terça-feira, 30 de outubro de 2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Francisco José Viegas

Perdemos um bom secretário de estado. Que recupere depressa.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

5 de Novembro




















Diário da equidade

Rendimento dos funcionários públicos sobe 223 euros e o dos privados cai 357

As contas são da CIP do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, que «contesta estas actualizações por as considerar insuficientes para repor o poder de compra perdido em 2010». «Repor o poder de compra perdido em 2010»: o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado quer repor o poder de compra perdido em 2010.

O Braga é clube de futebol melhor gerido em Portugal

É sempre assim: vai-se lá buscar um gajo, e eles arranjam logo outro melhor, sabe-se lá vindo de onde, a um quinto do preço a que foi vendido o jogador original. O último episódio passou-se com Lima. Lima é um grande jogador - os golos que já leva esta época pelo Benfica mostram isso - mas tem 29 anos, isto é, já pisou a linha do seu potencial máximo. Vai daí, vende-se o Lima ao Benfica por quatro milhões e meio de euros e vai-se buscar o Ederzito à Académica a custo zero. Zero. Z-e-r-o. Nicles. De borla. 24 anos de jogador, a semanas de distância de ser o titular da selecção nacional. Há que tirar o chapéu a António Salvador. E ao Ederzito, que ontem inventou sozinho o segundo golo do Braga e os terrores nocturnos de Michael Carrick.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Uma coisa ou outra



























Esta capa do Correio da Manhã - o jornal de maior tiragem em Portugal - espelha bem a esquizofrenia em que o país mergulhou: queremos todos manter o «estado social» actual - com as reformas, as baixas, os subsídios, o sistema nacional de saúde, a educação, etc - mas quando somos convocados a pagá-lo, o Estado está a «sacar» o nosso dinheiro. É uma coisa ou outra.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Agustina Bessa-Luís, noventa anos



























A Coluna Infame não nasceu de geração espontânea, claro está. Não temos dúvidas que sem Agustina não teria havido Coluna, e por isso é bastante feliz que as duas datas se sobreponham. 

A Coluna Infame, dez anos

Faz hoje dez anos que começou A Coluna Infame, o blogue criado por João Pereira Coutinho, Pedro Lomba e Pedro Mexia. Estou sem tempo para escrever um post como deve ser, por isso encaminho-vos para o post do Tiago Cavaco, que explica bem o que se passou connosco naqueles tempos (isto é tão sagrado que merece linguagem bíblica). E partilho a estupefacção do Tiago: que a imprensa não tenha assinalado o facto - e a Coluna, mais do que uma referência específica para cada um dos seus leitores, tem tudo para ser identificada como o início da blogosfera portuguesa - só mostra que anda tudo muito distraído.

domingo, 14 de outubro de 2012

A manifestação cultural

Sobrevivi à manifestação da cultura, ocorrida ontem na minha sala. Foi uma festa bonita. Por cá passaram os Homens da Luta e outras figuras culturalmente menos relevantes. Perto das onze da noite, quando eu tentava, pela terceira vez, pôr o meu filho a dormir, uma banda de méritos artísticos facilmente não subsidiáveis gritava «contra as políticas de direita». Isto fez-me pensar na liberdade de expressão, e como é bonito podermos ter microfones nocturnos a invadir um bairro com palavras de ordem livres. Só estranhei não ter ouvido gritos de ordem contra as «políticas de esquerda» que sobre-endividaram o país e que nos trouxeram a este estado de emergência financeira: devem ter sido gritadas com certeza depois da uma da manhã, hora a que, rendido, me fui deitar. Também me deixou confuso a quantidade de slogans proferidos a favor da «liberdade», pois estava convencido de que aquela era uma manifestação de protesto e não de apoio ao nosso regime actual que, como sabemos, tem muitas falhas, mas a falta de «liberdade» não é, sob qualquer ponto de vista, uma delas. O que me leva a uma reportagem a que assisti umas horas antes, e que mostrava alguém - um dos organizadores desta manifestação da sociedade civil?, e já agora, quem pagou aquele sistema de som ontem? - que dizia que «se calhar o 25 de Abril não ficou completo, temos de o acabar agora», voltando ao tema incompreensível da «falta de liberdade». Ora, isto pareceu-me absurdo, porque se há algum tipo de virtude que podemos encontrar no Estado Novo foi precisamente a capacidade de disciplina das contas públicas. E não deverá haver pecado maior da democracia portuguesa do que a má gestão económica e financeira dos recursos nacionais, que nunca se preocupou em deixar como herança a dívida pública contraída para a construção das autoestradas e afins. Mas nada disto me causou tão grande agitação como o medo constante de que, devido à quantidade de artistas de palco ali reunidos, aparecesse como candidato a alguma coisa Pedro Santana Lopes.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Avisem o James Wood

Não podia estar mais indiferente a Mo Yan (que o meu cérebro insiste que é um mais interessante «Yo Man») nem à «questão chinesa», mas confesso-me fascinado por este conceito de «hallucinatory realism».

