quinta-feira, 30 de junho de 2011

Angélico

A Visão fez uma capa que diz «A Maldição da Fama» e um pouco por todo o lado a ideia repete-se: Angélico foi «vítima» da «fama». Mais uma, e vão buscar-se as imagens de James Dean ao arquivo. Curiosamente, o tom destas reportagens serve para celebrar o famoso e condenar o fã: o «famoso» com «vítima» e o fã como predador, sempre. Mas nada disto tem a ver com a morte de Angélico Vieira, não foi a «fama» que o matou: foram as estradas portuguesas, que são famosas por não distinguir o pedigree das suas vítimas. Que sirva de exemplo aos desmiolados.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Agora um post sobre a geopolítica magrebina

Esqueçam tudo o que leram online sobre o assunto e vão por mim: a proporção correcta para se cozinhar o couscous é de uma parte de couscous para dois terços de água (antes da fervura). E os cinco minutos de repouso podem ser encurtados para três. Cozinhado assim (incorporado assim), o couscous fica solto e recebe graciosamente as amêndoas e as passas fritas (fritas ao de leve sobre azeite) sem as engolir à bruta. Não precisam de agradecer, estamos aqui uns para os outros.

domingo, 26 de junho de 2011

Pára tudo



Já saiu o livro do Jorge Calado e ninguém me tinha avisado! E já que aqui estamos, aproveito para dizer que vou deixar de ser amigo de toda a gente que não leia este livro.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

The Erlend Øye show

Já está disponível o podcast com o Mexetape que fizemos na Vodafone FM. Acaba com este «Islands», mas pelo meio há muita coisa boa para vocês.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

«Ciência»

Pedro Magalhães:

«(...) Perguntam-me por e-mail se não deveria incluir o programa do CDS-PP. Mas o programa eleitoral do CDS-PP , em 75 páginas, não menciona a palavra "ciência" uma única vez, e das seis vezes que aparece a palavra "investigação", quatro delas é a propósito de investigação criminal...»

terça-feira, 21 de junho de 2011

Bon Iver



Há uma hipótese em aberto de o Justin Vernon não ser o maior gajo de todo o sempre, mas é muito remota.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O novo governo

Vamos lá então.

Finanças – Vítor Gaspar

Académico brilhante, currículo europeu, liberal convicto, totalmente desconhecido do meio jornalístico: sim, estou a aplaudir de pé.

Economia e Emprego – Álvaro Santos Pereira

É impressão minha ou Álvaro Santos Pereira expressa-se mal em português? Dizem que tem um currículo que «fala por si», mas nunca consegui respeitar o blogue dele como parece que devia. E tenho um livro dele cá em casa que comprei na feira do livro de Tavira do qual apenas consegui ler uma página.

Negócios Estrangeiros – Paulo Portas

Por definição, o MNE é sempre o mais popular dos ministros. Nada a dizer.

Justiça – Paula Teixeira da Cruz

Na minha humilde e desinformada opinião, uma péssima escolha. Mas reconheço que se trata de uma embirração provavelmente não fundada. Ou não.

Administração Interna – Miguel Macedo

O Miguel Macedo não é uma boa escolha, mas também não é má. É tipo um Fernando Negrão com uma voz de rádio.

Assuntos Parlamentares, Autarquias e Desporto – Miguel Relvas

Miguel Relvas tinha de ficar com um ministério. Calhou este.

Educação e Ensino Superior – Nuno Crato

O único nome que coincide com o meu esquisso do onze ideal. Ainda bem que o professor Nuno Crato aceitou. É também o mais velho, dado que consegue a proeza de acrescentar autoridade ao seu nome.

Segurança Social – Pedro Mota Soares

Este gajo está bem lixado, está.

Agricultura, Ambiente e Território – Assunção Cristas

Mãe de não sei quantos, doutorada em não sei quê, pouco mais velha que o André Villas-Boas: ela diz que não percebe nada da área que agora assume mas que a vai estudar com afinco e que os resultados aparecerão. E nós acreditamos.

Saúde – Paulo Macedo

Paulo Macedo foi contratado para os impostos a ganhar cinco vezes o salário de ministro. Saiu em ombros, com duas orelhas e um rabo. Foi administrador da Médis, que serve como «currículo», mas ninguém perguntou nada. Palmas outra vez.

