domingo, 27 de dezembro de 2009

Hoje fiz 500 quilómetros para comer uma feijoada de búzios

Agora estou a ver o Ídolos, portanto não posso prestar atenção ao Roger Scruton, que está ali ao lado a dar cabo do modernismo. Outra vez.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um bom natal para toda a gente

Como bem observou um amigo, ganhámos com o Luís Filipe em campo. E Jorge Jesus assume uma quota-parte na vitória não desprezável: a titularidade de Urreta (que vai lá buscar a bola com o calcanhar no lance do golo) desequilibrou. O Di Maria (que não fez falta nenhuma) que se cuide. Quanto aos melhores, são os do costume e já começa a cansar: David Luiz e os dois xavieres. Até ontem não sabia se estávamos no caminho certo, mas a coisa começa a compor-se.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boletim

Um primo que não via há anos disse que eu estou «velho e gordo». Dois dias depois, a senhora que me faz «as análises» - e que eu não conheço de parte alguma - trata-me por «Lourencinho». Repetidamente. Eu estou a tentar acabar com o blogue, mas estas coisas vão-me acontecendo.

As análises? Ando com uma dor. Apareceu-me uma dor, é isso, aqui neste sítio. Ser pai, mudança de local de trabalho, mudança de casa: meto 5 contos em como esta merda é psicossomática.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O preço dos sapatões

Roger Phaedo

O primeiro parágrafo de Shallow Graves é um convite relativamente bélico de James Wood a Paul Auster para que este deixe de escrever romances. O objectivo é claro: acabar de uma vez por todas com a produção de romances de Paul Auster. Ir à fonte rebentar com as reservas. Plano A. Mas, imaginemos, Paul Auster lê a New Yorker desta semana (contagem minha) e sobrevive. Chega então o Plano B, que se inicia imediatamente após o primeiro parágrafo: o mesmo bombardeiro que acabara de rebentar com os bunkers de coincidências e onomásticas metafóricas dá meia volta e vem dinamitar qualquer hipótese que o leitor ainda tem de vir um dia a apreciar um romance de Paul Auster. Para terem uma ideia do grau richter da coisa, isto é um elogio: «Although there are things to admire in Auster’s fiction, the prose is never one of them.» O resto é Wood a explicar-nos que simplesmente já não há condições para gostarmos da ficção de Paul Auster, verdade que, sem sabermos muito bem se por adesão à tese se por mera constatação da superioridade do adversário, acabamos por aceitar sem oferecer resistência.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ainda não é hoje que este blogue acaba

Possuía a virtude de ser frívola apenas com as coisas frívolas, e, o que era mais, compreender exactamente onde havia, de facto, frivolidade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Consolidação da consciência

Nas mudanças surgem sempre à superfície os objectos mais espantosos. Aqui no atelier viu a luz do dia um pedaço de papel que enunciava assim os «objectivos» de um exercício do primeiro ano do curso de arquitectura de uma faculdade de Lisboa, corria o ano de 2000:

«Objectivos:

1. Consolidação da consciência do sentido de Lugar enquanto estrutura espacial entendida como matriz de um processo de invenção do espaço.

2. Consolidação da consciência da Representação como instrumento que permite viabilizar esse processo.»

Mas, lá está, isto é de uma faculdade privada conhecida pelos seus esforços em correr com grande parte dos inscritos no primeiro ano. Como se pode comprovar pela amostra, o trabalhinho está muito bem feito.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

inteligência rítmica, verbal e sexual

Não está tão bom quanto o meu, mas este post sobre os Franz Ferdinand não está nada mal.

Olha, o Bruno

Explique lá como se envolveu nas eleições do Benfica, como mandatário do candidato Bruno Carvalho.
(desmancha-se a rir) Quer que lhe diga? Estava num restaurante e ligou-me um primo que trabalha no Porto Canal. “Olha, o Bruno, o meu patrão, pergunta se queres ser mandatário da campanha dele.” Eu só tenho o primeiro ano, não sabia o que queria dizer ser mandatário e disse-lhe: “Mete lá aí o meu nome.”

Teve um impacto importante.
Pois teve e eu é que fiquei mal, porque me dou bem com o presidente [Luís Filipe Vieira]. Mandatário! Depois percebi que fiz asneira. Nunca mais falei com Luís Filipe Vieira e ele deve ter ficado zangado. Pensava que era uma coisa qualquer de marketing. Que asneira, as pessoas a ligarem, o meu empresário a perguntar porque me meti naquilo… mas é com estes erros que vamos aprendendo. Vou morrer e ainda vou estar a errar. E a aprender.

Funeral, Arcade Fire (2004)



Como num circo: o negócio é familiar (marido, mulher e cunhado), as performances são arriscadas (muitas trocas de instrumentos), o ambiente é familiar numa maneira muito estranha. O espectro emocional é largo, fala-se de morte e desespero na mesma canção que fala de redenção e salvação. Será isto religioso? O segundo álbum chamar-se-ia Neon Bible, mas já em Funeral se notava essa sobreposição do sagrado com o profano, do erudito com o popular. Tudo nos Arcade Fire é sobreposição e adição. Tudo nos escapa um pouco ao mesmo tempo que se assume imediatamente como a declaração de uma nova ordem musical. Foi em 2004 que saiu o álbum da década.

(No vídeo: a melhor actuação de sempre no Jools Holland.)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A vida breve

2017, um post fabuloso do melhor blogue de 2009 (a seguir ao Pastoral.)

(Oh meu Deus, e o Obrigado Sá Pinto: o Obrigado Sá Pinto é, obviamente, o blogue da década.)

«Franz Ferdinand», Franz Ferdinand (2004)



Alex Kapranos, o motor e combustível dos Franz Ferdinand, disse de Tonight, o terceiro álbum de originais dos escoceses, que «era mais um álbum de música de dança do que de rock». Nota-se, de facto, que Tonight é um passo para o lado, um passo típico a muitas bandas de rock que é o «deixar as guitarras» e agarrar os sintetizadores (os Editors são o mais recente exemplo.) Mas o que Kapranos parece estar a esquecer é que grande parte do fascínio pelos Franz Ferdinand nasce-nos desse irresistível apelo ao bate-pé, ao gingar da anca, ao cabeceamento no vazio. Quando os Franz Ferdinand apareceram traziam o impulso disco dos anos 80 arranhado nas guitarras. Take Me Out era uma canção que denunciava qualquer automobilista solitário: era impossível ouvi-la quieto. Junte-se a isto o teor sexual das letras e é sucesso garantido. Os Franz Ferdinand não vão resistir ao tempo tão bem quanto os Strokes, por exemplo, mas ficarão inscritos na história como um dos maiores representantes daquilo que um dia mais tarde iremos reconhecer como o estilo dos anos 00.

Não se pode ganhar sempre



Não se pode ganhar sempre, senhor Roberto Bolaño. A verdade é que as condições do relvado foram ainda piores do que as do estádio de alvalade: aos preparativos para a mudança e obras em casa juntou-se o facto de 2009 já contar com dois bolaños (pode dizer-se, dois «bolaños»?), o que transformou muitas páginas de 2666 tão «fofas» quanto o batatal do Campo Grande. O tempo não esticou e aos poucos fui abandonando Amalfitano que, numa atitude que não posso dizer que me tenha surpreendido, não sentiu a minha falta. Somos os dois adultos e chegámos serenamente à conclusão que teríamos de ir cada um à sua vida. Dar um tempo, talvez um dia mais tarde, embora sem muita convicção. Mas não fico sozinho. Voltei para um livro que nunca li.

domingo, 29 de novembro de 2009

The 70's

Raúl Meireles, João Vieira Pinto: a barba está definitivamente de volta. Oh yeah.

Is This It, The Strokes (2001)




O álbum já tinha visto a luz do dia noutras partes do mundo, mas nos EUA chegaria às lojas só depois do 11 de Setembro, o que fez com que a edição americana saísse sem «New York City Cops» (New York city cops / they ain't too smart), uma coincidência temporal que terá ajudado a impressão dos Strokes no zeitgeist. Mas a verdade é que Is This It apareceu para confirmar os Strokes como a banda que mais influenciou uma geração - a minha - e nem o hype desmesurado que já traziam na bagagem foi suficiente para criar anti-corpos em relação ao colectivo de Nova Iorque. Vai ser muito difícil alguém fazer um coisa mais adequada ao tempo com duas guitarras, um baixo e uma bateria. Era disto que estávamos à espera, e a prova disso é que, quase 10 anos depois, o álbum não oxidou nem um milímetro.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Apesar de não estar afastada a hipótese de eu estar a alucinar

Estou em jejum desde o pequeno-almoço para uns exames médicos que vou fazer às três da tarde. Vocês têm de compreender que eu gosto muito de comer e que isto está a ser-me muito difícil. Pois bem: acaba de ser depositada na minha mesa a mais recente edição da New Yorker, de 23 de novembro, uma daquelas com lombada e tema. Diz lá em cima no índice: «The Food Issue».

Barra lateral

O Inventor, o blogue do Manuel Fúria.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dispensado

O Diário Económico (dirigido pelo inefável António Costa) deixou, como já se adivinhava, o Pedro Lomba sem resposta.

