quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O bom do William Jefferson



Entretanto Hillary ganhou o New Hampshire. Ou seja, Obama durou quatro dias. Ou muito me engano ou a partir daqui será all downhill para Hillary. Obama e a sua entourage podem começar a pensar em 2016. Não minto: prefiro Hillary a Obama. Se tiver de ser um Democrata, então que seja alguém sem a menor hipótese de ir para a cama com o bom do William Jefferson.

Davey

Acabo de receber o primeiro número da minha nova assinatura da Architectural Review (peço perdão aos deuses por tê-la interrompido) e deparo-me com uma agradável surpresa: Peter Davey, ex-director da revista, continua a escrever críticas. Desta vez é sobre um edifício de Peter Zumthor. Não li, mas é brilhante.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Vasco Metro Barreto

O Vasco M. Barreto deixou cair o 'M' para escrever para o Metro. Soube-o através do Tiago Galvão, o que é a todos os títulos lamentável, Vasco. Ah, e esse «Vivi em Nova Iorque entre 2001 e 2007» logo a abrir é o quê, medo que o texto não valha por si? Tentativa de esmagamento cosmopolita do leitor, o já chamado Complexo de Vasco Rato? Comigo resultou.

Sabonetes

Francisco Mendes da Silva, como sempre, oportuno. A verter água sobre ânimos esquentados por Obama e a lembrar que se Obama vier a ser presidente está já encontrado o substituto de Karl Kove:

Moedas de 10 cêntimos

(...) Suplico-lhe, porfavorporfavor, que tenha compaixão de mim, pois não passo de uma fútil rapariga a quem os ovários, as mamas e a obrigação de pôr máquinas a lavar negaram a profundidade para dissertar sobre temas verdadeiramente importantes e publicáveis. Graças a Deus existem homens que escrevem nas revistas, e nos blogues, e nos livros – sabe-se lá a rebaldaria de sentimentos que esta merda não seria. E graças a Deus que temos por cá mulheres como a estimada Ana, que nos lembra ao resto do gajedo que a futilidade não nos é permitida, que escrever (e ser paga por isso) sobre sapatos ou filhos é para donas de casa mentais, sopeiras que não ouvem músicas em francês, analfabrutas sem acesso aos cursos de mestrado na Universidade Nova e que só seremos respeitadas quando nos comportarmos como homens e aprendamos a mijar de pé e a escrever sobre grandes assuntos da Humanidade (quem sabe se crónicas sobre futebol e charutos não nos dignifiquem). (...)

Rititi

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

FAQ

O leitor pergunta, João Pereira Coutinho responde.

O Senhor Comentador

O Senhor Comentador.

M/F até 40 anos



Uma lição de humildade. A nossa mediocridade posta assim, cruelmente, diante dos nossos olhos. Um convite à mudança de métier. Faz mal ao nosso ego, põe em causa a existência do «nosso ego». Não vale a pena. Vamos fazer outra coisa qualquer. Fechamos portas e pedimos desculpa pelo incómodo. Anunciamos a causa: falta de talento. Ao menos saímos pela porta grande, de costas direitas.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Joana Carneiro

Joana Carneiro é irresistível. Ontem, na Gulbenkian, onde conduziu a Orquestra Gulbenkian primeiro com Artur Pizarro no Concerto para Piano nº4, de Beethoven, e depois O Pássaro de Fogo, de Stravinsky, Joana Carneiro não podia ter tido mais empatia com o público. O seu estilo é peculiar, vigoroso e enérgico, fisicamente muito exigente. Da primeira fila onde me encontrava pude assistir à pancada que o estrado sofreu ao longo das duas peças, com a pequena Joana Carneiro literalmente aos saltos, ofegante e batalhadora. Esta última característica é uma boa metáfora daquilo que imaginamos ter sido obrigada a maestrina a passar para poder ter chegado hoje, aos 30 anos, onde chegou. E a componente feminina revela-se também no seu modus operandi: Joana Carneiro está permanentemente em cima dos músicos como uma mãe de mão dada na rua com os filhos, numa aparente sobre-actuação destinada a precaver qualquer deslize. Não sei avaliar tecnicamente o que ouvi ontem, mas sei que o magnetismo desta pequena - e jovem - mulher é, como disse, irresistível, e nunca se fica com a sensação de estarmos perante um caso de «discriminação positiva». Estou rendido.

Rumo a uma demência discusiva pós-pós-inteligível

Vivemos hoje claramente sob uma nova ordem tecno-cultural cuja génese remete para a WWII e que surge denominada como Sociedade Digital ou Pós-Pós-Moderna. (...)

