sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Não digam que não avisei
Eu tenho leitores respeitáveis, e portanto limito-me a apontar na direcção certa. Aqui vai: o Ricardo Gross tem lá no blogue dele uma fotografia de Gisele Bündchen nua.
O flagelo
Proposta de Regulamento para o Plano de Revitalização da Baixa-Chiado:
«Artigo 1º e único
a) É considerado crime o acto de cuspir para o chão.
b) A pena única para o crime descrito em a) é a morte.»
Publique-se.
Vamos parar é com as brincadeiras de fechar o Terreiro do Paço ao domingo, está bem? Eu até sou compreensivo e percebo que pode ser interessante ter pedestres domingueiros a passear no asfalto desimpedido, mas desde que se veja o rio. O Terreiro do Paço é o que é - vão ver aos livros - porque é uma praça aberta ao Tejo. Fechar o Terreiro do Paço ao trânsito para que as pessoas possam contemplar os tapumes com mais tranquilidade parece-me uma ideia estúpida, sobretudo quando se mora numa das ruas para onde o trânsito é «desviado». Ao domingo, note-se, eu podia estar de janela aberta. Podia, mas já não posso. Os domingos agora são dias de buzinão intenso na minha rua, e isso - acreditem - pode ser desagradável. Eu percebo o que se está fazer, ou seja, testes. Salgado está a testar uma das medidas do plano, começando devagarinho, aos domingos, para ver o que a coisa dá. Mas aqui o porquinho da Índia está um pouco enervado com a coisa. Vamos parar com isso, vamos?
«Artigo 1º e único
a) É considerado crime o acto de cuspir para o chão.
b) A pena única para o crime descrito em a) é a morte.»
Publique-se.
Vamos parar é com as brincadeiras de fechar o Terreiro do Paço ao domingo, está bem? Eu até sou compreensivo e percebo que pode ser interessante ter pedestres domingueiros a passear no asfalto desimpedido, mas desde que se veja o rio. O Terreiro do Paço é o que é - vão ver aos livros - porque é uma praça aberta ao Tejo. Fechar o Terreiro do Paço ao trânsito para que as pessoas possam contemplar os tapumes com mais tranquilidade parece-me uma ideia estúpida, sobretudo quando se mora numa das ruas para onde o trânsito é «desviado». Ao domingo, note-se, eu podia estar de janela aberta. Podia, mas já não posso. Os domingos agora são dias de buzinão intenso na minha rua, e isso - acreditem - pode ser desagradável. Eu percebo o que se está fazer, ou seja, testes. Salgado está a testar uma das medidas do plano, começando devagarinho, aos domingos, para ver o que a coisa dá. Mas aqui o porquinho da Índia está um pouco enervado com a coisa. Vamos parar com isso, vamos?
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Pedir-me dinheiro
O Henrique Raposo (ou o escritor Lucky Luke, mais rápido que o próprio pensamento), com quem muitas vezes não concordo, escreveu um bom post sobre «os partidos», do qual destaco o último parágrafo (sublinhado meu):
Os partidos têm de ser privatizados. Separem, sff, os partidos do dinheiro do Estado. Eles só representarão as minhas preocupações quando forem obrigados a pedir-me dinheiro. Os partidos só fazem sentido se partirem da sociedade para o Estado. Em Portugal, ocorre uma aberração: os partidos partem do Estado para a sociedade.
Os partidos têm de ser privatizados. Separem, sff, os partidos do dinheiro do Estado. Eles só representarão as minhas preocupações quando forem obrigados a pedir-me dinheiro. Os partidos só fazem sentido se partirem da sociedade para o Estado. Em Portugal, ocorre uma aberração: os partidos partem do Estado para a sociedade.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Até estou disposto a esquecer a foto das lésbicas polacas

(...) Embora ainda goste de fotografia como apreciador passivo - Ansel Adams, belo. Jeff Wall, belo, Mapplethorpe, belos corpos - friso que desconfio daquela arte, no mesmo grau em que desconfio da arte abstracta e por diferentes motivos. Mas sobre isto creio que estamos conversados. (...)
Vasco Barreto
Ai não estamos não. Isto não fica assim. Sobrevive lá mas é a esse tornado e depois conversamos. Desconfiar da arte abstracta, pfff...
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Mr. Brooks

Mr. Brooks tem uma qualidade inegável (entre muitas): lembra-nos de que Kevin Costner sabe representar.
Eduardo Prado Coelho
Pelas coisas em que se concordava com ele, mas sobretudo pelas coisas em que se discordava dele, Eduardo Prado Coelho deixará saudades.
Para as suavizarmos, O Público disponibilizou on-line as crónicas de EPC desde 28.12.1998.
Para as suavizarmos, O Público disponibilizou on-line as crónicas de EPC desde 28.12.1998.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Half awake
Prestem atenção ao facto da música ser a 3/4, com a excepção da mão direita do piano, a 4/4. Isto mata-me.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Fragmentos ao almoço (3)
«... eu vi o mercedes a passar, pá, e pensei logo, olha, a boazona... já lhe roubaram o mercedes...»
