quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Como não amar este espírito?

Yet Wright's publication of these two seminal designs in The Ladies' Home Journal, a popular women's magazine with a national readership of one million (...) and great influence among homemakers, rather than in a professional architectural journal, was nothing if not carefully calculated. Indeed, for the rest of his career Wright would consistently present his designs for domestic living to the widest possible audiences - direting his accompanying texts to those considering building their own homens, and to home building companies, rather than to the architects who might be employed to design them. Through the Ladies' Home Journal, House Beautiful, House and Garden, House and Home, Life and other homemaker magazines (...) he developed long and close relationships, Wright presented his ideas directly to potential clients, while also avoiding being represented as part of a larger a more anonymous architectural profession.
Frank Lloyd Wright, Robert McCarter, Reaktion Books, 2006
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
In the morning*
Round 1
Um dos defeitos constitucionais mais gritantes reside no direito à greve. Não no direito de fazer greve propriamente dito, mas no vazio legal que é a não referência ao direito de ripostar por parte do grevado**.
Round 2
Não os podemos criticar. Afinal, é a primeira greve deste ano***.
Round 3
Por causa disto tudo, vim a pé. Pelo caminho escrevi mentalmente variadíssimos posts, dos quais só me lembro de um. Sorte vossa que ainda não comprei o Moleskine 2007.
* Razorlight.
** grevado - aquele que é atacado durante uma greve.
*** esta piada é da minha mulher.
Um dos defeitos constitucionais mais gritantes reside no direito à greve. Não no direito de fazer greve propriamente dito, mas no vazio legal que é a não referência ao direito de ripostar por parte do grevado**.
Round 2
Não os podemos criticar. Afinal, é a primeira greve deste ano***.
Round 3
Por causa disto tudo, vim a pé. Pelo caminho escrevi mentalmente variadíssimos posts, dos quais só me lembro de um. Sorte vossa que ainda não comprei o Moleskine 2007.
* Razorlight.
** grevado - aquele que é atacado durante uma greve.
*** esta piada é da minha mulher.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Indignação
Torna-se necessário denunciar o embuste. Casei-me com uma «mulher profissional», «perfeitamente emancipada», e tinha precisamente em vista um dia-a-dia como o aqui descrito por João Pereira Coutinho, como é óbvio. Mas não. Homens solteiros meus leitores, cautela: isto é falso. A realidade apresentou-se de um modo bem diferente. Eu próprio já dei início às diligências necessárias à anulação do casamento. Vivo tempos difíceis. De qualquer maneira, fica aqui o texto do JPC. Façam circulá-lo pelos vossos amigos. Isto é pior do que os raptos de órgãos nas casas de banho de centros comerciais.
7:00h
Ela: Acorda, levanta-se.
Eu: Acordo com movimentações no quarto, viro para o outro lado e adormeço com um sorriso infantil.
8:00h
Ela: No interior do carro, no meio do trânsito. Celular frenético.
Eu: Durmo ainda. Celular desligado.
9:00h
Ela: Reunião com colegas de trabalho. Discussão. Neurose. Ritmo cardíaco já está acelerado.
Eu: Durmo ainda. Celular desligado.
10:00h
Ela: Pausa para café. Conspiração contra as outras mulheres. Transpiração evidente. Stress. Queda capilar. (Lepra?)
Eu: Acordo. Olho para o relógio. "Ainda é cedo", penso. Adormeço.
11:00h
Ela: Estuda dossiê complexo que exige relatório até às 17h. Sem falta.
Eu: Banho demorado. Gabriel Fauré a rolar no stéreo.
Meio-dia:
Ela: Almoço. Sandwich de pepino. Suco de cenoura. Em meia-hora.
Eu: Almoço demorado com alguns amigos em restaurante do centro. Duas garrafas de vinho só para o primeiro prato. Brindamos à revolução feminista que levou as mulheres ao poder.
13:00h
Ela: Regressa ao escritório. Sete chamadas telefônicas para responder. Com urgência, sempre com urgência. E o relatório até às 17h.
Eu: Comecei o segundo prato. Favor não incomodar.
17h:
Ela: Enxaqueca. Forte. Relatório concluído. Infelizmente, com erros de cálculo. "Gostaria que a doutora viesse ao meu gabinete", avisa o chefe. Ou a chefe. Melhor ser a chefe. A doutora vai, com a alegria própria de um farrapo.
