quinta-feira, 29 de novembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Style saudita, yo

Valete vai «actuar» no Campo Pequeno. Quem é Valete? Também não sabia, mas, através do Blasfémias, fiquei a saber. Fiquei a saber, claro, o que escreve Valete, já que não quis submeter-me à sua música. E o que Valete escreve é muito pedagógico, ora vejam (não liguem à sintaxe):

«Fidel Castro, Arafat, Chavez e Khadafi 
Activistas do Hamas, Jihad e Hezbollah 
Zapatistas, Talibãs e bombistas da Fatah 
Todos diferentes mas com um objectivo em comum: 
Acabar com esta ditadura que a América implantou 
(...)
Com style de saudita ou iraquiano,
só queria saber quem é esse mano 
Deixava toda a gente focada enquanto ele liderava 
(Outro Revolucionário) “Yo Valete é o Bin Laden” 
(Valete) “Bin Laden?!?” 
Bin Laden 
Voz alterada sem barba e com cara totalmente modificada 
Eu não o curtia mas ele era o que a América merecia 
Radical sem diplomacia, assim como se exigia»

É já esta sexta-feira, no Campo Pequeno, para todos os interessados.

domingo, 25 de novembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Matilda



Os Alt-J (nome horrível, remete para um comando do Mac usado para escrever o delta grego, que por sua vez é um triângulo e que mais não sei quê: major hipster alert) fazem uma música cerebral e demasiado pensada (conta a lenda que passaram quatro anos a escrever as canções do primeiro álbum). À primeira audição, fica a sensação de que estamos perante uma banda fria, embora haja em todas as músicas pormenores que nos surpreendem e que ajudam a aquecer o ambiente. Mas à medida que vamos ouvindo mais vezes - e bandas como esta convidam ao repeat - o universo que eles criam fica mais nítido e já não damos tanta importância os pormenores - até porque já os conhecemos de cor -, e é nesse momento que percebemos que estamos perante uma das bandas mais interessantes dos últimos anos, sobretudo pelo que os imaginamos a fazer daqui para a frente.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A proof of good parenting

«A proof of good parenting? That the child has no desire to be famous.»

Do Twitter de Alain de Botton, que, infelizmente, se tornou na melhor coisa do autor

Era mesmo isto eu ia dizer, respecting the typologies e tal






















«Peruri 88 combines Jakarta´s need for green space with Jakarta´s need for higher densities whilst respecting the typologies of the current urban fabric.»

No ArchDaily (nunca desilude)

Anteriores ao ano 2000

Em teoria, a ideia é boa. Carros anteriores ao ano 2000 poluem muito mais do que os posteriores ao ano 2000 (imagino que devido a uma razão técnica muito forte, como a inexistência de catalisadores, ou assim), e faz sentido que uma cidade proteja o seu centro histórico das agressões da poluição, sobretudo porque esse centro histórico é um activo turístico precioso. Eu já vivi na Baixa, e posso dizer-vos, como base em dados do Complexidade e Contradição Center for Urban Studies, que 79,3% dos transeuntes do eixo Avenida da Liberdade / Praça do Comércio são estrangeiros, em qualquer período do ano. Não me choca, por isso, que se tomem medidas de protecção especial desta área da cidade, sobretudo porque se trata de uma área central muito bem servida de transportes públicos. Em teoria, como disse, a ideia é boa. Mas o problema é que na prática a teoria é outra. E na prática esta medida de protecção ambiental colide violentamente com dois aspectos importantes: o parque automóvel dos cidadãos de Lisboa (que ainda tem muitos carros anteriores a 2000) e, a juntar a isto, a obsessão que os portugueses dedicam ao «carro»: atrevo-me a dizer que a legislação que os portugueses aceitam pior, ainda pior do que o aumento de impostos, é aquela que interfere com a utilização do seu carro. Por isso, espero que haja bom senso na implementação desta medida, mas que ela seja de facto implementada.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ricardo Quaresma

Fico triste com a notícia da detenção de Ricardo Quaresma. Lembro-me de quando ele apareceu: era o maior talento que eu já tinha visto naquela idade, maior que Rui Costa, Figo e Futre. Jogava com o desplante dos predestinados. Quando se juntou a ele Cristiano Ronaldo, um pouco mais novo, a quem todos já reconheciam um futuro brilhante, eu mantive sempre a ideia de que o talento estava todo em Quaresma, e que Ronaldo só ganhava na dedicação e empenho. Que Quaresma não tenha aprendido nada com o seu colega e tenha, por isso, desperdiçado uma carreira que podia ter sido memorável, é algo que nunca lhe perdoaremos.

Ontem foi assim


















Foto: Francisco Caseiro

Sangue, suor e lágrimas (sem a parte do sangue e das lágrimas). Há muita gente para agradecer: à Azáfama e ao Pedro Valente, ao Capitão Capitão pela primeira parte e participação especial, ao Rodrigo, a todos os que foram e ajudaram a fazer a festa, à Antena 3 e Vodafone FM pelo apoio, e em especial ao Diego, que é o único responsável pelo facto de os Trêsporcento serem hoje uma banda melhor do que há dois anos: muito lhe devemos, e é uma pena que não nos consigamos juntar mais vezes. Obrigado também ao Ritz Clube, que é bem capaz de ser a melhor sala para concertos da nossa cidade. Até à próxima.