Contas

Lembram-se das eleições? Lembram-se de como de um lado estava um homem «moderno e galvanizador» e do outro estava «uma contabilista»? Agora aguentem-se.

Jorge Figueira is our man

Não li mais nenhum texto sobre o assunto, mas não tenho dúvidas que esta contribuição de Jorge Figueira para o debate (que não chega a sê-lo) sobre a igreja de S. Francisco Xavier, no Restelo, diz tudo o que há para dizer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O meu top para os anos 00

(Esta lista é um work in progress. Não se trata da minha opinião sobre os melhores álbuns da década, mas apenas a lista dos meus álbuns da década. Como disse, é um work in progress, pelo que deverei estar a esquecer-me de alguém. Conto também explicar cada uma das entradas, mas não prometo nada: ainda não decidi que puxadores vou pôr nos armários da minha cozinha. Só mais uma coisinha: impus a regra de uma entrada por intérprete. Mas, como é óbvio, cabe aqui a discografia completa dos Strokes e dos Arcade Fire, de longe - os The National são um caso à parte - as bandas dos anos 00. Cá vai então a versão draft, por ordem cronológica:)

Is This It, The Strokes (2001)
Franz Ferdinand, Franz Ferdinand (2004)
Funeral, Arcade Fire (2004)
Illinoise, Sufjan Stevens (2005)
Silent Alarm, Bloc Party (2005)
Based on a True Story, Fat Freddys Drop (2005)
The Flying Club Cup, Beirut (2007)
Boxer, The National (2007)
For Emma, Forever Ago, Bon Iver (2007)
The Reminder, Feist (2007)
Vampire Weekend, Vampire Weekend (2008)
The Rumb Line, Ra Ra Riot (2008)
Noble Beast, Andrew Bird (2009)
Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco, Os Golpes (2009)

Adenda 1:

Phrazes for the Young, Julian Casablancas (Casablancas não pode sair prejudicado por ser o frontman dos Strokes; é um grande álbum, ponto final.)

P.S.1:

O john acha que falta aqui qualquer coisa dos Radiohead. Como comecei a ouvir Radiohead tarde na vida (comecei a fazer muita coisa tarde na vida), é o In Rainbows que anda para aqui em cima da secretária a ver se chega à final ou não. Por enquanto, aparece-me como um álbum pelo qual tenho muita admiração (há 3 temas que são lições para quem quer fazer música) mas que nem sempre me aquece o coração - como acontece com este Harry Patch, por exemplo.

Why Always Boris?

Se eu não estivesse ocupado com catálogos de cozinhas estava a prestar muita atenção a este blogue.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E 2009 acaba em grande estilo



Se com «Horchata» os Vampire Weekend pareciam estar a acusar um enfraquecimento criativo e a anunciar uma crise nervosa nos fãs, «Cousins» vem repôr os níveis de confiança no quarteto mais beto da música indie mundial (e não é «cousins» um tema super chique?) Absolutamente arrebatador: Casablancas, chega para lá.

(Descoberto, muito a propósito, pela minha prima.)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Os anos 90!



Apesar da direcção (o termo abrasileirado sempre me pareceu mais adequado) impecável de Soderbergh, do desempenho notável de Matt Damon (todo o casting foi bastante feliz), e do argumento escrito com a subtileza que se exigia (a cadência regular da sequência dos acontecimentos nunca anuncia o «fim da linha» da mentira), The Informant! acaba por se colar à nossa memória devido à fabulosa recriação da época de todos os equívocos estéticos que ficou conhecida como «os anos 90». Deus me livre de um dia abrir a caixa das fotos da adolescência, e Deus vos livre de um dia a minha geração fazer ao mundo aquilo que a geração dos anos 80 está a fazer.

Baixa

Morei na Baixa de Lisboa durante pouco mais de três anos. Foram, sem qualquer sombra de dúvida, os melhores três anos da minha idade adulta. Mas saio com uma profunda mágoa: durante estes três anos, e apesar de cruzar aquelas ruas diariamente, nunca fui abordado pelos retalhistas de substâncias fumáveis da Rua Augusta (que, vá lá saber-se porquê, parecem vir todos do Magrebe). Nem uma única vez. Uma coisa é nunca ter fumado uma ganza na vida - pormenor biográfico com o qual convivo bem -, outra totalmente distinta é ter o aspecto de quem nunca fumou uma ganza na vida. Só por causa disto, saio da Baixa a um passo de me tornar xenófobo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E nem estou engripado nem nada

Escrevi, em post abaixo, «(...) é a prova como há gajos (...)». Este blogue anda uma merda, e ninguém diz nada.

A resposta é simples

«Pilar del Río, uma extraordinária escritora transgressora e rebelde, que afinal abdicou da carreira para se dedicar ao esposo, pergunta hoje, na Pública, como é possível haver mulheres que continuam a sentir fascinação pela figura do pai. É a figura do impostor, o depositário da autoridade divina e social. A resposta é simples. Há mulheres que tiveram um pai bom, carinhoso e protector, pelo que é natural que sintam fascínio por tal figura.
Por que motivo alguém faz regra da sua má experiência individual e a partir daí pinta o mundo com cores de raiva e azedume? Porque ter-se sido mal amada torna insuportável a boa experiência dos outros. Daí a exaurir teses psicossociais de pacotilha é um passo. Pequeno e mais frequente do que se julga.»

Filipe Nunes Vicente

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

The Strokes (1998-2009)



Para quem tem nos Strokes a bóia de salvação para a idade adulta, assistir deste modo tão evidente à destruição das condições materiais e espirituais para a sua continuação em actividade causa a maior das consternações. E isto não é fatalismo, é uma constatação que sobrevive à informação posta a circular de que os Strokes se irão reunir em janeiro para dar início às gravações do quarto álbum. Mas qual quarto álbum, Julian, pergunto-te eu? A verdade é que os sucessores de Is This It (Room on Fire e First Impressions of Earth) são o suficiente para afastar qualquer suspeita sobre a solidez do seu sucesso (a questão do «difícil segundo álbum» foi resolvida à nascença), mas não acrescentaram nenhum ingrediente à receita. Não vem daí mal nenhum ao mundo: a constante «reinvenção» é uma exigência cretina. Os Strokes faziam o que faziam e faziam-no muitíssimo bem. Os álbuns a solo que entretanto foram saindo de Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti (Little Joy) mostraram que havia mais música nos membros dos Strokes mas que não era material para a banda. Era outra coisa. Phrazes for the Young não partilha dessa distância em relação à nave-mãe: o álbum é exactamente aquilo que esperaríamos dos Strokes caso estes decidissem tentar fazer «outra coisa». A estrutura das canções é mais arrojada e a instrumentação muito mais diversificada. Se os Strokes são a reinvenção dos anos 70, Phrazes for the Young alarga o espectro temporal da revisitação para a década seguinte. Nada disto seria tão assustadoramente ameaçador para a sobrevivência dos Strokes não fosse um pormenor completamente jaw-dropping: Julian Casablancas toca every single instrument do álbum. Tudo, pá, tudo: ele foi ali ao quarto do lado e fez isto! É verdade, é verdade: em entrevista recente, Casablancas confessa que só gravou este álbum porque «não tinha nada que fazer» durante a pausa dos Strokes. Isto é tristíssimo para quem tem uma banda; isto é tristíssimo para mim, é tristíssimo para o Nick Valensi, o Albert Hammond Jr, e para o Fabrizio Moretti. Isto é tristíssimo para a humanidade: é a prova como há gajos que são tão superiores aos outros ao ponto de tornar os outros dispensáveis. Os Strokes, tal como os conhecemos, acabaram. Se é para voltar a estúdio em janeiro, há ali muito trabalho a fazer, muito mesmo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pedro Lomba no Público

O Pedro Lomba passa a assinar uma coluna no Público às terças e quintas. Para já, começa muito bem.

2009

Dois mil e nove ficará para a história como o ano em que eu vivia na Baixa, trabalhava no Campo Pequeno, e não tinha filhos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

E um tema de genérico com orquestra, e assim



É impossível não gostar de mini-séries de época; é impossível não gostar de produções da HBO; é impossível não gostar de bio-pics de presidentes dos EUA (tirando o «W.»); é impossível não gostar de qualquer coisa que envolva o Paul Giamatti; é impossível não gostar de qualquer coisa que envolva a Laura Linney (e aqui será mesmo «qualquer coisa»); até é impossível não gostar de qualquer coisa que envolva o Tom Wilkinson. Ou seja, depois de dois episódios («partes»), não estou nada surpreendido com este «John Adams».

Enke



Guardo duas memórias de Robert Enke: que ele foi um dos melhores guarda-redes que passou pelo Benfica depois de Preud'homme (o único que merece ser mencionado na mesma frase que «Preud'homme»), e a sua rapidez a aprender português, que o Moreira corrobora aqui. Para além disso, parece que era um «bom homem». Foi guarda-redes do Benfica entre 1999-2002, mas era daqueles que esperávamos um dia que voltasse.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aviso

O João fechou a loja no Khiasma e abriu estabelecimento no pARALLAX e no as invasões bárbaras.

