quarta-feira, 30 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Vasco

Preocupado com a falta de protagonismo familiar que a condição de segundo filho lhe poderia trazer, o Vasco decidiu nascer hoje, o dia em que os pais comemoram o quinto aniversário do seu casamento, e uma semana antes do previsto. Começa cedo a fazer pela vida. É assim mesmo, filho.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A greve

Se os trabalhadores são as principais vítimas das medidas de austeridade, também são as principais vítimas das greves gerais, andando ao sabor do calendário político das centrais sindicais, onde o «interesse do trabalhador» é instrumental em favor do interesse do sincicato. Oiço Carvalho da Silva falar sobre os objectivos da greve e parece que oiço um indignado: ele quer «dar um sinal forte», e outras ambições temperamentais do género. Carvalho da Silva sabe aquilo que está em jogo e sabe que não é possível evitar a falência de Portugal sem que a classe média sofra com isso, e por isso foge da sua responsabilidade enquanto representante da classe trabalhadora e refugia-se numa atitude de líder espiritual inimputável. João Proença também tenta fazer a defesa dos trabalhadores apontando para uma «reforma estrutural» na máquina fiscal nacional que anule a «economia paralela», num discurso bastante mais interessante que o de Carvalho da Silva e que colhe a minha simpatia. Mas a reforma que fala João Proença não resolve o problema a curto prazo, que é o cumprimento, sem desvio algum, do estabelecido com o financiador único da economia portuguesa, a troika: no final de 2011, o défice terá de estar em 5,9%, o que significa um esforço brutal que exige medidas de resultados imediatos. As «reformas estruturais» terão de ser feitas, mas não há tempo para esperar pelos seus resultados. Sim, a classe média é «a principal afectada» pelas medidas de austeridade, mas a «classe média» somos todos nós: não dá para escaparmos todos aos pingos da chuva.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Man Utd 2 - 2 Benfica

Um mau resultado que obriga o Benfica a ganhar o último jogo para garantir o primeiro lugar, apesar de reconhecer que esta equipa simpática do Manchester United me surpreendeu pela positiva.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011



Uma das razões pela qual Pequenas Mentiras Entre Amigos falha - embora seja das menos relevantes, o filme falha por motivos mais sérios - é a banda sonora exclusivamente anglo-saxónica que parece sempre inserida a custo. Aquilo é uma espécie de mixtape que Guillaume Canet tinha no bolso no momento da montagem do filme e pronto. O que não quer dizer que não haja ali grandes canções, como é o caso desta magnífica Fistful of Love, de Antony and the Johnsons, uma canção que começa tímida (o som da gravação ajuda a esta intimidade de bar em fim de noite) mas que vai ganhando coragem para um descontrolo catártico. Não guardarei memória nenhuma do filme (com a excepção evidente de Marion Coutillard), mas sei que voltarei a este tema várias vezes.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Viva Paris

Woody Allen disse numa entrevista de promoção a Midnight in Paris que não se imagina mais feliz na Paris da década de 1920 por comparação a hoje, ou a qualquer época. A sua tendência para infelicidade resiste a qualquer contexto. Felizmente para nós, os filmes de Woody Allen não partilham dessa mundividência - na mesma entrevista, Woody Allen confessa que o realismo não vende bilhetes. Midnight in Paris é uma fábula para adultos que faz da década de 1920 uma época dourada de excelência para quem gosta de arte. É uma ternura infinita aquela que Allen usa para cobrir Hemingway, Gertrude Stein, os Fitzgerald (assim, como se fossem um casal amigo), Buñuel, Man Ray, Picasso («um génio!», diz o Hemingway de Allen, apesar de «não ser nenhum Miró») e um magnífico Adrien Brody no papel de Dalí. Esta gente toda faz parte do panteão artístico de Gil Pender, um argumentista de Hollywood que, apesar do sucesso comercial do seu trabalho, despreza aquilo que faz e sonha com uma carreira de romancista. O momento mais interessante do filme surge quando Gil é transportado à boleia de Adriana (ex-namorada de Picasso) para a sua própria era dourada, a belle époque de finais do século XIX, onde participam numa conversa com Toulouse Lautrec, Dégas e Gaugin sobre a decadência do presente (isto é, 1890) face à era dourada do renascimento («imaginem só o que seria pintar com Miguel Ângelo», diz, se não estou em erro, Dégas). Apesar de o fascínio pelo passado ser uma coisa relativamente recente na história da humanidade (só surgiu depois da História), percebemos que Woody Allen nos está a dizer que tudo o que vimos até aí é cinema, e que se estamos encantados com a Paris de 1920 isso se deve ao seu mérito enquanto cineasta, já que a Paris de 1920 não melhor do que a Paris de 1890, e assim sucessivamente. Mas se de um ponto de vista pessoal e psicológico a tese de que todos nós sonhamos com uma era dourada inexistente oferece pouca discussão, o mesmo não se poderá dizer dos sítios, neste caso de Paris, que atingiu o seu apogeu criativo precisamente no período que vai da belle époque ao fim da Paris de Hemingway e Gertrude Stein. E a melhor homenagem que se pode fazer a Woody Allen é que talvez um dia se olhe para a Nova Iorque da segunda metade do século XX como a era dourada da cidade de Woody Allen.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vale tudo menos arrancar olhos

Durante muito tempo pensei que o melhor teste ao civismo dos meus compatriotas era feito ao volante. Enganei-me: o melhor teste ao civismo dos meus compatriotas é feito acompanhando as idas ao supermercado de uma grávida de termo.

After the final curtain
















(Mais em afterthefinalcurtain.net/)