(Funcionário de uma oficina automóvel à porta da mesma.)
(Funcionário de uma oficina automóvel à porta da mesma.)
O «machista-leninista»
Recomenda-se esta fase agostina* do Estado Civil, mormente as entradas de 22 e 23, de onde me permito destacar a seguinte, a título ilustrativo:
Os clichés costumam ser «reaccionários». Mas há imensos clichés «progressistas», sobretudo no domínio dos costumes. Um dos mais insuportáveis é este: «Não gosto da expressão "fidelidade"; fiéis são os cães; eu exijo é honestidade». Sujeito que diz isto está catalogado: é um machista progressista (também conhecido como «machista-leninista»). A honestidade é uma virtude adjectiva e não substantiva. Um canalha honesto continua um canalha. A «fidelidade» pode ter significado coisas nada agradáveis (como a submissão da esposa ao marido, etc), mas tem um núcleo positivo indiscutível. A honestidade, em si mesma, é apenas uma desculpa. E as desculpas são formas de desonestidade.
Ian McEwan também marca presença. Curiosamente e por coincidência, recentemente decidi dar início à minha fase Ian McEwan. Explico. Com Brooklyn Folies decidi enterrar Paul Auster - não que o livro seja mau, aliás, é muito bom, mas já cansa - com uma lápide catita a fazer lembrar os parentes que não deixam muita saudade mas por quem sempre nutrimos simpatia. Amsterdam, 10 euros na FNAC, 35 páginas lidas, tem correspondido. Esse McEwan tem pernas para andar.
* Apeteceu-me inventar estar palavra e o trocadilho apresentou-se-me como viável. O blogue meu, faço o que eu quiser.
Os clichés costumam ser «reaccionários». Mas há imensos clichés «progressistas», sobretudo no domínio dos costumes. Um dos mais insuportáveis é este: «Não gosto da expressão "fidelidade"; fiéis são os cães; eu exijo é honestidade». Sujeito que diz isto está catalogado: é um machista progressista (também conhecido como «machista-leninista»). A honestidade é uma virtude adjectiva e não substantiva. Um canalha honesto continua um canalha. A «fidelidade» pode ter significado coisas nada agradáveis (como a submissão da esposa ao marido, etc), mas tem um núcleo positivo indiscutível. A honestidade, em si mesma, é apenas uma desculpa. E as desculpas são formas de desonestidade.
Ian McEwan também marca presença. Curiosamente e por coincidência, recentemente decidi dar início à minha fase Ian McEwan. Explico. Com Brooklyn Folies decidi enterrar Paul Auster - não que o livro seja mau, aliás, é muito bom, mas já cansa - com uma lápide catita a fazer lembrar os parentes que não deixam muita saudade mas por quem sempre nutrimos simpatia. Amsterdam, 10 euros na FNAC, 35 páginas lidas, tem correspondido. Esse McEwan tem pernas para andar.
* Apeteceu-me inventar estar palavra e o trocadilho apresentou-se-me como viável. O blogue meu, faço o que eu quiser.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Entre esqualos e lésbicas polacas
Está muito bem o Vasco Barreto. E como oportunamente apontou o maradona, esta «literatura de viagem» deixa embaraçado esse desesperante e irritante profissional da coisa que é Gonçalo Cadilhe, o alter-viajante amigo do ambiente e do planeta, de caneta sempre em punho pronta para juízos morais ao «Ocidente», sedento por qualquer coisa que transpire a uma «outra civilização», uma «nova cultura», um sítio «marcante», uma «gastronomia interessante». Cadilhe fez muito para denegrir o género, ao mesmo tempo que se tornava mentor de uma moda pejada de «jovens» que escrevem sobre as suas viagens a sítios politicamente correctos e muito distantes, que dão aso a «descobertas pessoais», a «revelações interiores», a «reflexões metafísicas», a «encontro de culturas», e, inevitavelmente, a vontades de transformar a «sociedade ocidental», que se deixou cair no «materialismo» mais superficial, empurrando para a margem a «espiritualidade» e o «transcendente». Livra.
P.S: Quando puderes, companheiro Vasco, anexa foto das polacas. Obrigado.
P.S: Quando puderes, companheiro Vasco, anexa foto das polacas. Obrigado.
E lá ficará, sem medo
No penúltimo post está escrito «(...) após de começar (...)». A minha mulher acha que há a possibilidade de isso não ser interpretado como uma gralha. Leitor, eu respeito-te e sou teu cúmplice: isso nunca me passou pela cabeça.
