segunda-feira, 31 de março de 2008
Paulo Pires
Há um bate-papo lá no Estado Civil entre o Pedro Mexia e Jorge Silva Melo que deve ser acompanhado.
Nouvel
Apesar de ter sentido o edifício do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, como uma das minhas maiores desilusões, o Pritzker entregue a Jean Nouvel é merecido e não será alvo de muitas contestações. Nouvel tem sido um dos arquitectos que melhor tem conseguido harmonizar a técnica contemporânea da construção com o imperativo artístico da arquitectura. E isto lembra-me a definição que o segundo melhor arquitecto de todos os tempos dava do ofício: «a humanização da técnica».
Lembro-me também de um documentário que a RTP2 passou há uns anos sobre Jean Nouvel. Às tantas falava-se de um projecto de um edifício para Praga, se não me engano, para uma praça que tinha «anjo» algures no nome. A ideia era serigrafar no vidro da fachada um anjo, mas o que é a imagem de um anjo? Nouvel encarregou um colaborador dessa pesquisa, e nós assistimos à apresentação desse portfolio. Imagens de «anjos» página atrás de página até que aparece uma imagem duma coelhinha da Playboy. Aí Nouvel mandou parar e, sem conseguir esconder o sorriso, mostrou-se agradado com a conotação angelical que se estava a dar a Pamela Anderson, e espetou duas ou três larachas sobre «anjos». Como eu disse, um Pritzker merecidíssimo.
Lembro-me também de um documentário que a RTP2 passou há uns anos sobre Jean Nouvel. Às tantas falava-se de um projecto de um edifício para Praga, se não me engano, para uma praça que tinha «anjo» algures no nome. A ideia era serigrafar no vidro da fachada um anjo, mas o que é a imagem de um anjo? Nouvel encarregou um colaborador dessa pesquisa, e nós assistimos à apresentação desse portfolio. Imagens de «anjos» página atrás de página até que aparece uma imagem duma coelhinha da Playboy. Aí Nouvel mandou parar e, sem conseguir esconder o sorriso, mostrou-se agradado com a conotação angelical que se estava a dar a Pamela Anderson, e espetou duas ou três larachas sobre «anjos». Como eu disse, um Pritzker merecidíssimo.
Um desafio
A opção Chelas - Barreiro é um traçado para a nova ponte que necessita de vários estudos e pareceres técnicos, sem dúvida. Mas estamos a falar de estudos de engenharia ou de estudos económico-financeiros? Não. A opção Chelas - Barreiro é acima de tudo um desafio semântico e sociológico.
sexta-feira, 28 de março de 2008
«Não é possível ser-se bom sem se ser, ao mesmo tempo, mau. Não há Zidane sem cabeçada no italiano, nem Roma sem trânsito, nem Bárbara sem Carrilho.»
Ando há demasiado tempo demasiado chocado com a demasiada ignorância que a blogosfera tem aplicado ao blogue do Lourenço Viegas.
Reconheço que pode haver aqui uma identificação biográfica que tem origem no nome próprio com que as nossas mães decidiram carimbar (infligir, melhor) os respectivos filhos. Não que eu me sinta reconfortado cada vez que me deparo com um homónimo - aliás, esses acontecimentos infelizes costumam provocar-me uma reacção, digamos, oposta, mas isso levar-nos-ia a toda uma explanação de cicatrizes auto-biográficas que não têm cabimento aqui - mas porque o Lourenço Viegas revela na curtíssima apresentação que disponibiliza lá no blogue um dado importante: a razão da sua maleita parece ser a mesma da minha. Viegas nasceu em Lourenço Marques, há 54 anos, e não posso deixar de converter essa aparente coincidência toponímica num dado decisivo no registo da sua identidade: Viegas chamar-se-à Lourenço porque nasceu em Lourenço Marques, uma cidade que é conhecida por ter deixado muitas saudades aos colonos que por lá passaram. Ora, eu não nasci em Lourenço Marques mas - mas - nasceu a minha mãe. Cresci a ouvir essa atenuante, que eu me chamo assim porque Lourenço Marques - e ai do comensal que se refira àquela cidade como Maputo - se chama Lourenço Marques. Reconheço que a importância que a veracidade desta causalidade tem no meu bem estar psíquico poderá ter-me toldado o juízo histórico e que talvez as coisas não se passem totalmente assim - é também verdade que uma das minhas bisavós viveu uma paixão eterna por um tal de Lourenço que não foi capaz de lhe conquistar o altar por motivos técnico-financeiros - mas vamos acreditar que sim. Assim sendo, há aqui um padrão: os Lourenços que têm o infortúnio de assim se chamar por causa da cidade moçambicana são pessoas com inegáveis talentos literários, e isto é uma conclusão a que eu gostava que todos nós aqui presentes hoje pudéssemos chegar.
