quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A quinta frase da página 161

«Beauty.»

Pela minha saúde que não inventei isto. A quinta frase da página 161 do segundo livro mais próximo de mim (a página 161 do livro mais próximo de mim continha uma ilustração, sem frases) é esta. O livro é o Where the Stress Falls, de Susan Sontag.

O Coveiro

Esqueçam que este post existiu. O Coveiro convence ao primeiro take e faz lembrar outro rapazola que em tempos escreveu uma coluna tripartida. Arrisco a dizer que a partir de agora a Atlântico passará a ser conhecida como «a revista do Coveiro». Em mais lado nenhum se escrevem obituários assim.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

That is the sound of inevitability, Mr Anderson



Mas o que faz quem acha que o Tratado é ao mesmo tempo «contestável» e «inevitável»?

Na imagem, os senhores da Europa explicam-nos como nos devemos comportar perante a inevitabilidade do Tratado.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Ano bendito

(...) e um corpo que valha-me Santo Euplúsio santo & mártir (...)

Pedro Mexia num grande post sobre Adelaide de Sousa, que me ensinou que a senhora nasceu em 1969, ano bendito.

Elite

Certamente devido à gripe cometi um enorme erro ontem. Disse que a minha escola secundária estava a meio da tabela, isto sem ter visto bem de que tabela estava a falar. Bom, a coisa tem mais de 600 entradas, pelo que sou obrigado a dizer que fui educado numa escola que está na parte superior da tabela. Que é superior a mais de 90% das escolas (e colégios) portuguesas. Confesso que assim isto já não tem tanta graça.

Logo ao Luís Amado, pá



via O Insurgente

Não sei porquê, este gesto incomodou-me. Talvez seja porque tenho alguma estima por Luís Amado - gosto sinceramente dele - mas acho que isso não explica tudo. É algo de mais profundo. Dissequemos então a cena. Num primeiro momento vemos Sócrates à procura de alguém com quem falar, ou à espera que alguém lhe venha dizer qualquer coisa. Vê uma câmara apontada para ele e percebe nesse momento que é como Cristiano Ronaldo, parado não rende. Depois repara que está ali Luís Amado, mesmo à mão de semear, mas hesita. Valerá a pena interagir com este, como dizer, subalterno? Hesita mais um pouco até que a presença da câmara se tornar insuportável, sufocante. Aí Sócrates toma a decisão e cá vai disto, sempre dá para encher uns segundos. Estica a mão e, talvez pela quinta vez, endereça os parabéns a Amado. Amado, que estava também a olhar para o horizonte à procura de algum dinamarquês ou alemão ou alguém respeitável assim, vê aquela mão ali estendida e prepara-se para consumar o acto. Eis senão quanto, para gáudio de Sócrates, aparece um bife qualquer (não sei quem seja, ajudem-me) como resposta às preces de Sócrates uns segundos antes. A melhor parte é esta: o tipo ainda está uns bons metros atrás de Amado, pelo que daria tempo para apertar o bacalhau ao Ministro dos Negócios Estrangeiros antes de cumprimentar seja lá quem for. Mas não, Sócrates decide abortar a operação de cortesia com o seu ministro, e precipita-se nas costas deste (uma belíssima imagem) para um terceiro que apareceu no horizonte. Amado, porque é português, não ficará decerto melindrado com esta sacanice.

Esta é a metáfora aqui implícita que me chateia. Tudo é demasiado europeu, aqui. A prontidão com que se trai um compatriota para não causar um incidente protocolar é assustadora. E é isto que parece ser o Tratado: um fenómeno puramente protocolar que exige uma ou duas pulhices às gentes nacionais. Mas também, e acima de tudo, este vídeo incomoda porque revela bem a personalidade de Sócrates, mas isso já não nos surpreende.

Fernando Santos quis emprestar o Binya - que isto não caia no esquecimento

(...) Agora falta arranjar um semáforo. Di Maria é canhoto e tende a vir para a direita, mas cansa-se e fica-se pelo meio. O Cebola está na esquerda mas gosta de flectir para dentro. Já são dois no meio. Acrescentemos o Rui Costa - que vive lá - mais o Binya, que está em toda a parte, e temos a prova da necessidade de um semáforo.

Por Filipe Nunes Vicente, que está para o Benfica como José Pacheco Pereira para o PSD.

domingo, 28 de outubro de 2007

Tratado constitucional?



Tratado constitucional? Isso pouco interessa para quem é, cada dia que passa, cada vez mais atlantista.