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

«Fazer o curso na maior»

«Como assinante e leitor diário do Público, foi com surpresa que li na edição de terça-feira, dia 9 de Outubro, uma peça de página dupla, publicada surpreendentemente na secção Portugal, a propósito de um livro que se propõe “ensinar a fazer o curso na maior”. Imagino que nas redes sociais e nas conversas entre alunos circulem muitas dicas sobre como ter notas sem estudar ou contornando o trabalho que é exigível a quem frequenta o ensino superior; admito, naturalmente, que haja também quem queira beneficiar comercialmente com a divulgação dessas estratégias (publicam-se tantos livros tontos, por que razão não se há-de publicar mais um). O que me espanta é que o Público dê destaque em, repito, duas páginas a um conjunto de imbecilidades e ideias estapafúrdias sobre o que é (ou deve ser) estudar e, pior, as consequências para a vida social de se estudar. Nem falo da ideia peregrina referida na peça de que, cito, “o objectivo num curso é fazer as cadeiras. E isso não é sinónimo de acumular conhecimento.” Tendo em conta que, a crer na notícia, um dos autores do livro é professor na Universidade Lusófona, percebe-se a afirmação. Se a universidade não é um local de cultura de exigência e de trabalho, perde a sua função. E como estamos necessitados, em Portugal, de instituições que se movam pela exigência, trabalho e rigor (e como é necessário que nas universidade se combata o facilitismo e a sua versão extrema, o plágio). Mas, talvez o mais chocante da notícia é a dicotomia completamente disparatada que é estabelecida entre “pessoa normal” e “malta que não fez isto [curtir a vida enquanto estudava] e que acha que os alunos também não o devem fazer. Foram ‘cromos’, tecnocratas, académicos.” Não sei em que mundo vivem os autores do estudo ou que percurso académico tiveram, mas posso dar um sem número de exemplos de bons alunos de ontem e também de hoje que não encaixam no perfil definido - o que não os impediu de alcançar um patamar de excelência na vida académica e profissional. Como os autores afirmam, “é nesta idade que estabelecemos uma rede de contactos, fazemos amigos para a vida. E esses amigos e contactos serão fulcrais no nosso futuro pessoal e profissional.” Aparentemente, os autores do livro não só conheceram e conhecem pessoas que são exemplos errados como se esqueceram de dizer que é também “nesta idade”, quando somos estudantes universitários, que temos a melhor oportunidade da nossa vida para “acumular conhecimento”. Um saber que será fundamental para a nossa vida, onde a capacidade relacional não é tudo. Tenho dificuldade em perceber como é que um jornal de referência, que é uma referência diária para mim, e que deve ser também um exemplo de rigor e exigência, publica um artigo como este.»

Pedro Adão e Silva, em carta enviada ao Público

Miguel Lopes You You Migueling Lopes

O jogador Miguel Lopes decidiu apresentar-se na concentração da Selecção Nacional vestindo uma t-shirt com o seguinte slogan: «Fuck You You Fucking Fuck». Deu que falar, pelos motivos óbvios, e Miguel Lopes foi obrigado a esclarecer que não teve intenção de «ofender». Quem é que ele poderia ter ofendido, para além dele próprio, é a grande questão.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lionel

Cada vez me convenço mais que se o José Avillez



















e o Thom Yorke


















tiverem um filho, o resultado será este:


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Francisco Assis

Francisco Assis fez hoje um belo discurso no parlamento, e digo isto sem ironia. Foi um discurso que mostra que há alternativas (a António José Seguro, entenda-se). Assis é um oásis num partido encurralado entre um programa de assistência financeira a que conduziu o país (nunca, mas nunca nos esqueçamos disto) e o populismo infantil de querer ser contra tudo o que é mau para os portugueses. É uma tragédia - outra vez, sem ironia - que não seja ele o líder da oposição, e devo dizer, agora com ironia, que gostei quando Assis citou Hollande. Muito provavelmente já teria lido esta notícia:

Governo francês prepara uma baixa dos encargos das empresas que será financiada pelo aumento da CSG, a TSU francesa

O Tribunal Constitucional

O governo de Passos Coelho deveria ter apresentado a demissão do dia seguinte ao veto do Tribunal Constitucional.

O Estado Social

Ao longo do último ano os portugueses declararam-se nas mais diversas manifestações públicas contra o aumento das taxas moderadoras na saúde, contra a privatização da RTP, contra o corte de salários dos funcionários públicos, contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa e outros serviços hospitalares, contra o encerramento de escolas, contra o aumento do número de alunos por turma, contra o despedimento de professores contratados, contra cortes no subsídio de desemprego, contra cortes no rendimento mínimo, contra cortes no investimento público, contra a falta de apoios às empresas, contra o encerramento de Fundações na área da cultura e contra a austeridade porque causa efeito recessivo. Em suma, os portugueses não estão dispostos a abdicar do seu Estado Social. E também não estão dispostos a pagar os impostos necessários para sustentar o Estado Social. Há em Portugal um largo consenso contra aumentos de impostos. O Estado Social é bom enquanto for pago por défices, quando é preciso pagá-lo com impostos já não pode ser.

João Miranda

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quando é preciso

«Os neoliberais dizem que não, porque os Estados não têm dinheiro. O que é falso. O dinheiro fabrica-se quando é preciso.» 

 Mário Soares

segunda-feira, 1 de outubro de 2012