«Os terroristas têm muita culpa, mas as pessoas que combatem o terrorismo têm muito mais.»
Dr. Mário Soares, ontem, naquele programa da Fátima Campos Ferreira
terça-feira, 12 de setembro de 2006
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Enfim
Não, não. Eu acho que o Modernismo foi uma revolução, e que há, sem dúvida, um antes do Modernismo e depois do Modernismo. Talvez se sobrevalorize o papel intelectual dos arquitectos no meio disto tudo: o betão armado terá sido provavelmente o maior responsável pela mudança de paradigma. Mas que foi uma revolução, um modo novo de desenhar edifícios (o Frampton diz que não, enfim), lá isso foi. Escreveram-se coisas e fez-se muita propaganda. A malta juntou forças e organizou comícios. Os Ornamentos e Crimes, os CAMS, a fotografia. Nunca antes se tinha assistido assim a uma vontade tão concertada de mudar as coisas, de ensinar essas mesmas coisas (a Bauhaus). Aquela merda foi melhor organizada do que o PC Chinês. Depois, só mais tarde, é que vieram os regionalismos e essas coisas todas, quando os arquitectos começaram a perceber que a história estava a ir longe demais. De resto, tudo de acordo.
P.S: E ó João, isto não quer dizer que o Modernismo foi essecialmente de esquerda? «Provavelmente o erro modernista é ter abandonado o indivíduo, preterido pelo sonho colectivo.» Sonho colectivo? Mas então...
P.S: E ó João, isto não quer dizer que o Modernismo foi essecialmente de esquerda? «Provavelmente o erro modernista é ter abandonado o indivíduo, preterido pelo sonho colectivo.» Sonho colectivo? Mas então...
A face do terror
Ok. O João Pereira Coutinho é um menino. Uma criança, um corista de calções. JPC acusa Corbusier e a arquitectura moderna de serem ambos maus, frios, cinzentos, autoritários e arrogantes. Com isso vivemos nós bem. Não, não nos fiquemos por aí. O alcance do mal impregnado na arquitectura moderna vai muito além das paredes cinzentas. Quem a sabe toda é o João César das Neves, que percebeu direitinho o culpado do 11 de Setembro. Esqueçam Bin Laden, é esta a face do terror:

Minoru Yamasaki
(...) Assim, os protagonistas das acções destes últimos cinco anos estiveram ausentes do atentado que alegadamente lhes deu origem. Nem o Afeganistão, nem o Iraque, nem as armas de destruição maciça representaram qualquer papel naquela terrível manhã. Aliás, as famigeradas armas mantiveram-se teimosamente ausentes em todo o processo e só agora ameaçam aparecer, mas no Irão e na Coreia do Norte, que nada têm a ver com o assunto. Por outro lado o arrojo arrogante do arquitecto das Torres Gémeas nem sequer foi indiciado. (...)
in DN 11.09.06

Minoru Yamasaki
(...) Assim, os protagonistas das acções destes últimos cinco anos estiveram ausentes do atentado que alegadamente lhes deu origem. Nem o Afeganistão, nem o Iraque, nem as armas de destruição maciça representaram qualquer papel naquela terrível manhã. Aliás, as famigeradas armas mantiveram-se teimosamente ausentes em todo o processo e só agora ameaçam aparecer, mas no Irão e na Coreia do Norte, que nada têm a ver com o assunto. Por outro lado o arrojo arrogante do arquitecto das Torres Gémeas nem sequer foi indiciado. (...)
in DN 11.09.06
domingo, 10 de setembro de 2006
FARC
Tudo bem que Vital até pode ter publicado 10 posts no dia 8 de Setembro. Tudo bem. Mas a quantidade só serve para iludir os mais desatentos. Verdadeiramente digno de registo é o seu post solitário, e de uma linha apenas, de 10 de Setembro (espera lá, 10 de Setembro é hoje, fica aqui a
nota que Vital pode voltar atacar ainda durante o dia de hoje). Reza assim:
E queixam-se!
«Professores portugueses são terceiros mais bem pagos da OCDE.»
Pronto. Vital já rima há muito com «liberal». Pimba: cacetada nos professores e nos sindicatos. A este já não deixam passar pelos portões da Atalaia.
nota que Vital pode voltar atacar ainda durante o dia de hoje). Reza assim:
E queixam-se!