Bárbara Reis

O Público tem um novo director. Uma nova directora, Bárbara Reis. Como isto ainda não é a Suécia, é especialmente louvável que estejamos na presença de uma mulher. A tarefa de suceder a José Manuel Fernandes, todos sabemos, é exactamente essa: suceder a José Manuel Fernandes, que, justamente ou não, marcou o Público como oposição ao poder político (sobretudo ao poder socialista). Quem queria essa oposição, já está a fazer de José Manuel Fernandes um mártir; quem é de esquerda, sente-se no último dia mandato de George W. Bush. O primeiro impacto desta nova direcção foi desanimador: vinham para purgar o Público do seu «excesso de carga ideológica» e os editoriais deixariam de ser assinados. Parecia que queriam mudar de opinião mas sem assumir a responsabilidade por ela. A pergunta «Quem é Bárbara Reis» ganhou ainda mais força. Pois bem, Bárbara Reis, sentindo essa inquietação da vox populi (enfim, das 92 pessoas que ainda lêem jornais em Portugal), foi ao Carlos Vaz Marques falar de si. É uma entrevista notável. Bárbara Reis tem um tom de voz que transborda confiança (há quem faça isto com as caligrafias, eu faço com os tons de voz) e uma atitude surpreendente. Percebemos que Bárbara Reis não tem um especial interesse pela política nem pela necessidade de opinião. Só se entusiasma verdadeiramente quando fala do jornalismo que viu nos EUA, do rigor obsessivo pelo fact-checking, pela pura qualidade do trabalho. Fala na Somália e de Nova Iorque de igual modo: só interessa o que daí retirou em termos jornalísticos. Tudo isto dito com uma grande simplicidade e descomprometimento de quem assume que o seu maior desafio é «ser feliz» (tanto pessoal como profissionalmente). Não sabemos se esta equidistância política que Bárbara Reis anuncia é possível e até honesta (Bárbara Reis pode ser um perigoso lobo em pele de cordeiro), mas eu já expliquei que vou lá pelo tom de voz. Bárbara Reis é a nova directora do Público: é mulher, está grávida, e quer «ser feliz». Eu estou convencido. Resta saber se a redação também estará.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Favas

As tascas portuguesas têm vindo a negar ao Luís M. Jorge as favas que ele procura. Por causa disso, o Luís M. Jorge escreveu isto. Espero que as tascas portuguesas continuem no bom caminho.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Deixem as raízes sossegadas

A última edição da revista Sábado - ou seria a penúltima, ou ante-penúltima?, há um sector da minha casa-de-banho que tem um comportamento muito semelhante ao das salas de espera de consultório - trazia uma reportagem sobre um site que a Gwyneth Paltrow criou para ensinar as pessoas a viver como ela. O site, sem surpresa, versa sobre o estilo de vida «saudável», sobre sumos e raízes impronunciáveis, sobre alongamentos e agachamentos de todas as espécies, e até, ao que parece, sobre filmes e livros que a boa Gwyneth recomenda. A jornalista - não me recordo do nome - escrevia uma peça bem humorada, sarcástica q.b., dando continuidade à chacota de que foi alvo Paltrow nos jornais ingleses. Eu também queria fazer chacota de Gwyneth Paltrow, mas não é só o óbvio imperativo estético que me impede: é o facto da newsletter do site contar já com 150 mil assinantes. Perante isto, parece-me que o alvo da troça está errado. Tudo bem que é mais catártico atirar tomates aos «ricos e poderosos», mas aquelas 150 mil almas é que me motivariam o arremesso das peças de fruta (o tomate é um fruto, nunca se esqueçam disto) e das raízes recomendadas no site da actriz. Que haja quem queira viver como uma actriz famosa não surpreende quem vê o Ídolos religiosamente (qual é o problema?, se for preciso levamos isto lá para fora) porque essa pessoa já sabe que o ser humano é um abismo e que a sanidade mental é um bem escasso, mas não deixa de ser objecto de reflexão. Eu estava convencido de que o «glamour» das estrelas nascia devido à nossa inveja - ainda que saudável - perante aquilo que elas têm, e não por aquilo que elas têm de fazer para terem o que têm. É normal que as pessoas queiram ser a Gwyneth Paltrow, mas eu pressuporia que as pessoas quisessem ser a Gwyneth Paltrow devido ao dinheiro que ela tem e às coisas que ela pode fazer por causa desse dinheiro, e não devido aos sacrifícios a que ela tem de se submeter para poder continuar a cobrar o que cobra por filme: fazer exercício físico desenfreado, comer raízes, estar casada com o Chris Martin. Voltando ao Ídolos, eu percebo que as mulheres queiram ser a Cláudia Vieira (e agradeço o esforço), mas perceber que haja quem ache que é por ir 2 horas por dia ao ginásio e deixar de comer carne de vaca e de porco que fica com o aspecto da Cláudia Vieira, deixa-me exasperado. Meus amigos, não é Gwyneth Paltrow quem quer, muito menos Cláudia Vieira: ou se nasce como elas nasceram, ou então a vossa meta é a Floribela. E se é para isso, mais vale deixar as raízes sossegadas.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uuuu uuu uuuuu uuuuuuu



Elogiar os Oioai em público requer aquele tipo de confiança necessária ao heterossexual para comentar a beleza masculina alheia: ou estamos muito seguros de nós, ou caímos no ridículo. E como eu não estou nada seguro de mim mas já perdi o medo de cair no ridículo (comecei a escrever em blogues numa época em que o Pedro Mexia ainda não sabia pôr imagens no blogue), vou elogiar os Oioai. Reparem, a música comercial portuguesa é como o governo de Santana Lopes: está permanentemente na incubadora à espera de ser pontapeada. Falo da música comercial, a música pop que não aspira a ficar na história e que só quer divertir-se enquanto pode. Música como os Coldplay, que pode perfeitamente passar na telenovela e estar simultaneamente na estante lá de casa sem que isso nos faça perder amigos. Eu não gosto dos Coldplay, eu detesto os Coldplay, eu atropelaria o Chris Martin à primeira oportunidade, mas que isto não enfraqueça a força argumentativa da minha comparação. Os Oioai (enfim, eu bem sei o difícil que é dar o nome a uma banda, acreditem) fizeram um primeiro álbum muito bom. Muito bom no capítulo da gestão de expectativas: nunca ninguém falou no «difícil» segundo álbum. E o segundo aí está, apresentado por este Ponto Fraco que acabei de ouvir na Radar a caminho do trabalho porque hoje é sexta-feira que se lixe a pegada ecológica. Eu já tinha ouvido o Ponto Fraco duas ou três vezes e confesso que lhe reconhecia apenas alguns méritos ao nível da produção. Mas hoje, no meu superlativo sistema de som automóvel (tenho um rádio a cassetes), a coisa bateu de outra maneira. Subi o volume, fechei as janelas ao nevoeiro, e concentrei-me na canção. É um canção do caralho. É uma canção melhor do que 90% das canções dos Coldplay. Está muito bem feita, até aqueles uuuu uu uuu uu u uuuuus que parecem extraídos de uma canção dos Arcade Fire qualquer. Os Oioai (Pedro Puppe) nunca deram entrevistas para enquadrar aquilo que fazem. São honestos: fazem música para sacar gajas, não tenho a menor dúvida disso. E este Ponto Fraco deve estar a ser um grande ponto forte a favor de Puppe & Ca. Os Oioai são a melhor banda do mundo? Não são: são assim uma espécie de Toranja on Prozac. Desejo as maiores felicidades aos Oioai.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um logotipo com coisas a andar à roda

O logotipo do Google Chrome é bem catita,



sem dúvida, como se viu nas autárquicas,



mas confesso que isto já me anda a cansar:

Não arrastes

Não arrastes o caixão do Samuel Úria.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

E não deveria ser sempre assim?

«Este ano é directamente do Verão para o Natal»

Tiago de Oliveira Cavaco

It's not a gold star

«If President Obama really had to get a gift postmarked Scandinavia this month, he would probably, on the whole, have preferred the Olympics. At least at the Olympics the judges wait till after the race to give you the gold medal. They don’t force it on you while you’re still waiting for the bus to take you to the stadium. They don’t give it to you in anticipation of possible future feats of glory, like a signing bonus or an athletic scholarship. They don’t award it as a form of gentle encouragement, like a parent calling “Good job!” to a toddler who’s made it to the top rung of the monkey bars. It’s not a plastic, made-in-China “participation” trophy handed out to everyone in the class as part of a program to boost self-esteem. It’s not a door prize or a goody bag or a bowl of V.I.P. fruit courtesy of the hotel management. It’s not a gold star. It’s a gold medal. (...)»

Hendrik Hertzberg

«Um cretino é um cretino»

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Rosario



Seven Pounds, que por motivos técnico-tácticos acabei por alugar ontem, é uma lamechice bidimensional de todo o tamanho quem nem a boa prestação de Will Smith salva, embora todos os fotogramas que contam com a presença de Rosario Dawson sejam absolutamente louváveis.

Inimputabilidade

«Eu tenho uma grande admiração pelo Tony Carreira (...)»