Reconheço que pode haver aqui uma identificação biográfica que tem origem no nome próprio com que as nossas mães decidiram carimbar (infligir, melhor) os respectivos filhos. Não que eu me sinta reconfortado cada vez que me deparo com um homónimo - aliás, esses acontecimentos infelizes costumam provocar-me uma reacção, digamos, oposta, mas isso levar-nos-ia a toda uma explanação de cicatrizes auto-biográficas que não têm cabimento aqui - mas porque o Lourenço Viegas revela na curtíssima apresentação que disponibiliza lá no blogue um dado importante: a razão da sua maleita parece ser a mesma da minha. Viegas nasceu em Lourenço Marques, há 54 anos, e não posso deixar de converter essa aparente coincidência toponímica num dado decisivo no registo da sua identidade: Viegas chamar-se-à Lourenço porque nasceu em Lourenço Marques, uma cidade que é conhecida por ter deixado muitas saudades aos colonos que por lá passaram. Ora, eu não nasci em Lourenço Marques mas - mas - nasceu a minha mãe. Cresci a ouvir essa atenuante, que eu me chamo assim porque Lourenço Marques - e ai do comensal que se refira àquela cidade como Maputo - se chama Lourenço Marques. Reconheço que a importância que a veracidade desta causalidade tem no meu bem estar psíquico poderá ter-me toldado o juízo histórico e que talvez as coisas não se passem totalmente assim - é também verdade que uma das minhas bisavós viveu uma paixão eterna por um tal de Lourenço que não foi capaz de lhe conquistar o altar por motivos técnico-financeiros - mas vamos acreditar que sim. Assim sendo, há aqui um padrão: os Lourenços que têm o infortúnio de assim se chamar por causa da cidade moçambicana são pessoas com inegáveis talentos literários, e isto é uma conclusão a que eu gostava que todos nós aqui presentes hoje pudéssemos chegar.
Clube de fãs
O novo casamento
Não sei se o meu currículo (quatro casamentos; dois com a mesma pessoa) me impede de escrever sobre essa venerável instituição, se ainda é venerável e, sobretudo, instituição, que, suponho, seguindo o admirável Zapatero e o amor nacional pelo "moderno", o PS pretende agora reformar. O casamento era, para o Estado, um compromisso legal e, para a Igreja, um sacramento. Criava deveres, como criava direitos. Mas, segundo Alberto Martins, parece que já não deve assentar na lei, seja ela qual for sempre coactiva. Deve assentar na consoladora liberdade do afecto. Ou, por outras palavras, deve passar de um contrato perpétuo a uma espécie de encontro temporário, logicamente revocável, se o afecto de qualquer das partes, por natureza etéreo e fugidio, deixar de existir.
O PS também pretende abolir a culpa do processo de divórcio, abolindo o divórcio litigioso. Para começar, porque a própria noção de culpa tresanda a cristianismo e à sua variante católica, tradicionalmente obcecada pelo pecado da carne e pela influência corruptora da mulher. E depois porque a consciência contemporânea se emancipou da culpa, quando não se trata de multiculturalismo ou feminismo, de pedofilia ou de ambiente, ou, pior do que isso, de um atentado cego e celerado contra o nosso divino corpo, como por exemplo fumar um cigarro. Aí o Estado não hesita em proibir e punir. Quanto ao resto, o Estado pretende, e muito bem, tornar fácil o prazer, que nos justifica e alimenta. A inconveniência de um cônjuge ou o estéril escrúpulo de o abandonar pode (vem nos livros) coibir esse prazer. Declarar o afecto caduco resolve o assunto.
Infelizmente, não ocorreu ao PS (como antes não tinha ocorrido ao Bloco) que o novo casamento, se merece a palavra, só beneficia a classe média próspera. E, dentro da classe média próspera, beneficia o homem mais do que a mulher, porque evidentemente o homem ganha em média mais do que a mulher. Quanto à multidão que sobra, e pela mesma razão, a vantagem do homem é arrasadora. Fora que o mercado de trabalho favorece o homem e desfavorece a mulher (invariavelmente a última contratada e a primeira despedida) e que a mulher fica em geral com os filhos, um encargo sem preço. Dito isto, falta esclarecer um mistério: para que serve agora o casamento de homossexuais?
