domingo, 27 de dezembro de 2009

Hoje fiz 500 quilómetros para comer uma feijoada de búzios

Agora estou a ver o Ídolos, portanto não posso prestar atenção ao Roger Scruton, que está ali ao lado a dar cabo do modernismo. Outra vez.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um bom natal para toda a gente

Como bem observou um amigo, ganhámos com o Luís Filipe em campo. E Jorge Jesus assume uma quota-parte na vitória não desprezável: a titularidade de Urreta (que vai lá buscar a bola com o calcanhar no lance do golo) desequilibrou. O Di Maria (que não fez falta nenhuma) que se cuide. Quanto aos melhores, são os do costume e já começa a cansar: David Luiz e os dois xavieres. Até ontem não sabia se estávamos no caminho certo, mas a coisa começa a compor-se.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boletim

Um primo que não via há anos disse que eu estou «velho e gordo». Dois dias depois, a senhora que me faz «as análises» - e que eu não conheço de parte alguma - trata-me por «Lourencinho». Repetidamente. Eu estou a tentar acabar com o blogue, mas estas coisas vão-me acontecendo.

As análises? Ando com uma dor. Apareceu-me uma dor, é isso, aqui neste sítio. Ser pai, mudança de local de trabalho, mudança de casa: meto 5 contos em como esta merda é psicossomática.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O preço dos sapatões

Roger Phaedo

O primeiro parágrafo de Shallow Graves é um convite relativamente bélico de James Wood a Paul Auster para que este deixe de escrever romances. O objectivo é claro: acabar de uma vez por todas com a produção de romances de Paul Auster. Ir à fonte rebentar com as reservas. Plano A. Mas, imaginemos, Paul Auster lê a New Yorker desta semana (contagem minha) e sobrevive. Chega então o Plano B, que se inicia imediatamente após o primeiro parágrafo: o mesmo bombardeiro que acabara de rebentar com os bunkers de coincidências e onomásticas metafóricas dá meia volta e vem dinamitar qualquer hipótese que o leitor ainda tem de vir um dia a apreciar um romance de Paul Auster. Para terem uma ideia do grau richter da coisa, isto é um elogio: «Although there are things to admire in Auster’s fiction, the prose is never one of them.» O resto é Wood a explicar-nos que simplesmente já não há condições para gostarmos da ficção de Paul Auster, verdade que, sem sabermos muito bem se por adesão à tese se por mera constatação da superioridade do adversário, acabamos por aceitar sem oferecer resistência.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ainda não é hoje que este blogue acaba

Possuía a virtude de ser frívola apenas com as coisas frívolas, e, o que era mais, compreender exactamente onde havia, de facto, frivolidade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Consolidação da consciência

Nas mudanças surgem sempre à superfície os objectos mais espantosos. Aqui no atelier viu a luz do dia um pedaço de papel que enunciava assim os «objectivos» de um exercício do primeiro ano do curso de arquitectura de uma faculdade de Lisboa, corria o ano de 2000:

«Objectivos:

1. Consolidação da consciência do sentido de Lugar enquanto estrutura espacial entendida como matriz de um processo de invenção do espaço.

2. Consolidação da consciência da Representação como instrumento que permite viabilizar esse processo.»

Mas, lá está, isto é de uma faculdade privada conhecida pelos seus esforços em correr com grande parte dos inscritos no primeiro ano. Como se pode comprovar pela amostra, o trabalhinho está muito bem feito.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

inteligência rítmica, verbal e sexual

Não está tão bom quanto o meu, mas este post sobre os Franz Ferdinand não está nada mal.

Olha, o Bruno

Explique lá como se envolveu nas eleições do Benfica, como mandatário do candidato Bruno Carvalho.
(desmancha-se a rir) Quer que lhe diga? Estava num restaurante e ligou-me um primo que trabalha no Porto Canal. “Olha, o Bruno, o meu patrão, pergunta se queres ser mandatário da campanha dele.” Eu só tenho o primeiro ano, não sabia o que queria dizer ser mandatário e disse-lhe: “Mete lá aí o meu nome.”

