terça-feira, 8 de julho de 2008

Mr. November



(Sim, sim, mas estes tipos fazem-no com gosto.)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Por exemplo

A Avenida da Liberdade, em Lisboa, é um departamento municipal espanhol. Até estranhei a presença, dentro do adequado blusão, do dr. António Costa por causa do incêndio de um prédio devoluto ocorrido esta madrugada. O prédio é de uma imobiliária castelhana que, naturalmente, tanto se lhe dá que arda como não. Seria interessante recensear os nossos pequeninos Champs-Élysées em termos de propriedade. Talvez se percebesse a lógica do blusão. Como que a dizer, "eu sou apenas figurante nesta película espanhola".

João Gonçalves

E quem diz a Avenida da Liberdade diz a Baixa. Por exemplo.

Assim como

Isto



está para isto



assim como isto



está para isto



Não me peçam para explicar, tudo isto é extremamente simples.

Rei Artur



Bom. Vamos lá a ter calma. Queria só lembrar à população que em Janeiro o Roger tinha uma mononucleose e que o Nadal não sabe falar inglês. No jogo de ontem Federer fez 52 erros não forçados e teve uma taxa de primeiros serviços de 66%. Nadal fez mais 5 pontos do que Federer (209 vs. 204) sendo que fez menos 25 erros não forçados. Os números só servem para mostrar que quem esteve ontem em campo foi um Federer em baixo de forma, e que mesmo assim foram precisas 5 horas para o Cristiano Ronaldo do ténis conseguir ganhar (tenho aqui uma teoria, sim, mas fica para a próxima.) O único dado estatístico com o qual não me conformo é o facto da namorada de Federer ser tão pouco atraente, e isto baralha-me.

Entretanto ardeu mais um prédio devoluto no centro de Lisboa, e parece que toda a gente acha isto «normal».

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ó, angústia

Estou aqui para a luta, e não o escondo. Mas há um fantasma que me persegue, uma hipótese que testará a minha lealdade, um buraco negro no horizonte. Já todos perceberam que falo da hipótese de ver publicada na segunda-feira uma defesa das declarações de Ferreira Leite por parte de João César das Neves. Meu Deus, porque me tentas?

Pais, filhos e gays

Pais, filhos e gays, por João Pereira Coutinho (outra vez).

Como fazer coisas com palavras

À saída ficámos a discutir se acabáramos de ver uma peça que só podia ter saído da cabeça de alguém «ligado às palavras» (como eu defendia) ou de alguém «ligado ao Direito» (como ela defendia). Eu não sabia que uma «performativa» podia ser tema de cadeira jurídica (como é), e fiquei curioso sobre se o Pedro Mexia (um homem ligado às palavras e - não há como evitá-lo, Pedro - ao Direito) o sabe, mas a verdade é que faz todo o sentido (se fazemos coisas com palavras é porque essas coisas têm consequências). Mas vamos à peça. Há dois momentos de grande inspiração que justificam o seu sucesso (como eu o classificaria) e nenhum deles se passa (passou) em cima do palco do S. Luiz: o primeiro foi ter percebido que era possível e até interessante adaptar uns textos sobre a filosofia da linguagem ao palco; o segundo foi ter percebido que a pessoa ideal para o interpretar era Ricardo Araújo Pereira. Porque a partir daqui tudo parece mais ou menos evidente e, portanto, pouco surpreendente, mas isso não nos pode fazer ignorar o facto de que estas decisões revelaram um notável faro para a coisa. Como fazer coisas com palavras é uma homenagem à linguagem e um convite à exploração de novas formas de olhar para as coisas comuns (para os leigo em filosofia da linguagem). Ou seja, e isto parece-me óbvio, algo de muito semelhante à fotografia: uma boa fotografia é sempre um objecto interpelativo mas incapaz de impedir que haja quem, cepticamente, a considere apenas uma imagem recolhida mecanicamente. Os cépticos, ou aqueles que não se deixaram influenciar pela performance de Araújo Pereira no palanque, dirão que Como fazer coisas com palavras é uma peça com um alcance e interesse limitados, que explora em demasia duas ou três curiosidades mais ou menos evidentes. E a verdade é que a adaptação para teatro das conferências de John Austin terá necessariamente de ter passado por uma enorme simplificação e purga dos textos originais, de modo a permitir uma comunicação eficaz em 70 minutos, dando especial ênfase à dimensão lúdica dos textos. É esta dimensão lúdica que se assume como a maior homenagem à linguagem: ao conseguir divertir uma plateia não iniciada com considerações sobre as palavras, os autores partilham o entusiasmo que lhes suscitam os textos originais e conseguem um efeito mais pedagógico do que aquele que certamente esperavam. O despertar da consciência adormecida pela repetição quotidiana da linguagem corrente para o enorme potencial social que essas palavras carregam é a grande aprendizagem que se faz na plateia do S. Luiz. Ricardo Araújo Pereira sua - literalmente - para o conseguir fazer, e mesmo tornadas evidentes as suas fragilidades como actor (não consegue evitar recorrer a tiques já construídos para outras personagens suas) o objectivo da palestra é plenamente atingido: o espectador sai da sala com maior medo - vá lá, receio - de usar certas palavras em certos contextos de certas maneiras. Sai mais desperto para o discurso e com maior respeito pela linguagem, e não imagino melhor resultado que poderia esperar Pedro Mexia quando convidou Ricardo Araújo Pereira a arriscar parte considerável da sua reputação por um conjunto de conferências sobre filosofia da linguagem mais ou menos obscuras proferidas há mais de 60 anos. A encenação segue uma linha minimal e é bem conseguida, ganhando maior força quando acentua os momentos nonsense, que acontecem quando a representação se antecipa às palavras, criando uma tensão dramática que se acumula até ao momento em que o boneco passa a fazer sentido pelas palavras. Estes momentos são tão bem conseguidos que sugerem uma outra encenação mais interventiva, onde o respeito pelo texto não fosse necessariamente tão evidente. Mas isso poderá ficar para outra altura (chamem os tipos da BBC que está aqui uma óptima série de TV).