«Professores portugueses são terceiros mais bem pagos da OCDE.»
Pronto. Vital já rima há muito com «liberal». Pimba: cacetada nos professores e nos sindicatos. A este já não deixam passar pelos portões da Atalaia.
sábado, 9 de setembro de 2006
Os nossos valores*
Não é a primeira vez que João Pereira Coutinho se debruça sobre a arquitectura moderna. Também não é a primeira vez que usa os exemplos pioneiros da arquitectura moderna como pecados capitais de um grande mal orquestrado pelos «autoritários» arquitectos. De qualquer maneira, e porque sou sensível aos argumentos de JPC (ou seja, sei que ele não está a ser desonesto, está apenas mal informado), aqui fica um excerto da sua crónica no renovado (yeah, right) Expresso:
(...) O que nos diz Alain de Botton? O mesmo que Ruskin um século antes: a arquitectura não se limita à qualidade técnica que exibe; a arquitectura é uma arte humana e, como todas as artes humanas, lida essencialmente com a natureza dos homens em sociedade. Tradução: se um arquitecto acredita que o seu «métier» é semelhante ao de um poeta ou pintor, ele passa ao lado do essencial. A arquitectura tem pouco a ver com a originalidade solipsista de outras expressões artísticas. Pior: na busca da originalidade arquitectónica existe sempre uma pulsão autoritária - a necessidade de impor colectivamente o que apenas nos pertence individualmente. Não preciso dar exemplos, embora as experiências urbanísticas do nosso Siza fossem um bom exemplo: a avenida dos Aliados, no Porto, um espaço tradicionalmente de encontro e fruição, está hoje convertido num deserto de cimento por onde se passa mas não se fica.
Alain de Botton também oferece um caso: na década de 20, Henry Frugès, industrial francês, resolveu encomendar a Le Corbusier um conjunto de habitações para os seus operários. Le Corbusier correspondeu à encomenda com utilitário concentrado: habitações despojadas; janelas rigorosamente rectangulares; total ausência de "folclore decorativo", para usar as palavras do próprio. O resultado, do ponto de vista funcional, é perfeito. Mas perfeito na cabeça de Corbusier.
Na realidade, os operários que passavam 12 ou 14 horas a trabalhar numa fábrica desejavam mais do que 'função' e 'racionalidade' na altura de regressar a casa. Por isso começaram, com o passar do tempo, a rasgar janelas onde só havia cimento; a plantar pequenos jardins; a acrescentar portadas de madeira; e a desfigurar, para horror do arquitecto, o sonho abstracto que o animara. Ainda hoje é possível visitar Pessac, no sul de França, e contemplar o local do crime: o lugar dessa revolta humana contra os abusos do racionalismo modernista.
(...) Relembro apenas que os sítios que habitamos devem expressar a forma como vivemos. E nem sempre espaços perfeitos, estética ou funcionalidade, são uma promessa de felicidade. Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para as nossas próprias casas: espaços imperfeitos que se vão moldando ao nosso corpo, e ao corpo das nossas rotinas, como se fossem peças de vestuário que habitamos por dentro. E que não trocamos por nada.
Corbusier foi um homem perturbado com uma visão, e suficientemente hábil para a conseguir fazer avançar junto dos homens e no terreno. Fez muito de questionável e até de condenável (há quem não o ache, eu estou na primeira fila a atirar as pedras que forem precisas), mas tornou-se, por mérito próprio, num mentor de uma geração, ou de várias gerações. Como sempre acontece numa revolução (a a arquitectura moderna foi uma revolução), os excessos dos PRECs não são suficientes para condenar a coisa toda. Corbusier foi um mal necessário que ajudou a arquitecura a sair do buraco eclético e superficial onde se tinha enfiado. Com o seu racionalismo (lembrar que quando se falar de arquitectura moderna nem sempre se fala de racionalismo), Corbusier lembrou os valores intrínsecos da arquitectura. Falhou, falhou redondamente sobretudo nos seus projectos de habitação colectiva (eu não viveria lá nem à lei da bala). Mas abriu muitas portas. E usar esses exemplos como prova da incapacidade da arquitectura moderna, do seu ímpeto totalitário e desumano, é não querer discutir ou apreciar tudo o resto. Também não preciso dar exemplos, mas posso invocar um homem que deve muito a Corbusier: Fernando Távora. Muito mais haveria para discutir, mas acontece que vou almoçar.
