



2. O jogo com o Paços não é caso único (oh!): há várias explicações para o actual estado das coisas, entre elas o jogo Braga-Guimarães (3 penáltis inexistentes, isto nem na era do Jardel).

3. O silêncio do Porto é revelador: o Braga usurpou-lhe a presença na Champions, mas a palavra de ordem em Palermo é para fechar o bico;

4. Por causa disto tudo, entramos para a última jornada com o campeonato em disputa entre uma equipa que marcou 47 golos no campeonato e outra que marcou 76.

5. Agora querem suspender o Luisão por este ter devolvido um objecto pessoal de um espectador. Em Palermo não reconhecem a boa educação nem quando ela está à frente dos olhos deles;


*(FNV)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

SIC Mulher, procurem na grelha, programem a gravação, enjoy



Nigella Lawson

(Além de cozinhar, Nigella também gosta de futebol.)

Grandes causas

«Espero empatar com o Rio Ave com um golo do Mantorras em fora-de-jogo no último minuto.»

Ainda

Está tudo tão grandioso que se demora três dias a conseguir gostar de uma canção que seja, três a quatro semanas a apreciar as canções ímpares do disco e pelo menos mês e meio para as pares.

O João Bonifácio é um convertido pelo que se lhe perdoam alguns excessos, mas esta frase carrega parte daquela que foi a minha reacção ao streaming do NY Times. Quando o álbum me chegar à porta de casa volto para elaborar.

P.S: O João Lisboa também goes over the top lá no Expresso: 5 estrelas e uma ode imensa. Não digo que eles estejam errados, ainda.

domingo, 2 de maio de 2010

Mais uma semana

Perdemos bem, mas foi pena o árbitro: Olarápio Benquerença terá visto ao intervalo o penálti mais do que claríssimo sobre Maxi Pereira (estava o jogo 0-0 e Maxi Pereira ia, se tudo corresse bem, abrir o marcador) ou a mão marota de Hulk, O Suspenso, a cortar o livre dentro da área, e passou a segunda parte a compensar. Di Maria e Coentrão poderiam ter sido expulsos com segundos amarelos sem grande escândalo (Di Maria até pelos mesmos motivos de Fucile); assim sendo, o Porto não só ganhou como está convencido de que foi prejudicado pela arbitragem. Não foi, e ganhou com todo o mérito: o Benfica nunca conseguiu afastar o nervosismo que trazia de Lisboa e o Porto aproveitou para tentar chegar ao segundo lugar. Fica para o ano, rapazes. Um abraço e até para a semana.