(...) O principal museu de Lisboa, situado numa zona nobre da cidade, parece implantado numa superfície lunar. Nas redondezas não há um café, uma esplanada, um restaurante, um quiosque de jornais e revistas, uma praça de táxis. Há só um passeio com 70cm de largura, um fontanário seco cuja brancura fere a vista, e as portas fechadas de meia dúzia de bares que abrem à meia-noite. O olhar perdido dos turistas diz tudo.
Eduardo Pitta, no Da Literatura
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
terça-feira, 22 de agosto de 2006
Britpop
A reboque da entrevista abaixo mencionada, aproveito para recomendar mais um programa com o carimbo da BBC: architecture on 3, e os mui recomendáveis arquivos.
Grande Tusa
You see what's interesting is that in quite a lot of the writing about you, people say, well the thing about Piano is that he avoids theory, he avoids intellectualisation, indeed he's almost anti-intellectual. But from what you're saying - and I know we're not talking about theory - but what you're saying is not anti-intellectual. Now was there one particular period in your life you think that you deliberately almost fostered an image of excessive practicality?
Yes, of course, because, because you, first because you change. And being the son of a builder I enjoyed, in a quite snob way in some ways, to be a son of a builder, especially in an environment where sometimes architects been played a bit too much the artistic role.
Excerto de uma entrevista de Renzo Piano a John Tusa. Oiçam-na, esqueçam o transcript. Acabo de me aperceber que para entendermos realmente a obra de Renzo Piano, para conseguirmos sentir o seu espírito verdadeiramente, para vermos muitas das nossas dúvidas respondidas, temos necessariamente de o ouvir falar inglês. Impagável.
Os arquivos deste John Tusa têm que se lhe diga. Carlos Vaz Marques, step aside, please.
Yes, of course, because, because you, first because you change. And being the son of a builder I enjoyed, in a quite snob way in some ways, to be a son of a builder, especially in an environment where sometimes architects been played a bit too much the artistic role.
Excerto de uma entrevista de Renzo Piano a John Tusa. Oiçam-na, esqueçam o transcript. Acabo de me aperceber que para entendermos realmente a obra de Renzo Piano, para conseguirmos sentir o seu espírito verdadeiramente, para vermos muitas das nossas dúvidas respondidas, temos necessariamente de o ouvir falar inglês. Impagável.
Os arquivos deste John Tusa têm que se lhe diga. Carlos Vaz Marques, step aside, please.
Quando toca aos clássicos sou de clichés
A abertura da Carmen, de Georges Bizet. Por exemplo. Agora mesmo, na Antena 2, ouvida no carro. Ah.
Globalização, procura-se
Com tanto chinês em Portugal, será que não há nenhum que tenha um primo que me arranje as referidas cadeiras a um preço de amigo? Wang? Li? Pong? Alguém?
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Notem que nós queremos a versão «creme»
Acabei de receber um e-mail que me acusa de ter mau gosto em cadeiras.
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Projecto de execução

Passo os dias a desenhar armários. Projecto de execução. Passo as noites a escolher cadeiras. Projecto de habitação.
Na imagem: Barcelona Chair, de Mies van der Rohe. Andamos à procura de imitações baratas. Contacatar para o e-mail acima. Obrigado.
sábado, 12 de agosto de 2006
Livre arbítrio
Conheço pessoas que acreditam em Deus. Não sei se diria «acreditam», talvez seja mais algo do campo do «saber», e não do «acreditar». São pessoas que sabem que Deus existe e, mais do que isso, sabem que Deus as ama. São profundamente religiosas, e de beatice não têm nada. Não rezam para que lhes passe a constipação, não rezam para serem aumentadas, não condenam os pecadores, não são moralistas. Mas evangelizam, através daquilo que são. Só posso imaginar que seja tranquilizador conhecer Deus, e saber que ele nos é exterior, uma entidade autónoma que não depende de nós para existir. Não sou assim, apesar de ser cristão. Deus é para mim algo que só faz sentido (e tem de fazer sentido, o que me separa desde logo dos meus amigos crentes) se for incompreensível. Um mistério, usando terminologia bastante canónica. Se eu acredito que há algo que não se pode reduzir a electrões e protões, só me consola a ideia de que me será sempre negada a hipótese de a conhecer. Não desisto de tentar, e é a isso que chamo teologia. E é por isso que a teologia me interessa tanto, porque se apresenta como a tentativa de atingir o inatingível. Algo que nos faz, ainda que apenas por brevíssimos momentos, acreditar que estamos perto de compreender Deus. Uma desesperada tentatica de superarmos a nossa escala. Não sei se Deus existe, e não me inquieta a hipótese da resposta ser negativa. É essa dúvida que me faz correr. É no constante confronto entre o absoluto abstracto que é a perfeição divina e a imperfeição exasperante da espécie humana que encontro as minhas bases para entender a vida de Cristo, e fazer dela uma religião. Entendo que para acreditarmos em Deus teremos que acreditar na infinidade da dúvida, na permanente existência do conflito humano com o desejo de salvação divina, até ao fim dos tempos. O que nos impede de tornar esta questão em algo puramente académico são os relatos dos evangelistas sobre o homem que não conseguimos censurar. Uma vez a Clara Ferreira Alves, a propósito de uma edição comentada da Bíblia (acho), disse que mais espantoso do que atribuirmos autoria divina àquele conjunto de livros, é imaginarmos que a Bíblia é puramente obra humana. Não podemos acreditar que o Homem é capaz de criar aquela história. Acho a ideia bonita, mas não concordo. Não há nada mais espantoso do que equacionar a existência de Deus. É a dúvida última. Isto não acaba com a nossa morte. O paraíso não é um conceito idílico. O livre arbítrio, esse, é o penoso caminho que julgamos ser do nosso interesse. O preço a pagar.
Copo meio cheio
O emigrante sai do seu país para sempre retornar nas férias. Aquele que fica atura a choldra mas sai sempre nas férias. Não sei quem fica a ganhar.
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Lisboa está a ficar pequena demais
Já é difícil andar de metro sem reconhecer alguma cara. De manhã, à tarde, está lá sempre alguém que já lá esteve as vezes suficientes para ser recordado. Pensam o mesmo de mim, certamente. O anonimato, aos poucos, vai-se perdendo, e com ele o escudo urbano por excelência. Se isto continua assim, mudo-me para o campo. Ao menos é mais fresquinho.
Hackmeter
Agora foi o Francisco José Viegas. Depois do Abrupto, a pirataria vai fazendo a sua história, e já se tornou no novo critério de peso na blogosfera. Blogue que é blogue, é valandizado.
(Obviamente, ninguém me vai atacar. Mas eu simulo, que vocês nem dão por nada. Ah, a fama.)
(Obviamente, ninguém me vai atacar. Mas eu simulo, que vocês nem dão por nada. Ah, a fama.)
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O Melancómico está de volta. Voltou com com um post tão bom que até parece que se matou só para poder ressuscitar.
segunda-feira, 7 de agosto de 2006
Our own Route 66

Como nos disse um senhor lá no alto do Gerês, «é pegar aí essa routezinha nova». De realçar também a barriga de atum grelhada comida em terras de Santa Luzia, Tavira.
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