terça-feira, 27 de junho de 2006

«Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema»

As meninas estavam tranquilas,



até chegar Picasso.






A verdade é que nenhuma menina esteve tranquila perto de Picasso. Nem nenhum homem, nem ninguém. Agora que passam 125 anos sobre o seu nascimento, é Madrid que se agita perante Pablo Ruiz: Picasso, Tradición y vanguardia, uma dupla mostra no Prado e no Reina Sofía, que se extende até 3 de Setembro. Está calor, mas dizem que os museus têm ar condicionado.

Deve ser um mau jogo dos quartos de final, deve



Este está gordo.



E este está velho.

A 14 de Junho

Deixei passar a data, como já deixei passar muita coisa. Mas acho importante lembrar-me que ando nisto há 3 anos. Tudo mudou desde então.

A neutralidade como modo de estar

A Suíça foi eliminada do Mundial sem ter sofrido golos, na marcação de grandes penalidades onde não marcou nenhuma.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Shevchenko

(...) Valia a pena haver mais xadrez e muito menos futebol (...).

Pacheco Pereira

Pacheco Pereira, na enésima tentativa de fazer o país deixar de ser a «futebolândia», contrapõe com o xadrez. Enumera a lista de qualidades que o jogo tem, analtece a nobreza dos jogadores, elogia, no fundo, a inteligência inerente à coisa toda. Sem cair no erro de considerar que Pacheco Pereira fala mesmo a sério, passo a explicar porque razão não se pode falar de futebol como um jogo. Numa palavra, a alienação de que fala o Pedro Mexia. Pacheco Pereira não gosta da alienação pelo futebol, apenas pelo futebol, não estou a dizer que Pacheco Pereira «recusa totalmente a alienação» (v. Mexia). O futebol, como diz Nick Hornby no seu Fever Pitch, é o regresso semanal à infância (imagino o xadrez como o antecipar mensal da terceira-idade). No futebol, ninguém (a não ser os suecos) está interessado na justiça do resultado, por exemplo, ou na nobreza dos seus jogadores (a não ser a direcção do Sporting). Repare, Pacheco Pereira, trata-se de pura emoção descontrolada, um circo romano sem os leões mas com pitons. Como é possível alguém emocionar-se com um jogo onde «nada se esconde, tudo se vê e não é possível fazer batota» (tirando na Suécia)? Não, Pacheco Pereira, não, o futebol não é jogo. É uma batalha em forma de desporto, e não digo isto só pensando no jogo de ontem. No futebol, somos sempre nós contra eles. Não estou neste momento a ver o Suíça-Ucrânia porque não me consegui decidir por nenhuma. Mesmo se soubesse que iria ser o melhor jogo do ano (imaginemos um 5-3 para a Ucrância, com 2 golos de pontapé de bicicleta do Shevchenko e...), não veria o jogo se não conseguisse escolher o meu lado da trincheira. Deixo-o em paz, Pacheco Pereira, porque acabei de me aperceber que estou pela Ucrância. Last request: decore este nome, Shevchenko, faça-nos lá o gostinho. Imagine que é um jogador de xadrez.

O anti-pendular

No estudo de cidades, a expressão movimento pendular serve para descrever o duplo trajecto diário casa - trabalho - casa. Está associado ao conceito de suburbanidade, que obriga as pessoas a viver longe de onde trabalham. Nada disse se passa comigo, no entanto sou uma espécie de anti-pendular. Vivo numa walking distance de onde trabalho, e passo a maior parte do dia no centro da capital do país. A minha rotina burguesa não obriga ao uso do carro. Felizmente, acontence que a minha rotina diária não cabe toda no binómio casa - trabalho. Todos os dias (ou quase) faço vinte quilómetros para lá, e vinte quilómetros para cá, sempre, quase sempre, já depois do pôr-do-sol. Os pendulares são-no na impossibilidade de alternativas; eu sou anti-pendular por gosto. Cruzamo-nos, partilhando a estrada no mesmo sentido, mas tudo me separa deles. Daí a umas horas todos terão posto os chinelos e estendido os pés; eu estarei no sentido contrário da mesma estrada. Às vezes o dia é o mesmo do deles - o dia seguite. Mas antecipo-me em oito horas, naquilo que é a inversão do conceito. Partilhamos contudo o preço absurdo da gasolina, e nesse aspecto sou o mais suburbano de todos: ponho sempre 10 euros.

Alienação

Uma das razões pelas quais não gosto de Brecht é a sua hostilidade à alienação teatral. Eu creio que todas as experiências intensas (incluindo a experiência estética) são alienantes no momento da fruição. Quando uma experiência não é alienante é porque é uma experiência fracassada. Que depois, num segundo momento, essa alienação seja reflectida e analisada, nada contra, pelo contrário. Mas gente que recusa totalmente a alienação é gente que não fode nem sai de cima.

Pedro Mexia

Se calhar foi a Ana Gomes

De um sms (2,34 segundos depois de o jogo acabar): A holanda tem haxixe, nós temos o Maniche.

É por isto



É por isto que estamos nos quartos. É por isto que vamos passar às meias. Sem Deco e sem Costinha? Gravíssimo era jogar sem o Felipão.

Estamos todos vivos?

domingo, 25 de junho de 2006

Parem as rotativas

A Ana Gomes acaba de enviar um sms ao Xanana.

maradona, não dispares sobre estes cidadãos



Deco e Luís Fernando Veríssimo. E, já agora, Scolari e Otto Glória.

Escreve aos domingos no Diário do Mundial

(...) Vi o Brasil-Japão no seio de uma amostra de 150 brasileiros, e, folgo em informar, exonerei-me da experiência aos 70 minutos de jogo bastante satisfeito por só precisar de tratamento psiquiátrico urgente, uma vez que, a ter levado a carabina, estaria neste momento a aterrar em Haia para responder pelo crime de genocídio. (...)

Explicação dos últimos 30 minutos do Alemanha-Suécia

Os jogadores suecos consideravam o resultado justo.

Toni

«A exibição da Alemanha, a ganhar por 2-0, devia ser mais valorizada em termos exibicionais.»