quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Os Beatles eram, afinal, de direita
Há vários sites dedicados à interpretação de letras de músicas. Percorri alguns à procura de pistas sobre isto. Vietname, não Vietname, comunismo, não comunismo, fiquei na mesma. Ninguém me explicou. Mantenho a opinião de há muito, ou seja, de há 15 minutos atrás, quando decidi prestar atenção ao iPod: esta é uma letra que podia ter saído do Largo do Caldas.
You say you want a revolution
Well you know
We all want to change the world
You tell me that it's evolution
Well you know
We all want to change the world
But when you talk about destruction
Don't you know you can count me out
Don't you know it's gonna be alright
Alright, alright
You say you got a real solution
Well you know
We don't love to see the plan
You ask me for a contribution
Well you know
We're doing what we can
But if you want money for people with minds that hate
All I can tell you is brother you have to wait
Don't you know it's gonna be alright
Alright, alright, al...
You say you'll change the constitution
Well you know
We all want to change your head
You tell me it's the institution
Well you know
You better free your mind instead
But if you go carrying pictures of Chairman Mao
You ain't going to make it with anyone anyhow
Don't you know know it's gonna be alright
Alright, alright
Alright, alright
Alright, alright
Alright, alright
Alright, alright
Pois
Os pormenores. Deus e os pormenores. Ou o Diabo. Acabo de saber, junto da EMEL, que para renovar o dístico de residente - que tem um período de validade anual - tenho de apresentar uma série de documentos - carta, título, análise ao sangue, urina, estrutura de ADN, vacinas, registo criminal, cartão de eleitor, de militante, de sócio, Medeia card, cópia de habilitações profissionais, duas cartas de recomendação, o costume - e entre eles, brilhante, o próprio do dístico. Ora, eu preciso de um dístico para que o meu carro fique à porta de casa sem que ninguém mo leve dali para fora (o que no entanto acabou por acontecer já por duas vezes, vejam lá bem). Se eu preciso de levar o dístico caducado para que me dêem um novo, então isso significa que eu vou ser, certamente, multado. Ou isso, ou então tenho de trazer, para além da lista acima, o próprio do carro e mais dois vizinhos para mo segurarem na rua - deve ser uma anedota achar que terei lugar na Pinheiro Chagas. Disse isto tudo à menina do telefone. Rematei com a pergunta: «isto não faz muito sentido, pois não?» «Pois», disse ela, sem um pingo de humanidade no sangue.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Vida de prenha - uma série com tendência para a imortalização
Eu tinha duas opções (o tempo, o tempo, ai o cabrão do tempo): ou lia este texto do Miguel Poiares Maduro sobre as eleições americanas ou este da Rititi sobre a respectiva prenhez. Não me arrependi (apesar de ter a absoluta certeza de que o texto do Poiares Maduro é brilhante):
(...) Não há quem se resista a dar uma opiniãozinha baseada em princípios fundamentais como o empinanço da barriga, a qualidade da pele do cu, o crescimento das unhas, a posição da Lua e dos satélites de Marte em relação à folhagem do Passeio do Prado ou o resultado de uma equação que mete o número do sapato, as quartas-feiras do ano e a idade da bisavó quando engendrou o décimo filho. A ciência é fodida, mas todos sabem mais que o meu ginecologista, coitado do home, nem sei porque insisto em pagar-lhe. E não importa a relação, a intimidade, o grau de parentesco que os outros tenham comigo, sempre há alguma coisita a dizer, mais uma sentença a cagar, em voz alta, com público e à procura de outros peritos na gravidez alheia que confirmem tamanhas certezas. Se a minha barriga é redonda, é menina, e se é bicuda também, porque o importante são os tornozelos, os pulsos e o branco dos olhos, e quanto pesas já, porque estás gorda, é melhor andares muito, mas não nades que ainda tens alergias e se és alérgica ao presunto o melhor é congelar, mas pouco, ou muito, porque depende, mas as meias que sejam de grávida por causa das varizes, e as calças que não te apertem e tem cuidado com as estrias, posso tocar, e senão também toco, e não podes fazer madeixas, nem depilar-te a cera quente, nem vás ao ginásio, nem à sauna, e não comas sushi, nem ostras, e as saladas lava-as com lixívia, e vê lá se usas creme para a barriga, e que marca, e como o espalhas, que não seja o mesmo das mamas, porque as mamas, estás cá com umas mamas, ai Rititi, que grandes estão as tuas mamas, toquem toquem...
Ai, as mamas. Só o tema (e o tamanho) das mamas poderia alimentar o meu blogue (e metade do continente africano) até ao nascimento do Rititi-Boy. Mas atendendo ao que sempre foram, não entendo tamanha preocupação: era inevitável que atingissem esta dimensão de hipermercado lácteo. Meus queridos amigos/colegas/familiares em terceiro grau: não se ralem que eu não caio de boca. E até dizem que já inventaram os aparelhos chamados sutiãs que dão muito jeito nestes casos determinados. E aliás, a única pessoa interessada neste tema não só não se queixou como parece estar bastante satisfeito com a evolução da coisa.