Teve um impacto importante.
Pois teve e eu é que fiquei mal, porque me dou bem com o presidente [Luís Filipe Vieira]. Mandatário! Depois percebi que fiz asneira. Nunca mais falei com Luís Filipe Vieira e ele deve ter ficado zangado. Pensava que era uma coisa qualquer de marketing. Que asneira, as pessoas a ligarem, o meu empresário a perguntar porque me meti naquilo… mas é com estes erros que vamos aprendendo. Vou morrer e ainda vou estar a errar. E a aprender.

Funeral, Arcade Fire (2004)



Como num circo: o negócio é familiar (marido, mulher e cunhado), as performances são arriscadas (muitas trocas de instrumentos), o ambiente é familiar numa maneira muito estranha. O espectro emocional é largo, fala-se de morte e desespero na mesma canção que fala de redenção e salvação. Será isto religioso? O segundo álbum chamar-se-ia Neon Bible, mas já em Funeral se notava essa sobreposição do sagrado com o profano, do erudito com o popular. Tudo nos Arcade Fire é sobreposição e adição. Tudo nos escapa um pouco ao mesmo tempo que se assume imediatamente como a declaração de uma nova ordem musical. Foi em 2004 que saiu o álbum da década.

(No vídeo: a melhor actuação de sempre no Jools Holland.)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A vida breve

2017, um post fabuloso do melhor blogue de 2009 (a seguir ao Pastoral.)

(Oh meu Deus, e o Obrigado Sá Pinto: o Obrigado Sá Pinto é, obviamente, o blogue da década.)

«Franz Ferdinand», Franz Ferdinand (2004)



Alex Kapranos, o motor e combustível dos Franz Ferdinand, disse de Tonight, o terceiro álbum de originais dos escoceses, que «era mais um álbum de música de dança do que de rock». Nota-se, de facto, que Tonight é um passo para o lado, um passo típico a muitas bandas de rock que é o «deixar as guitarras» e agarrar os sintetizadores (os Editors são o mais recente exemplo.) Mas o que Kapranos parece estar a esquecer é que grande parte do fascínio pelos Franz Ferdinand nasce-nos desse irresistível apelo ao bate-pé, ao gingar da anca, ao cabeceamento no vazio. Quando os Franz Ferdinand apareceram traziam o impulso disco dos anos 80 arranhado nas guitarras. Take Me Out era uma canção que denunciava qualquer automobilista solitário: era impossível ouvi-la quieto. Junte-se a isto o teor sexual das letras e é sucesso garantido. Os Franz Ferdinand não vão resistir ao tempo tão bem quanto os Strokes, por exemplo, mas ficarão inscritos na história como um dos maiores representantes daquilo que um dia mais tarde iremos reconhecer como o estilo dos anos 00.

Não se pode ganhar sempre



Não se pode ganhar sempre, senhor Roberto Bolaño. A verdade é que as condições do relvado foram ainda piores do que as do estádio de alvalade: aos preparativos para a mudança e obras em casa juntou-se o facto de 2009 já contar com dois bolaños (pode dizer-se, dois «bolaños»?), o que transformou muitas páginas de 2666 tão «fofas» quanto o batatal do Campo Grande. O tempo não esticou e aos poucos fui abandonando Amalfitano que, numa atitude que não posso dizer que me tenha surpreendido, não sentiu a minha falta. Somos os dois adultos e chegámos serenamente à conclusão que teríamos de ir cada um à sua vida. Dar um tempo, talvez um dia mais tarde, embora sem muita convicção. Mas não fico sozinho. Voltei para um livro que nunca li.

domingo, 29 de novembro de 2009

The 70's

Raúl Meireles, João Vieira Pinto: a barba está definitivamente de volta. Oh yeah.