António Lobo Antunes, aqui

País em contenção

Eu não sei como foi o vosso fim-de-semana, mas o meu ficou marcado pelo mais escandaloso caso de publicidade enganosa de há muitas gerações que foi a primeira página do Expresso, que anunciava, lembro, com chamada fotográfica e tudo, um debate entre José Tolentino Mendonça e José Saramago sobre a Bíblia. Debate? O que realmente lá está, condensado numa página apenas, pode resumir-se a isto:

Tolentino: Ai é, é.
Saramago: Ai não é, não.

Esqueçam o défice, a dívida, e as dores: o grande problema do país é não conseguir produzir discussões intelectuais na praça pública, nem quando se convoca um nobel e uma pessoa como Tolentino Mendonça, que é uma pessoa quase tão superior às outras como o Paulo Rangel. Não sei se o problema foi das «elites» (Tolentino e Saramago) ou do jornalista que fez a condensação. De qualquer modo, a conclusão é a mesma: estamos todos perdidos.

domingo, 25 de outubro de 2009

Pôr o pessoal a trabalhar

(...) O que pensa do novo treinador, Jorge Jesus?

Se é verdade que vocês jornalistas andam a dizer, parece que ele é um homem que põe aquela tropa a trabalhar. E eu aprecio sempre quem põe o pessoal a trabalhar.

Medina Carreira, em entrevista ao Expresso

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Resultado

Estou muito preocupado com as futuras vendas da colecção Uma Aventura.

Isto na minha cabeça faz todo o sentido

No balcão da Segurança Social onde vou trabalha um conjunto de funcionários que transformam aquele espaço de atendimento numa espécie de recreio de liceu de pessoas de meia-idade com dificuldades em fazer a devida emancipação da moda dos anos 90.

Ouvido na rua

«... vinte minutos e estás em Malmö.»

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Kafka era português (2)

(Tesouraria da Segurança Social. Entra um indivíduo extremamente bem parecido)

- Bom dia. Eu estou aqui para pedir uma declaração de inexistência de dívidas à Segurança Social [daqui para a frente «SS»], mas como eu sei que tenho algumas dívidas disseram-me que podia vir aqui à tesouraria liquidá-las desde já.
- De quando são as dívidas?
- Não sei bem, mas sei que são de 2009 porque fiz alguns pagamentos com atraso.
- Tem de saber.
- 2009, já lhe disse, não sei o mês ao certo.
- Então vamos começar por 2008.

(tecla tecla tecla)

- Ora cá está: o senhor tem uma dívida de fevereiro de 2008.
- Isso não pode ser.
- Está aqui (mostra o monitor).
- Mas eu tenho uma declaração de inexistência de dívidas de abril de 2008.
- Isso não quer dizer nada.
- Como?
- Isso não quer dizer nada.
- Mas em abril de 2008 a SS passou-me uma declaração a dizer que eu não tinha dívidas...
- Isso não quer dizer nada.
- As declarações não servem para nada?
- Não. Às vezes as dívidas demoram meses a cair no sistema.

(O indivíduo bem parecido suspira, derrotado)

- Então, se essa dívida aí está, é porque eu a tenho, não é? É que assim pago já.
- Não.
- Não como?
- Aqui é a tesouraria, é para pagamentos. Para apuramento de valores é na senha I. Eles lá é que lhe vão dizer se tem ou não dívidas.
- Mas o sistema não é o mesmo?
- É.
- Então vão detectar as mesmas dívidas que o senhor detectou.
- Pode ser que sim, pode ser que não.
- Mas...
- Tem de ser na senha I.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Top branco, saia amarela

Impossível

(...) Ver um jogo do SLB e divertir-me, é como assistir acordado a um discurso do Ministro das Obras Públicas: é impossível. Se eu me quiser divertir a ver futebol, vejo um qualquer jogo da Premier League ou o Barcelona com o Real Madrid, mas nunca, nunca, um jogo com o SLB, porque há coisas com as quais eu simplesmente não brinco. (...)

(Where else?)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O património»

Há um paradoxo interessante na questão da preservação do património (entre muitos outros), que é o seguinte:

a) O Estado (seja através do IGESPAR ou das câmaras municipais ou de outros) tem a obrigação de defender o interesse público.
b) O Estado identifica o «património» como interesse público e traça uma estratégia para o proteger.
c) Essa estratégia passa por obrigar privados a investir em edifícios velhos e a manter os seus sistemas construtivos e as suas tipologias porque elas são de «interesse público».
d) Os investidores, cuja missão é colocar no mercado produtos que correspondam à expectativa do mercado, não gostam destas imposições e recusam-se a investir, porque percebem que o mercado não vai aceitar apartamentos de 350 m2 com duas casas-de-banho, nem T3 com 60 m2, apenas porque em 1890 essas eram as tipologias que o mercado pedia.
e) Este confronto revela uma incompatibilidade entre aquilo que o «mercado» quer e o «interesse público»: o «interesse» é «público» e «abstracto», por oposição ao «mercado» que será «privado» e «concreto».

Quem acha normal a existência desta incompatibilidade está a fazer uma declaração ideológica, está a impor uma determinada visão em detrimento de outra, está a considerar o «interesse público» o resultado de uma avaliação necessariamente muito estrita e sem adesão colectiva.

Se o Estado está verdadeiramente preocupado em resolver a questão da degradação do património, tem de fazê-lo com a ajuda dos privados, não contra eles. Não perceber isto é insistir numa atitude terceiro-mundista.

Isto, na cabeça de alguém algures, fará sentido

No dia em que é tornado público que Portugal quer entrar na corrida para organização do Mundial de 2018 ou 2022 (com Espanha), ficamos a saber que em Aveiro se discute a demolição do estádio que foi construído para o Euro 2004.

Protecção civil

Agora digam lá se esta chuva não torna menos penoso o trabalho? O segredo do «desenvolvimento» está todo no clima.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Teotónio Pereira



A RTP2 passou no sábado um documentário sobre a vida de Nuno Teotónio Pereira, o que me deu a oportunidade de lembrar o quanto eu gosto deste homem que de vez em quando ainda se cruza comigo nas estações do metro como se fosse um comum mortal. Não é, não é, Teotónio Pereira é o expoente máximo (meço bem as palavras) da geração que fez da arquitectura portuguesa aquilo que a arquitectura portuguesa é hoje, que desenhou o Franjinhas e o Bloco das Águas Livres e as igrejas do Sagrado Coração de Jesus e de Almada e que parece estar sempre em paz. As imagens de arquivo mostraram-no a sair de Caxias, calmíssimo, de sorriso sereno, e mostraram-no também num comício cheio de gente aos berros a dizer que «a revolução tinha de ir até ao fim» que tinha de «ser radical» e mais não sei o quê, e mesmo aí a minha simpatia por ele não foi beliscada. A minha mulher assistiu ao fim do programa e conseguiu ouvir Nuno Teotónio Pereira explicar que fazia arquitectura «de dentro para fora», conceito que ela percebeu muito bem porque eu já a levei a ver a igreja do Sagrado Coração de Jesus, «de dentro para fora e não de fora para dentro, como se faz hoje, em que a imagem é tudo, que é uma atitude que eu critico muito», pelo que quando passámos ontem em frente a umas moradias projectadas por Frederico Valsassina ali no Estoril, uma toda em vidro muito exposta, outra toda em madeira muito simples, ela disse logo «estas casas não foram desenhadas de dentro para fora», pois claro que não foram, o Teotónio Pereira não pode estar em todo o lado e a maneira como ele e a sua geração fazia arquitectura morreu.

Kafka era português

Há várias razões para o Estado não ser uma pessoa de bem e não é preciso invocarmos histórias de concursos de contentores nem compras de submarinos. O diabo está nos pormenores, e a nossa vida, por azar, está cheia de pormenores. Há um ano e meio apresentei um pedido nas finanças de isenção de pagamento de IMT sobre a compra da minha casa. Para isso foi-me pedido uma declaração de ausência de dívidas à Segurança Social. Fui à Segurança Social, não tinha dívidas, trouxe o papel. Agora, 18 meses depois, o «processo» começou a andar e, surpresa das surpresas, a declaração da Segurança Social que eu entreguei a tempo e horas já não está válida, pelo que o Estado me pede uma outra, «actualizada». 18 meses. Eu que já paguei 140 euros de multa por ter entregado uma declaração do IVA com um dia de atraso. E depois querem que sejamos todos «socialistas» e o caralho.

Adenda: Omiti um pormenor importante: o IMT foi pago por mim à data da escritura. Toda esta cantiga é para a sua devolução.

sábado, 17 de outubro de 2009

Grandes momentos do jornalismo português

Foi hoje anunciado o vencedor do Prémio Nobel da Literatura.
Quem é que ganhou?

Herta Müller.
Nunca ouvi falar. Você já ouviu?

Não, até hoje de manhã... Mas o seu próprio nome aparece constantemente como um potencial vencedor...
Isso é um erro. O meu nome é falado na imprensa, mas não na Suécia. Isso é apenas falatório.