(...) Não há quem se resista a dar uma opiniãozinha baseada em princípios fundamentais como o empinanço da barriga, a qualidade da pele do cu, o crescimento das unhas, a posição da Lua e dos satélites de Marte em relação à folhagem do Passeio do Prado ou o resultado de uma equação que mete o número do sapato, as quartas-feiras do ano e a idade da bisavó quando engendrou o décimo filho. A ciência é fodida, mas todos sabem mais que o meu ginecologista, coitado do home, nem sei porque insisto em pagar-lhe. E não importa a relação, a intimidade, o grau de parentesco que os outros tenham comigo, sempre há alguma coisita a dizer, mais uma sentença a cagar, em voz alta, com público e à procura de outros peritos na gravidez alheia que confirmem tamanhas certezas. Se a minha barriga é redonda, é menina, e se é bicuda também, porque o importante são os tornozelos, os pulsos e o branco dos olhos, e quanto pesas já, porque estás gorda, é melhor andares muito, mas não nades que ainda tens alergias e se és alérgica ao presunto o melhor é congelar, mas pouco, ou muito, porque depende, mas as meias que sejam de grávida por causa das varizes, e as calças que não te apertem e tem cuidado com as estrias, posso tocar, e senão também toco, e não podes fazer madeixas, nem depilar-te a cera quente, nem vás ao ginásio, nem à sauna, e não comas sushi, nem ostras, e as saladas lava-as com lixívia, e vê lá se usas creme para a barriga, e que marca, e como o espalhas, que não seja o mesmo das mamas, porque as mamas, estás cá com umas mamas, ai Rititi, que grandes estão as tuas mamas, toquem toquem...
Ai, as mamas. Só o tema (e o tamanho) das mamas poderia alimentar o meu blogue (e metade do continente africano) até ao nascimento do Rititi-Boy. Mas atendendo ao que sempre foram, não entendo tamanha preocupação: era inevitável que atingissem esta dimensão de hipermercado lácteo. Meus queridos amigos/colegas/familiares em terceiro grau: não se ralem que eu não caio de boca. E até dizem que já inventaram os aparelhos chamados sutiãs que dão muito jeito nestes casos determinados. E aliás, a única pessoa interessada neste tema não só não se queixou como parece estar bastante satisfeito com a evolução da coisa.
Expliquem-me
Há qualquer coisa neste sentido de eterna e consciente inferioridade que os sportinguistas têm em relação ao F. C. Porto, que os impede, por exemplo, de apreciar uma vitória e impele para uma constante submissão desportiva, que nem o aglutinador ódio ao Benfica explica inteiramente. Apesar de, como é makukulamente evidente, explicar em parte: qualquer conjunto de jogadores que reúna as condições necessárias para ganhar ao Benfica é nosso amigo, nosso cúmplice, nosso herói. Mas sinceramente, não percebo.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Os Pintos Ribeiros
O espantoso é que durante alguns minutos pensei que o novo ministro da cultura era António Pinto Ribeiro e não José António Pinto Ribeiro, o que faz toda a diferença.
Remodele-se
Houve remodelação no governo: Mário Lino deixou de ser ministro das Obras Públicas, tendo entrado para o seu lugar Mário Lino.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Because you're gonna
Live life like you're gonna die
Because you're gonna
«You'll have time», William Shatner
Because you're gonna
«You'll have time», William Shatner
Força Benfica
Há um conjunto de razões que me levam a perder qualquer tipo de cautela intelectual e acreditar que o Benfica pode chegar ao final da época à frente do Porto e, portanto, ser campeão. Passo a enumerar esse conjunto de razões: Jesualdo. Ontem o Porto perdeu por 2-0 em Alvalade, com dois golos na primeira parte num intervalo de tempo (notem como eu não digo «espaço de tempo», isto é que é cuidado a escrever) de 2 minutos. O resto do jogo foi passado a ver os jogadores do Porto a tentar marcar um golo, perante um Sporting que não se mostrou incomodado em dar a iniciativa ao adversário. Um caso típico, até o Rui Santos conseguiria perceber que em nenhum momento a vitória do Sporting esteve em risco. No entanto, Jesualdo não conseguiu. Disse que era um resultado «mentiroso»; que o Porto só não ganhou porque o Sporting teve «sorte»; que «toda a gente viu» que o Porto foi «superior», «muito superior»; que este jogo deu ainda mais «confiança» à equipa; etc; etc. Há aqui uma demência patológica que se assume na forma de um autismo latente que é, de certo modo, triste e confrangedor (reparem, mais uma vez, no cuidado: «confrangedor» e não «constrangedor», um erro típico). Ali temos um homem que lidera, que vai à frente, mas que vive aterrado com a hipótese da derrocada, que está consciente das suas limitações e que vive permanentemente a convencer-se que elas não existem. Jesualdo adormece todas as noites atormentado com a hipótese de ser apanhado em falso, que lhe vejam a careca ou a breguilha (esta tive de ir ver ao dicionário) aberta. E acorda, inevitavelmente, a olhar para o espelho e repetir o mesmo mantra: «és o maior, és o maior, és o maior». Foi isso que se viu ontem no final do jogo: um homem sem calças, exposto, a dizer: «sou o maior, sou o maior, sou o maior e ai de quem diga o contrário.» Enfim, estamos a 8 pontos e somos o melhor ataque do campeonato, mesmo com o Nuno Gomes, que é uma espécie de avançado mas ao contrário.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Djokopova
Foi Djokovic, afinal. Ainda há ordem no universo: o tipo que vence Federer nas meias vence a final. Intelligent design é isto. Tudo acaba bem quando acaba bem.
