sexta-feira, 19 de março de 2010

Obviamente



Não sabia da existência deste livro até hoje. Descobri-o porque acabou de ser publicado o novo livro do Michael Lewis (Super Michael para vocês) sobre a Crise, que, evidentemente, vocês devem ler com toda a atenção e oferecer aqui ao vosso amigo (este é o link para a BookDepository: custa 18,27€, é praticamente dado). Não precisam de oferecer este Home Game: An Accidental Guide do Fatherhood porque obviamente acabei de o encomendar. Depois do golo do Kardec de ontem, esta está a ser uma sexta-feira gloriosa.

Pontes, barragens, ir à lua, etc

Mostro à minha mulher uma canção em produção (sem falsas modéstias , uma canção fabulosa). «Olha o que eu fiz», ouve, ouviste? Ela sorri e diz que sim, que gosta muito. Mas o entusiasmo não trepa pelas paredes. É, como direi, excessivamente tranquilo. Pressiono-a, «mas só isso, gostaste?», gostaste do quê, explica? Ela insiste que gostou muito e não percebe o que quero eu mais. Reparo então que vai passando a mão pela barriga enquanto fala, discretamente. «Olha o que eu fiz», diz essa mão, sem saber que o está a dizer. E então eu percebo a patética condição masculina, best supporting actor, agradecemos a colaboração.

quinta-feira, 18 de março de 2010

São Sete Voltas P'rá Muralha Cair (naaaaaa na na na naaaaaaaa na na naaaaaaaaaaaaaa)



Este vídeo nunca poderá ser o hino do mundial, tenham lá paciência, porque o hino do mundial terá de ser sempre um vídeo idiota, em slow-motion, filmado de cima, épico, com mulheres jovens e bonitas (agora as mulheres também gostam de futebol, um dos maiores retrocessos civilizacionais desde que se deixou de usar chapéu) agarradas à bandeira e a bandeira agarrada nelas, patrocinado por uma marca de cerveja sem álcool (beba com moderação), e, acima de tudo, totalmente isento de qualquer tipo de humor, sobretudo o humor auto-depreciativo, Deus nos livre do humor, o desígnio nacional não se compadece com o humor. Não, este vídeo nunca será o hino do mundial: imaginem mostrar isto ao Madaíl, vocês estão malucos?

segunda-feira, 15 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sair do armário

A minha primeira vez foi aos 16 anos. Exactamente: a primeira vez que alguém notou que eu tinha cabelos brancos, eu tinha 16 anos. A partir de então, os sacaninhas não desarmaram. Reproduzem-se mais depressa que judeus no colonato. Resultado: estou grisalho. Não é «estou a ficar grisalho», como os grisalhos por vezes dizem, é mesmo «estou grisalho». Entendo que «grisalho» se define por uma maior percentagem de cabelos brancos face a cabelos de outra cor, e se adoptarmos essa definição, estou grisalho. Saio hoje do armário porque não fui capaz de conter as lágrimas e o soluço ranhoso enquanto segurava o cabelo que me caía no barbeiro. Foi mais forte do que eu. É isto fim? Aparentemente não: vivo rodeado de gente que me diz «antes tê-lo branco do que não ter.» E é verdade: eu tenho muito cabelo, o que só aumenta o número absoluto de cabelos brancos. Muito mesmo, vocês ficariam espantados: tenho ainda mais cabelo do que seria de esperar de alguém que se chama cruelmente «Lourenço». Tenho tanto cabelo que o meu barbeiro hoje só me reconheceu ao fim de seis minutos. E ele, boa pessoa, interessada no meu bem estar, lá repetiu: «antes tê-lo branco do que não ter.» Um dia ainda hei-de apresentar aos meus amigos o José Eduardo Bettencourt.

quinta-feira, 11 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Não confirmo que esta movimentação foi devida a Manuel Godinho

Uma boa notícia: a partir de agora este blogue ficará isento de sucata política. Esses assuntos serão tratados em sede própria.

Reitman



«I'm like my mother, I stereotype. It's faster.»

quinta-feira, 4 de março de 2010

Passos Coelho

O Pedro Lomba diz exactamente aquilo que tem de ser dito sobre Pedro Passos Coelho (mas ficamos à espera do desenvolvimento das razões do seu apoio a Paulo Rangel.)

Vítimas

À frente da porta principal da CML (ali no Campo Grande) estavam 17 pessoas em greve. Vestiam coletes amarelos (parecia um acidente em cadeia) e ostentavam faixas com palavras de ordem. Um deles dizia: «Basta de serem os funcionários a pagar a crise». Um deles tirava fotos e ria-se. Os outros contavam anedotas. Estão, aparentemente, «fartos de pagar a crise». E como estão os funcionários públicos a «pagar a crise»? Estão a ver os seus ordenados descer? Estão a ver os seus subsídios acabar? Estão a trabalhar mais do que as estafantes 7 horas diárias (com excepção para os que estão de baixa psiquiátrica e afins)? Estão a ser despedidos? Não. Os funcionários públicos (enfim, aqueles 17) estão convencidos de que estão «a pagar a crise» porque não vão ser aumentados. É difícil acreditar em tamanha ignorância, mas é mesmo verdade: há pessoas que estão convencidas de que «a crise» se paga com congelamentos de salários. Para aqueles que realmente estão a pagar a crise (os desempregados) isto é uma afronta que deveria ser corrida ao pontapé.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Situação profissional

Ao Dica da Semana, Adelaide de Sousa revelou que o marido, «o fotógrafo norte-americano Tracy Richardson», é quem fica em casa a tratar da casa e do bebé; a Adelaide cabe a tarefa de trazer o ganha pão para casa. Ou seja, este senhor («o fotógrafo norte-americano Tracy Richardson») não só é casado com Adelaide de Sousa, como tem por profissão ser casado com Adelaide de Sousa. Não me lembro desta área no liceu.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mozart

Já está quase tudo desempacotado. Ontem foi dia de ligar o aparelho de som. Os dois primeiros álbuns a rodar lá em casa foram The Virginia EP (The National), e Magnífico Material Inútil (Os Pontos Negros). Mozart torna-os inteligentes, pelo que estão a acabar-se estes dias de escolhas musicais por capricho: a partir de agora vai ser tudo muito pensadinho.