quarta-feira, 4 de maio de 2005
Feminismos
A prova de que a mulher ainda é discriminada está no facto de se tolerar a existência de algo como o Fórum Mulher (TSF).
Nesse dia
Entre teatros, metido numa esquina com a «travessa dos teatros» ou qualquer coisa do género, há um café-restaurante. Espreita S. Carlos lá em baixo. Não lhe vê a cara, só os lados. Anicha-se tranquilamente aos pés do Mário Viegas, paredes meias com o S. Luiz. Tudo à volta parece ser de tardoz. É um espaço residual que resulta numa pequena variação geométrica. Dá-se pouco por ele. O Chiado está cheio de gente para cima e para baixo, numa sexta-feira de clima ligeiramente ameaçador para dia de primavera. A estátua de Pessoa está longe de ficar só. Sente-se o cheiro das pessoas. Mas ao dobrar da esquina, numa rua que mete para dentro, parece que alguém se esqueceu de descobrir aquele sítio. As pessoas passam, sem ligar. E espantam-se aqueles que aos poucos gostam de viver a cidade. Nos cafés. Naquele café, no centro de Lisboa agitada. Mas aí nada é agitado. Não se dá pelo tempo a passar. Conversa-se sobre os assuntos mais banais, sobre os assuntos mais sérios. Mas nada disso interessa realmente, naquele café onde até os empregados se desligam calmamente. O que interessa é dizer. E ouvir. Descobre-se mais um bocado de cidade, que ganha significado. Um imenso significado. Ao contrário do fingimento dos teatros que abraçam aquele café, aí nada é falso.
o café, 6 de Maio de 2004, escrito dois dias depois
o café, 6 de Maio de 2004, escrito dois dias depois
Relativismos
Ser pós-moderno é também acreditar que um conceito como casa é tão relativo ao ponto de não precisar de ser associado a um lugar, mas mais a uma condição de proximidade íntima.
Fernando Pessoa virgem aos 27 anos
- Achas o Paul Auster bonito?
- Não.
- Mas tem pinta...
- Sim, tem.
- Acho que a mulher dele é bonita.
- Oh, por amor de Deus, já viste algum escritor que não se safe bem?
- Os escritores safam-se bem?
- Claro. Os escritores e os artistas.
- Não fazia ideia. Pensei que era o contrário.
- Não é. As mulheres adoram isso.
- Já perguntei a algumas e todas me responderam o contrário.
- Isso é um género de mulher.
- Não estás a confundir o ser escritor ou artista com o ser famoso?
- Talvez.
- Diz-me um escritor falhado que se safe.
- Safam-se.
- Acho que não.
- Acho que sim.
- Está bem.
- Não.
- Mas tem pinta...
- Sim, tem.
- Acho que a mulher dele é bonita.
- Oh, por amor de Deus, já viste algum escritor que não se safe bem?
- Os escritores safam-se bem?
- Claro. Os escritores e os artistas.
- Não fazia ideia. Pensei que era o contrário.
- Não é. As mulheres adoram isso.
- Já perguntei a algumas e todas me responderam o contrário.
- Isso é um género de mulher.
- Não estás a confundir o ser escritor ou artista com o ser famoso?
- Talvez.
- Diz-me um escritor falhado que se safe.
- Safam-se.
- Acho que não.
- Acho que sim.
- Está bem.
terça-feira, 3 de maio de 2005
segunda-feira, 2 de maio de 2005
Passa ao outro e não ao mesmo
A mafaldinha e a Jessica já me lixaram. Então cá vai:
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
(Partindo do princípio que ainda não googlei Fahrenheit 451 e portanto não faço ideia do que se trata) Gostava de ser o Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina. Porque o narrador fala directamente com as personagens, já que nestes anos todos de catolicismo nunca o narrador falou comigo directamente, mas sobretudo por causa da piscina.
Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
Já.
Qual foi o último livro que compraste?
Leviathan e The Book of Illusions (no mesmo dia), ambos de Paul Auster, para oferecer. Ao Leviathan perdi-o no avião, o que já começa a ser hábito meu, ainda assim deu tempo para o ler (mas não para oferecer). Quanto ao The Book of Illusions deu tempo para o oferecer mas ainda não para o ler. Está na estante à espera que se fechem as páginas de Mr. Vertigo.
Qual foi o último livro que leste?
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Uma boa história, bem contada.
Que livro estás a ler?
Mr. Vertigo, do tal que literariamente é parecido com Paulo Coelho, e (cá está, mais do que um ao mesmo tempo) Against Interpretation, uma colecção de ensaios dos anos 60 da Susan Sontag (período de leitura: percurso de Metro entre as estações do Marquês de Pombal e Alto dos Moinhos, e vice-versa).
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Não dá para trocar os livros por pessoas? Se sim, reduzo a lista para 1 item. Quais livros, qual quê. Está tudo doido...
A quem vais passar este testemunho (3) e porquê?
Ao João, porque o gajo deve ficar todo lixado por ter de perder tempo a responder a isto; ao Ivan e ao Tulius, porque acho que estão em dívida com o Difool; e à Mariana.
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
(Partindo do princípio que ainda não googlei Fahrenheit 451 e portanto não faço ideia do que se trata) Gostava de ser o Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina. Porque o narrador fala directamente com as personagens, já que nestes anos todos de catolicismo nunca o narrador falou comigo directamente, mas sobretudo por causa da piscina.
Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
Já.
Qual foi o último livro que compraste?
Leviathan e The Book of Illusions (no mesmo dia), ambos de Paul Auster, para oferecer. Ao Leviathan perdi-o no avião, o que já começa a ser hábito meu, ainda assim deu tempo para o ler (mas não para oferecer). Quanto ao The Book of Illusions deu tempo para o oferecer mas ainda não para o ler. Está na estante à espera que se fechem as páginas de Mr. Vertigo.
Qual foi o último livro que leste?
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Uma boa história, bem contada.
Que livro estás a ler?
Mr. Vertigo, do tal que literariamente é parecido com Paulo Coelho, e (cá está, mais do que um ao mesmo tempo) Against Interpretation, uma colecção de ensaios dos anos 60 da Susan Sontag (período de leitura: percurso de Metro entre as estações do Marquês de Pombal e Alto dos Moinhos, e vice-versa).
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Não dá para trocar os livros por pessoas? Se sim, reduzo a lista para 1 item. Quais livros, qual quê. Está tudo doido...
A quem vais passar este testemunho (3) e porquê?
Ao João, porque o gajo deve ficar todo lixado por ter de perder tempo a responder a isto; ao Ivan e ao Tulius, porque acho que estão em dívida com o Difool; e à Mariana.
domingo, 1 de maio de 2005
A bola no mundo editorial
O que aqui se encontra, agora livre de pagamento, não tardará a só estar disponível em papel, capa colorida, biografia de Vasco Barreto na contra-capa. É fazer copy/paste enquanto é tempo, pessoal, depois não digam que eu não avisei. É isso, ou o mundo editorial luso é de vistas curtas.
É desta que eu tiro o link
Percebe-se: João Pedro George já não tem nada para triturar em território nacional. Está já tudo (des)feito em cacos. Então dá o passo que quaquer jogador da bola eventualmente acaba por dar: o salto para o estrangeiro. Ainda não se ambientou, mas isso não o impede de mostrar umas reviengas jeitosas. Curto, muito curto, não vá a assistência descobrir-lhe a careca. O alvo? Paul Auster. O tiro? Dizer que literariamente se parece com o Paulo Coelho. Ou muito me engano ou o passo foi maior do que a perna.
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