Mas e ninguém fala no escândalo que é o preço do leite?
O Mimosa (meio-gordo) custava 55 cêntimos aqui no super-mercado ao lado de casa. Agora custa 78 cêntimos. E eu não vejo ninguém a falar disto. Vou escrever um e-mail ao Louçã.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
A primeira consequência evidente é esta: Sousa Tavares não teria escrito o «Equador»

Os exercícios de história virtual sempre me fascinaram, com excepção das 15933 versões do «E se Hitler tivesse ganho?» Este vem com o selo de Rui Ramos. Não há como enganar.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
A salvação do mundo
O Vasco acha que não devemos convidar D. José Policarpo para as nossas universidades porque não somos obrigados a ouvir coisas destas:
«Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade...»
É uma escolha. Não somos obrigados. Isto, note-se, nas universidades, locais de conhecimento e debate. O que eu duvido é da coerência desta atitude na eventualidade de uma igreja ou instituição religiosa banir ou recusar-se a ouvir, por exemplo, Hitchens, porque este tem afirmações deste teor:
«Todas as expressões religiosas, todas as formas existenciais de afirmação e crença em Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade...»
Julgo que a «tolerância democrática» não duraria nem dois minutos. D. José Policarpo não é um analista. É um homem de fé. E para um homem de fé não há força mais destrutiva do que a negação de Deus. Não há volta a dar. A chave, Vasco, a fonte das tuas inquitações, está no conceito «Deus». O ateu não se encontra com o crente porque não falam da mesma coisa. Se falassem, o mundo estaria salvo.
P.S.: Outro motivo para o desencontro é este ânimo sobre todos os pecados dos crentes, numa tentativa de provar - empiricamente e sem margem para refutação - a falta de autoridade moral dos moralistas, que se revela no episódio do bom samaritano que ilustra o post. A religião - o cristianismo - não é um programa da Oprah. Somos pecadores e só um lunático o tentaria esconder. O argumento moral não necessita de um exército de praticantes para se fazer valer. É um autoridade em si mesmo.
«Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade...»
É uma escolha. Não somos obrigados. Isto, note-se, nas universidades, locais de conhecimento e debate. O que eu duvido é da coerência desta atitude na eventualidade de uma igreja ou instituição religiosa banir ou recusar-se a ouvir, por exemplo, Hitchens, porque este tem afirmações deste teor:
«Todas as expressões religiosas, todas as formas existenciais de afirmação e crença em Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade...»
Julgo que a «tolerância democrática» não duraria nem dois minutos. D. José Policarpo não é um analista. É um homem de fé. E para um homem de fé não há força mais destrutiva do que a negação de Deus. Não há volta a dar. A chave, Vasco, a fonte das tuas inquitações, está no conceito «Deus». O ateu não se encontra com o crente porque não falam da mesma coisa. Se falassem, o mundo estaria salvo.
P.S.: Outro motivo para o desencontro é este ânimo sobre todos os pecados dos crentes, numa tentativa de provar - empiricamente e sem margem para refutação - a falta de autoridade moral dos moralistas, que se revela no episódio do bom samaritano que ilustra o post. A religião - o cristianismo - não é um programa da Oprah. Somos pecadores e só um lunático o tentaria esconder. O argumento moral não necessita de um exército de praticantes para se fazer valer. É um autoridade em si mesmo.
Sou um previligiado
A Economist é uma revista sobre a Economia e o Mundo, vá lá, feita por ingleses. Ou seja, tem mais sentido de humor por número do que toda a produção anual das Produções Fictícias. Por exemplo, neste número que como já devem ter reparado seguro nas mãos, vem um artigo sobre o BCP intitulado «Millennium Bug» e um outro sobre um estudo de um tipo chamado Antonio Rangel que mostra como nós não só dizemos que preferimos um vinho caro a um barato, como de facto gostamos mais de um vinho se nos disserem que é caro (scans ao cérebro, e assim). Isto tudo entre o Terreiro do Paço e o Campo Pequeno.
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