segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscars 2011

Tendo apenas visto dois dos 10 (10, pelo amor de Deus) candidatos a melhor filme, e não tendo especial vontade de ver nenhum dos outros (à excepção de True Grit), não vi motivos para ficar acordado, pelo que foi só hoje que vi que Melissa Leo ganhou o prémio para actriz secundária, o que me deixa muito satisfeito. Não, obviamente, pelo seu papel no filme pelo qual estava nomeada (que não vi nem sei qual é), mas porque Melissa Leo tem um dos melhores papéis em Treme, o show que David Simon está a fazer depois do The Wire e que, mesmo não sendo o The Wire, é a melhor coisa que a televisão me ofereceu depois de Mad Men.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cair

Há um protocolo instituído na imprensa económica em Portugal que me tira do sério (sou pessoa para sair do sério com facilidade) que diz respeito ao modo como são dadas as notícias sobre a bolsa. O protocolo é o seguinte: o jornalista deve usar todos os sinónimos possíveis para «ganhos» e «perdas». Não há duas acções que abrem a sessão a «ganhar»: enquanto uma ganha a outra sobe, e assim sucessivamente. Tomemos por exemplo esta notícia do Diário Económico: só no primeiro parágrafo encontramos quatro verbos distintos que relatam a mesma acção: deslizar, penalizar, perder e escorregar. O que me tira do sério é ver que nem na mais numérica e factual notícia o jornalista português abandona a sua atracção pela metáfora, o que distrai muito: porque se as palavras têm assim tanta importância, então não é a mesma coisa deslizar e perder, pois não? Vejam lá isso.

The Social Network



O David Fincher nunca fez um mau filme na vida.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Michael Lewis

First Iceland. Then Greece. Now Ireland.

O maior (2)

Ronaldo foi o último ponta-de-lança, o último avançado centro. Agora já não há avançados centro, já não há pontas-de-lança; os foras de série são ou números dez, ou extremos, ou segundos avançados. Foi o melhor que vi jogar e ainda vi jogar alguns dos melhores. A puta da lesão, perdão, as putas das lesões tentaram impedir que Ronaldo entrasse para a história como o melhor de sempre, mas eu acho que não conseguiram: nunca outro jogador concentrou tanta habilidade para marcar golos e talento para deslumbrar pelo caminho. Ele era um jogador fisicamente improvável, mesmo antes de engordar: tinha a velocidade e a força de Cristiano Ronaldo e a leveza e capacidade de jogar em dois centímetros quadrados de Messi. Dos jogadores que vi jogar apenas ele e Zidane me chegaram como argumentos para a geração do meu pai, que viu jogar Pelé e Eusébio e a selecção de 84. E depois fazia tudo com alegria, mesmo com os joelhos todos fodidos. Quando o meu filho me vier falar seja de quem for, Ronaldo vai ser a minha primeira arma de desqualificação geracional: no meu tempo é que era. Graças ao Ronaldo.

O maior






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11.02.11

Mais vale tarde do que nunca

O Henrique Amaro foi buscar-nos à gaveta do Portugália (pelos 12'30). Mesmo a tempo, sem dúvida, porque há peixe fresco na lota. Está quase, quase.

Na Sábado

O Bloco de Esquerda nasceu em 1998. Lembram-se? (...)

(Agora também estou ali no Blogue de Direita da Sábado.)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Under Cover of Darkness

As primeiras - e necessariamente apressadas - audições parecem confirmar aquilo que já se suspeitava: Casablancas terá perdido influência. Já sabíamos que o álbum começou a ser construído sem a sua presença e que ele se juntou ao processo já em andamento. Under Cover of Darkness é uma canção onde a criatividade está toda nas guitarras (baixo incluído) que escondem a voz de Casablancas, agora sem a já tradicional distorção e algo escondida na mistura final. Ou seja, é como se o álbum a solo não tivesse existido. E o que é aquilo, segundas vozes? Aguardemos com serenidade.

Jornalistas heterossexuais comandam «notícia» disparatada

Oficial gay comanda caça a 16 assaltantes

A solidão urbana

Agora o país escandalizou-se com o caso da idosa morta no apartamento há oito anos. A SIC fez inclusivamente uma reportagem sobre a «solidão» e a «velhice» e flagelo do anonimato urbano e esses disparates assim. Foi a Rio de Mouro, «uma freguesia com 46 mil habitantes», e entrevistou um idoso que não tem ninguém com quem falar. Curiosamente, a mesma SIC conseguiu chegar à fala com o único familiar que apareceu no local, um sobrinho, o parente vivo mais próximo (todos os irmãos já estão mortos), que, nas suas palavras, não se sente culpado ou arrependido pelo que se passou porque ele já «tinha ligado para a GNR» e não é o «único» parente vivo e não pôde fazer nada na altura porque «estava sozinho». Um sobrinho, atenção, não um primo afastado emigrado na Suíça. A sorte foi que alguém se interessou pelo imóvel e o fisco conseguiu vendê-lo, tivesse sido no campo e o imóvel lá ficaria com a idosa.