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Os Dodos



Vai daqui o meu aval.

Em breve

Uma apreciação crítica ao «Como fazer coisas com palavras».

Capitalistas

Capitalista sofre, camaradas, por João Pereira Coutinho.

Vírgula como figura

Entretanto o Ivan Nunes leu a biografia oficial do primeiro-ministro e nem por isso ficou a detestar Socrátes, como figura.

As elites

Pronto, estava na cara: diga o que disser sobre o que entender, Ferreira Leite é acusada de apenas dizer «generalidades». As «grandes opções» para o país não interessam: interessa sim o que pensa a candidata a primeira-ministra do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Caiu o carmo e a trindade. O problema é dos «políticos»? Não, o problema é das «elites» que consomem a política, um triste retrato de um país que não quer sair da cepa torta.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Marginais

Manuela Ferreira Leite terá afirmado em entrevista a Constança Cunha e Sá que não proporá a alteração à lei que permita o casamento entre pessoas do mesmo sexo, especificando que não se opõe ao reconhecimento legal das uniões de facto entre casais homossexuais, mas reforçando a «discriminação» que se propõe fazer invocando a «defesa da família» como interesse (até económico - a procriação) social a ser preservado. Ora, discordo. Mas este meu post não é sobre o casamento dos homossexuais mas sim sobre Manuela Ferreira Leite. A verdade é que esta declaração é a prova de como podemos esperar de MFL a tal «sinceridade» que tanto apregoou na campanha interna. O tema (do casamento) está quente, como está quente o politicamente correcto que se vai instalando a favor da alteração legal. Pessoalmente sou a favor do reconhecimento legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo (e da adopção, so on, so on), mas isso não me impede de reconhecer que já cai bem dizê-lo (Passos Coelho, por exemplo). O facto de MFL saber isso e de não hesitar em abordar o assunto para declarar uma posição mediaticamente mais difícil tranquiliza-me e reforça a minha adesão ao seu projecto político, apesar de ser uma posição que não partilho. Porque era só o que mais me faltava que a minha escolha para primeiro-ministro fosse influenciada por temas absolutamente marginais como este (e as drogas leves, e o aborto, enfim, o programa do BE.) «Absolutamente marginais»? Sim, absolutamente marginais. O que não são temas marginais? Os do costume, os mais chatos, os menos blogáveis: demora da justiça, saúde, educação, política fiscal, essas coisas.

terça-feira, 1 de julho de 2008

O Alicia

O que eu aprecio nesta lista do Tiago Cavaco e que se prende também com Alicia Keys (é sempre positivo ter coisas que se prendem com Alicia Keys, façam um google images para comprovar o que digo) é o facto de no ponto 9 Cavaco dizer que Missy Elliot é «A primeira mulher da lista (que por sinal também é preta (...))». Estou desde ontem (sim, porque eu não descobri esta lista pelo maradona, era só o que mais me faltava) a tentar perceber se isto é uma gralha ou uma subtileza qualquer que ainda não atingi, talvez uma dessas considerações pós-modernas sobre a sexualidade e a assexualidade e a «raça» e «não-raça» e «discurso» e «não-discurso» e essas merdas que o Zizek deve dominar com certeza, embora eu não ache que o Tiago Cavaco nutra simpatia alguma pelo pós-modernismo. Enfim é uma inquietação que não me larga.

Luxo

(...) a nossa opinião sobre os outros é a nossa opinião sobre Deus. O pessimismo é o luxo do que não crê.

Tiago Cavaco