sábado, 8 de julho de 2006

Militante em causa própria

O João é um militante em causa própria, um individualista inflamado, um panfletário da liberdade absoluta. Anda há 3 anos nisso. Um abraço.

P.S: Boffil, então. Gosto do Atrium Saldanha (uma afeição que tem vindo a crescer), e esse Compave não me parece nada mal. Não é isso que me move, mas sim a complexa questão da construção em altura. Vejo as coisas assim: é desejável que existam alguns edifícios, implantados em áreas muito bem escolhidas da cidade, cuja altura ultrapasse os limites legais. Prefiro uma cidade assim, onde a excepção tem razão de ser. Posto isto, quem, como, e onde se devem contruir estas desejadas excepções? O concurso público parece-me a solução mais acertada. A câmara escolhe o local e licita o direito de construção, fazendo a triagem dos melhores projectos. Se queremos arquitectura de excepção, o processo deve ser excepcional. Parece-me óbvio que os critérios de aprovação camarária não podem ser os mesmos para um edifício de 4 pisos em Carnide e para um edifício de 22 pisos na Av. Fontes Pereira de Melo. Concurso e discussão pública, digo.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

A rebeldia da minha adolescência vandalizada

Metallica no átrio da Câmara Municipal de Lisboa; Guns n' Roses na RFM.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

À atenção do dr. Vital Moreira



Descoberto, através do postHABITAT, o Princess Juliana International Airport. E para quem acha que a Portela fica «muito em cima de Lisboa», recomendo este vídeo.

E, cientificamente, pertencemos à mesma espécie

(Na CML)

- Quer o recibo com número de contribuinte, ou só com nome?
- Só com nome, por favor.
- Só com nome não pode ser, tem de ir sem nada.

Paz e sossego ao Marquês de Pombal 2

Over the years we have come to confuse football with something else, something more necessary, which is why these cries of outrage are so heartfelt and so indignant. We view everything from the top of this moutain of partisan passion; it is no wonder that all our perspectives are wrong. Perhaps it was time to climb down, and see what everyone else in the outside world sees.

Nick Hornby, Fever Pitch

Paz e sossego ao Marquês de Pombal

Sempre ouvi o meu pai falar, com carregada nostalgia, de Eusébio, Beckenbauer, Cruyff, mas sobretudo de Pelé. Para os meus filhos, até agora, só tenho um nome: Zidane. Não falo do jogo de ontem (concordo em absoluto com este resumo no Pitau Raia), falo de um jogador, apenas. A minha falta de entusiasmo, explicitamente decidida, não me permitiu acreditar em nada que não fosse o que veio a acontecer. Por isso, entretive-me a admirar o melhor jogador de futebol que já vi jogar (vi Maradona, mas o que me lembro é já da fase decadente). Só por ele não me chateio muito se a Itália perder a final. Eu vi Zidane jogar. Esta já ninguém me tira. Os meus netos que me aturem.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Entulho

Estou à espera de casa. As obras estão concluídas, o edifício está pronto, mas a burocracia estatal atrasa a escritura (sabe como estas coisas são). Telefono para a agência mediadora, que medeia sempre tudo bem até chegar uma pergunta concreta (isso já não depende de nós, é mais 15 dias). Raramente obtenho a informação que pretendo, mas à segunda conversa com a senhora que atende os telefones já sei que ela tem dois cachorros, o que atrapalha a sua hora de almoço. As nossas conversas acumulam entulho.

Itália

O primeiro golo da Itália no jogo de ontem foi um dos mais belos golos da história do campeonato do mundo. Por uma infinitude de razões, das quais destaco três: (1) o movimento do Pirlo, o modo como espera e espera e espera (lembro que estávamos no minuto 118), quase a desesperar qualquer italiano que já só queria ver o remate, para depois fazer um passe absolutamente magistral, com a bola obedientemente a insinuar-se ao remate de Grosso; (2) o remate de Grosso, partindo de uma posição meio de ladecos para encontrar o equilíbrio perfeito no pé esquerdo, pedindo gentilmente à bola para descrever um arco, afastando-se assim de Lehmann e encontrando a rede, bem juntinho ao poste; (3) o facto de ter sido contra a Alemanha, um golo que elimina a equipa da casa ao minuto 118, um golo daqueles, é o auge do cinismo, tão frio que nem deu para ver alemães revoltados, só desesperados, todos, sem excepção, pensando «eu sabia que isto ia acontecer».

terça-feira, 4 de julho de 2006

Passa a palavra

Vital Moreira quis ser mais uma vez recta pronúncia. Agora diz, do alto da sua cátedra, que a selecção portuguesa tem de jogar com as cores nacionais, e não com este «bordeaux exótico», fascista na sua génese, como fascistas são aqueles que dizem encarnado em vez de vermelho (olha aqui um). É claro que os organismos do futebol da Holanda, da Itália, da Alemanha e da Espanha também são fascistas, e anti-fascistas são todos aqueles que sabem quando se deve invocar a bandeira, e quando invocar a bandeira é fascista. Fascismos à parte, não era disto que eu queria falar. Eu queria falar de bola, e do jogo que está prestes a começar. Torço pela Itália, que é a única equipa que tem direito a jogar cínica e defensivamente, tendo registado os direitos de autor ainda nos anos 60, quando toda a gente andava entretida com flores e revoluções. São honestos e fazem-no bem, não são como estes agora todos que jogam assim porque não sabem jogar de outra maneira (julgam-se descobridores do «pragmatismo», ah ingénuos). Também torço pela Itália porque gosto de torcer pelos vencedores, e hoje parece-me óbvio que a Itália ganha (1-0, Toni). Além disso, a Alemanha é a equipa da casa e, por princípio, devemos estar sempre contra a equipa da casa. Quanto ao jogo de amanhã, está tudo resumido aqui: "LIBERTÉ, EGALITÉ E VANCIFUDÉ!".

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Vila utopia 2

Reparem nos materiais, os tacos no chão, a pastilha no banco/guarda, as paredes e o tecto rebocados a branco, sem sanca, sem nada; a curva imperfeita que se deforma por cima da janela (provavelmente por limitações na técnica construtiva, sinal de que o arquitecto não se conformou, tentou), a geometria inquieta, a luz milimétrica, a perfeita noção de que tudo aqui foi arriscado, experimentado, imaginado. Faz-nos bem sair da perfeita banalidade do bom gosto em que caiu a arquitectura portuguesa (abram uma revista qualquer da especialidade), e visitar a obra doutros lados do mundo. Por acaso, desta vez foi Moçambique, mas qualquer coisa para lá de Badajoz serve, especialmente se disser respeito a obras de baixo orçamento, onde a criatividade e a inteligência ainda não precisas. De resto, são caixas brancas, estúpidas caixas brancas com plasmas e recuperadores de calor, cozinhas equipadas e retretes belíssimas, tudo quadrado, rectangular, alinhado.

Vila utopia 1



José Forjaz

domingo, 2 de julho de 2006

Acho que foi isso

Luizão, jogador do Flamengo, resume assim o problema do Brasil: «Não tem mistério. Faltou tesão à Seleção Brasileira, acho que foi isso.»

A fama, a glória

Entretanto, este blogue ultrapassou a barreira das 100000 pageviews, o que, em parecendo que não, é bonito.

sábado, 1 de julho de 2006