Eu: Um filme antigo de Minelli na tv. Assisto, antes de ir à massagem com ninfa asiática que dedilha meu corpo com sabedoria secular.
20h:
Ela: Regressa a casa, vinda diretamente da Somália.
Eu: Regresso a casa, vindo diretamente da massagem. Pergunto "Como foi o teu dia, querida?"
7:00h
Ela: Acorda, levanta-se.
Eu: Acordo com movimentações no quarto, viro para o outro lado e adormeço com um sorriso infantil.
8:00h
Ela: No interior do carro, no meio do trânsito. Celular frenético.
Eu: Durmo ainda. Celular desligado.
9:00h
Ela: Reunião com colegas de trabalho. Discussão. Neurose. Ritmo cardíaco já está acelerado.
Eu: Durmo ainda. Celular desligado.
10:00h
Ela: Pausa para café. Conspiração contra as outras mulheres. Transpiração evidente. Stress. Queda capilar. (Lepra?)
Eu: Acordo. Olho para o relógio. "Ainda é cedo", penso. Adormeço.
11:00h
Ela: Estuda dossiê complexo que exige relatório até às 17h. Sem falta.
Eu: Banho demorado. Gabriel Fauré a rolar no stéreo.
Meio-dia:
Ela: Almoço. Sandwich de pepino. Suco de cenoura. Em meia-hora.
Eu: Almoço demorado com alguns amigos em restaurante do centro. Duas garrafas de vinho só para o primeiro prato. Brindamos à revolução feminista que levou as mulheres ao poder.
13:00h
Ela: Regressa ao escritório. Sete chamadas telefônicas para responder. Com urgência, sempre com urgência. E o relatório até às 17h.
Eu: Comecei o segundo prato. Favor não incomodar.
17h:
Ela: Enxaqueca. Forte. Relatório concluído. Infelizmente, com erros de cálculo. "Gostaria que a doutora viesse ao meu gabinete", avisa o chefe. Ou a chefe. Melhor ser a chefe. A doutora vai, com a alegria própria de um farrapo.
Eu: Um filme antigo de Minelli na tv. Assisto, antes de ir à massagem com ninfa asiática que dedilha meu corpo com sabedoria secular.
20h:
Ela: Regressa a casa, vinda diretamente da Somália.
Eu: Regresso a casa, vindo diretamente da massagem. Pergunto "Como foi o teu dia, querida?"
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
«Uma história simplista»
Uma pausa na pausa só para vir dizer que tenho ido ao cinema, obrigado. The Departed, por exemplo, mas só fiz o meu blogger log-in para poder executar o copy/paste deste parágrafo do Ricardo Gross sobre Babel, que me parece extremamente pertinente.
Babel é um filme interessante mas também desonesto. Já conhecíamos os recursos visuais da dupla Alejandro González Iñárritu (realizador) e Rodrigo Prieto (director de fotografia) e Babel volta a ser estilisticamente desembaraçado, eficaz e vistoso. O problema, quanto a mim, é que no seu moralismo à escala global, no seu simplismo dramático (o que aqui se filmam são personagens como se fossem pessoas comuns que nunca chegam a ter espessura psicológica, tornando-se meros peões de uma dramaturgia que parece assentar na Lei de Murphy: tudo aquilo que pode correr mal...), este filme de Iñarritu estabelece um jogo perverso com o espectador, baralhando as coordenadas temporais e alimentando uma certa desinformação, para capitalizar na chantagem emocional que visa agitar a nossa má consciência de cidadãos privilegiados a habitar um mundo em profunda crise de valores. Em determinados momentos, a manipulação vai a pontos de evocar situações dramáticas universalmente reconhecíveis como o drama dos refugiados mexicanos que procuram atravessar para os Estados Unidos ou aquela cena que a TV ajudou a fazer chegar ao mundo inteiro e que mostrava um pai e um filho palestianianos apanhados num fogo cruzado que acabaria por matar um e depois o outro. Parece-me de facto desonesto reproduzir este tipo de situações quer para garantir maior impacto emocional pela inversão de papéis (aqui são duas crianças americanas mais a criada mexicana que ficam perdidas no deserto, enquanto que do outro lado do oceano, mais concretamente em Marrocos, os pais vivem uma situação dramática equivalente), quer para efectuar a mais simplista evocação do desespero e da impotência paterna de modo a deixar claro quem são as vítimas e no lado oposto a identidade abstracta de todo um mundo que movido por interesses de uma escala onde estes não cabem, acaba por conspirar para a sua desgraça: o mecanismo aqui é de tipo Efeito Borboleta. E Babel consegue tão plenamente os objectivos, quanto já viu reconhecidos os seus méritos em Cannes - de onde saiu com um prémio de realização - e se prepara agora para tomar de assalto os Óscares entregues no final do próximo mês. Babel representa aquele tipo de filme que permite ao espectador, tanto mais ocidental melhor, fazer a catarse da sua culpa por fazer parte deste mundo doente e em nada contribuir para que as coisas sejam diferentes. Pela parte que me toca, admiro algumas imagens mas repudio o messianismo e a exibição da consciência moral do senhor González Iñárritu.