Dá alguma importância ao prémio?
No ano passado, foi atribuído a Harold Pinter, e ele é um óptimo escritor [Na verdade, Pinter recebeu o Nobel em 2005]. Há dois anos, o prémio foi para Doris Lessing, que também é uma escritora muito boa. Mas, no cômputo geral, o Nobel não vai para grandes escritores.

Conhece o trabalho de José Saramago?
Não, não conheço.

Philip Roth (que esperamos todos não estar com alzheimer), em entrevista a João Luz, no Actual de hoje

BVA

Azares e Maitê, dois posts do Bruno Vieira do Amaral que mostram que o Bruno é o nosso prémio nobel sul-americano, ou ainda melhor, o nosso Mario Vargas Llosa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quem não sente

Maitê outra vez, cá vamos nós, isto cansa-me. Mais grave do que a reacção ao vídeo da Maitê só mesmo a reacção à reacção ao vídeo da Maitê. Parece que a intelligentsia acordou toda para a condenação da, como é, «falta de sentido de humor» da nação que não admite que se «brinque» com ela. Ora, eu não dou à Maitê mais importância do que ela tem (e para a minha geração tem muita, não me canso de tentar explicar isto), mas acho totalmente legítimo que a nação não tenha gostado. Não assinei petições e estou ligeiramente nas tintas para o que a Maitê pensa ou deixa de pensar de Portugal, mas o país é o país e não me agrada que se espere «sentido de humor» a cada vez que um cidadão estrangeiro decida fazer pouco de nós lá na sua televisão, sobretudo em casos como o da Maitê em que não se vislumbra ali nenhuma qualidade humorística relevante. Se não é para termos com Portugal uma relação afectiva, então estamos cá para quê?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fez questão

(...) Fiz questão de fazer a minha intervenção em português, inglês, francês, alemão e italiano para mostrar que as relações de proximidade entre o Parlamento Europeu e os Parlamentos Nacionais dependem, entre outras coisas, de um esforço de comunicação de todos. (...)

Paulo Rangel, lá no Facebook dele, há pouco

Marcos pede Helena em casamento, Helena aceita, Luciana tem um ataque de nervos

Por falar em charme, e porque o telecomando tem um uso totalmente democrático lá em casa em qualquer altura que não seja a de um jogo do Benfica, se a minha mulher pudesse escolher eu teria este aspecto aos 60 anos:



Ou então aos 30: suspeito que tanto faz.

TGV

TGV, pelo Luís Serpa.

O vídeo da Maitê

Antes de mais, quero começar por expressar a minha mais profunda desilusão. Quando comecei a ouvir os rumores de que circulava da net «um vídeo da Maitê», esperava outra coisa. Eu cresci, minhas hormonas cresceram (repararam na omissão do artigo definido como remissão para o sotaque brasileiro?), com Maitê e num tempo onde não havia Tv Cabo muito menos internet. «Um vídeo da Maitê», nos anos 80, podia ser muita coisa; mas «um vídeo da Maitê» em pleno século XXI anuncia outras qualidades que este vídeo da Maitê não tem. Paciência, haja confiança. E o que nos diz este vídeo da Maitê? O Francisco José Viegas já enquadrou devidamente o assunto, mas eu gostava de adicionar mais um elemento para a compreensão deste vídeo da Maitê (ah, como eu gostava que este vídeo da Maitê não precisasse de compreensão): as más companhias. Quem acompanha de perto a imprensa sentimental sabe com quem Maitê tem privado; com que português Maitê tem privado. Qual é o espanto? Pensavam que ele ia para lá como embaixador da portugalidade? Que nada. Ele foi para lá xingar de nós mesmo. Que é o que ele faz bem, que é o que lhe dá charme: olha só aí a Maitê para o provar.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Posso afirmar, com 90% de certeza, que John Kerry será o próximo presidente dos EUA

Rui Oliveira e Costa, sempre empenhado em demonstrar-nos que as sondagens não são o único assunto que não domina, acabou de dizer na RTP-N que sempre achou Alex Ferguson «um bocado bluff».

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Agustina

No Câmara Clara de ontem, dedicado a Agustina Bessa-Luís, fiquei a saber que Agustina se referiu em tempos a Sophia de Mello Breyner como «uma mulher que tem a cortesia de parecer vulnerável». Agora vou ali apagar o blogue todo.

O caso de Helena Roseta

O caso de Helena Roseta não deixa de ser extraordinário: desvincula-se do PS em «ruptura» com a direcção por esta não a nomear candidata pelo partido à CML (e pelo meio lança acusações de «falta de democracia» interna), candidata-se por um movimento independente, faz uma boa campanha, e obtém um óptimo resultado que lhe dá todas as condições para «fazer a diferença» perante um PS fragilizado. Depois, previsivelmente, não fez diferença nenhuma, fez da sua passagem pela vereação uma passagem irrelevante, e, dois anos depois, decide que a «independência» não serve para nada e aceita concorrer em numa «coligação» muito peculiar que dá pelo nome de «PS», mostrando assim que as «causas» são para as ocasiões. Há que juntar à lista das «mortes políticas» de ontem o nome de Helena Roseta.

E tu, quantos nazis tens na tua freguesia?

Tomando esta astuta observação do Rogério Casanova como sugestão, proponho que cada um divulgue e tente isolar os nazis da sua freguesia. Eu começo já: se à primeira vista a Madalena parece uma freguesia orgulhosamente Nazi-Free (0 votos para a Câmara), os 2 votos que o partido obteve para a Assembleia Municipal mancham a honra do convento e revelam que a estratégia para a chegada ao poder do nacionalismo luso é ou obscura ou simplesmente - à imagem do seu líder - muito obtusa.

A Câmara Municipal de Lisboa

Os últimos dois anos de gestão Costa transformaram a Câmara Municipal de Lisboa numa instituição sem palavra. O caos que se instalou na gestão urbanística paralisou todos os investimentos privados que se vão tentando fazer na cidade. O actual executivo terraplanou a base de entendimento que existia e não conseguiu substituí-la por outra. Ninguém se entende. Ao mesmo tempo, foram distribuídas várias encomendas através de adjudicação directa a gabinetes seleccionados para a execução de trabalhos importantes em Lisboa, sem que para isso tivesse havido concurso público. Politicamente, Costa nunca foi mais do que uma voz do governo nos paços do concelho, com a trapalhada que tem sido a «gestão» do dossier da frente ribeirinha como exemplo maior. Agora que tem maioria absoluta e que Sócrates está por aí por mais 4 anos, pode ser que Costa ganhe juízo e comece a olhar para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa como um cargo que merece a sua atenção, e não como mero trampolim político. Se isso não acontecer, estamos todos perdidos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Suction with Valcheck

Suction with Valcheck, o novo blogue de uma pessoa que eu não conheço e não sei que é, de uma pessoa que eu sei quem é mas que não conheço porque a única vez que me cruzei com ela foi a uma hora e num sítio que impossibilitaram qualquer troca de palavras civilizada*, e de uma pessoa que eu sei quem é e que conheço porque fui simpaticamente apresentado, tendo no entanto respondido a essa simpatia com uma inexplicável falta de qualidades sociais que muito correctamente poderia ser descrita como antipatia ou simplesmente estupidez**.

* Lembrei-me de que isto não é verdade: não foi a única vez, mas agora não quero estar aqui a estragar o post todo.

** Não sei se ficou claro, mas a antipatia e a estupidez são, evidentemente, minhas. Quem me conhece sabe que é assim.

O metropolitano, uma peixeirada, e filosofia de algibeira

As filas espantosas que se têm formado aos guichets do Metro para as entregas dos formulários dos passes têm decorrido de uma forma especialmente ordeira e civilizada. Demasiado ordeira e civilizada, até, pelo que não foi com surpresa que assisti hoje de manhã a uma bem definida peixeirada. Uma senhora gritava veementemente com a funcionária do Metropolitano de Lisboa, devidamente afastada da fila transformada em assistência, com o dedo espetado junto ao seu nariz (o da funcionária), num tom de voz que colocava imediatamente qualquer transeunte desprevenido do lado da funcionária indefesa (ninguém deveria correr o risco de ser colocado numa situação destas antes das 9 da manhã, é uma questão civilizacional, se quiserem) «a mim não me ignoram, a mim não me ignoram!», com ponto de exclamação e tudo que eu vi. Perante isto, há três hipóteses académicas.

Hipótese A: O postulado é falso

O postulado «a mim não me ignoram» é falso porque toda aquela situação tinha nascido evidentemente do facto de a senhora ter sido ignorada previamente. Logo, ao confirmar-se que pelo menos uma vez a senhora tinha sido, efectivamente, «ignorada», fica destruída a validade da afirmação inicial.

Hipótese B: O postulado está incompleto

O postulado «a mim não me ignoram» está incompleto porque aquilo que se pode demonstrar é uma variação subtil da afirmação, ou seja: «a mim não me ignoram quando eu estou a fazer uma peixeirada». O facto de estar uma multidão parada a assistir ao desenrolar da cena prova que a senhora não estava a ser ignorada, embora seja pouco prudente fazer o salto lógico daí para a hipótese mais abrangente que a senhora estava a colocar, isto é, o facto de ela não ser ignorada em caso algum, pois isso seria desconsiderar a relevância da «peixeirada» para o facto de ela não estar a ser ignorada naquele momento. Hipótese, repito, pouco prudente.

