segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Florence + The Machine



Tinha tudo para correr mal (a pose, o tom melancolicamente épico que tantos estragos tem feito, a harpa) mas depois corre tudo arrebatadoramente bem que se lhe perdoa tudo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Mário Augusto

O Mário Augusto, aquele jornalista simpático que entrevista «as estrelas» de Hollywood há 15 anos, disse hoje na Antena 3, a propósito da adaptação ao cinema de Os Homens Que Odeiam as Mulheres, que «fica bem» ter na estante os livros de Stieg Larsson mas que muito pouca gente os lê. O Stieg Larsson, por Deus, assim como se fosse, sei lá, o Proust.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Downton Abbey

O Julian Fellowes sofreu um AVC durante o processo de escrita da segunda temporada e ninguém deu por nada.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Never Be Your Lover



(Dedicado ao Music for the Feople, cujo radar parece não ter ainda assinalado os Typhoon.)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Claro

«Futebol é vermos a nossa equipa perder e depois batemos palmas.»

Como já perceberam, há um novo blogue sobre o Sporting.

Como o despertador se tornou obsoleto

O recém-nascido está constipado e respira mal. Porque está constipado e respira mal, come mal. Porque come mal, dorme mal. Porque o recém-nascido dorme mal, os pais dormem mal: é difícil conseguir duas horas seguidas de sono. As horas da madrugada passam como as horas da tarde: uma e meia, um quarto para as três, cinco para as cinco, sete e meia. Às nove, começam as obras no andar debaixo, com martelos pneumáticos a demolir tudo o que encontram. Depois vem outro dia e outra noite igual. E depois outro. Sou, neste momento, a pessoa do mundo mais solidária com o Horta Osório.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Bode expiatório


Pingo amargo

«A firma Jerónimo Martins (mercearias finas) merece todo o respeito e consideração. Primeiro, porque antigamente comprou azeite a Herculano. Segundo, porque ajuda hoje a divulgar o interessantíssimo pensamento de António Barreto, que por enquanto não vende azeite. Mas, de repente, Portugal inteiro resolveu vociferar contra a Jerónimo Martins. O Parlamento, a televisão e os jornais, já para não falar de um ou outro "indignado" em transe, berram a sua justiceira fúria. E por que razão? Porque a Jerónimo Martins, muito lógica e prudentemente, resolveu transferir a sede social da sua holding para a Holanda, como, de resto, antes dela, 19 grupos dos vinte maiores do PSI-20: a PT, por exemplo, a Galp, a Mota-Engil e o BES, contra os quais não se ouviu à época qualquer murmúrio.


Agora, não. Esse acto medonho foi qualificado de ilegítimo, imoral, intolerável e até, algumas vezes, de traição à pátria. António Capucho, um homem normalmente tranquilo, apelou mesmo ao boicote do Pingo Doce e a esquerda, com a sua irreprimível tendência para o suicídio, vai propor uma lei que impeça no futuro abusos do género. Escusado será dizer (ou repetir) que a operação da Jerónimo Martins é uma prática corrente e permitida em Portugal e na "Europa". E que, na Holanda, para onde se mudou, tem vantagens fiscais, crédito e previsibilidade que não tem em Portugal e não terá pelos tempos mais próximos. Nada disto importa a quem vivia do Estado e está neste aperto fundamentalmente preocupado com o buraco em que o Estado caiu e com o dinheiro que não recebe.


Claro que a polémica sobre a Jerónimo Martins provocou, como era inevitável, a costumada retórica sobre a diferença entre os "pequenos" que sofrem e os "grandes" que aproveitam, entre os que arranjam sempre maneira de fugir e os que nunca podem escapar à dureza das coisas. Muita gente citou a célebre frase do dr. Cavaco sobre as belezas da "equidade" e por um pouco não se voltou ainda às "200 famílias do dr. Cunhal". Não ocorreu a ninguém que (apesar do azeite de Herculano e do dr. Barreto) a Jerónimo Martins não é uma organização de beneficência e que o seu dever é fortalecer a sua posição e aumentar os seus lucros. Se ela falisse, ou enfraquecesse, haveria com certeza uma enorme choradeira e a "inteligência" indígena voltava a lamentar a falta de empresários. Como não faliu, serve por aí de bode expiatório.»


Vasco Pulido Valente, Público 06/01/2012 (via MacGuffin)

Os incolocáveis

Líder parlamentar do CDS também é maçom 

Montenegro, Zorrinho, Magalhães: a maçonaria serve, como todas as organizações, para colocar os incolocáveis. Siga a parada.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pedro Santos Guerreiro

«Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal. Quando apanhamos, abocanhamos. Estraçalhamos. Somos uma multidão furiosa. Às vezes, erramos. A família Soares dos Santos não está a fugir aos impostos. Mesmo se vai fugir ao País. 

Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce (para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não - até porque já pagava poucos.

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá - e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal. 

Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.

A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.

O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos - ou ninguém reparou?»

Impostos nos Países Baixos

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mulheres nuas

Os sites dos jornais desportivos portugueses estão pejados de mulheres nuas, apresentadas sob os mais variados pretextos (embora sempre numa variação do tema «a melhor adepta»), como estratégia - presume-se  - de captação de leitores. A pergunta que se impõe é esta: que raio de heterossexual é este que precisa de mulheres nuas para ser atraído para as notícias da bola?

(No Maradona do Kusturica às tantas estão Maradona e Kusturica num bar de strip, com a atenção fixada numa televisão de canto, que passa, se não me engano, o Argentina - Inglaterra de 1986, completamente alheados da presença de várias mulheres semi-nuas à sua volta. É a única cena do filme que escapa à mediocridade.)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cristianismo

«A noção de sacramento não tem base bíblica (...) é forma no lugar do fundamento.» 

O Tiago resume aqui com notável acerto tudo aquilo que me afasta do protestantismo: a ideia de que o Cristianismo só é aquilo que «tem base bíblica» (muito cuidado com isso) e o desprezo pela forma (o símbolo é o que torna necessariamente familiar a abstracção transcendente).

2012

À semelhança de 2010, 2011 trouxe-me um filho. 2012 será, por isso, um ano de muita nutrição e engorda (dos filhos, apenas).