Defesa – Aguiar-Branco

Aguiar-Branco tem aquela qualidade de parecer adequado a qualquer cargo. Teve 3% dos votos nas directas no PSD, mas incrivelmente a sua carreira política ganhou um certo fôlego com isso. Tem a vantagem de ninguém estar interessado na «Defesa».

O Ministério da Cultura foi extinto (uma decisão sobre a qual me faltam estudos para ter opinião) e a secretaria de estado entregue a Francisco José Viegas, que é assim uma espécie de anti-Gabriela Canavilhas (sempre no bom sentido).

Temos governo, vamos a eles, isto é para ganhar.

Já volto para fazer a devida «apreciação» ao plantel governativo para 2011/2015

Gabriela Canavilhas «tem a certeza» de que a extinção do Ministério da Cultura «preocupa os portugueses». É isso, é.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tour nortenha

Este fim-de-semana os Trêsporcento apresentam «Hora Extraordinária» na região do grande Porto:

Sexta-feira, 17 de Junho, pelas 22h00, na FNAC do MarShopping;
Sábado, 18 de Junho, pelas 17h00, na FNAC de Sta. Catarina;
Sábado, 18 de Junho, pelas 22h00, na FNAC do NorteShopping;
Domingo, 19 de Junho, pelas 17h00, na FNAC do GaiaShopping.

Portanto, é aparecer.

Entrentanto, passa hoje às 22:00 na Vodafone FM uma mexetape que o Joaquim Albergaria fez connosco. Oiçam.

Yes you can



You Can't Win Charlie Brown: Fleet Foxes meets Bon Iver meets Sufjan Stevens meets sei lá eu que mais; Portugal nunca tinha visto nada assim.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Imprensa

Estou um bocado confuso. Ajudem-me: o Dedé é o próximo central do Benfica ou o novo secretário de estado para as comunidades?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda continua a insistir na ideia de que «a mensagem não passou». Não lhes passa pela cabeça que a mensagem tenha passado muito bem e que tenha sido apenas rejeitada.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O novo governo

O único nome que interessa é o das finanças. Será vice-primeiro-ministro, ou ministro de estado, mas na prática será a pessoa mais influente no governo e no país, mais até do que o primeiro-ministro. Para além de ter de ser um técnico reconhecido e com uma grande capacidade de execução, defendo que tem de ser, acima de tudo, um pedagogo: vai ser preciso explicar regularmente ao país aquilo que se vai fazer e porquê, mostrando que todas as medidas são necessárias para o objectivo a cumprir. Será impossível fazer tudo o que tem de ser feito contra os portugueses. Convém que seja uma figura simpática, isto é, que não gere anti-corpos à partida. Que fale pausada e correctamente. Que não tenha passado os últimos anos a demonizar o PS. De todos os nomes até agora falados, apenas um enquadra no perfil: Vítor Bento. Vamos ver.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O vídeo



(«Hora Extraordinária» está disponível a partir de ontem em toda a rede FNAC.)

Ana Gomes

Nojo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Em democracia não há vitórias morais

PS: A votação do PS é uma votação normal para um partido que esteve os últimos dois anos no governo a fazer cortes de despesa e aumentos de impostos sem precedentes em tempos recentes. Alie-se isso ao enorme desgaste que a figura antipática de Sócrates tinha acumulado e quase que somos obrigados a concordar com Ferro Rodrigues, quando diz que «esperava a maior derrota de sempre».

PSD: Apesar de Passos Coelho ter acabado bem a campanha (e não nos podemos esquecer do debate com Sócrates que terá sido o momento decisivo), o PSD beneficiou de muita coisa junta. Beneficiou das sondagens - conheço muita gente que foi votar ontem convencido de que estava em risco a vitória do PSD -, beneficiou do voto descontente - e grande parte do voto descontente vem da função pública, ou seja, um mar de gente que vai rapidamente ser desiludida pelo PSD - e beneficiou de um erro clamoroso de Paulo Portas: não se pode anunciar que se é candidato a primeiro-ministro de boné.

CDS: Seja como for, foi um óptimo resultado para o CDS. Conseguiu ganhar três deputados num cenário de forte crescimento do PSD, algo inimaginável há alguns anos. Conheço muita gente que votou pela primeira vez no CDS, gente que vota tradicionalmente no PSD. Foi Portas quem retirou a maioria absoluta a Passos Coelho.