Hipótese C: O postulado é verdadeiro

Esta é a única hipótese que não faz da declarante uma mentirosa, mas é ao mesmo tempo a que lhe é mais desfavorável. O postulado «a mim não me ignoram» é verdadeiro, ponto final, incondicionalmente. Resta saber porquê. Declarar que «a mim não me ignoram» significa assumir que há dois tipos de pessoas, as pessoas que são ignoradas e as pessoas que não são ignoradas, e que essa distinção é óbvia. Ora, há algumas características que podem conferir a alguém o estatuto de inignorabilidade, como por exemplo a fama ou a deficiência (ninguém ignoraria Cavaco Silva se ele estivesse ali no guichet, como também é mais difícil de ignorar alguém que só tem uma perna), entre outras. A senhora não reunia nenhuma dessas condições à partida (ela tinha, no entanto, algum peso a mais, mas não creio que fosse a isso que se referia), pelo que se poderá admitir a hipótese de ela considerar que ninguém a poderia ignorar devido a uma condição social relativamente oculta, o que revelaria prepotência e má-educação (uma prepotência e má-educação que a peixeirada estaria a provar). Daí esta ser a hipótese menos favorável à declarante.

A não ser, claro, que a berraria «a mim não me ignoram» não é uma constatação de um facto mas um pedido ou uma imposição: ela estava a exigir que não a ignorassem. A ser assim, escolheu o pior caminho de todos: mais vale ser ignorado do que não ser ignorado pelas razões erradas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Enfim

A «construção europeia»

Porque se dá o caso de a minha cozinha bloquear grande parte das frequências FM à excepção da frequência do Rádio Clube Português, aconteceu ter ouvido ontem uma conversa sobre o «sim» da Irlanda ao Tratado de Lisboa (ou só «Lisboa», aparentemente) que envolveu Miguel Portas e Jamila Madeira. Do que disse Jamila nada retive, muito menos do que disse Miguel Portas, mas guardei para memória futura a intervenção do moderador, que repetiu, várias vezes, a pergunta «Podemos estar optimistas em relação à ratificação do Tratado de Lisboa?» A falta de preparação do moderador impediu-o de perceber que o «optimismo» de Miguel Portas não seria exactamente o mesmo do seu (para Portas, o cenário «optimista» envolveria sempre o chumbo «democrático» do tratado), mas nem foi isso que me comoveu, foi o facto de estar instituída esta inevitabilidade da «construção europeia», inevitabilidade suficientemente forte para que um jornalista se sinta à vontade de declarar o «optimismo» de toda uma nação, de todo um continente, sobre aquilo que é, na essência, uma opção política. Que o mundo em geral se sinta optimista em relação, sei lá, à irradicação da pobreza, isso eu percebo; agora que a «europa» se deva sentir «optimista» em relação à «construção europeia» já me parece motivo de desconfiança. Afinal, o que é que o tratado vem resolver? Vem resolver alguns «impasses» e criar novos cargos: o de Presidente da Europa Toda (Tony Blair como candidato, parece) e um super-ministro dos negócios estrangeiros, uma figura que ficará condenada à insignificância, certamente. De resto, tudo continuará como dantes: a Alemanha será sempre o motor económico e a primeira a sair da «crise» (e ela já aí está) e Portugal será sempre o bom aluno que quer continuar a receber subsídios. Daqui não resulta uma entidade supra-nacional, como quer «Lisboa»: resulta um conjunto de interesseiros que devem coçar as costas uns dos outros de vez em quando. E já não é nada mau termos alguém para nos coçar as costas quando precisamos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

3/1?

O Amos Oz continua com as odds de 3/1 que tinha antes deste post do Eduardo Pitta. Tendo em conta o que se passou no ano passado, é caso para concluir que os tipos da Ladbrokes são totalmente irresponsáveis.

Londres e Telheiras

«O que é que se passa com esta gente? Murakami é uma daquelas modas orientais, como o yoga ou o sushi, que aterram de repente em Londres e Telheiras e nunca mais de lá saem.»

Rogério Casanova goes to the Ladbrokes 2009 Nobel Literature Prize Odds List.

P.S.: O Ondaatje está na lista. Já vos disse que confundo sempre o Ondaatje com o Ondjaki? Também tenho outros problemas, é uma questão de ir passando por aqui regularmente.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Luta de classes

Também há uma luta de classes por fazer no futebol: se este golo tivesse sido do Messi estaria espetado em tudo o que é blogue a armar ao atento. Como foi do Pedro, só aqui o justiceiro é que dá o corpo ao manifesto. Vocês não o merecem:

Descubra as diferenças

Valentim, em Gondomar, oferece frigoríficos. É um cacique. Costa, em Lisboa, oferece bicicletas. É um estadista.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

DVD

State of Play (um blockbuster sobre relações perigosas na política com um twist a meio e outro no fim competente) tem um casting feminino sexualmente muito subil: Rachel McAdams no papel da jovem inocente (e quase que é mesmo inocente não fossem aqueles olhos), Robin Wright ora Penn ora não Penn no papel da quarentona (e ficamos sempre mais felizes quando o Penn cai do nome), e Helen Mirren, sempre no papel de Helen Mirren, ou seja, por amor de Deus não é suposto sentirmos isto por uma mulher que nasceu em 1945. Nenhuma delas fará capa de revista masculina. Rachel McAdams é demasiado comum; Helen Mirren nasceu antes de 1988; e Robin Wight Penn tem escapado misteriosamente ao rótulo, ela que é loira e tudo. Apesar de tudo, a memória que fica é delas: não fossem elas e o filme estaria entregue ao bocejante Russel Crowe e ao desastroso Ben Affleck, o homem com menos carisma da história do cinema.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Momentum (2)

Luís Coimbra, no 31 da Armada, lança a escada às «monarquias constitucionais contemporâneas».


Ouvindo a Antena 2

Vou escrever um post barroco.
Um post, vou escrever, barroco, um post barroco, vou escrever.
Vou escrever - um post, vou escrever - um post - barroco, um post barroco - barroco - vou escrever.

Momentum

Se há aí alguém interessado em promover a restauração da monarquia, este é o momento, rapazes, este é o momento.

Não sabe em que conjuntura se desenvolveram

Estamos perante um acto nojento do ponto de vista ético e deontológico da profissão: a publicação de conversas constantes de material roubado, pertença de outro jornalista e que quem publica não sabe em que conjuntura se desenvolveram ou até que ponto relatam com autenticidade o que ambos os interlocutores disseram.

Palavras de João Marcelino (director do DN) em 2004, lembradas há dois dias pelo Pedro Mexia.

A extinção do PCP

Ontem, ao fazer a apresentação dos convidados presentes, Ana Lourenço identificou o representante comunista como «representante da CDU», seguindo a lógica de estarem presentes 5 representantes das 5 forças políticas parlamentares. Foi prontamente corrigida pelo visado, que explicou ser «representante do PCP», já que «a CDU extingue-se no dia das eleições». O que o PCP sempre pretendeu com a «CDU» - esconder do eleitor a palavra «comunista» - só adia o inevitável: a extinção do PCP, provavelmente num dos próximos dias de eleições.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Hã?

Hã? Para mim, só há uma conclusão clara: depois de Soares como oposição, Sampaio como árbitro comprado, e Cavaco como poder isolado, o semi-presidencialismo não serve para nada. Enterre-se o semi-presidencialismo.

Recados

Entretanto, o PS começa a enviar os primeiros recados aos partidos que se querem portar mal.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Esclarecimento ao país

Queria com este post acabar de uma vez por todas com os rumores crescentes na sociedade portuguesa e confirmar que na minha freguesia houve de facto um pai que votou pelo filho e um filho que, devido a isso, foi forçado a votar pelo pai. Não há - eu vi tudo com os meus olhos -seriedade eleitoral neste sufrágio, pelo que penso estarem reunidas as condições para a impugnação do mesmo.

Mexidas

Para já, uma alteração geo-política: o maradona foi para aquele blogue da Sábado.

T1 + 1

Na minha freguesia (Madalena) o PSD obteve 50 votos. Para as autárquicas estão todos convidados para um café lá no nosso T1 + 1.

Temo pelo pior

Fui forçado a fazer a última parte do meu percurso matinal a pé devido a uma interrupção da linha amarela «por motivos alheios ao metropolitano de Lisboa.» Não se sabe nada de Pacheco Pereira desde ontem à tarde.

domingo, 27 de setembro de 2009

E agora?

Há 3 nomes que se perfilam para a futura liderança do PSD: um péssimo (Passos Coelho), um bom (Rui Rio) e um óptimo (Paulo Rangel). Um deles será o próximo primeiro-ministro o mais tardar em 2013. Onde está a ficha de inscrição para as directas?