Vasco Pulido Valente, hoje no Público
Não sei se o meu currículo (quatro casamentos; dois com a mesma pessoa) me impede de escrever sobre essa venerável instituição, se ainda é venerável e, sobretudo, instituição, que, suponho, seguindo o admirável Zapatero e o amor nacional pelo "moderno", o PS pretende agora reformar. O casamento era, para o Estado, um compromisso legal e, para a Igreja, um sacramento. Criava deveres, como criava direitos. Mas, segundo Alberto Martins, parece que já não deve assentar na lei, seja ela qual for sempre coactiva. Deve assentar na consoladora liberdade do afecto. Ou, por outras palavras, deve passar de um contrato perpétuo a uma espécie de encontro temporário, logicamente revocável, se o afecto de qualquer das partes, por natureza etéreo e fugidio, deixar de existir.
O PS também pretende abolir a culpa do processo de divórcio, abolindo o divórcio litigioso. Para começar, porque a própria noção de culpa tresanda a cristianismo e à sua variante católica, tradicionalmente obcecada pelo pecado da carne e pela influência corruptora da mulher. E depois porque a consciência contemporânea se emancipou da culpa, quando não se trata de multiculturalismo ou feminismo, de pedofilia ou de ambiente, ou, pior do que isso, de um atentado cego e celerado contra o nosso divino corpo, como por exemplo fumar um cigarro. Aí o Estado não hesita em proibir e punir. Quanto ao resto, o Estado pretende, e muito bem, tornar fácil o prazer, que nos justifica e alimenta. A inconveniência de um cônjuge ou o estéril escrúpulo de o abandonar pode (vem nos livros) coibir esse prazer. Declarar o afecto caduco resolve o assunto.
Infelizmente, não ocorreu ao PS (como antes não tinha ocorrido ao Bloco) que o novo casamento, se merece a palavra, só beneficia a classe média próspera. E, dentro da classe média próspera, beneficia o homem mais do que a mulher, porque evidentemente o homem ganha em média mais do que a mulher. Quanto à multidão que sobra, e pela mesma razão, a vantagem do homem é arrasadora. Fora que o mercado de trabalho favorece o homem e desfavorece a mulher (invariavelmente a última contratada e a primeira despedida) e que a mulher fica em geral com os filhos, um encargo sem preço. Dito isto, falta esclarecer um mistério: para que serve agora o casamento de homossexuais?
Vasco Pulido Valente, hoje no Público
O retroactivo
Foi no dia 14 de Maio de 1994. O jogo decidia o título. Choveu muito antes e durante o jogo. Dizia-se, o João Pinto não se dá bem com terrenos pesados. Durante a primeira parte, não se deu outra coisa: hat-trick de João Pinto, Benfica 3, Sporting 2. Não se sabe o que disse Queiroz no balneário, mas sabe-se o que fez. À saída das cabines, Paulo Torres não subiu ao relvado. Gostava que reparassem que os 3 golos do Benfica na segunda parte começam todos onde deveria estar Paulo Torres. Foi no dia 14 de Maio de 1994, e desde esse dia que todos os benfiquistas carregam uma dívida de gratidão para com Queiroz. Dêem-lhe um ordenado chorudo, à laia de retroactivos.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Inácio
Por muito que não gostemos de Scolari (não gostamos) é bom que não nos fuja do horizonte a seguinte evidência: a selecção passou 10 anos a viver à custa de dois dos melhores jogadores de futebol das últimas duas décadas: Figo e Rui Costa. O Figo e o Rui Costa foram - e esta é para a geração YouTube - muito melhores do que aquilo que o Quaresma, o Moutinho, o Simão e o Nani alguma vez serão. Isto é um facto, não um juízo. Com a saída de Figo e Rui Costa tornou-se absolutamente obrigatório encontrar alternativas. E se Cristiano Ronaldo chega e sobra para fazer esquecer Figo, não foi possível encontrar em solo português alguém que fizesse o mesmo por Rui Costa, e por isso fomos obrigados a importar um produto estrangeiro: Deco. E sempre que Deco não joga o resultado é o que se viu ontem. É simples. Scolari é burro (é), mas até o Inácio foi campeão pelo Sporting.
