sexta-feira, 3 de junho de 2005
Sonhando acordado com locais distantes 24
Transit flight parece definir melhor o conceito. Em trânsito há uma recusa implícita da permanência num lugar que impede qualquer memória futura, mesmo com os cigarros underpriced no fundo do saco a servirem de prova incriminatória. Zurique, Munique, Frankfurt são neste momento uma única e a mesma cidade onde não me quero demorar mais do que o necessário (demasiado). Resultado da política de preços diferenciada das companhias de aviação disponíveis percebo agora que comprei 3 horas em trânsito por 50 euros. Menos 3 horas, assim é que está correcto. Poderia multiplicar por dois este valor mas seria um truque digno de secretário de estado do orçamento, já que na segunda volta - a volta - as horas gastas em Zurique Munique Frankfurt (riscar o que não interessa) não passam de tempo morto em ambiente morto. Olhando à volta já só interessa a próxima vez que ali estarei no sentido inverso.
Poesia
Ingredientes:
1 kg de peru
1 kg de vitela
1 galinha gorda
2 kg de carne entremeada da parte da cabeça do porco
10 dentes de alho
4,5 de pão de trigo
1 l de azeite
2 malaguetas cerca de 200 g de colorau
Sal
Preparação:
Colocam-se as carnes bem lavadas, para cozer numa panela com água temperada com sal, três dentes de alho e as malaguetas picadas. Quando as carnes estiverem cozidas, desfiam-se e cortam-se aos bocadinhos. O caldo volta ao lume. Para uma caldeira, corta-se o pão às fatias, escalda-se com o caldo a ferver, passando por um passador de rede. Tapa-se para abeberar. Depois, colocam-se as carnes, por cima dos restantes dentes de alho picados e o colorau. Rega-se com azeite bem quente. Mexe-se bem com uma colher de pau e enchem-se as tripas de vaca, bem lavadas. Atam-se dos dois lados, dando dois nós; dá-se um nó, depois volta-se a tripa e dá-se outro. Deixam-se cerca de quinze centímetros de fio, para enfiar a vara no fumeiro. Lavam-se em água tépida e põem-se no fumeiro, onde ficam durante cerca de um mês. Cozinham-se, de preferência, assadas nas brasas, em lume muito brando. Previamente, devem ser picadas com uma agulha, enquanto assam, para evitar o rebentamento.
Servem-se com grelos e batatas cozidas.
1 kg de peru
1 kg de vitela
1 galinha gorda
2 kg de carne entremeada da parte da cabeça do porco
10 dentes de alho
4,5 de pão de trigo
1 l de azeite
2 malaguetas cerca de 200 g de colorau
Sal
Preparação:
Colocam-se as carnes bem lavadas, para cozer numa panela com água temperada com sal, três dentes de alho e as malaguetas picadas. Quando as carnes estiverem cozidas, desfiam-se e cortam-se aos bocadinhos. O caldo volta ao lume. Para uma caldeira, corta-se o pão às fatias, escalda-se com o caldo a ferver, passando por um passador de rede. Tapa-se para abeberar. Depois, colocam-se as carnes, por cima dos restantes dentes de alho picados e o colorau. Rega-se com azeite bem quente. Mexe-se bem com uma colher de pau e enchem-se as tripas de vaca, bem lavadas. Atam-se dos dois lados, dando dois nós; dá-se um nó, depois volta-se a tripa e dá-se outro. Deixam-se cerca de quinze centímetros de fio, para enfiar a vara no fumeiro. Lavam-se em água tépida e põem-se no fumeiro, onde ficam durante cerca de um mês. Cozinham-se, de preferência, assadas nas brasas, em lume muito brando. Previamente, devem ser picadas com uma agulha, enquanto assam, para evitar o rebentamento.
Servem-se com grelos e batatas cozidas.
quinta-feira, 2 de junho de 2005
CPM
2005: e vão dois
A provar que os meus namorados encontram a felicidade depois de me conhecerem está o facto de saírem dos meus braços para os da mulher com quem casarão.
A provar que os meus namorados encontram a felicidade depois de me conhecerem está o facto de saírem dos meus braços para os da mulher com quem casarão.
Lisboa despolitizada*
Na «comissão política» de José Sá Fernandes está alguém que eu já ouvi dizer «temos de ser contra tudo, com mas com a devida ressalva de ser também contra o Bloco de Esquerda.» E é por isso que me sinto tentado a juntar o meu voto a este projecto (e também porque se propõe como «medida imediata» a execução do corredor verde, projecto de Ribeiro Telles).
