Lembro-me de concordar com o fim do
Acontece. Era um magazine cultural diário mas um magazine cultural diário frequentemente aborrecido e aparentemente pouco disponível a sair de um círculo relativamente fechado. Era, compreensivelmente, um magazine cultural muito centrado na visão cultural do seu criador que era inevitavelmente diferente da minha. Também me lembro de achar que o
Acontece daria lugar a um novo espaço de divulgação cultural mais ágil, mais abrangente, isto era, mais
interessante. O que se passou depois foi o que se viu: o
Acontece não deu lugar a coisa nenhuma e em vez de um magazine cultural a espaços cativante temos agora nenhum magazine cultural. Houve tentativas, das quais o
Câmara Clara é o último exemplo, que só vieram demonstrar a superioridade moral do
Acontece. Afinal, os seus defeitos eram o espelho dos seus méritos: ambos decorriam do facto do
Acontece ser um programa totalmente dependente da paixão e empenho de uma pessoa só. Que isto não nos surja como uma surpresa e que nos sirva de lição: o que é bom é para se manter e os velhos é que sabem. Carlos Pinto Coelho, fazes falta.