P.S: A minha vizinha da frente é uma idosa, como se diz, uma senhora muito simpática que me reconhece sempre na rua. Não a vejo há uma semana, talvez: quanto tempo devo esperar até arrombar a porta?

Dias Ferreira



Se o Sporting quiser voltar a ser um grande será bem-vindo, gostava que isso se tornasse claro.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cairo 2

Depois da minha visita ao Cairo em 2006, uma das coisas que escrevi foi isto:

Não sem surpresa, o Youssef confirmou-nos que o radicalismo religioso tem vindo a crescer, e muito, nos últimos 20, 30 anos. A mãe dele, confessou-nos, andava de mini-saia na rua nessa altura, coisa que é obviamente impossível nos dias de hoje. Mubarak ainda é visto como um liberal, alguém que deseja, sem muita margem de manobra, um Egipto menos ortodoxo e mais cosmopolita. No entanto, apesar da maioria islâmica dominante (80%), os cristãos (copta), que representam os restantes 20% da população (há uma comunidade residual judia), mantêm uma impressionante percentagem de 40% junto da classe alta, o que permite ao Egipto ser considerado liberal pelos países vizinhos. Apesar de muçulmano (que não reza, como nos disse, uma espécie de «não praticante»), a maioria dos amigos do Youssef são cristãos, com quem partilhou a educação na infância e na juventude. Se um dia os radicais conseguirem colocar no poder um peão do Islão mais conservador, o Youssef emigrará, e com ele, talvez, todos os liberais, deixando tristemente uma cidade que, ainda hoje, respira um cosmopolistismo próprio de uma área agitada e muito visitada por turistas (apesar destes serem muito menos do que nós esperávamos). No Cairo respira-se muito o Mediterrâneo, alguma coisa do Médio Oriente, e muito pouco de África. Os egípcios não se consideram africanos, interessam-se pouco pela identidade árabe (o Youssef dizia-se primeiro Egípcio, depois Muçulmano, e só depois Árabe), e gostam muito de se dizerem Mediterrânicos.

Não sabemos o que vai sair daqui, mas o que sair vai ter um efeito de contágio importantíssimo.

Egipto

Claro que Mubarak era «uma barreira contra o mar Vermelho»; esperemos que daqui a um ano isso não se tenha tornado evidente.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Acho que perderemos todos

(...) Não estou, sequer, a contrapor um qualquer ideal geracional. Não estou, pelo menos, a contrapor crenças ou valores da minha geração — que é, também genericamente, a dos progenitores da que agora se identifica. Aliás, se formos por esse caminho (legítimo), teremos que reconhecer que aqueles que, actualmente, têm entre 50 e 65 anos deixaram um legado muito fraco que, agora, se mostra na sua anódina impotência utópica: é, no mínimo, uma desilusão que, de acordo com a letra de Parva que Sou, os filhos se fiquem pela queixa sindical de uma "geração sem remuneração" a quem ainda "falta o carro pagar". (...)

João Lopes

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A sério

No dia que comprámos a tão necessária cadeira de bebé para o carro, o sacana (o carro) decide cometer suicídio em plena autoestrada. Estamos todos bem, mas o prognóstico (do carro) é reservado.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sempre que o amor me quiser



(E pronto, ando na rua a cantar um refrão da Lena d'Água, que, apesar de tudo, sempre é irmã do Rui Águas.)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A águia vitória

Muito bem observado pelo Pedro Adão e Silva.

we don't dance



(...) They seem to appreciate that we obsess over the music but they make fun of the fact that we don't dance and we're still too cheap to hire a lighting guy. (...)

2-0

Tudo correu bem ao Benfica e tudo correu mal ao Porto, porque houve sorte de um lado e azar do outro, mas também porque Jorge Jesus percebeu que não se joga nas Antas de peito feito e com centrais a lateral (v. Sereno). Não foi o 5-0 que foi um acidente, foi toda a época até esse resultado. Sem ele, Jesus não voltaria à terra e a equipa não teria pachorra para passar 75 minutos a correr atrás da bola. E alguém deu pela falta do David Luiz?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Número de deputados (2)

Agora mesmo, na RTPn, 97% dos inquiridos a favor da redução do número de deputados. Depois queixem-se, biltres, queixem-se que ninguém vos vai ouvir.

Número de deputados

De 230 para 180? Porque não para 100? 80? Para 11? Porque não acabar com os deputados? Com os partidos? Venda-se a democracia. Em saldos. Para o Egipto, por exemplo, que parece que quer uma. Nós ficamos com o Mubarak, que de velho deve estar barato.