sexta-feira, 11 de abril de 2008
When two worlds colide
O Tiago Cavaco foi ao Goucha e eu não sei o que pensar disto. Há aqui uma sobreposição de conceitos contraditórios que está a provocar algo que pode ser descrito como um curto-circuito dentro da minha cabeça. É suposto respeitarmos alguém que vai fazer playback ao Goucha? Não sei, não sei... E depois disto, com que autoridade nos falará do Livro de Jeremias? Não sei, não sei...
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Como eu te percebo, Miguel
Uma das vantagens de não se ter lido Miguel Esteves Cardoso então é estar a ler hoje o melhor cronista português pela primeira vez (mais ou menos). Ler pela primeira vez, por exemplo, a crónica «Intimidades» (Último Volume, pags. 161-165) é assistir a uma obra-prima na primeira fila. Ao fim do primeiro parágrafo - ali entre o Marquês de Pombal e Picoas - tive uma conversa comigo mesmo: vou postar esta merda (nós somos assim, postamos em qualquer lado: o melhor instrumento do bloguista é a memória, não acreditem no contrário). Ao fim do segundo parágrafo, a mesma coisa. O terceiro, também. E o quarto, o quinto, o sexto... O texto é um hino, e é sacrilégio truncar hinos. Quando tiver tempo venho cá prestar o respectivo copy paste.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
O golo do Sami Hyypiä de ontem foi o melhor golo de cabeça num canto que eu já vi na vida
Isto não é golo do Hyypiä. Isto são os golos do Cruzeiro 6 - 0 Bahia de 1993. 5 deles foram marcados pelo «menino». Porque no futebol a memória é uma coisa bonita.
O fado, o periquita branco e o atum em puré de maçã
O fado é dos géneros musicais - se é um género musical - mais subtilmente codificados. Aparentemente é uma expressão quase bidimensional, sem profundidade, que não demora mais do que dois temas a apreender. Por ser formalmente muito rígido naquilo que é a sua forma «tradicional» - e «tradicional» é uma palavra muito cara no «meio» - o ouvinte cai facilmente na tentação de tomar a parte pelo todo e emite com a rapidez de uma tocha olímpica - desde que não transportada por Pedro Pauleta - o seu juízo muitas vezes final. Como se diz na gíria, gera ódios ou paixões infinitas. Sendo que para quem nunca o chega a compreender seja bastante mais fácil gerar amores se o cidadão morar em Alfama ou for aficionado tauromáquico, o que é ilustrativo dos preconceitos vigentes, pelo menos vigentes, e vamos interpretar isto como meramente ilustrativo, em mim. Que o fado é formalmente rígido é um facto e não vale a pena demorarmo-nos muito tempo aí, até porque a maioria das tentativas que me chegaram ao ouvido de fugir a essa rigidez resultaram em disparate. Então o que pode fazer um pessoa em abstracto - eu, por exemplo, for the sake of argument - «gostar» de um fado? O mesmo que faz alguém gostar de um blues. Ou seja, obrigado, um verso, um verbo, ou às vezes apenas um adjectivo. Se, absolutamente por acaso, há uma identificação momentânea entre o ouvinte e aquele que empresta a sua voz ao sofrimento, então há eficácia, e toda aquela «rigidez» ou «reaccionarismo» musical é colocada no devido lugar numa ordem qualquer das coisas. Eu não gosto de fado, não posso dizer que sim, longe disso (sou um urbano-chique que acha bem gostar de Camané, porque gosto, apesar daquela mania dele em aparecer nos comícios do Bloco). No entanto às vezes acontece que um determinado estado de espírito se vê reconhecido num tema à revelia do seu portador, e nesses casos não sou capaz de impedir uma sensação de conforto. Não sei se estamos perante um guilty pleasure - não me parece que Carlos do Carmo possa ser comparado aos Scissor Sisters - mas há-de ser alguma coisa com um grau de parentesco não muito distante. Seja como for, não vou ler teses de mestrado sobre o tema.
Este texto foi patrocinado pelo bar aberto da Festa do Peixe, que se está a passar a dois quarteirões da minha casa, e pelo meu amigo fadista que me estendeu amigavelmente o convite (obrigado Rodrigo - não esse, dou-me lá com gente de rabo de cavalo, outro, bem mais talentoso). E pelo menu degustação penta do Gemelli, que é fabuloso.
Este texto foi patrocinado pelo bar aberto da Festa do Peixe, que se está a passar a dois quarteirões da minha casa, e pelo meu amigo fadista que me estendeu amigavelmente o convite (obrigado Rodrigo - não esse, dou-me lá com gente de rabo de cavalo, outro, bem mais talentoso). E pelo menu degustação penta do Gemelli, que é fabuloso.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Vampire Weekend
O Gonçalo retribuiu-me o favor: Vampire Weekend na Casa da Música a 30 de Maio. Não sei como vou conseguir colocar a minha mulher no Porto às 20h de uma sexta-feira, mas que vou, vou.