Continuaremos pobres, mas vamos passar a ter uma alternativa mais cara e mais demorada para a ligação a Madrid

Uma das conclusões mais politicamente relevantes da noite nasce do facto de os 3 vencedores da noite - Sócrates, Portas e Louçã - serem os mais telegénicos dos candidatos. Não é necessário fazer desta uma questão moral: as coisas são o que são, e será até ingenuidade política desconsiderar este aspecto no futuro. Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa não contam entre as suas qualidades a capacidade de seduzir os meios de comunicação social e sofreram as consequências disso.

Também não quero com isto atribuir a derrota do PSD de Manuela Ferreira Leite a uma certa inaptidão comunicativa: pode não ter passado a mensagem toda, mas passou grande parte dela e o país foi taxativo a recusá-la. E mais uma vez se mostra que as lideranças à direita no PSD não costumam ser bem sucedidas. O caminho da vitória do PSD é sempre o centro e o centro-esquerda (Cavaco e Durão), o que torna difícil a tão afamada clarificação ideológica do partido de Sá Carneiro.

Para além do voto do centro, o PSD também perdeu algum voto à direita para o CDS, que se assume como um dos poucos consolos da noite: ficar à frente do Bloco de Esquerda transforma o partido numa hipótese para entendimentos parlamentares com o PS, fragilizando assim a hipótese albanesa de ter Louçã no governo.

E vamos ver como lidará Sócrates com um governo sem maioria. Provavelmente vai, mais uma vez, vestir uma nova pele e assumir uma nova voz.

Êxodo

Eu bem sabia que devia ter dado continuidade àquelas aulas de alemão.

1975

Isto é todo um sentido patriótico que é ameaçado.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Plano B

Se Sócrates ganhar as eleições, já temos escape: a NASA encontrou água na Lua.

Vésperas

Depois do dia 11 de Outubro só há 2 cenários possíveis: ou Cavaco se demite, ou cai o governo que vamos eleger no domingo (dado o carácter decisivo que o «caso das escutas» acabou por ter na campanha). Não há nenhuma terceira via que garanta a «governabilidade» do país.

P.S.: Quatro dias depois de o Presidente da República ter afastado Fernando Lima da chefia do gabinete de assessoria para a Comunicação Social, o “Expresso” noticia que a Presidência da República “insiste” em manter as informações sobre a suspeita de que assessores de Cavaco Silva tenham estado sob vigilância. Isto apesar de o SIS (Serviço de Informações de Segurança) continuar a negar quaisquer escutas a Cavaco Silva. O “Expresso” cita mesmo um informador de Belém que diz que o caso é “sério e delicado”.

Uma fonte citada pelo mesmo semanário, mas que pediu anonimato, assegura que “há substância para as suspeitas levantadas pela Presidência”, apesar de reconhecer que “o momento para as revelar é o pior”.

José Lopes

Ontem, num tempo de antena numa «reportagem pessoal» que a RTP fez com José Sócrates, o primeiro-ministro queixava-se de que o cargo lhe tinha retirado a possibilidade de correr as 2 horas diárias da rotina. Este é o problema de Sócrates: até nos mais pequenos pormenores nós sabemos que ele está a mentir. O problema não é dele, evidentemente: estamos perante um diagnóstico clínico por fazer.

Que desconhecido cristianismo não-católico é este em que as pessoas se benzem?

Já não é a primeira vez que José Sócrates fala sobre a sua fé cristã, cuidadosamente enxotada de catolicismo. Isto podia ser óptimo: um dos primeiros políticos portugueses de uma tradição não-romana. Mas é apenas bluff. Na última entrevista (DN de Domingo passado) o Primeiro Ministro voltava a repeti-lo logo depois de dizer que se benzia. Que desconhecido cristianismo não-católico é este em que as pessoas se benzem? Nem protestantes nem ortodoxos fazem esse sinal da cruz. José Sócrates é da Seita dos Selectivos, a religião onde se crê conforme se escolhe. Quase que sentimos saudades do ateísmo de Soares.

O Sócrates Cristão, por Tiago Cavaco

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

80% a mais; 24% a menos

A campanha dos socialistas tinha um orçamento de 1,5 milhões de euros, mas afinal custou 2,764 milhões - uma derrapagem de 1,2 milhões, ou seja, cerca de 80% a mais do que o PS tinha previsto no orçamento que entregou à Entidade das Contas antes da campanha.
A propaganda do PS acabou por ser a mais cara das europeias, bastante acima do PSD, que gastou 1,6 milhões (previa 2,2 milhões). Ou seja, a despesa dos social-democratas ficou 24% abaixo do previsto.


Lembrando os resultados das últimas europeias, podemos concluir - havia dúvidas? - que o PSD apresenta uma capacidade de gestão muito superior. Somos um país pobre, temos de sair da pobreza. É isto que está em causa no domingo.

Sondagem

Sondagem Eleições Europeias, Aximage, 1-4 Junho:

PS: 36,2%
PSD: 30,9%
BE: 10,2%
CDU: 10,1%
CDS-PP: 5,0%

Doidos no Chiado (3)

Não percebi totalmente o argumento do doido ateu porque um outro acontecimento decorria em simultâneo no Largo Camões que exigiu a minha atenção. Uma mulher absolutamente cinematográfica - vestida de vermelho e praticamente em slow motion - atravessava a praça com uns modos que forçaram todos os doidos a reter a respiração. Foi a minha mulher que me explicou «já viste ali a Bárbara Guimarães?» Pelo segundo dia consecutivo, apeteceu-me dar um abraço ao Manuel Maria Carrilho.

Doidos no Chiado (2)

Um doido (clínico) passeava no Largo Camões aos berros «... e depois enfiam-se nas igrejas a rezar. Sim, ajoelham-se todos a rezar. País de cristãos a fingir, cristãos de fingir, e depois enfiam-se nas igrejas a rezar.» Há todo um programa (lógico) naquele «e depois».

Doidos no Chiado (1)

À saída do Metro, comunistas distribuem «panfletos da CDU». Recuso educadamente. O senhor que me segue pega no panfleto num gesto irreflectido. Quando percebe o que é estremece e devolve o papel exclamando: «Cambada de Doidos Unidos» (maiúsculas minhas).

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Regresso às aulas

Com o regresso do Outono regressam também, depois de 3 meses e meio de paz e sossego, os «jovens» à rede de transportes públicos. Não há maneira de ignorar o facto: as filas para os guichês de compra de passes estão agora caóticas. «Isto é um escândalo», como ouvi um jovem dizer no outro dia, embora não garanta que com todas as letras. Bué chato, corroboro eu, isto das filas serem intermináveis. Mais interessante é o facto que explica a interminabilidade das filas: os jovens, asfixiados democraticamente pela exiguidade do espaço temporal que configurou as suas «férias» (entre 90 e 120 dias) não puderam - eles tentaram - dirigir-se ao guichês com a antecedência que a prudência recomendava. O «planeamento» é para dinamarqueses, pá (cota, chaval, como se diz agora?), trato disso no primeiro dia de aulas. O que o jovem não previu foi a existência de outros jovens que pensaram exactamente no mesmo. Aliás, essa é uma característica do jovem: achar que é um ser único e inestimável no universo. Eu sei, eu já fui um.

Uma estranhíssima acção de campanha

«António Costa organizou ontem uma estranhíssima acção de campanha. Numa corrida entre o Metro, uma bicicleta, um táxi e um carro de alta cilindrada ganhou a bicicleta, seguiu-se o Metro, depois o táxi e finalmente o carro de alta cilindrada. A velocidade dos dois primeiros não depende das políticas da câmara. A velocidade dos dois últimos depende. O que é que António Costa pretendia provar?»

João Miranda

Finalmente

Finalmente, o primeiro condenado do processo Casa Pia.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Is there a final twist?

Com 3-3 aos 96 minutos de jogo, depois de Bellamy ter bisado aos 90 (e vão ver o primeiro do Bellamy, pela vossa saúde), só havia um jogador em campo capaz de fazer isto:




Giggs (n.1973), obviamente, para quem o milionésimo jogo da carreira já não tem capacidade para meter nervos - basicamente ele anda a jogar no pátio da escola há anos.

Taking Woodstock

Ang Lee conseguiu a proeza de transformar Woodstock num longo bocejo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Bolaño

Eu também ando a ler Bolaño - não, não é o 2666 porque eu não sou do meio e não tive acesso ao pdf -, mais precisamente Estrela Distante, e, depois de ter lido também Os Detectives Selvagens, chego a uma conclusão que me parece bastante perspicaz: Bolaño é um page turner sem plot. Nos livros em que nos costuma acontecer o que nos acontece com os livros de Bolaño, pelo menos em Estrela Distante e Os Detectives Selvagens, porque eu, porque não sou do meio, não tive acesso ao pdf, isto é, subir por nós acima uma insaciável fome de páginas, acontecem geralmente coisas que levam a que outras coisas acontençam também que sugerem que mais coisas poderão vir a acontecer (não, não, se alguém me fala do Stieg Larsson puxo já da pistola), mas em Bolaño tudo o que acontece parece ser marginal a uma hipotética espinha dorsal do «enredo» que nós nunca chegamos a detectar. No fundo, Bolaño persegue aquilo que todos os romancistas perseguem, que é a suspensão da descrença do leitor, e fá-lo de um modo bastante contemporâneo, que eu descreveria deste modo: em Bolaño há um princípio, meio e fim similares aos princípios, meios e fins das nossas vidas, quase sempre sem grande explicação (eu tinha aqui uma frase rascunhada que falava na «ausência de uma coerência macro-narrativa» mas tive vergonha.)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um tipo chamar-se Lourenço é garantia de animação permanente

- Boa tarde, estou a ligar por causa de um anúncio de um apartamento.
- Sim senhor, estou a falar com?
- O meu nome é Lourenço Cordeiro.
- Com certeza. Esse apartamento fica na zona de (...).
- Ah, obrigado, essa é uma zona que não me interessa muito.
- E o senhor Luís anda à procura em que zonas?