*A lista de apoios do candidato junta gente da extrema-direita à extrema-esquerda.
*A lista de apoios do candidato junta gente da extrema-direita à extrema-esquerda.
Não o quê?
Há uma coisa que me anda a fazer muita confusão: as conclusões que se têm multiplicado sobre os resultados dos referendos ao tratado da constituição europeia. Parece-me absurdo que se tente analisar os resultados à luz de uma suposta racionalidade no voto do povo (francês e holandês). A democracia é, sem dúvida, o pior dos sistemas políticos à excepção de todos os outros, e neste caso especialmente o que foi a votos nada teve a ver com os 400 e tal artigos do tratado. Ninguém os leu, ninguém os percebeu. Considerar que o voto no referendo foi um voto esclarecido é uma loucura. O resto é aproveitamente político, é a deturpação do significado das votações conforme o nosso bel-prazer. E não é bonito.
Writer talk
Paul Auster ontem disse que um «bom dia de trabalho» é aquele que consegue produzir «uma página». Uma página. Uma. Página. É um «bom dia de trabalho» para Paul Auster. Auster, lembre-se, escreve como profissão. Uma página. É razão de contentamento. Há que invejar este homem.
Perante a estupefação de Ana Sousa Dias, Auster explicou que pode ficar horas a escolher «a word». «A word?», pergunta Sousa Dias, «Not a sentence, but a word?», ao que Auster responde «Yes, a sentence too, but without words there are no sentences».
Perante a estupefação de Ana Sousa Dias, Auster explicou que pode ficar horas a escolher «a word». «A word?», pergunta Sousa Dias, «Not a sentence, but a word?», ao que Auster responde «Yes, a sentence too, but without words there are no sentences».
quarta-feira, 1 de junho de 2005
Avisa-se que
Hoje, às 23.30, Ana Sousa Dias entrevista o tal literariamente parecido com Paulo Coelho.
Sonhando acordado com locais distantes 23
Mesmo na arte (ênfase na palavra mesmo) o que conta é a transpiração (diz-se), e não a inspiração a que muitos recorrem para explicar a obra. O líquido que foge da pele deve ser, no entanto, provocado pela intensidade da actividade laboral, e não pela obscenidade da temperatura que se tem verificado na capital do ex-condado roubado aos espanhóis pelo tipo que bateu na mãe. Assim sendo, poder-se-ia (notar o tempo verbal) advogar a inexistência de um incentivo metafísico que justificasse os resultados obtidos. Correndo o risco de passar por criatura mística, asseguro que neste caso tal empresa será infrutífera: a musa tem a sua cota parte de responsabilidade (quer na inspiração, quer na transpiração), cota essa que arrisco totalitária.
Sonhando acordado com locais distantes 22
O exagero. A hipérbole benigna que se transforma no meio previligiado de expressão. Não por escolha mas por fatalidade. Acaba por ser assim, sem ninguém dar por isso. E como está escrito não vale a pena se a escala não for alterada. Qual escala? Só a mera ideia de que existe uma escala pela qual se mede o bom-senso, o equilíbrio, a normalidade, dá vontade de tentar a aproximação ao ridículo. E se isso for conseguido? Afinal que o acusa não pode prová-lo. Não o pode provar porque não lhe conhece o sabor (se conhecesse a questão não se poria). Não o pode provar porque não se tratam de factos demonstráveis nem de números de confiar. Sobra só a cumplicidade no acto que justificará todas as grandezas. E exageros.
Sonhando acordado com locais distantes 21
«Look, smile and understand without putting it into words.»
Sobrevoando as ruínas de Lisboa

Aterro da Boavista. Edifício arrendado e sub-arrendado a uma população africana e ilegal. Ruiu, por completo, na área das cozinhas e casas de banho, sujeitas a sobre-cargas incomportáveis devidas a obras e mais obras ilegais. Por sorte, e como se trata da tal população «africana e ilegal», todos tinham saído de casa às 6 da manhã. Não houve vítimas. Nem feridos. Apenas mais uma ferida urbana que levará uma eternidade a sarar e umas dezenas de realojados (alguns dos quais, devido à sua situação, sem possibilidade legal de receber ajuda camarária). Lisboa, ano de 2005.
Sunburn
Numa tentativa de me incluir dentro de padrões minimamente aceitáveis de normalidade, imagino que todos os lisboetas hoje estão, literalmente, a passar ao estado líquido se expostos ao sol.
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