É escandalosamente óbvio, e ainda mais escandaloso se torna após o visionamento do «debate» da RTPN, que o único resultado das eleições de amanhã para os não sei quê nacionais da Ordem dos Arquitectos que não envergonharia a classe seria a vitória de Manuel Vicente. A minha decisão de votar em Manuel Vicente - isto se aquela carta que recebi ontem a pedir-me 70 e tal euros para pagar «cotas» não vier a tornar-se um impeditivo, como diria Sócrates, anti-democrático* - estava já tomada há muito, mas confesso que se baseava única e exclusivamente num factor «positivo», se quisermos: gosto de Manuel Vicente. Mas o que me atropelou que nem um alfa-pendular neste «debate» (mania de se chamar «debates» a estas entrevistas simultâneas) foi a evidente melhor preparação de Manuel Vicente em relação à concorrência, pormenor que, não escondo, me surpreendeu. Estou a ser faccioso. Estou, pois estou, é mandarem as reclamações na volta do correio a ver se eu me importo. Termino este meu «apelo ao voto» (sinto-me, sei lá, quase «cívico» a dizer isto) com um pormenor auto-biográfico que julgo vir colorir esta minha intervenção aqui hoje (obrigado a todos por terem vindo): Manuel Vicente foi meu professor e na primeira vez que foi chamado a avaliar o trabalho por mim realizado disse: «vê lá se é na arquitectura que és feliz, há outros caminhos, sabes?» Tive 10, em 20, o que só prova a extraordinária intuição de Manuel Vicente para estas coisas da arquitectura. Foi o melhor 10 da minha carreira (enfim, foi o único, depois vieram outros professores não tão dotados a quem eu consegui enganar melhor).
* Anti-democrático (definição José Sócrates): tudo aquilo que é feito contra a nossa vontade.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Os meus amigos
A propósito do último filme de Sean Penn (aquele do tipo que se vai suicidar para o Alaska ao som de Eddie Vedder) reparei que os meus amigos ateus partilham uma sensibilidade com os meus amigos católicos (generalizando): ambos condenam a nossa «sociedade ocidental». A cara que me lançaram quando eu exclamei «não há melhor sociedade do que a nossa» denunciou um diagnóstico sumaríssimo de demência em estado avançado misturado com uma condenação desta minha atitude de estar «sempre a contrariar» (não posso evitá-lo, sempre gostei muito dos ingleses). Os ateus (alguns) e os católicos (alguns) não gostam do «consumismo», do «materialismo», da «impessoalidade», da «FNAC», etc. No fundo acham que a «nossa sociedade» não tem «espiritualidade», que se demitiu de ter princípios morais,* e que já ninguém é do Benfica. A diferença é que os primeiros marcam viagens para a Índia e os segundos entram numa igreja e rezam. Mas eu insisti: se não é a nossa a melhor, qual é? Não me responderam e apontaram para uma idealização utópica. Concordei. É possível imaginar essas utopias de uma «sociedade melhor». Mas julgava que o sec. XX nos tinha ensinado a não tentar «aplicar» essas «utopias». Pelos vistos enganei-me.
* Isto é uma Oxford Comma. Os Vampire Weekend têm uma canção com esse nome e este é o respectivo artigo da Wikipedia. Eu sou pela Oxford Comma.
* Isto é uma Oxford Comma. Os Vampire Weekend têm uma canção com esse nome e este é o respectivo artigo da Wikipedia. Eu sou pela Oxford Comma.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Yep
Best of:
ramp
They just put a ramp up over the stairs. My prediction: Appreciation moment about to happen.
seguido de:
Yep, an old guy was wheeled in
Robert Boyle. Art direction or something. 98 years old. I'm going to wikipedia him right now.
Este Joel Stein merece tudo de bom.
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They just put a ramp up over the stairs. My prediction: Appreciation moment about to happen.
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Robert Boyle. Art direction or something. 98 years old. I'm going to wikipedia him right now.
Este Joel Stein merece tudo de bom.
A carpete vermelha

Perdoem-me este descuido de pendor homo-erótico, mas a pobreza dos Óscares notou-se até no desfile à entrada. Sem Angelina Jolie ou Rachel Weisz (por amor de Deus, é um sacrilégio elogiar qualquer uma das grávidas deste ano à luz do padrão estabelecido por Weisz no ano passado), a minha escolha vai mesmo para Viggo Mortensen e a sua barba de fazer inveja.
O pessimista encartado
Não há palavras - por muitos argumentistas que tiremos da greve - para descrever a chatice que isto está a ser.
Owen Wilson?
Owen Wilson? Isn't that the guy who tried to kill himself a few months ago? Devo estar a fazer confusão.
(Uma piada política de direita)
Será que vão dar o Óscar de melhor argumento original aos speech writers de Obama?
Viva McCain
Stewart tenta escamotear o escândalo com humor, mas não há volta a dar: falta aqui sumo.
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