O comando é meu
His first, second and third live stand up shows. His first, second and third live stand up shows. His first, second...
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Cockfight
O programa é pago por nós e deve ter como propósito a discussão democrática, ou o pluralismo ideológico, ou qualquer uma dessas coisas assim. Os partidos são convidados a participar nesta festa da democracia, e como é óbvio escolhem o lutador que eles julgam que irá representá-los melhor. É mais ou menos como uma luta de galos, mas mais inestético. Para quem viu, como eu (a minha vida às vezes toma rumos inexplicáveis) Marcos Perestrello, Nuno Melo, Ana Drago, uma senhora jovem do PCP que à primeira vista quase que parece gira mas depois vamos a ver e afinal - uf - não é e cujo nome não registei, e Marco António (que está lá para fazer com que os outros não pareçam assim tão maus), percebe que a «violência nas escolas» está longe de ser a coisa que mais nos envergonha neste momento.
E já agora eu gostava de dizer uma ou duas palavras sobre a «violência nas escolas», porque sucede que eu tenho a solução. Acabe-se com «os jovens» e com a palavra «juventude». Não estou a ser sarcástico. Experimentem: de «criança» passe-se para «adulto». «Criança» até aos 15 anos, «adulto» depois dos 16. Descubram a cura para «os jovens», um insecticida ou assim, que possa, através de um mecanismo infecto-contagioso que só ataque «os jovens», limpar da face da terra (pelo menos das cidades com mais de 250 mil habitantes) essa derivação da erva daninha que dá pelo nome de «os jovens» e estaremos safos. A Segurança Social já está bem lixada, mais contribuinte menos contribuinte não fará diferença.
E já agora eu gostava de dizer uma ou duas palavras sobre a «violência nas escolas», porque sucede que eu tenho a solução. Acabe-se com «os jovens» e com a palavra «juventude». Não estou a ser sarcástico. Experimentem: de «criança» passe-se para «adulto». «Criança» até aos 15 anos, «adulto» depois dos 16. Descubram a cura para «os jovens», um insecticida ou assim, que possa, através de um mecanismo infecto-contagioso que só ataque «os jovens», limpar da face da terra (pelo menos das cidades com mais de 250 mil habitantes) essa derivação da erva daninha que dá pelo nome de «os jovens» e estaremos safos. A Segurança Social já está bem lixada, mais contribuinte menos contribuinte não fará diferença.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Self-consciousness
Ouvi ontem a entrevista que Carlos Vaz Marques fez a Mayra Andrade. Foi uma entrevista que me pacificou muito. Foi, como se costuma dizer, uma entrevista difícil. Mayra, e esta é a verdade, não tem muito para dizer e apresenta-se com aquela self-consciousness própria de quem vive - e sempre viveu - rodeado de elogios. Imagino que desde criança Mayra tenha sido afogada em piropos constantes, primeiro devido à sua beleza depois, a acrescer a isso, à sua voz. Resultado: uma diva mimada que diz não reter os «elogios» que são escritos. Foi uma entrevista difícil e desinteressante. Eu fiquei pacificado. Deus, afinal, não está a gozar connosco.
Deus a gozar connosco:
Deus a gozar connosco:
quarta-feira, 2 de abril de 2008
terça-feira, 1 de abril de 2008
O Diário de Adrian Mole
Andam a fazer pouco de mim por causa dos The National. Fui, nos últimos dias e provavelmente por culpa própria, reduzido a uma espécie de existência não muito distante daqueles mamíferos (e alguns invertebrados) que compra tendas para as ante-estreias dos Star Trek. Mas a verdade é que todos aqueles a quem apresentei a banda correm aí pelos cantos exteriorizando sintomas tão ou mais graves do que os meus. Já tenho a discografia completa, tens o EP do Libération?, dizem em tom trocista. Ou adormeço todos os dias com o The Geese of Beverly Road e os meus sonhos tornaram-se muito mais prazenteiros. O problema é que nem a personificação exterior destas infelicidades me fez ver a evidente tristeza que é isto tudo e não me impediu de há 10 minutos atrás ter enviado um email sem título cujo conteúdo integral se escrevia com estas letras: «O Macaco não é o Blank State, é o Lit Up». Como o Google arquiva esta merda até ao infinito (embora não até Marte, JPP) um dia mais tarde vou olhar para trás e congratular-me com a minha recuperação.
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