* A crónica de JPC chama-se «Arquitectura da felicidade».«Os nossos valores» é o título da crónica vizinha de página de Daniel Oliveira, que não li, e nem sei de que trata (reparo que começa com «Bush»), mas que se adequaria na perfeição a esta de JPC, com ênfase noo «nossos».
(...) O que nos diz Alain de Botton? O mesmo que Ruskin um século antes: a arquitectura não se limita à qualidade técnica que exibe; a arquitectura é uma arte humana e, como todas as artes humanas, lida essencialmente com a natureza dos homens em sociedade. Tradução: se um arquitecto acredita que o seu «métier» é semelhante ao de um poeta ou pintor, ele passa ao lado do essencial. A arquitectura tem pouco a ver com a originalidade solipsista de outras expressões artísticas. Pior: na busca da originalidade arquitectónica existe sempre uma pulsão autoritária - a necessidade de impor colectivamente o que apenas nos pertence individualmente. Não preciso dar exemplos, embora as experiências urbanísticas do nosso Siza fossem um bom exemplo: a avenida dos Aliados, no Porto, um espaço tradicionalmente de encontro e fruição, está hoje convertido num deserto de cimento por onde se passa mas não se fica.
Alain de Botton também oferece um caso: na década de 20, Henry Frugès, industrial francês, resolveu encomendar a Le Corbusier um conjunto de habitações para os seus operários. Le Corbusier correspondeu à encomenda com utilitário concentrado: habitações despojadas; janelas rigorosamente rectangulares; total ausência de "folclore decorativo", para usar as palavras do próprio. O resultado, do ponto de vista funcional, é perfeito. Mas perfeito na cabeça de Corbusier.
Na realidade, os operários que passavam 12 ou 14 horas a trabalhar numa fábrica desejavam mais do que 'função' e 'racionalidade' na altura de regressar a casa. Por isso começaram, com o passar do tempo, a rasgar janelas onde só havia cimento; a plantar pequenos jardins; a acrescentar portadas de madeira; e a desfigurar, para horror do arquitecto, o sonho abstracto que o animara. Ainda hoje é possível visitar Pessac, no sul de França, e contemplar o local do crime: o lugar dessa revolta humana contra os abusos do racionalismo modernista.
(...) Relembro apenas que os sítios que habitamos devem expressar a forma como vivemos. E nem sempre espaços perfeitos, estética ou funcionalidade, são uma promessa de felicidade. Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para as nossas próprias casas: espaços imperfeitos que se vão moldando ao nosso corpo, e ao corpo das nossas rotinas, como se fossem peças de vestuário que habitamos por dentro. E que não trocamos por nada.
Corbusier foi um homem perturbado com uma visão, e suficientemente hábil para a conseguir fazer avançar junto dos homens e no terreno. Fez muito de questionável e até de condenável (há quem não o ache, eu estou na primeira fila a atirar as pedras que forem precisas), mas tornou-se, por mérito próprio, num mentor de uma geração, ou de várias gerações. Como sempre acontece numa revolução (a a arquitectura moderna foi uma revolução), os excessos dos PRECs não são suficientes para condenar a coisa toda. Corbusier foi um mal necessário que ajudou a arquitecura a sair do buraco eclético e superficial onde se tinha enfiado. Com o seu racionalismo (lembrar que quando se falar de arquitectura moderna nem sempre se fala de racionalismo), Corbusier lembrou os valores intrínsecos da arquitectura. Falhou, falhou redondamente sobretudo nos seus projectos de habitação colectiva (eu não viveria lá nem à lei da bala). Mas abriu muitas portas. E usar esses exemplos como prova da incapacidade da arquitectura moderna, do seu ímpeto totalitário e desumano, é não querer discutir ou apreciar tudo o resto. Também não preciso dar exemplos, mas posso invocar um homem que deve muito a Corbusier: Fernando Távora. Muito mais haveria para discutir, mas acontece que vou almoçar.
* A crónica de JPC chama-se «Arquitectura da felicidade».«Os nossos valores» é o título da crónica vizinha de página de Daniel Oliveira, que não li, e nem sei de que trata (reparo que começa com «Bush»), mas que se adequaria na perfeição a esta de JPC, com ênfase noo «nossos».
sexta-feira, 8 de setembro de 2006
quinta-feira, 7 de setembro de 2006
Só para ver se entendi
Está toda a gente surpreendida por haver uma organização terrorista sul-americana no Avante?