E, já agora, deixo uma foto de Cate Blanchett (em primeiro plano):
Babel é um filme interessante mas também desonesto. Já conhecíamos os recursos visuais da dupla Alejandro González Iñárritu (realizador) e Rodrigo Prieto (director de fotografia) e Babel volta a ser estilisticamente desembaraçado, eficaz e vistoso. O problema, quanto a mim, é que no seu moralismo à escala global, no seu simplismo dramático (o que aqui se filmam são personagens como se fossem pessoas comuns que nunca chegam a ter espessura psicológica, tornando-se meros peões de uma dramaturgia que parece assentar na Lei de Murphy: tudo aquilo que pode correr mal...), este filme de Iñarritu estabelece um jogo perverso com o espectador, baralhando as coordenadas temporais e alimentando uma certa desinformação, para capitalizar na chantagem emocional que visa agitar a nossa má consciência de cidadãos privilegiados a habitar um mundo em profunda crise de valores. Em determinados momentos, a manipulação vai a pontos de evocar situações dramáticas universalmente reconhecíveis como o drama dos refugiados mexicanos que procuram atravessar para os Estados Unidos ou aquela cena que a TV ajudou a fazer chegar ao mundo inteiro e que mostrava um pai e um filho palestianianos apanhados num fogo cruzado que acabaria por matar um e depois o outro. Parece-me de facto desonesto reproduzir este tipo de situações quer para garantir maior impacto emocional pela inversão de papéis (aqui são duas crianças americanas mais a criada mexicana que ficam perdidas no deserto, enquanto que do outro lado do oceano, mais concretamente em Marrocos, os pais vivem uma situação dramática equivalente), quer para efectuar a mais simplista evocação do desespero e da impotência paterna de modo a deixar claro quem são as vítimas e no lado oposto a identidade abstracta de todo um mundo que movido por interesses de uma escala onde estes não cabem, acaba por conspirar para a sua desgraça: o mecanismo aqui é de tipo Efeito Borboleta. E Babel consegue tão plenamente os objectivos, quanto já viu reconhecidos os seus méritos em Cannes - de onde saiu com um prémio de realização - e se prepara agora para tomar de assalto os Óscares entregues no final do próximo mês. Babel representa aquele tipo de filme que permite ao espectador, tanto mais ocidental melhor, fazer a catarse da sua culpa por fazer parte deste mundo doente e em nada contribuir para que as coisas sejam diferentes. Pela parte que me toca, admiro algumas imagens mas repudio o messianismo e a exibição da consciência moral do senhor González Iñárritu.
E, já agora, deixo uma foto de Cate Blanchett (em primeiro plano):
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Bom Natal
Sem tempo, melhor, organização, que me permita a mais, deixo, em jeito de «Bom Natal» geral, um texto escrito no ano passado, escrito sobre esta imagem, que me parece adequado dado o frenesim laico de não agressão inter-religiosa que põe toda a gente a falar de solstícios. Bom Natal.

(...) Teologicamente desfasado com o calendário, este quadro de Mantegna é no entanto exageradamente táctil. Apresenta-nos um corpo deitado, inerte. Um homem morto que é chorado por duas pessoas, um homem e uma mulher, que em nada se anunciam como Maria e S. João. A importância dada ao corpo é invocada pela perspectiva que, ao dificultar o trabalho da proporção na definição do corpo humano, prende-nos nos pormenores que nos surpreendem (e terão surpreendido muito mais em 1480). A invulgaridade desta pessoa é-nos sugerida pela sua boa forma física: em todos os aspectos é um corpo quase ideal que aqui vemos. Se excluíssemos as chagas e o contexto, veríamos uma imagem da finidade humana, da sua extrema e imprevisível fragilidade, da morte como fim natural de todos nós. Não é um velho ou um doente que morre mas um homem no auge da sua vida. E é ao acentuar os ossos e a carne de Cristo, bem como a relativa indiferença com que representa o choro de Maria e S. João, que Mantegna nos assola com o choque do real e retira Cristo da distância institucional que a sua condição muitas vezes cria. Esta dimensão irreal de Cristo é acentuada no Natal, onde o homem é passado a menino. O Natal celebra quase um acontecimento abstracto e utópico, um ideal de amor humano que encontra na criança a metáfora perfeita. Mas o Natal é o nascimento de um homem que, apesar de dividir todos os outros acerca da sua condição divina, mudou o mundo. Não sei se isso é o suficiente para o deificar, mas sei que é o suficiente para o recordar. Ano a ano, no Natal. E o resto é palha.