CDU: Mais uma grande vitória eleitoral do PCP e do seu atrelado semântico, a Heloísa Apolónia.

BE: O Bloco de Esquerda conseguiu a proeza de ser o grande derrotado da noite. Perdeu metade dos deputados e não conseguiu um único voto oriundo do PS. O Bloco está num beco sem saída, e muito provavelmente a saída de Francisco Louçã só irá piorar as coisas. É o partido que conhece pior o seu eleitorado: a recusa de negociação com a troika terá sido o maior erro (apesar de eu estar convencido de que o problema é mesmo o cansaço mediático de Louçã).

Só mais uma coisa: o voto é sempre «útil». Em última análise, as pessoas votam sempre em quem querem votar. Em democracia não há vitórias morais.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O medo

Ah, é mesmo uma ameaça.

A questão do «consenso»

Agora foi a vez de Sampaio falar do consenso, dizendo que, preparem-se, «qualquer que seja o resultado eleitoral» o PS desempenhará «um papel muito importante». Porquê? Se o «resultado eleitoral» der maioria absoluta à coligação PSD-CDS, precisamos do PS exactamente para quê, Jorge? Isso é uma ameaça? Há um plano internacional que nos foi imposto e que terá de ser cumprido, e o PSD e o CDS têm sido particularmente explícitos em explicar ao país como o irão cumprir - o contrário, diga-se, do PS. Esse plano foi assinado pelo governo PS: esse é todo o «consenso» que é necessário. Por muito que custe à cúpula socialista, o PS vai mesmo para a oposição; esse é «o papel muito importante» que terá a desempenhar, até porque vai ser preciso renascer das cinzas do socratismo e é melhor para toda a gente que esse trabalho seja feito com toda a tranquilidade.

Hurray!

O meu voto (2)

Pelo que fez nos últimos seis anos, José Sócrates não merece ser reeleito. Pelo que tem feito nos últimos 15 anos, o PS merece ser oposição durante um longo período de tempo. Não é mistério para ninguém a composição do próximo governo: PSD-CDS. Esta é uma solução que terá o meu apoio e o meu voto.

Percebam que não posso votar à esquerda do PS. As eleições não são um concurso miss-mundo. A simpatia que geram em nós alguns políticos nunca deverá toldar-nos o juízo. Falo de Jerónimo, evidentemente: está ali um homem que está na política com a motivação certa mas com os motivos errados. Votar PCP é expressar o desejo de uma sociedade comunista; Cuba para os cubanos.

No Bloco de Esquerda nunca votarei, por motivos políticos, éticos e sociológicos.

Resta portanto saber a qual dos partidos da AD entregar o meu voto. Ideologicamente não há muito a separar a parte do PSD em que me revejo e o CDS: são ambos partidos que defendem um modelo de sociedade assente na iniciativa privada e um Estado que não é um Estado mínimo. Ambos sabem que o MoU é uma oportunidade para reformar estruturalmente o país. Ambos sabem que é através do crescimento económico que Portugal pode ter viabilidade e ambos têm as propostas certas para o atingir.

Sobram as pessoas e os motivos instrumentais, como se diz agora. Não tenho por Passos Coelho uma admiração especial: acho-o mal aconselhado e não lhe reconheço uma visão estratégica para o futuro do país particularmente inspirada. Por outro lado, parece-me alguém que sabe ouvir (e depois de Sócrates é preciso alguém que saiba ouvir) e que tem o diagnóstico certo do país (e depois de Sócrates é preciso alguém que veja aquilo que nós vemos). Não vejo razões para que, depois de formado um núcleo duro de governo competente, Passos Coelho não possa ser o primeiro-ministro que o país precisa.

Antes da campanha estava decidido a votar CDS, mas não gostei da campanha inchada de Paulo Portas. Ao contrário de Passos Coelho, Portas é um político talentoso que tem a seu favor uma menor responsabilidade de compromisso. Fez, sem sombra de dúvida, a melhor oposição ao PS de Sócrates, ajudado pelo facto de o PSD ter mudado de líder de ano a ano. Mas a campanha eleitoral serviu para diluir parte da identidade do CDS, quando o CDS percebeu que continuava a crescer para além do seu eleitorado natural.

Votar no PSD será reforçar a derrota de Sócrates; votar no CDS será reforçar a coligação. Moeda ao ar?

quinta-feira, 2 de junho de 2011