sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Já agora



(Já que aqui estamos, peço esta imagem emprestada à Bomba-Inteligente.)

Chame-se a ASAE

Dois acidentes graves na recepção ao caloiro

Nunca mais se acaba com esta vergonha?

Eastern Promises



David Cronenberg usa a mesma receita de A History of Violence: passados violentos que se atravessam no caminho de nice people. Viggo Mortensen está ainda melhor, Maria Bello é substituída por Naomi Watts (let's call it a tie) o interior remoto dos Estados Unidos é substituído por um submundo russo de Londres. O resultado é igualmente bom, mas fica a faltar-lhe o elemento surpresa - percebe-se que é uma variação sobre o mesmo tema e que Cronenberg está com a mão quente. A construção desta pequena máfia russa - ao jeito dos Sopranos, mas com outro sotaque - é requintada e subtil. E parece que a cada fotograma, um por um, se vai reconstruindo as personagens (dos russos, porque as nice people são sempre nice people) nunca deixando o espectador inteiramente confortável, permanentemente desconfiado sobre as consequências físicas e morais daquilo que se vai passando. Pelo meio, uma das melhores cenas de violência dos últimos tempos. Ou seja, um dos filmes do ano.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Do Sucesso

Do Sucesso, por Pedro Lomba, um indivíduo que, além de ter sucesso, já flanou pela advocacia portuguesa. Papinha toda feita, é o que eu digo.

Como não sou

Se eu fosse do Sporting, como diria o Joel Neto, e tivesse estado ontem o Sporting em campo frente ao A.C. Milan e tivesse o jogo decorrido tal e qual decorreu ontem, então este seria um post de resignação orgulhosa, de transferência de culpas para um fatalismo sobrenatural, de elogios desmedidos aos «nossos rapazes». Porque a verdade é que o A.C. Milan foi ontem vulgarizado pelo Benfica. Tirando os primeiros 15 minutos, onde, de facto, a coisa se enegreceu, a equipa transalpina (toda uma carreira como comentador desportivo que me passou ao lado) foi um conjunto de homens embasbacados com Maximiliano Pereira. Não estava Inzaghi, facto, e não estava Ambrosini, facto, mas estava o trio maravilha - Pirlo, Seedorf e Kaká - como sempre carregado às costas pelo outro trio maravilha - Gennaro Ivan Gattuso. Ora, Pirlo pareceu o tempo todo o Hugo Viana a mandar bolas lá para a frente; Gattuso apresentou-se em campo com a velocidade do Miguel Veloso e a garra do Nuno Gomes; Kaká, enfim, Kaká e Seedorf nunca jogam mal, mas a verdade é que foi só depois da saída de - vénia, vénia, hossanas, vénia - David Luiz que Kaká apareceu isolado à frente de Quim. Nunca tinha visto tamanha diferença de qualidade entre uma equipa portuguesa e uma italiana, e estou a incluir o jogo do Porto de Jardel em San Ciro, 3-2 para o Porto, bis de Jardel e golo de Artur, se não me falha a memória. Se eu fosse do Sporting, estaria hoje falsamente desiludido e verdadeiramente exultante, colocando mais uma cruzinha na tabela das vitórias morais e elevando David Luiz a melhor defesa central do século - que é. Como não sou, puta que pariu o Nuno Gomes.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Ainda assim agradecido

Onde o teu wishful thinking falha é na presunção de que eu não tenho mais irmãos ou, tendo, que são mais novos do que tu, presumindo agora eu que essa coisa do Deuterenómio siga a mesma lógica de tudo o que é hereditário. Não, não és o next in line.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Santana

O Túnel do Marquês? Talvez. Mas hoje sofri um afrontamento semelhante ao passar pelo Jardim do Arco do Cego. Sacana.

Serendipismos

Hoje, durante a minha caminhada de regresso a casa, cruzei-me com um amigo que não via há meses. Meses. O que prova a minha tese de que uma sociedade mais civilizada terá de ser inescapavelmente mais pedonal. Ou seja, se passarmos mais tempo nos passeios seremos mais felizes. E daremos um melhor exemplo às gerações que nos seguirão. Quioto, por exemplo, ficava logo arrumado. E confessem lá, Nova Iorque ou Los Angeles? E quem prefere Los Angeles, será saudável?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

(Pedido)

Como estive ausente do país durante o fim-de-semana, pedia com um agradecimento caloroso de avanço que me enviassem ou apontassem a recensão que Vasco Pulido Valente fez do «Rio das Flores». Obrigado.

Adenda: O meu pedido já encontrou bom porto. Obrigado Sara.

5 - Shakespeare & Company




4 - separata

Tenho para mim que a Carta de Veneza - que marcou o ponto de viragem intelectual no que toca à nossa relação com o património construído - deveria ser considerara persona non grata.

4

Inevitavelmente lá apareceu a opinião de que «o Pompidou devia era estar na La Défense». De seguida, pôr-se-ia a redoma por cima do Marais, à prova de bala à prova de vida. Lentamente, e orgulhosamente, Paris vai-se museoficando, cristalizando, isolando. Quando dermos por nós já nada haverá a fazer, e milhões serão gastos na requalificação da «velha Paris». Porque a verdade é que as cidades não podem parar, por muito belas que possam ser - e Paris é o climax da beleza física dos edifícios, absolutamente intimidadora no que toca a alterações. Custa. Mas terá de ser.

Renzo Piano é Deus, e Richard Rogers foi seu acólito - Rogers que é objecto, no próprio Pompidou, de uma exposição de carreira, aborrecida, aborrecida, aborrecida de tanta eco-sustentabilidade. Mas admito a minha deformação profissional, e estou disposto a admitir que a comoção que me deu ao ver aquela fábrica ali plantada pode não se estender à população em geral. Mas lá que me deu, deu.

3

Então agora em Portugal têm um primeiro-ministro que chama a polícia quando há greves, não é? Ah, nada melhor do que um socialista.

2

Não sei se Paris é a cidade de que mais gosto (não é), mas é sem dúvida a cidade que mais me pesa quando olho para Lisboa.

domingo, 25 de novembro de 2007

1

Há, seguramente, dois significados para a palavra «beleza»: um antes e outro depois de se conhecer Paris. Mas para um esteta, um radical da beleza como fim último da humanidade, Paris representa uma evidência triste: a beleza, só, não chega. Ou melhor, a beleza, quando abundante, pode ser um espartilho. E em Paris procuramos razões que expliquem não ser aquela cidade o paraíso na terra. Devemos começar, talvez, pelos parisienses, umas bestas quadradas mal agradecidas. Mas isso não esgota a lista de pecados da capital do país presidido por Sarkozy (vénia). Há outros. Há, no fundo, uma noção de que aquela beleza toda não é de graça, e que há um preço a pagar. Os parisienses, talvez, mas deixemos de bater no ceguinho.