quarta-feira, 14 de junho de 2006

70?

Não será isso a Geração de 82?

terça-feira, 13 de junho de 2006

Cairo 7

Em breve, neste blogue, para os mais cépticos: uma foto minha em cima de um camelo.

Cairo 6

Não sem surpresa, o Youssef confirmou-nos que o radicalismo religioso tem vindo a crescer, e muito, nos últimos 20, 30 anos. A mãe dele, confessou-nos, andava de mini-saia na rua nessa altura, coisa que é obviamente impossível nos dias de hoje. Mubarak ainda é visto como um liberal, alguém que deseja, sem muita margem de manobra, um Egipto menos ortodoxo e mais cosmopolita. No entanto, apesar da maioria islâmica dominante (80%), os cristãos (copta), que representam os restantes 20% da população (há uma comunidade residual judia), mantêm uma impressionante percentagem de 40% junto da classe alta, o que permite ao Egipto ser considerado liberal pelos países vizinhos. Apesar de muçulmano (que não reza, como nos disse, uma espécie de «não praticante»), a maioria dos amigos do Youssef são cristãos, com quem partilhou a educação na infância e na juventude. Se um dia os radicais conseguirem colocar no poder um peão do Islão mais conservador, o Youssef emigrará, e com ele, talvez, todos os liberais, deixando tristemente uma cidade que, ainda hoje, respira um cosmopolistismo próprio de uma área agitada e muito visitada por turistas (apesar destes serem muito menos do que nós esperávamos). No Cairo respira-se muito o Mediterrâneo, alguma coisa do Médio Oriente, e muito pouco de África. Os egípcios não se consideram africanos, interessam-se pouco pela identidade árabe (o Youssef dizia-se primeiro Egípcio, depois Muçulmano, e só depois Árabe), e gostam muito de se dizerem Mediterrânicos. Confesso que foram mais as vezes que senti afinidades do que estranheza, falando obviamente dos ambientes liberais. Sou, descobri, mais egípcio do que austríaco, sem dúvidas. Ou, pelo menos, gosto de assim o imaginar.

Cairo 5

«You look like an Egyptian», foi o piropo mais frequente lançado à Mariana, sem sombra de dúvidas dito de corpo e alma como um elogio. Os Egípcios são orgulhosos e bem-humorados. Gostam dos turistas e brincam com a nossa suposta ignorância. «How many wifes?», «Beautiful wife, how many camels?», «Ola, que quieres?», «Figo». Foram 9 dias disto.

Cairo 4

Assisti ao Suécia vs. Trinidade e Tobago no bar da cobertura do hotel, transformado em relvado televisivo, com plasmas e sofás, empregados equipados a rigor, acompanhado por um cidadão do Kuwait, um «árabe», como são apelidados os habitantes do Golfo no Egipto. Disse-me que Portugal era candidato, que gostava muito do Figo (como qualquer ser humano com quem nos cruzámos no Cairo), do Pauleta e do Deco, franzindo o sobrolho quando mencionei Cristiano Ronaldo (outro favorito dos egípcios). Estes três fins de tarde que passei neste sítio, pagando as 80 libras egípcias de consumo mínimo, com uma vista soberba sobre o Nilo e o Cairo, ficarão também registados no álbum. Foi aqui que ainda vimos os primeiros 30 minutos do Portugal vs. Angola, antes de descermos ao encontro do Muhammed, com quem tínhamos ao princípio da tarde combinado a corrida até ao aeroporto por 50 libras egípcias.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Cairo 3

«Lourenço, we have to continue our political discussions», gritou-me sorrindo ao ouvido o Youssef, enquanto o abraçávamos com a Sarah, na primeira foto tirada no casamento. Dois dias antes tinha sido a despedida de solteiro (ou parecido, uma festa com os amigos da noiva e do noivo), e já se viu que a minha reacção ao álcool não se alterou com o Cairo: noite dentro troquei impressões com o Youssef sobre o (o seu) Islão, o (meu) Cristianismo, o Egipto, a «grande nação Árabe, de Marrocos até ao Iraque», dos Judeus, da II Grande Guerra, Palestina, Israel, etc, etc. Fomos concordando em quase tudo, tirando um ou outro pormenor (sempre e sempre Israel). Mas festa era festa, e a pista de dança não era local para alarvidades destas, implantada a céu aberto praticamente em cima no Nilo. O Cairo que conhecemos foi também o Cairo da Sarah e do Youssef, um Cairo paralelo vivido por quem não usa véu e não anda nas ruas, que sai à noite em Zamalek e que estudou da American University of Cairo. E que, neste momento, passa a lua de mel na Tailândia. Cheers, Sarah and Youssef!

Cairo 2

Sabe bem, pelo menos uma vez por ano (ficou já acordado) sair da Europa e expor o nosso corpo à agressividade do outro mundo. O Cairo deixa algumas cicatrizes, todas benignas. O regresso, esse, reveste o nosso sítio de conotações bem mais simpáticas do que aquelas a que nos habituámos a reconhecer. Lisboa sabe bem.

Cairo 1

Para início de conversa: todas as cidades deviam ter um pouco, um pouco apenas chegava, daquilo que o Cairo tem.

Shukran



Já cá volto.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

David Roberts



O André recomendou, e eu gostei. Os desenhos da viagem de David Roberts ao Egipto, para abrir o apetite.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

A força de um povo (revista e editada)

O José Mário Silva acabou de o anunciar: apoiantes do mAMA, rejubilei, pois o profeta foi contratado pelo Diário de Notícias. Um grande abraço para os apóstolos Vasco e João Pedro, obreiros-mor desta conquista.



Na foto, Jorge Madeira felicita Ronaldinho pela conquista da copa.

E ainda falam de «diferença de culturas»

(...) according to one published survey, the highest rate of depression in Egypt was among architects.

Cairo, Lonely Planet

Vencidos

Obvimente, muito recomendável o artigo de hoje de Pacheco Pereira no Público, Mal Amados.

Um arquitecto londrino, Nick Hornby e Nelo Vingada

Já diz o ditado, se vais viajar, passa pela FNAC.
Em contenção de despesas, cingi-me ao essencial. Primeiro, o incontornável e indispensável, pela mão de Andrew Humphreys*:



(Bela capa)

Depois, e para descansar o par de neurónios que resistirá ao forno egípcio, algo adequado ao evento que terá início dia 9**.



* Autor do guia. O tal arquitecto londrino.
** Sim, eu sei, quando começar o Mundial estarei num país que escolheu para seu seleccionador Nelo Vingada. E por lá continuarei durante uns dias. Não vai ser fácil. Portugal-Angola está em risco.

Oásis