segunda-feira, 30 de agosto de 2010

39

Trinta e nove graus? Percebo as queixas, mas para mim a partir dos vinte e seis é tudo igual.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Um blogue também é para isto

No fim-de-semana passado vi o Tozé Martinho (ou o Tozé Brito, uma pessoa nunca tem a certeza) no supermercado. Acho que ele é mais baixo do que eu. Quem é de certeza mais baixo do que eu é o António Costa. Não o António Costa presidente da câmara, mas o António Costa director do Diário Económico, que passou por mim hoje. Mas já que falamos nisso, o António Costa, não o director do Diário Económico mas o presidente da câmara, é capaz também de ser mais baixo do que eu: quando vivia na Baixa passava por ele algumas vezes no Metro. Ficava sempre com a sensação de que o António Costa andava de Metro para ser visto a andar de Metro, enfim.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sem espinhas



Não festejava assim uma vitória de um clube português que não o glorioso na liga dos campeões desde a vitória do Porto (sim) por 3-2 em San Siro (um do Artur, dois do Jardel). Portugal positivo, ou lá o que é.

(Atentem na legenda desta fotografia: «Superioridad portuguesa». E depois olhamos para o símbolo, cheio de torres e coroas e ameias, e ficamos com vontade de conquistar a Andaluzia toda.)

O post mais importante que li na blogosfera - porque não li nada disto em mais lado nenhum

O lado opaco, no Eterno Benfica.

(Obrigado maradona)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Duas derrotas

O Benfica, se à custa do fundo ou não isso não sei, está a transformar-se num clube trampolim, contratando quase exclusivamente jogadores abaixo dos 24 anos na América do Sul, aqueles que representam um maior potencial financeiro (Di Maria tornou-se no modelo que se quer repetir ad eternum). Começam a faltar referências na equipa e a multiplicar-se «grandes promessas» do futebol argentino à espera de dar o salto. A grande figura da equipa deste arranque de época, Coentrão, representa a antítese desta atitude e era bom que isso abrisse os olhos à direcção: no campeonato português compra-se melhor e mais barato. Enfim, isto para dizer que o problema não está no Roberto, ou pelo menos não está todo no Roberto, que me parece ser um bom guarda-redes a quem aconteceram dois ou três azares que lhe dinamitaram a confiança. O primeiro, claro, foi ter sido contratado por 8,5 milhões de euros.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Menino André

Villas-Boas tem tentado afastar-se do modelo que evidentemente emula (Mourinho), mas se quer ser bem sucedido nessa empreitada terá de evitar alguns deslizes, como a pequena arrogância que ensaiou ontem no final do jogo com o Genk, ao dizer, um, que «quando o Porto disputa um jogador, ele vem para o Porto» e que portanto o Porto nunca quis Sálvio, e, dois, que interpretar a não convocatória de Meireles como um sinal de que o jogador estaria a ser negociado é uma «invenção» dos jornalistas. Tenho alguma estima pelo Villas-Boas (estima que crescerá se se confirmar o seu talento para a profissão que escolheu) e pelo seu pedigree todo - nunca houve um bom treinador beto em Portugal (Norton de Matos foi a última tentativa), já é tempo de alguém limpar a imagem da classe - e por isso custa-me assistir a estes pequenos gestos de suicídio de carácter. A rever.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

À atenção da FPF

Quaresma, o mais talentoso futebolista da sua geração*, está de volta.




* Sim, tenho em conta aqui Cristiano Ronaldo: para Quaresma ter chegado àquele patamar teria bastado metade do empenho e da concentração psicológica, algo que os seus genes lhe negaram.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Luta entre iguais

Claro que gostava de viver numa sociedade que não via na tourada nada mais do que o espectáculo deplorável que é, mas é característica das tradições a sua capacidade para escapar à aplicação do bom senso e ao escrutínio de um juízo informado. Por isso, Portugal, um certo Portugal que as pessoas urbanas como eu esquecem facilmente ou nunca chegam a conhecer, ainda alimenta com paixão a indústria das chamadas corridas de toiros, porque é de uma indústria que se trata: dos honorários dos artistas às receitas das criações dos animais (touros e cavalos), há muito dinheiro envolvido. Não vejo, portanto, o fim das touradas a acontecer para breve, até porque reconheço que há aspectos desta indústria que importa preservar, sobretudo em tudo o que se relaciona com o cavalo (se nos conseguirmos abstrair dos ferros e do sangue percebemos que ali estão cavaleiros de talento invulgar). Mesmo a particularidade mais medieval da chamada tourada à portuguesa, que é a pega do touro por um conjunto de doidos a que chamamos de forcados, é capaz, com algum esforço, de me ensinar coisas positivas, como a coragem e o espírito de entre-ajuda, etc, sem ironia, juro, e não acho que o animal sofra demasiado por ter aquela gente toda à sua volta. Mas depois, vendo a festa pela televisão, vem um comentário, um pormenor quase insignificante que deita por terra qualquer hipótese de eu me tornar um, como dizem, aficionado, como quando ontem o locutor explicava que o touro tinha «investido com nobreza». A palavra «nobreza» é aqui a chave para a minha perplexidade, pois atribuir o conceito de nobreza a um animal revela a tão necessária antropomorfização do touro que justifica o conceito, de outro modo absurdo, de luta entre iguais, tão enaltecido por quem é um apaixonado das lides. E eu não sou capaz de impulsos antropomórficos sobre uma vaca assustada, nem o meu sarcasmo chega tão longe ao ponto de bestializar o toureiro, que seria o caminho alternativo para o encontro dos pólos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tango

Isto também é o tempo a passar, as coisas a mudarem sem darmos por isso: descubro, com o patrocínio das redes sociais, que um ex-colega de curso é agora bailarino de tango, imagino que profissional, na Holanda, como num daqueles filmes com o Richard Gere em que as personagens decidem mudar de vida e mudam mesmo, não é como na chamada vida real, onde as pessoas decidem mudar de vida mas não mudam nada. Não sei se ele decidiu, não sei se foi apenas uma coisa que lhe aconteceu, mas estar a dançar o tango na Holanda como modo de vida é uma coisa que impressiona, até os duros de coração têm de reconhecer. Um dia vou chegar à meia-idade e vai acontecer-me aquela crise em que olhamos para trás e pensamos o que teria sido de nós se tivéssemos decidido largar o escritório e ir dançar o tango para a Holanda, não que no meu caso a fantasia seja dançar o tango, não gosto de dançar, seria outra coisa que agora não me ocorre mas que me ocorrerá quando chegar aos 50, e fico com a sensação de que aquele meu ex-colega de curso não vai ter uma crise de meia-idade, ou se a tiver será uma crise ao contrário, olhará para trás e pensará o que teria sido da vida dele se tivesse largado o tango e ido para um escritório, trabalhar das 9 às 19, à frente de um computador, será uma crise de meia-idade sem graça nenhuma, agora que penso nisso.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010