sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Choque tecnológico

Carlos, Carlos, não consigo ouvir a segunda parte da entrevista ao Vasco Mendonça. Carrego no play e aquela merda não anda. Mexe lá aí uns cordelinhos, sff. Eternamente grato.

Juro que googlei o gajo e tudo

Professor Doutor Arquitecto João Sousa «doutorado e com obra por todo o mundo» Morais?

Do blogue volátil

Do blogue volátil:

(...) Ora isto é mais ou menos o mesmo que dizer que é "revelador" eu recusar-me a publicar aqui no blogue um texto que se diz demonstrativo da minha mãe ser uma "puta de merda", mas uns meses depois aceitar publicar um longo argumentário favorecendo a tese de que a Bárbara Guimarães engatou o Carrilho às três da manhã numa noite de inverno ali perto do Instituto Superior Técnico contra a quantia, negociada, de vinte e cinco mil escudos o broche nos primeiros dois anos de casamento, diminuindo depos mil escudos por cada ano até ela completar os 45, sendo que a partir daí será ela que terá que pagar ao Carrilho para este lhe deixar que ela lhe faça um broche. Para o Daniel a Bárbara Guimarães não ser a minha mãe tem caracter "revelador". (...)

E amanhã, fica já prometido, Nuno Portas.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

«Paixão correspondida»

Num cartaz publicitário, a BMW (acho) promove um dos seus últimos modelos usando a expressão «paixão correspondida». Percebo que quando se trata de comprar um carro, interessa colocar em jogo um certo nível de irracionalidade e que, portanto, se tenha optado pela palavra «paixão» e não pela noção de «amor». Mas creio que a ideia é inválida: «paixão correspondida» é uma contradição nos termos. Uma paixão nunca pode ser correspondida. Pode acontecer que uma paixão coincida com outra, mas esse caso constituirá um acontecimento felicíssimo, um acaso altamente improvável: uma paixão não se retribui nem necessita de retribuição. Pode aceitar-se, pode tolerar-se, pode ignorar-se. Ou pode reconhecer-se o sentimento é mútuo. Mas nunca se poderá tratar de um fenómeno de causa-efeito. A BMW não sabe o que diz.

Liberdade de expressionismo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Sensibilidade religiosa de um povo

Liberdade de expressão? Era publicarem um cartoon desses aí sobre o Eusébio e iam ver como elas mordiam. Essa é que é essa.

OPV hostil

Não entendo bem este conceito de OPA hostil, mas como passei os últimos meses a chafurdar no mercado imobiliário percebo muito bem o inverso.

Monotemática

O Tiago ficou com a mesmíssima impressão com que fiquei: à malta da Atlântico falta-lhes assunto, falta.

Parem as máquinas

Pacheco Pereira joga Command & Conquer.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Mais para a troca

Há mais, claro, muito mais. Também há aquela daquele que pagava uns euros (não muitos) a uma aluna, conforme as horas que por lá passava, e que, depois de ela ter anunciado que gostaria de lá fazer o estágio profissional, reagiu cortando-lhe o pagamento, pois a política do atelier era «não pagar aos estagiários». Confesso, no entanto, que esta personagem me preenche a caderneta toda.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Footnotes

Não digo nomes (dos arquitectos A e B) por duas razões:

(1) Porque não me interessa. O relevante aqui é o facto em si, e não tanto os actores. É uma situação que se repete, com nomes diferentes, mas a situação é a mesma, e é isso que é muito grave. Não vejo interesse em fulanizar a questão.

(2) Porque me posso lixar. Segundo a lei nacional (e cá vem a tão badalada liberdade de expressão), pode haver difamação mesmo quando os factos relatados são verdadeiros (e neste caso são). Já tenho chatices que me cheguem.

Só mais uma nota: tremo só de pensar na ideia de um sindicato dos arquitectos. Meus amigos, não é por aí. A solução passa mais pelo fim do estágio obrigatório, que é o que anda a viciar esta merda toda. Sindicatos não obrigado.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Temas «fracturantes»

Estou baralhado com tanta polémica blogosférica. Quase que fico com a sensação de que a crítica literária em Portugal é feita por homossexuais que querem casar-se com os poetas.

