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terça-feira, 25 de outubro de 2005

Não fui eu que disse

Last Days

Um pateta passeia-se pelo bosque até encontrar um casarão. Aí passa o tempo a esconder-se das pessoas (as pessoas aparecem geralmente com as caras cortadas ou desfocadas) e a comer corn flakes. Às tantas morre. (As pessoas põem-se a andar). Ouve-se um coro. Baixa o pano. Respira-se de alívio. (As pessoas que restam põem-se a andar).

Last Days (II)

- Então, o que é que achaste do filme?
- Bem ... podia ter menos duas horas.
- Mas foi só uma hora e meia.
- Exacto. Assim nem sequer tínhamos saído de casa.

Last Days (III)

Seria uma boa fita para dormir, não fosse o gajo lá para o meio arranhar uma guitarra.

Last Days (V)

- Quem é Michael Pitt? O irmão do Brad Pitt?
- Não, é o amigo do Gus Van Saint.


Foi o Eduardo.

domingo, 10 de maio de 2009

O Verão do

E depois há aquelas canções que ouvimos muito há muito tempo e que só voltamos a ouvir nas festas de casamento (faz muita falta uma distinção portuguesa entre «marriage» e «wedding»). Summer of '69, do simpático mas desinspirado Bryan Adams, é uma delas e vai assim:

I got my first real six-string
Bought it at the five-and-dime
Played it till my fingers bled
It was the summer of '69

Me and some guys from school
Had a band and we tried real hard
Jimmy quit and Jody got married
I shoulda known we'd never get far

Oh when I look back now
That summer seemed to last forever
And if I had the choice
Ya - I'd always wanna be there
Those were the best days of my life

Ain't no use in complainin'
When you got a job to do
Spent my evenin's down at the drive-in
And that's when I met you

Standin' on your mama's porch
You told me that you'd wait forever
Oh and when you held my hand
I knew that it was now or never
Those were the best days of my life

Back in the summer of '69

Man we were killin' time
We were young and restless
We needed to unwind
I guess nothin' can last forever - forever, no

And now the times are changin'
Look at everything that's come and gone
Sometimes when I play that old six-string
I think about ya wonder what went wrong

Standin' on your mama's porch
You told me it would last forever
Oh the way you held my hand
I knew that it was now or never
Those were the best days of my life

Os sucessos comerciais nunca são misteriosos. Summer of '69 é um dos temas mais lucrativos da história da música pop porque todos nós passámos por um Verão de 69 e sabemos que fomos felizes no Verão de 69 e que é triste revisitar o Verão de 69. A chave da canção está nos versos tristes que olham com alguma condescendência para o compromisso emocional que foi feito naquela adolescência tardia cuja ingenuidade permitia sonhar com o prolongamento eterno daquela irresponsabilidade inocente. Inevitavelmente, Adams interroga-se sobre o que correu mal:

Sometimes when I play that old six-string
I think about ya wonder what went wrong

Nada correu mal, Bryan, foi só a idade adulta. Tu cresceste, nós crescemos, e se tudo correu bem durante o processo olharemos sempre para trás pensando no que correu mal, porque aqueles terão que ter sido os melhores dias da nossa vida. Bryan Adams escreveu uma carta de amor à sua adolescência e nós gostámos e levámo-lo em ombros. Mas depois veio o insucesso e a amargura. Bryan Adams passou da idade adulta à meia-idade e começou a dar coices ao mundo. Em 2008, ele interpretou assim o seu hit de 1984:

«I think 'Summer of '69' - i think it's timeless because it's about making love in the summertime. There is a slight misconception it's about a year, but it's not. '69' has nothing to do about a year, it has to do with a sexual position.

Out of all the people who hear that song, how many do you think realize that as they listen to it?

I don't know. At the end of the song the lyric says that it's me and my baby in a 69. You'd have to be pretty thick in the ears if you couldn't get that lyric.»

Yeah, right, ninguém cai nessa, ó trapaceiro. Mas há que admirar essa fabulosa metamorfose que é transformar o Verão de 69 no Verão do 69.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Milk e o exemplo das freiras

São raras as cenas em Milk nas quais se retrata o confronto de argumentos sobre os direitos civis dos homossexuais. Por ser contada através do point of view do mártir, essa troca de argumentos não chega a ter interesse porque é um dado adquirido que estamos perante «os bons» e «os maus» (quase como num western). Apesar disso, há duas ou três cenas escolhidas para ilustrar o tipo de argumentação que fervilhava no campo de batalha. Numa delas, Harvey Milk encontra-se num debate com o senador John Briggs, dinamizador da Proposition 6 que visava impedir que gays e lésbicas fossem contratados para o lugar de professor nas escolas públicas da California. Face à argumentação de Briggs que defendia que um professor gay era um inevitável incentivo à homossexualidade, Milk responde dizendo: «Senador, se o comportamento dos professores tivesse alguma influência no comportamento dos alunos, nós veríamos muito mais freiras nas ruas, não acha?» O auditório ri e o assunto fica resolvido. Infelizmente, esta resposta de Milk é despropositada por dois motivos muito concretos, muito definidos, muito percebidos por mim. Primeiro: ao fazer essa comparação, Milk dá o flanco ao abrir a possibilidade de a homossexualidade ser uma escolha, que é precisamente a base de sustentação da argumentação do adversário; segundo: o declínio das vocações tem descido a pique crescido com o declínio da influência da Igreja na sociedade, isto é, com o declínio do número de freiras nos lugares de professor, o que inverte por completo o resultado do argumento de Milk. Apesar destes pequenos deslizes lógicos (que são factuais, já vi a mesma cena no documentário dos anos 80), Milk é um grande filme e Gus van Sant redime-se em grande estilo da xaropada que foi Last Days.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O tédio passeando pelo arvoredo

The Inner Life of Martin Frost fez-me lembrar outro martírio em forma de película a que me submeti nos últimos tempos, cujo tema parecia ser também o tédio passeando pelo arvoredo: Last Days.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Last Days, de Gus Van Sant

Até faz sentido: afinal, era um filme sobre o suicídio.

Last Days, de Gus Van Sant

Se o nível é para manter, esperamos que tenham sido os últimos dias de Gus Van Sant.

Last Days, de Gus Van Sant

Nunca mais digo mal do cinema português*.

* E, pela mesma ordem de ideias, do cinema cipriota, do cinema gabonês, do cinema costa-riquenho, do cinema filipino, da TVI e do cinema francês.