Depois queixem-se
Será que as pessoas (excluindo, para simplificar, todos aqueles que compraram o álbum da Floribela) sabem que os Strokes são a melhor banda do mundo? Há dias em que me fica a sensação que talvez não. Isso deixa-me inquieto.
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
domingo, 3 de setembro de 2006
Sei que sou o que sonhei
A discussão sobre a «regionalização» e a «descentralização» há muito que se arrasta em Portugal. É um daqueles temas onde parece que é bonito haver um grande concenso politicamente correcto: estamos todos a favor, só não sabemos como. Ora, a Igreja Católica em Portugal há muito que está à frente do seu tempo, e os referidos conceitos estão serenamente enraízados no seio da sua cultura. Basicamente, e tal como acontecerá com a descentralização, a Igreja Católica é politeísta, usando-se de um mui avançado politeísmo por delegação de competências. Essa hierarquia é bem visível nos meses de verão por esse país fora, mais especificamente, por esse país dentro. Há festa, há baile, há música em honra das variadíssimas lusas Nossas Senhoras (que são uma e uma só, para quem acha que a Santíssima Trindade é difícil de ententer). O ambiente é feudal: a aristocracia rural cruza os portões das suas quintas e junta-se ao povo na ginginha, no bagaço e no calo. Primas que no ano passado ainda não tinham maminhas, este ano já usam mini-saia. Um tio que no ano passado apanhou um pifo de caixão à cova, este ano está com um pifo de caixão à cova. Um amigo vem de Lisboa e traz a namorada que faz furor, o Zé das bifanas caiu para cima dela acidentalmente três vezes só durante o medley. Há uma grande sensação de classe, condições sociais fictícias que se tornam reais se todos nelas acreditam. A terra não é grande, e a consanguinidade ameaça. Só se vê primos, engates dos primos, e empregados dos primos. Tudo regado ao ar livre, a sessenta cêntimos a imperial. Pela noite dentro, pois não há ninguém para se queixar do barulho, e mesmo se o fizesse não teria grande sorte: o destacamento da zona da GNR está todo encostado ao balcão das ginginhas, amparando-se os agentes mutuamente. Foi precisamente numa dessas celebrações regionais que julgo ter assistido ontem, e penso não me enganar, a uma actuação, ao vivo, a cores, com caspa e tudo, para chegar finalmente ao propósito do post, do há muito esquecido e abandonado, injustamente, terá de se ressalvar, Serafim Saudade. O quê, ele não existe? Também a Nossa Senhora da Piedade Infinita do Monte dos Pobres também não, e não é por isso que se deixam de rebentar foguetes em sua honra.
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
Tabelas
Vital Moreira deixou uma questão interessante: comparar os salários mínimos e médios nos países da UE, para ver se também nessa comparação estamos na cauda da europa. A coisa interessou-me, e dei uma volta por aí. Encontrei esta tabela (Table 3) que faz precisamente essa comparação (deixa alguns estados de fora, incluindo o nosso). Por outro lado, neste relatório da Embaixada Americana aparece referido um valor do salário médio em Portugal, citando a CGTP como fonte. O salário médio ronda os 682€, segundo os comparsas da central sindical. Ou seja, podemos dizer que o salário mínimo em Portugal (374,40€) representa 54,8% do salário médio nacional. Voltemos à tabela inicial. Procuremos, então, algum país com uma percentagem superior a esta. Rapidamente se percebe que estamos à procura do inexistente. A tabela é limitada no seu alcance, pois deixa de fora os países sem salário mínimo (Austria, Alemanha, Itália, e os super-nórdicos todos), mas o facto de entre os páises que foram submetidos a esta análise nenhum apresentar uma relação entre salário mínimo e salário médio tão alta como Portugal, indica que o nosso salário mínimo é alto, e pode ser um factor de desiquilíbrio no mercado de trabalho. Ou significa que o salário médio é baixo. Ou seja, parece que «há um forte argumento para o crescimento do salário mínimo nacional» abaixo «da subida dos salários em geral». Mas eu não percebo nada de economia.
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