É lixado

«Regressando do médico, entrámos num daqueles restaurantes populares que abastecem Lisboa à hora de almoço. Como o jogo de futsal já estava na TV, só tivemos de pedir jaquinzinhos e vinho. Entretanto, as mesas do restaurante ficaram repletas de povo. Deve ter sido por isso que um piquete de greve resolveu entrar pelo restaurante adentro aos berros, gesticulando e com cara de mau. Sabem qual é o efeito de um megafone dentro de quatro paredes? Não é bonito, é como ter os No Name Boys a fazer uma serenata mesmo junto aos tímpanos. Não, não foi bonito assistir à agressividade daquele piquete de greve. Cinco ou seis raparigas (entre os 20 e o 30) com os olhos embaciados pelo ódio do PCP começaram a insultar os empregados e clientes do restaurante. Naqueles dois minutos, a vanguarda do "Povo" nunca escondeu o ódio por aqueles que não tinham aderido à greve, nunca escondeu a raiva contra aqueles que não estavam nem aí para a sua jornada de luta. Ou seja, as meninas fizeram questão de mostrar o desrespeito que sentem pelas pessoas que pensam de outra forma. Na TV e nos jornais, os grevistas falam muito do "Povo", mas aquele piquete em concreto só conseguiu trocar palavras azedas com um povo em concreto, e a sua má-educação e arrogância acabaram escorraçadas por pessoas concretas. O concreto é lixado.»

 Henrique Raposo

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Trêsporcento na «Zona de Conforto»

Hoje os Trêsporcento estarão à conversa com o Pedro Adão e Silva na sua «Zona de Conforto» (TSF). É a partir das 23h00. Passem por lá porque haverá boa música para ouvir.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Isabel Jonet

Isabel Jonet foi à SIC-Notícias participar num debate com Manuela Ferreira Leite e Rui Vilar. Logo aqui percebemos que algo não está bem. O tema, julgo, seria tão difuso como «a crise e os portugueses», como bem gostam as televisões portuguesas, dando espaço para que os intervenientes falassem sobre o que bem lhes apetecesse. Foi neste espírito que Isabel Jonet produziu umas declarações que fez as delícias das «redes sociais», e que, resumindo, era uma crítica aos hábitos de consumo dos portugueses, sobretudo dos portugueses que não podem dar-se ao luxo de ter hábitos de consumo desregrados. Como Isabel Jonet não é uma oradora talentosa nem tem um discurso cívico consistente, a coisa descambou para um conjunto de banalidades moralistas, pensava eu que inócuas, como por exemplo a condenação de idas a «concertos rock» e o facto de os seus filhos lavarem os dentes com a água a correr (bem como alguma coisa sobre Nestum - trazida ao debate por Ana Lourenço - que eu não percebi). Ora, eu ouvi isto todos os dias da minha educação: são coisas que qualquer pai (e avó) competente repete aos seus filhos. São ilustrações simplistas de uma hierarquia de prioridades saudável. São, também, parte da narrativa católica, da narrativa católica conforme passada às crianças. Foi estranho ouvir aquilo de alguém que falava para adultos, mas não mais do que isso: estranho. E devo dizer que, no essencial, mesmo traduzindo para uma linguagem mais consequente as ideias que Isabel Jonet estava a transmitir, estou absolutamente de acordo: os portugueses - nós - habituaram-se nos últimos 20 anos a viver com défices orçamentais constantemente deficitários e isso levou à instalação de hábitos de consumo insustentáveis.

O que se passou a seguir é para mim inexplicável. Caiu o Carmo e a Trindade sobre Isabel Jonet, e os acéfalos do costume lançaram-se em campanhas virtuais de «boicote» ao Banco Alimentar. Sim, porque Isabel Jonet é a presidente de uma das instituições que mais tem feito pelo auxílio dos pobres. Chama-se a isto «caridade», uma palavra que a esquerda odeia porque acha que quem a pratica pretende manter os seus beneficiários na pobreza, enquanto massaja o seu ego e o seu currículo cristão. E, claro está, não tardou muito que Isabel Jonet fosse apelidade de «salazarenta». Obviamente que este tipo de «debate», chamemos-lhe assim, não mereceria qualquer tipo de alimento numa situação normal - aliás, como nunca mereceu durante todos estes anos que Isabel Jonet tem à frente do Banco Alimentar, com condecorações à mistura e tudo - mas nós não estamos numa situação normal. O pecado de Isabel Jonet é a sua dicção, digamos, a maneira como mexe as mãos e pisca os olhos: é a sua condição social de «privilegiada», como agora se diz, o que, segundo a acefalia reinante, a desqualifica para qualquer intervenção pública. Mesmo sendo Isabel Jonet uma pessoa com um currículo a todos os títulos inatacável no trabalho de campo de combate à pobreza, qualquer consideração que faça sobre os mais «desfavorecidos» será considerado um «insulto», à imagem daquilo que se passou com Alexandre Soares dos Santos, por exemplo (já agora, como está a correr esse boicote ao Pingo Doce?) O dado preocupante nesta história é este (não é o «boicote» ao Banco Alimentar, que será feito por catorze pessoas com contas Twitter): a radicalização das várias sensibilidades sociais e políticas que conduzirão, tragicamente, a uma situação onde será impossível qualquer tipo de consenso sobre aquilo que o país tem de fazer.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Four more years

Ver a esquerda portuguesa aplaudir a eleição de um capitalista católico cristão enche o meu coração de esperança. E sossega-me saber que o «imperialismo» dará lugar à «liderança» por mais quatro anos. Viva Obama.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

The Walkmen


































«You were awfully quiet, back there», disse Hamilton Leithauser após um dos temas mais sossegados de Heaven. «Thanks for being so respectful», concluiu, surpreendendo quem tinha visto naquele «awfully quiet» um lamento. Ainda não foi desta que vi um mau concerto dos Walkmen, a banda mais adulta que conheço.