a 27 de Dezembro do ano passado

(...) Teologicamente desfasado com o calendário, este quadro de Mantegna é no entanto exageradamente táctil. Apresenta-nos um corpo deitado, inerte. Um homem morto que é chorado por duas pessoas, um homem e uma mulher, que em nada se anunciam como Maria e S. João. A importância dada ao corpo é invocada pela perspectiva que, ao dificultar o trabalho da proporção na definição do corpo humano, prende-nos nos pormenores que nos surpreendem (e terão surpreendido muito mais em 1480). A invulgaridade desta pessoa é-nos sugerida pela sua boa forma física: em todos os aspectos é um corpo quase ideal que aqui vemos. Se excluíssemos as chagas e o contexto, veríamos uma imagem da finidade humana, da sua extrema e imprevisível fragilidade, da morte como fim natural de todos nós. Não é um velho ou um doente que morre mas um homem no auge da sua vida. E é ao acentuar os ossos e a carne de Cristo, bem como a relativa indiferença com que representa o choro de Maria e S. João, que Mantegna nos assola com o choque do real e retira Cristo da distância institucional que a sua condição muitas vezes cria. Esta dimensão irreal de Cristo é acentuada no Natal, onde o homem é passado a menino. O Natal celebra quase um acontecimento abstracto e utópico, um ideal de amor humano que encontra na criança a metáfora perfeita. Mas o Natal é o nascimento de um homem que, apesar de dividir todos os outros acerca da sua condição divina, mudou o mundo. Não sei se isso é o suficiente para o deificar, mas sei que é o suficiente para o recordar. Ano a ano, no Natal. E o resto é palha.
a 27 de Dezembro do ano passado
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Em revista
Quero, já agora, também dar os meus prémios blogosféricos 2006. É muito simples:
Prémio Melhor Blogue: Diário
Prémio Melhor Blogue: A Causa Foi Modificada
Não, não é uma gralha. É um ex aequo. Para o ano há mais.
Prémio Melhor Blogue: Diário
Prémio Melhor Blogue: A Causa Foi Modificada
Não, não é uma gralha. É um ex aequo. Para o ano há mais.
Regresso, enfim
Só por distracção não tinha percebido que o Vasco Barreto agora escreve no Caderno I. Não percebo, o Memória Inventada era melhor em tudo (o suporte, não o conteúdo), mas cada um faz o que quer à sua vida. Há, inclusivamente, uns que se casam. Só para termos uma noção.
Há verdades que têm de ser ditas
O Tiago Cavaco tem mau gosto para sapatos. Redime-o o facto de o assumir implicitamente, ao revelar, sempre e sem excepção, o preço do que vai comprando, como que a dizer «mas foram baratos». A evangelização não vem bem calçada.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
To be great is to be misunderstood

Este livro, para além de ser a coisa mais interessante que comprei em lojas de museus (na do Guggenheim, fotos do edifício descascado para obras em breve, me aguardem), é muito instrutivo. Por exemplo, acabo de descobrir que o primeiro emprego que Frank Lloyd Wright conseguiu, após uma semana em Chicago a bater à porta de ateliers, foi através de uma cunha (apesar de na sua autobiografia dar uma versão diferente do acontecimento, o que só dá mais graça ao facto.)
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Merda
Já passa das seis da tarde e acabo de descobrir que o José Mário Silva entrevista o Miguel Esteves Cardoso na edição de hoje do DN. Ainda haverá quiosques abertos?
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Something old
Mudar de blogue depois do casamento seria dar demasiada importância à coisa (o blogue).
Contudo haverá novidades. Por enquanto fica tudo a passo de caracol, mas estamos de volta.
Contudo haverá novidades. Por enquanto fica tudo a passo de caracol, mas estamos de volta.
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