Rumo a uma Estética Arquitectónica Evolutiva, Gonçalo Furtado, arq./a nº53

Já há algum tempo que defendo a retirada do Blade Runner dos currículos dos cursos de arquitectura, mas ninguém me ouve.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Discriminação positiva

Nestas eleições americanas muitos têm falado sobre a necessidade de pôr fim à era de sucessivos «homens brancos» no poder. Isto tudo motivado, claro, por Obama e Hillary. O maradona, com a sua já característica eloquência, resume bem este zeitgeist: Apesar disto, defeito por defeito, olhem, que se foda, venha o preto. Ou, extrapolando para o lado da senadora por Nova Iorque, defeito por defeito, olhem, que se foda, venha a gaja. Claro que isto só podia dar no que deu: os pretos já começaram a dizer que Obama não é «black enough» (mãe branca, infância burguesa, etc.) e as mulheres também acusam Hillary de ser demasiado masculina (entre outros rumores). Nenhuma das «minorias» (na política as mulheres são minoria) está propriamente satisfeita. O que se percebe. O sonho de ver um preto ou uma mulher na presidência foi um sonho durante tempo demais, e como é próprio dos sonhos a coisa fugiu um pouco à realidade. E a realidade é esta: é importante que um preto ou uma mulher cheguem à presidência dos Estados Unidos, isso não contesto, mas para isso é preciso que provem ser melhores do que a concorrência. Não se pode fazer «discriminação positiva» para o lugar mais alto da administração, isso é próprio de lugares mais anónimos da pirâmide. E, sem essa característica definidora, o que sobra a Obama e a Hillary? É isso que está em questão e que os eleitores - apesar de americanos e estúpidos, não é? - mais cedo ou mais tarde irão perceber.

P.S: Confesso no entanto o meu fraquinho por um ex-futuro candidato que reuniria o melhor de Hillary e Obama, alguém que ganharia com duas voltas de avanço o concurso do politicamente - ou melhor, mediaticamente - correcto. Sim, Condoleezza.

My ticket

Começo com um pecado capital: se fosse americano não sei em quem votaria por defeito, se nos Democratas se nos Republicanos. Em Portugal toda a gente parece ter o seu partido, numa divisão equilibrada: 98,456% da população portuguesa votaria no partido de Bill Clinton, sendo que o resto da amostra se divide entre o «Outro» e o «NS/NR». Passado esta minha indefinição crónica o cenário não melhora. Para 2008 não gosto de nenhum candidato, quer de um lado quer do outro. Comecemos pelo partido do burro: não me entusiasmo com Obama, que me parece demasiado jovem e utópico para ser um bom presidente; antipatizo frontalmente com Hillary, porque penso que o cinismo não é virtude em nenhuma circunstância; e Edwards não parece ser feito de presidential material, parece mais um actor convidado para fazer o papel de presidente (ainda mais do que o próprio Fred Thompson). Do lado do GOP as coisas são igualmente desinteressantes: Huckabee até pode ser simpático e sincero, mas a última coisa que os Estados Unidos precisam neste momento é de um pastor à frente do rebanho; Romney é mormon, o que o desqualifica à partida para tudo menos para carteiro, actividade onde o skill de andar de porta em porta é apreciado; McCain parece não ter pontos fracos, é claramente um homem bem preparado, mas falta-lhe tusa, a idade não perdoa; e Giuliani tem tusa a mais, aptidão que lhe tem valido uns quandos desacatos públicos.

All things considered, escolheria Giuliani por ser o candidato mais fora do baralho, um depravado num partido Bible Belt, um católico pecador, um político cujos pecados estão no cabeçalho da candidatura. E que, provavelmente, é o candidato com mais capacidades para não dividir os Estados Unidos em dois depois do dia 4 de Novembro.

Um tipo na capa

Coisas boas da Atlântico: na edição de Janeiro de 2008 está um tipo na capa a fumar.

A «Nova Europa»



Casa J2, Čačković street 9, Zagreb, Croacia, 3LHD architects

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Superior interesse

Durante o debate que antecedeu a decisão sobre o Parque Mayer muito se falou, a propósito do novo Casino de Lisboa, da natureza maléfica do jogo. O jogo pervertia, desvirtuava, viciava, corroia. Era preciso, e ainda é, limitar o acesso à slot machine, controlar o acesso à slot machine, impedir o acesso à slot machine. O Estado, claro, que anda tantas vezes nas bocas da gente e não pelas melhores razões, devia interferir, dizer de si, lançar a mão sobre o jogo. Agora, com o triste episódio do director da ASAE, passámos a perceber que para além do jogo é preciso defender os frequentadores dos casinos do fumo. Jogar, afinal, já não é assim tão mau quando comparado com o - ainda pior - vício de fumar. Daqui a uns anos vamos recordar estes bárbaros tempos quando se jogava e fumava nos casinos, às claras, à frente de toda a gente, sem pudor. Demos graças à legislação e à civilização. Pelo superior interesse da criança, digo, cidadão.