Estes correios
«Estes correios...», desabafava a funcionária dos correios, exteriorizando o que lhe ia na alma e adivinhando o que ia na minha. Comecemos pelo princípio. Os CTT e os seus balcões há muito que parecem empenhados em ser co-autores deste blogue. A quantidade - e qualidade - da matéria prima que fornecem é suficiente para justificar o epíteto. Desta feita a coisa parecia que iria correr sobre rodas. No sítio mais bonito do país, que acontece ficar a dois passos da minha casa, a estação estava vazia. Fui atendido prontamente, apresentei o papel para levantar o documento à cobrança, e esperei. A senhora levantou-se. Foi lá atrás. Voltou com o pacote na mão mas não se dirigiu imediatamente para mim. Ficou a segredar coisas com a colega lá da ponta. Percebi que algo se passava. Quando voltou ao seu lugar, exclamou: «bem, há sempre uma primeira vez para tudo». Mais tarde iria perceber que este tinha sido o momento em que tudo se começou a precipitar. Puxei do bloco de notas. Um blogger avisado vale por dois. O sistema, sempre o sistema: o principal inimigo do funcionário. Enquanto olhava para o monitor, a funcionária anunciava e explicava o desastre iminente: o sistema foi mudado, agora os vales são directos, etc, obviamente eu não estava interessado. A chefe chegou, pois a colega do lado assim o informou: «a chefe chegou em boa altura». Fiquei pasmado: aquela senhora não dirigiu a palavra a ninguém, nem sequer o coloquial «bom dia». Escusado será dizer que todas as funcionárias (estava num feudo feminino) seguiram a chefe, não lhe dirigindo a palavra. Um local de trabalho onde as pessoas não se dizem «bom dia» é um barril de ressentimento, pensei eu. Entretanto, a culpa (como seria informado no final) continuava a ser do sistema, que insistia em contraria toda a lógica. Pelo menos a lógica da funcionária, que achava que nada daquilo «fazia sentido». Eu, que estava silenciosamente agradecido por tanto material, nada disse quando a colega do lado, um pouco mais expedita, interveio: «mas porque é que não aceitas o dinheiro do senhor e acabas isso depois?» A senhora que me estava a aviar explicou: «porque não vou poder chamar mais ninguém enquanto não acabar isto». O mexilhão (eu) que se lixasse. A colega, continuando a provar ser mais diligente, persistiu: «mas o senhor não tem culpa disso». Isto não é um post, pensava eu, é todo um conto carregado de deduções antropológicas. Deixei-me ficar e redobrei a atenção. Infelizmente, e apenas decorridos 20 minutos, o episódio parecia ter chegado ao fim. A mulher (para quem eu já tinha perdido toda a paciência) mudou de posto e imprimiu o vale noutra máquina, desta feita introduzindo notórias alterações no procedimento, provando que a culpa não era do sistema, mas da sua sistemática incompetência. Quando voltou pediu-me desculpa, acrescentando: «a culpa não foi minha, foi do sistema.» Foi aí que percebi que tinha sido atendido pela esposa de Octávio Machado.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Você escreve melhor do que fala*
O Adolfo Mesquita Nunes, na entrevista ao Pedro Rolo Duarte, diz que a sua escrita não revela a sua personalidade: ao vivo é mais bem-humorado, sarcástico, impulsivo; ao contrário da sua escrita, mais clara, mais pensada, mais pausada. Isso também acontece comigo. Isso também acontece com todos os bons escritores (estou a pensar nos escritores de blogues, raios partam a palavra bloguista - ou blogger ou blogueador) que conheço (segundo parêntesis da frase para ressalvar que não me estou a incluir nesse lote). Estranho, ou melhor, menos interessante, é quando nos deparamos com alguém cuja escrita nada acrescenta aos seus outros meios de expressão. Regra geral, quem escreve deve transformar-se. A famosa «mão» de Lobo Antunes, a quem ele atribui a autoria dos seus romances. Para além do enorme privilégio de se poder ponderar cada palavra usada (privilégio inexistente quando falamos em directo - que bom, pausa para divagar, seria se fosse possível falar em diferido), a escrita é uma óptima máscara, mesmo quando involuntária. Mas é tão mais interessante quanto mais voluntária. Nos blogues, caminhamos num limbo entre a verdade e a ficção: todos os textos são escritos pelo «eu», um «eu» que é simultaneamente narrador e personagem. A mentira está sempre presente, a simulação do registo diarístico é irresistível. Há muita gente a escrever blogues precisamente porque os blogues não reflectem a personalidade dos seus autores. No fundo, escrever um blogue é acto de humildade, um acto de contrição: é assumir que estamos, nem que seja apenas em parte, fartos de nós.
* Jorge Calado dirigindo-se à minha pessoa, 2 minutos após de começar a minha defesa oral de um trabalho que o próprio já lera e segurava no colo. 19 valores, guardo no coração, mas sempre atribuí esse valor em falta à minha prestação no palanque. Há que ter ambição.
* Jorge Calado dirigindo-se à minha pessoa, 2 minutos após de começar a minha defesa oral de um trabalho que o próprio já lera e segurava no colo. 19 valores, guardo no coração, mas sempre atribuí esse valor em falta à minha prestação no palanque. Há que ter ambição.
Where the fuck is Aljezur?
(...) Esta merda não é Aljezur? Não! Esta merda não é o mesmo que escrever no Publico? Não! Mas é mais lavadinho! (...)
Entretanto o jcd fez o trocadilho que todos andávamos a evitar. Shame on you.
Entretanto o jcd fez o trocadilho que todos andávamos a evitar. Shame on you.
Subscrever:
Mensagens (Atom)