Não há Direito

Um conhecido arquitecto da nossa praça tem, por motivos de conveniência mútua, um acordo com outro conhecido arquitecto da nossa praça que os faz trabalhar muito em conjunto. Este primeiro conhecido arquitecto da nossa praça tem muita encomenda, muito trabalho, diz-se (más línguas) que o seu atelier é dos que mais factura no nosso país. O segundo conhecido arquitecto da nossa praça merece uma maior aceitação, melhor, um mais sentido aplauso e reconhecimento da crítica, da nossa e de outras praças mais europeias. No entanto, o volume de pilim que entra nos cofres não é da mesma liga do outro conhecido arquitecto da nossa praça. Decorre desta situação que o (chamemos A ao primeiro, e B ao segundo) arquitecto B paga consideravelmente menos aos seus estagiários do que o arquitecto A. Paga? Pagava. Devido a esta permanente colaboração, os arquitectos (A e B) viram-se na necessidade de nivelar o salário (bom, chamar-lhe salário é uma piada, mas enfim) dos respectivos arquitectos estagiários. Vai daí, chama o arquitecto A os seus estagiários ao gabinete, de manhanzinha, e anuncia-lhes que, devido a uma revisão da política salarial do atelier (ou seja, aproveitando o pretexto da cooperação estratégica), verão a sua remuneração reduzida para 3/5 do que até aí gozavam. Ah, mas não se pense que este acto constituiu uma filha-da-putice: «aqueles que já pagam segurança social» ficaram isentos desta revisão. Como alguém me disse, era serem mulheres-a-dias que isto já não acontecia. Portugal, relembro.

Notas

1. Pergunta o Ricardo, ali em baixo: «Já agora, o título do post é gralha ou é um trocadilho que eu não percebi?» Confesso que perdi uns cinco minutos a tentar justificar um trocadilho inexistente. É, de facto, uma gralha. March? De Março? De marcha? Olha que porra, é que não me sai nada de jeito.

2. Ora vamos lá então ao assunto da não referência à menina Scarlett. Acontece que considero a menina uma actriz pouco mais do que cumpridora. Repara, refiro-me à actriz, não à celebridade que sabe muito bem o efeito que tem os homens. A menina Scarlett possui algo que a dispensa das aulas de representação, toda a gente percebe a inutilidade dessa situação. Metam uma câmara à frente dela e deixem-na fazer o resto. Provo: vi, seguidos, todos os minutos de A Ilha sem me enfadar. Portanto, quando um homem decente põe mãos à obra para escrever um post decente sobre Match Point, não pode escrever sobre a menina Scarlett, sob pena de não estar a escrever sobre cinema. Não que considere que escrevi sobre cinema, mas ao menos posso dizer que tentei.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

March Point

Não acho que Match Point seja um filme assim tão diferente de Woody Allen. À primeita vista, pode crer-se que a ligeireza da comédia foi substituída pela grandeza da tragédia, o que logo à partida categoriza mal os filmes de Woody Allen (a comédia sempre foi um meio, nunca um fim). Ele assim o tenta camuflar durante boa parte da história, mas se repararmos bem, Woody Allen não conseguiu resistir a dar o mesmo ritmo e tempero irónico e humorístico ao desfecho final (a última cena da esquadra), confirmando assim que não desejou fazer um filme diferente. Se quisermos, este é um filme tipicamente Woodiano, ou Alliano, ou lá o que quiserem: ou seja, um filme sobre a filha-da-putice que é a condição humana. Com duas pequenas, pequeníssimas, grandes diferenças: aqui, Nova Iorque é substituída por Londres, e o Jazz é substituído pela Ópera. Todas as diferenças que quisermos encontrar neste último opus do realizador americano nascem destes dois novos factores. Imaginem o mesmíssimo plot de Match Point, mas passado em Nova Iorque e banhado pelo Jazz. E descobrimos o velho e conservador Woody Allen. Enfim, vou dormir.

P.S.: Nota prévia: este PS está apenas reservado a quem já viu o filme. Se ainda não o fez, não prossiga. Está avisado. Depois não diga que não o avisei.

Ora bem, dizia, P.S.: O pormenor de Woddy Allen ter vindo fazer um filme à Europa onde decide assassinar, à queima-roupa, a única personagem americana não deixa de ter a sua graça.