terça-feira, 10 de junho de 2008

Sobre a «raça»

Tudo o que havia para dizer sobre a disparatada reacção da esquerda às disparatadas palavras de Cavaco sobre a «raça» foi dito e muito bem pelo Nuno Miguel Guedes.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Futebol

Ténis em vez de futebol? O que querem, ainda estou chocado pelo facto de os dois melhores jogadores em campo no jogo de sábado terem sido o Petit e o Nuno Gomes. Falar do Euro e falar da «nossa selecção» seria comprar guerras que não posso alimentar, portanto fico-me por aqui.

Terra batida: uma vergonha

Que um jogador como Rafael Nadal acabe de ganhar (outra vez) a Roger Federer por 6-1, 6-3, e 6-0, só prova que a terra batida devia ser eliminada de uma vez por todas da lista dos pisos oficiais para se jogar ténis. Não digo que Nadal seja medíocre (mas sem o dizer já o disse), ou que seja o melhor dos medíocres (mas sem o dizer, bla bla bla), mas peço-vos que vos lembreis dos especialistas de terra batida dos últimos anos e procurem nessa lista jogadores memoráveis. Não há. Há sim jogadores memoráveis que também foram memoráveis na terra batida (Borg, Lendl, e já vamos nos anos 80). Mas o especialista da terra batida, aquele jogador que volta não volta vem dizer que já ganhou tudo o que havia para ganhar mas mesmo assim não chega a número 1 (Muster), esquecendo convenientemente que o ténis não se joga só sobre o saibro, é um jogador que vinga por tirar partido das características do pó-de-tijolo: ressaltos nas linhas, jogo lento, mais pernas do que o adversário, gostar do vento, buracos a meio do court, mais vento, mais ressaltos, mais bolas rápidas que puxam do travão de mão mal tocam no chão, mais vento, etc. A terra batida julga ser o mais democrático dos pisos, mas só o é na asserção comunista de democracia: igualdade em vez de liberdade. A terra batida nivela por baixo, reduz tudo à semi-mediocridade, e vai tornar-se responsável por nunca ter dado um Grand Slam aos dois maiores jogadores de ténis da história da humanidade. É uma vergonha.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Skoda-se

(...) O encerramento, ainda que temporário, da Praça das Flores, alugada, mercantilizada, a uma marca de fabricante de automóveis, é simbólica do desprezo que é concedido ao espaço público. E da sujeição da política – polis – aos interesses privados, ainda que legítimos. O desdém institucional pelos cidadãos não é, também, de menor gravidade. Se a ideia de V. Excia. de “democracia participativa” passa pela exclusão dos cidadãos das decisões, creio que labora num erro que fere a cidade e a política. Se o conceito de V. Excia de cidade e cidadania passam pela segregação e pelo ressentimento – que na prática é o resultado imediato desta decisão de vender por trinta dinheiros a Praça das Flores – é lamentável. E politicamente hipócrita. (...)

O João escreve uma carta aberta a Sá Fernandes sobre o aluguer da Praça das Flores à Skoda

Bolinha

Parece que um tribunal aí mandou dizer que touradas só com bolinha e depois das 22.30. A «notícia» foi tratada com o merecido silêncio, mas os blogues estão cá para tapar os buracos. E que tenho eu a dizer sobre isto? Que, número um, não me podia estar mais nas tintas se a tourada dá com bolinha ou quadradinho e às 22.30 ou às 02.45; e, número dois, que acho muito mal na medida em que coloca em «horário nobre» uma programação lamentável e que dificulta a vida de quem só tem quatro canais. Talvez por isso já tenha assinado a televisão paga, até porque não sou burro: ao assinar agora oferecem-me a Sporttv durante o primeiro mês, e em que mês é que estamos? (O tribunal que se deixe é de merdas, porque aquele torso nu do Cristiano Ronaldo pode muito bem passar por pornografia, e se vamos levar esta coisa do ambientalismo* até ao fim acabamos todos a ver a Rua Sésamo à meia-noite só porque está lá a Alexandra Lencastre.)

*«I came out here to enjoy nature. Don't talk to me about the environment.» Danny Crane, claro.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Estamos

em 2048 e Osvaldo Manuel Silvestre escreveu o obituário de Pedro Mexia.

Psst

Há vida ali.

You've done it again, Virginia



Se eu disse que isto não me foi entregue agora mesmo estaria a mentir. Voltarei para a review.

Pergunta retórica

Mais alguém adora esta batalha de egos entre Lobo Antunes e Saramago?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

«Dançar»

Há pessoas que não dizem os 'R's; eu não danço. Minto: danço. Danço se. Das duas uma: ou estou emocionalmente alterado (o álcool pode ajudar) ou danço por aquela canção me faz dançar. Acontece em festas: há um DJ que mete música (geralmente e quase sempre de mau gosto) e as pessoas dançam. Não dançam aquele tema, não dançam porque estão a comemorar seja o que for. Dançam porque lhes apetece dançar e o pretexto surgiu. Acho isto muito estranho. Nunca me apetece dançar, mesmo quando estou a dançar. Se - suponhamos - estou a ouvir Vampire Weekend e o pezinho começa a balançar, não o impeço, mas não me orgulho. E sei que estou a fazer má figura (danço mal, como toda a gente que dança pouco.) Em geral os homens fazem má figura a dançar, e quando não fazem geralmente ou são gays ou engatatões. Feliz e infelizmente (respectivamente) nunca foi nenhuma das duas, pelo que costumo optar pela abstinência. Foi o Pedro Mexia que disse uma vez que quem gosta muito de dançar gosta muito de sexar. Estou de acordo, mas há que respeitar a nuance de o inverso não ser necessariamente verdade e seguirmos em frente com as nossas vidas sem preconceitos nem discriminações.

domingo, 1 de junho de 2008

Indesmentível

- Epá, isso filosoficamente e doutrinariamente é indesmentível...
- Pois pá, ...

Dois senhores que se cruzaram comigo ali na Rua da Conceição.

Manuela (III)

Ora, há também a satisfação de perceber - finalmente - que as directas são boas. Acredito filosofica e doutrinariamente - nas directas, mas até agora os exemplos assustavam um bocadinho. Com a eleição de Manuela Ferreira Leite ficou provado que as bases não são parvas e que o povo não se deixa levar. E não será destituído falar-se na boa e má moeda.

Manuela (II)

Escrevi no post anterior que Manuela Ferreira Leite vai ter muito trabalho pela frente. Vai deparar com gente rancorosa e com gente subtil. Uma mulher divorciada, avó, quase com 70 anos e a quem em tempos os adoráveis estudantes universitários brindaram com cartazes que diziam "Ó vaca: dá cá o leite!" , ultrapassará esses obstáculos.
MFL entrou como luva de lã em mão gelada. A sua liderança resulta do abandono do líder anterior e foi desejada: isto é cimento natural. A partir daqui, sem projectos megalopatas ou de ocupação de trincheiras, e não sendo delfim de Cósimo, MFL poderá falar para o país.
As próximas eleições são no Inverno e uma voz franca e calorosa será certamente ouvida.

Filipe Nunes Vicente

Manuela (I)

Antes de outras observações, o seguinte: Manuela Ferreira Leite é a primeira mulher líder de um partido político com expressão parlamentar em Portugal. Sem quotas.

Francisco José Viegas, como sempre a separar-nos o trigo do joio.

Comic relief

É supersticioso?

Acredito em Deus, acredito nas coisas positivas (...)

Luís Figo, em entrevista à Única