Nuno Gomes
Meus amigos, o jogo de ontem poderia ter corrido muito pior: é só imaginar aqueles golos do Karagounis a serem marcados pelo Carlos Martins. Aí sim, era europeu pelo cano abaixo.
terça-feira, 25 de março de 2008
Quiz
Estou a ler um livro muito bom, tão bom que me apetece dizer que ele é muito bom mesmo tendo só lido 40 páginas. E como só li 40 páginas não revelo o título deste livro que eu acho que é muito bom, porque as restantes 550 páginas podem constituir uma desilusão e depois era uma chatice. Mas deixo pistas: é um livro de um autor que escreveu nos anos 90 um romance com nome de animal sobre o julgamento de um fictício ditador do leste europeu, e que tem como título um conjunto de palavras que lidas na diagonal ameaçam ser a biografia de um treinador de futebol português, de quem se disse ter sofrido uma lobotomia nos mesmos anos 90.
Um grande abraço.
Um grande abraço.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Ricardo
«É estranho ver o Sporting a jogar sem o Ricardo»,
disse Ricardo. Ao que Ricardo completou: «tens razão, Ricardo». Ricardo, por sua vez, remeteu-se ao silêncio e disse que só falará depois de consultar Ricardo, que é quem gere para Ricardo os assuntos de Ricardo. O Sporting já veio a público esclarecer que mais estranho do que ver o Sporting jogar sem Ricardo é ver Ricardo jogar sem o Sporting, o que forçou Ricardo a declarar que pior do que ver o Ricardo a jogar sem o Sporting é ver o Ricardo a jogar sem o Ricardo, que já aconteceu por três vezes esta época. Já ver o Sporting a jogar sem o Sporting é algo a que Ricardo, bem como Ricardo e todos os assinantes da Sporttv, já se habituou esta época. O Dalai Lama apelou à calma.
disse Ricardo. Ao que Ricardo completou: «tens razão, Ricardo». Ricardo, por sua vez, remeteu-se ao silêncio e disse que só falará depois de consultar Ricardo, que é quem gere para Ricardo os assuntos de Ricardo. O Sporting já veio a público esclarecer que mais estranho do que ver o Sporting jogar sem Ricardo é ver Ricardo jogar sem o Sporting, o que forçou Ricardo a declarar que pior do que ver o Ricardo a jogar sem o Sporting é ver o Ricardo a jogar sem o Ricardo, que já aconteceu por três vezes esta época. Já ver o Sporting a jogar sem o Sporting é algo a que Ricardo, bem como Ricardo e todos os assinantes da Sporttv, já se habituou esta época. O Dalai Lama apelou à calma.
E eu acabei de pagar hoje mesmo um IMT indevido, pelo que estou particularmente irritadiço com tudo o que meta «finanças» e «prostitutas»
DGCI ameaça noivos com coimas se não derem informações sobre o casamento
Ou seja, uma filha da putice sem grandes subtilezas, é o que é. Quando o assunto é droga o argumento passa sempre por defender o consumidor e penalizar o prestador do serviço: pode consumir-se, mas não se pode vender. Já quando o assunto é prostituição o argumento muda: pode fornecer-se o serviço, não pode é consumir-se. Pelos vistos, a direcção dos impostos está usar este último modus operandi no que toca à evasão fiscal dos negócios dos casamentos, equiparando assim o copo de água à prostituição: o mau da fita é quem come os croquetes, não quem os fabrica e vende. Há aqui um post para ser escrito, uma metáfora humorística a querer saltar da toca, que ainda não se me apareceu em todo o seu esplendor. Raios.
Ou seja, uma filha da putice sem grandes subtilezas, é o que é. Quando o assunto é droga o argumento passa sempre por defender o consumidor e penalizar o prestador do serviço: pode consumir-se, mas não se pode vender. Já quando o assunto é prostituição o argumento muda: pode fornecer-se o serviço, não pode é consumir-se. Pelos vistos, a direcção dos impostos está usar este último modus operandi no que toca à evasão fiscal dos negócios dos casamentos, equiparando assim o copo de água à prostituição: o mau da fita é quem come os croquetes, não quem os fabrica e vende. Há aqui um post para ser escrito, uma metáfora humorística a querer saltar da toca, que ainda não se me apareceu em todo o seu esplendor. Raios.
Não tenho a mais pequenas das simpatias pelo Tibete e respectivo regime
É que não tenho mesmo. Mas mando à mesma um abraço atrasado de Boa Páscoa para o Dalai Lama.
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