Ranking

Fui ver em que lugar está a minha escola secundária no ranking e o resultado é desanimador: não é suficientemente baixo para que me possa vangloriar da minha resistência às más influências numa espiral egocêntrica de elogio da excepção que represento. É assim tipo meio da tabela, uma União de Leiria das escolas secundárias, situada num edifício de Ventura Terra.

E isto pega-se

Estou engripado: não liguem às vírgulas.

Óscar Cardozo

O Tiago Galvão vai aparecer na Atlântico. Espero interessadamente, embora ligeiramente preocupado com uma inquietação inevitável: poderá o Tiago sofrer do já conhecido como «síndrome de maradona»?. Quando o maradona começou a escrever para o papel notou-se uma falta de entrosamento com o meio, facto a que a ausência do palavrão não será alheia. Sem o palavrão, naqueles difíceis primeiros tempos numa nova equipa, o maradona parecia um jogador sul-americano recém-chegado à Europa: vinha avisado de que o jogo era diferente e tentou adaptar-se, prostituindo a sua maneira de jogar, sem que os resultados tenham aparecido. As suas crónicas do mundial foram um bom exemplo disso. Com o tempo, tal e qual o Cardozo, percebeu-se que o maradona estava a assentar o jogo, jogo a jogo, e hoje já poucos se lembram que nem sempre o maradona apresentava o talento que o permite, por exemplo, atacar as incoerência do discurso anti-ecologista de Rui Ramos com brilhantismo. «O maradona dos jornais», falava-se, «não é tão bom quanto o maradona do blogue». Nuvens negras cobriam o céu, o ar tornava-se pesado e as pessoas apressavam-se para casa. Não foram tempos memoráveis. Agora que o Tiago vai começar o mesmo caminho é inevitável que se especule. Irá ter sucesso sem a palavra «mamas»? Ou irá escrever sobre «mamas de pretas»? Irá vingar num mundo onde a masturbação ainda é tabu? Ou irá escrever sobre a masturbação? Estamos cá para ver, mas por agora a única atitude decente a fazer é endereçar os nossos parabéns e agradecimentos ao Paulo Pinto Mascarenhas, esse grande olheiro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Isto tem de parar

Recuso-me a elogiar um template dum gajo por causa dumas flores. Recuso-me, isto tem de parar nalgum lado.

Semântica

Foi preciso aparecer uma mulher para percebermos que o nome do jogador do Sporting Izmailov, quando relatado na TSF, soa exactamente igual a «is my love» como dito por um italiano. Foi preciso também uma mulher (embora não a mesma) para percebermos que os pais do menino Ángel Di María são provavelmente muito devotos, evidência semântica que nos tinha escapado por completo. Mas está bem visto, até por Ángel Di María está cada dia que passa a tornar-se ele próprio um objecto da mais fervorosa devoção.



Isto não é o resumo do Benfica. Isto é o resumo do AC Milan 4, Nhonhest 1. Isto é o resumo de um jogo normal do único candidato a vencer a liga dos campeões este ano. Kaká? Pirlo? Não. Super Seedorf, um holandês de 31 anos que já jogou a defesa-central (Ajax), a segundo avançado (Sampdoria), a médio-defensivo (Real Madrid), e que agora se sublimou para um estado de pura omnipresença em campo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Óculos



Susan Sontag, por Annie Leibovitz. Gosto do pormenor dos óculos sobre a mesa.

Momento alarmista do dia

Às vezes esqueço-me que isto (isto, aqui à volta) não passa de um T1+1, com paredes pouco dadas ao isolamento acústico.

O post era exclusivamente sobre mim. A «ex-namorada» é aqui uma abstracção do conceito que, infelizmente para o caso, coincide com uma pessoa nada abstracta. Não acho que haja ali paternalismo: há apenas uma tentativa de perceber, à luz dos posts que citei do Vasco e do Tiago, com qual das duas atitudes me identifico. Como nada me leva a desejar o contrário, parece-me uma atitude bem cristã querer a felicidade dos outros - e este meu desejo, esse sim, é puramente abstracto. Ambrósia era apenas a palavra que se seguia na lista, teve de ser, como expliquei por vezes tem de se vestir o fato macaco. Como por exemplo agora, que te digo que a palavra que tenho de usar neste post é «apotegma» (e, com isto, já me safei).

NOTA: Reparo agora que há uma imprecisão no post. O que caiu no esquecimento não foi obviamente a pessoa, mas a relação. Espero que percebam a diferença.