quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Meets
Foi com alguma surpresa que vi o nome do Pedro Mexia no novo conselho editorial da Atlântico. Surpresa positiva, claro, a que se deve juntar Maria de Fátima Bonifácio (não sei se já pertencia a este conselho ou não) e João Pereira Coutinho (embora este último julgo que já lá estava). Se a isto lembrarmos o Pedro Lomba, juntarmos José Miguel Júdice, António Carrapatoso ou Alexandre Relvas, por exemplo, percebemos que este conselho editorial é uma espécie de Coluna Infame meets gente respeitável, o que não deixa de ter a sua graça. A revista, essa, mudou outra vez de grafismo, embora o resultado não me entusiasme, mas também não atrapalha. Quanto ao conteúdo está mais ou menos na mesma e isto é uma boa notícia. Uma revista onde escrevam regularmente o Rui Ramos, o João Pereira Coutinho, o maradona, o Tiago Cavaco, o Franscisco Mendes da Silva e o Tiago Galvão será sempre uma borla, mesmo a 4 euros. Ah, e de vez em quando lá aparecem Vasco Pulido Valente e Maria Filomena Mónica, embora sempre em edições separadas, vá-se lá saber porquê.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Lisboa, ou o caciquismo supra-municipal

Depois queixem-se de que no «Sul» o «Norte» seja mal visto.
(A imagem é de uma extrema violência e pode impressionar os leitores mais sensíveis.)
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Problemas
Portugal tem problemas. Um deles é a diferença de tom de voz e de atitude que Fátima Campos Ferreira apresenta quando fala com o senhor ministro da Segurança Social ou com o senhor presidente da Câmara de Murça. Eu vi, de dedo apontado, a criatura dizer a um autarca que conseguiu a enorme proeza de inverter a lógica de desertificação do chamado interior do país que este «tinha de mudar isso», sendo «isso» um subsídio que a autarquia dá aos casamentos, porque «isso» prejudica as mães solteiras. Não é só a incomensurável estupidez desta asserção que me lançou ao post, foi sobretudo a evidência de que Fátima Campos Ferreira julgava estar a representar uma espécie de comportamento bem pensante cosmopolita face a um labrego do interior que lá por acaso foi eleito presidente de câmara, buscando com o seu sorriso irónico afinidades com a plateia de Lisboa, provavelmente integralmente constituída por pessoas que votaram sim no aborto, que são a favor de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que acham que uma união de facto é equiparável a um casamento, que são ateias, que falam inglês, que têm tv cabo, que, que, que. Este problema é como a santíssima trindade, tem três realidades distintas: (1) é um problema em si mesmo o facto de Fátima Campos Ferreira existir; (2) é um problema alguém ter tido a ideia de lhe oferecer um prime-time; (3) é um problema eu estar aqui a dar atenção a isto, sendo que esta última dimensão é a que me afecta mais.
Uma nova forma de escrita musical
Não fora estas modernices da interpretação e do carácter ahistórico e não literal dos textos e estavam reunidas as condições para garantir que o que eu vou dizer a seguir é tão verdadeiro quanto a Bíblia: a transcrição que o maradona fez da letra desta música cantada pela Aretha Franklin tem a exactidão de uma partitura manuscrita por Johann Sebastian Bach, letra a letra.
Bonito de se ver
Está bonito de se ver a esquerda a dizer, a propósito da derrota de Chávez no referendo que lhe daria o poiso de presidente até 2050, que afinal a Venezuela ainda é uma democracia, ao contrário do que esses tipos mal intencionados da direita insistem.
Acho que isso tem um nome
Sobre o que se passa na Atlântico eu tenho uma tese: o Tiago Galvão roubou a password ao Tiago Mendes.
O Abrupto ilustrado pelo Complexidade e Contradição

Duas notinhas: isto tudo porque adquiri um aparelho de tirar retratos digitais que me deixou muito orgulhoso. É da Pentax, e é a terceira do meu historial, sendo também a terceira marca, depois da Canon e da Nikon, e não foi nenhuma insatisfação que quebrou a minha fidelidade a estes fabricantes, foi mesmo capricho. Ou seja, nestas coisas sou promíscuo.
Segunda notinha: Mas só nestas coisas. Esta mão, que eu não nego que me pertence, será toda a pele própria que aparecerá por aqui antes da minha senilidade. Senilidade pela qual, aproveito a oportunidade que me dão, eu anseio desesperadamente. Estou aqui que nem um Nuno Gomes à espera dos golos. Claro está, se eu mantiver um blogue na senilidade será compreensivelmente rated R e não prometo que honrará os meus netos, naquilo que será uma falta de solidariedade institucional familiar intergeracional mas ao contrário: manchar o nome por cima e não por baixo como costuma ser apanágio destas coisas.
Naomi Watts
(...) Nesse sentido, Naomi Watts não tem felizmente nada a ver com a mulher concreta ou inventada dos tempos moderníssimos, como a «feminista capitalista» das séries televisivas ou a inocente vestida à puta dos videoclips. Naomi sofre e sente, como toda a gente, mas não tem medo de sentir e sofrer à frente dos outros. Essa coragem é que nos comove, porque a vemos tão pouco. E poucas vezes treme assim nuns olhos tão azuis e tão líquidos.
Pedro Mexia
Pedro Mexia
domingo, 2 de dezembro de 2007
sábado, 1 de dezembro de 2007
Desvantagens de ter um blogue individual
Não poder, sem cair no ridículo, usar o plural.
Por isso vou andar também por aqui, devidamente acompanhado, provavelmente com a assiduidade e empenho do Gattopardo.
Por isso vou andar também por aqui, devidamente acompanhado, provavelmente com a assiduidade e empenho do Gattopardo.
Jesualdo
Leio nas secções desportivas dos jornais decentes - isto porque mesmo estando o Miguel Esteves Cardoso na primeira página d'O Jogo resisti e poupei assim uns 90 cêntimos, ou lá o que aquilo custa, que vou já aplicar no meu recém-criado PPR - que o Benfica vai entrar hoje em campo com o mesmo onze que humilhou - eerr... - o A.C. Milan. À partida acho bem, em equipa que ganha - eerr... - não se mexe, princípio que não me envergonha. Mas há qualquer coisa que me deixa intranquilo, que nem mesmo a boa exibição contra a melhor equipa do mundo há 3 dias apazigua. Contra o Porto as regras mudam no estádio da luz, é assim há demasiado tempo. Não falo só das arbitragens, falo de uma incapacidade que se apodera dos gémeos e das coxas dos nossos jogadores, um atrofio dos respectivos cérebros, uns sururus que vêm das bancadas. Não, não estou optimista, não faço ideia se vamos ganhar mesmo considerando Jesualdo. Jesualdo, já que aqui estamos, que é o cidadão português que apresenta o maior diferencial entre as suas capacidades e o modo peculiar como o próprio as avalia, resultando isto num homem que é todo um convite à agressão violenta. Ou seja, era importante para o país que o Benfica ganhasse hoje, mas não sei.
Vêm aí os Hunos, por Filipe Nunes Vicente, o blogger mais subvalorizado do mundo
(I)
O árbitro de Sábado é da Associação de Futebol do ...Porto.. Tanto melhor: sempre se recordam os bons tempos. Pode ser que jogue o Stepanov. Para compensar.
(II)
Átila trouxe Rúgios, Hérulos, Turíngios, Saxões, Alanos e Burgúndios. E também o Lisandro Lopez . Nós só temos o Cardozo.
(III)
A táctica. A gente faz alinhar de início o Cardozo disfarçado de Adu para entreter os bárbaros. A cinco minutos do fim, quando os gajos estiverem a mudar o óleo ao Stepanov, a gente mete o Adu disfarçado de Cardozo. É tiro e queda.
(IV)
O mundo seria melhor sem eles ? Talvez. Mas derrotá-los faz o mundo ainda melhor.
(V)
Amanhã recebemos na Luz gente estranha. Os hunos reverenciam o seu chefe e seguem-no cegamente, como é próprio dos bárbaros. Se o chefe se apaixona por uma lavadeira da Ribeira adoram-na como se da princesa Honória se tratasse; quando a lavadeira cai em desgraça é vítima dos mais variados impropérios. Não têm personalidade.
(VI)
O Cardozo tem de ser neutralizado. Pode parecer esquisito, tratando-se de um jogador nosso, mas é mesmo assim. Outra possibilidade é enfiar-lhe duas botas esquerdas nos pés.
(VII)
A única vantagem de receber a trupe do sobrinho de Roas reside no facto de o Cardozo poder aprender com o Lisandro.
(VIII)
Manhã da batalha. Céu carregado como as chuteiras do Petit, ameaços de água. Pode ser que o Luís Filipe se constipe. Não vou poder ver o jogo em casa. Não é conveniente enfiar-me debaixo da mesa em casa de terceiros.
No Mar Salgado.
O árbitro de Sábado é da Associação de Futebol do ...Porto.. Tanto melhor: sempre se recordam os bons tempos. Pode ser que jogue o Stepanov. Para compensar.
(II)
Átila trouxe Rúgios, Hérulos, Turíngios, Saxões, Alanos e Burgúndios. E também o Lisandro Lopez . Nós só temos o Cardozo.
(III)
A táctica. A gente faz alinhar de início o Cardozo disfarçado de Adu para entreter os bárbaros. A cinco minutos do fim, quando os gajos estiverem a mudar o óleo ao Stepanov, a gente mete o Adu disfarçado de Cardozo. É tiro e queda.
(IV)
O mundo seria melhor sem eles ? Talvez. Mas derrotá-los faz o mundo ainda melhor.
(V)
Amanhã recebemos na Luz gente estranha. Os hunos reverenciam o seu chefe e seguem-no cegamente, como é próprio dos bárbaros. Se o chefe se apaixona por uma lavadeira da Ribeira adoram-na como se da princesa Honória se tratasse; quando a lavadeira cai em desgraça é vítima dos mais variados impropérios. Não têm personalidade.
(VI)
O Cardozo tem de ser neutralizado. Pode parecer esquisito, tratando-se de um jogador nosso, mas é mesmo assim. Outra possibilidade é enfiar-lhe duas botas esquerdas nos pés.
(VII)
A única vantagem de receber a trupe do sobrinho de Roas reside no facto de o Cardozo poder aprender com o Lisandro.
(VIII)
Manhã da batalha. Céu carregado como as chuteiras do Petit, ameaços de água. Pode ser que o Luís Filipe se constipe. Não vou poder ver o jogo em casa. Não é conveniente enfiar-me debaixo da mesa em casa de terceiros.
No Mar Salgado.
10 dos 12
Li no Expresso de hoje - não sei em que página, o primeiro caderno acabou de ser sequestrado pelas separatas de Natal, uma operação concertada com a edição de sábado do Público, pelo que só depois de esgotar o plafond do meu cartão de crédito para o mês de Dezembro os rebeldes prometem libertar os reféns - uma notícia que era mais ou menos isto: «Na escola da CGTP 83% dos professores são precários», ou isso. Na notícia ficamos a saber que 10 dos 12 professores da tal escola da CGTP estão a recibos verdes, não têm subsídios de férias, e são contemplados ao final do mês com um salário baixíssimo. Pondo de lado a minha solidariedade com os 10 dos 12, esta notícia fez-me o dia.
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