Apesar de tudo, Luís é mais simpático do que os frequentes Leonardo e Leandro.

Miguel Esteves Cardoso

Levar a vida privada para a esfera pública - sobretudo quando ela é especialmente brutal - é um gesto que só pode merecer da nossa parte a maior das condenações. Esta é a regra geral que Miguel Esteves Cardoso anda a fintar com uma elegância que nos tem desarmado.

68 anos, licenciada em Economia

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Espanha

Sobre a palhaçada que foi o histerismo que se levantou sobre as declarações «xenófobas» de Manuela Ferreira Leite («estou aqui para defender os interesses de Portugal, não os de Espanha»), vale a pena ler o Fernando Martins.

Os primeiros dias do outono



The First Days of Spring, um título irónico para o segundo álbum dos Noah and the Whale que saiu no fim do Verão e carrega uma melancolia própria dos primeiros dias do Outono.

Só tenho pena que isto tenha sido feito ao Djokovic

Jan Rodrigues

Among the many things that most New Yorkers don't know about their home town is the arguable and underdocumented fact that the first New Yorker was a black latino named Jan Rodrigues. Born in Santo Domingo to a Portuguese father and an African mother, Rodrigues came to New York Harbor aboard a Dutch ship, the Jonge Tobias, in the summer of 1613 (...).

Useless Beauty, Nick Paumgarten, New Yorker Aug. 31, 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

Evidentemente

Ana Gomes tem problemas com mulheres que só se candidatam a um lugar de cada vez.

A mesma Ana Gomes descreve o debate como uma «banhada total de Sócrates». Precisamente Ana: uma «banhada».

O debate

Sócrates, mais hábil, controlou o debate: foi introduzindo temas e gráficos e fotocópias sublinhadas como bem entendeu. Mas saiu-lhe o tiro pela culatra: todas as tentativas de confrontar Manuela Ferreira Leite com temas que lhe seriam desconfortáveis revelaram-se oportunidades para um belíssimo desempenho da líder do PSD para explicar o programa do seu partido. Aliás, o debate assemelhou-se a uma aula: Sócrates dizia que não percebia, Manuela explicava. Quando um debate com o primeiro-ministro se transforma no escrutínio do programa eleitoral do partido da oposição por escolha do primeiro-ministro, é sinal de que o primeiro-ministro não está à vontade com aquilo que foi a sua governação. Nas matérias de fundo, Manuela Ferreira Leite mostrou ter uma preparação intelectual sem pararelo em José Sócrates. Sócrates é um produto da política mediática que esconde a sua falta de formação académica e profissional com o talento para uma retória de embalar jornalistas (orgulhar-se de ter posto as contas públicas em dia com a subida de impostos é típico de quem não conseguiu - apesar dos esforços de Manuela Ferreira Leite - perceber a diferença entre «défice» e «endividamento».) Manuela Ferreira Leite não foge a nenhuma questão - e foi isto, paradoxalmente, segundo os «analistas», que a fez perder o debate: para os analistas, «ganhar» o debate significa conseguir manipular a conversa no sentido de a conduzir para os temas que são mais confortáveis. Como eleitor, eu agradeço a Manuela Ferreire Leite o facto de ela fazer exactamente o contrário e com isso tornar claro as suas opções políticas.

O debate de ontem foi esclarecedor. Se Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições, teremos um governo que não manipulará a opinião pública e enfrentará todas as questões com sentido de responsabilidade; se José Sócrates ganhasse as eleições, continuaríamos a ter um governo autista e incompetente, que está à vontade com telepontos mas bastante desconfortável com as coisas sérias. Como Manuela Ferreira Leite explicou ontem (ela ela explicou muita coisa), não é o «optimismo» nem o «pessimismo» que criam postos de trabalho, é a crescimento económico. E a frase da noite foi, evidentemente, de Manuela Ferreira Leite: «a política não vem nos catálogos». Sócrates, que tem uma formação académica baseada na cábula e o pensamento político assente em slogans («eu quero modernizar»), não percebeu.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Precoce precoce, hein?

Carolina Patrocínio revela que «[p]ara as legislativas» votou «sempre PS», o que não deixa de ser extraordinário: as últimas eleições legislativas aconteceram a 20 de Fevereiro de 2005, um dia bem bonito para quem nasceu, por exemplo, a 27 de Maio de 1987.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Educa-se pois

«Taste is context, and the context has changed.»

Susan Sontag, Fascinating Fascism (na versão editada em Under The Sign of Saturn que, pelos vistos, não é bem esta aqui, não.)

Contra a parede

Se a metáfora da partida de ténis pode ser uma boa metáfora para ajudar a descrever o que se tem passado nos debates televisivos (embora não tenha ainda havido ninguém que tenha pegado nela, parece que já estou a ver tudo - «Louçã subiu muitas vezes à rede mas Manuela foi forte nos lobs», «Sócrates esteve muito bem no segundo set mas deitou tudo a perder com uma dupla falta» ou «Portas apostou num jogo conservador de fundo de court»), então os debates com Jerónimo de Sousa são sessões de treino contra a parede.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não façam como eu

Se tiverem sido, como eu, avisados nas novas edições da Penguin das colecções de ensaios da Susan Sontag e forem à FNAC, como eu, à procura delas, vão perceber, como eu, que a FNAC organizou um rally paper muito especial para vocês: há volumes na secção de Literatura, há volumes na secção de Sociologia, e há volumes na secção de Filosofia, todos eles, sem excepção, mais caros do que na BookDepository, uma livraria sem secções arbitrárias. Há prémio para quem sugerir o critério mais criativo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Uma reentré que está a ser de luxo

Sete Sombras, o regresso do Pedro Lomba.

Vão ter de me desculpar

Mas eu estou em campanha.

The Profiler

Acordei com José Miguel Júdice a explicar na Antena 1 porque tinha Manuela Ferreira Leite «perdido completamente» o debate com Francisco Louçã. Porquê, perguntou a jornalista que me pareceu ser aquela do spot publicitário contra as manifestações e que escreveu a biografia de Sócrates, porquê? Porque, como explicou candidamente José Miguel Júdice, José Miguel Júdice é advogado e «está habituado» a observar as reacções dos arguidos em tribunal e percebeu em Manuel Ferreira Leite «traços fisionómicos de desconforto». Depois de este desempenho paranormal, José Miguel Júdice completou explicando que Manuela Ferreira Leite «está velha» e que ele, José Miguel Júdice, não aguentaria «nem 15 dias» no lugar de primeiro-ministro, por falta de força física. Este é o erro das pessoas que se têm como medida para todas as coisas: são pessoas que se têm como medida para todas as coisas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

«a circunstância de pretender com isto o eurodeputado tapar»

O estilo de Mário Cláudio vence-me.

(Esta frase, por exemplo: «E se tiverem sido muito aplicados os discípulos, admite-se que hajam corrido às bibliotecas, a afanosamente consultar os manuais de história, com vista a verificar a recepção dos princípios de Maquiavel.» É K.O. técnico ao primeiro assalto.)

Então?

Então e o «Fim do Capitalismo», pá, como é?

O! say can you see by the dawn's early light

Ontem conheci um arquitecto («liberal») americano («liberal, liberal») do Bronx («liberal» ao quadrado, pelo amor de Deus) que trabalha para um dos maiores escritórios europeus da chamada arquitectura intelectual («liberal» a níveis ilegais) que, não fora o facto de ter achado o processo de voto por correspondência «muito complicado», teria votado McCain. Foi a coisa mais bonita que ouvi nos últimos meses.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um post doméstico

Fiquei acordado para ver a transmissão em directo do Celtic - Benfica. Mas não fiquei acordado para ver a transmissão em directo do Celtic - Benfica.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sou o anti-Lobo Antunes

Nunca comeces um post que não sabes como vai acabar.

Há coisas mais importantes

O PS diz que Manuela é «velha» e «conservadora» e que não gosta dos gays. Tudo bem. Para o PS, a prioridade nas próximas eleições legislativas é o casamento de pessoas do mesmo sexo, o divórcio na hora, a separação do lixo. Tudo bem. Não concordo com Manuela Ferreira Leite no que toca ao casamento de pessoas do mesmo sexo, ao divórcio na hora, nem à separação do lixo, mas nem por isso deixarei de votar nela: não é isso que está em causa. Olhem para os gráficos, olhem para a nossa dívida externa, olhem para a hipoteca astronómica que o PS se prepara para lançar sobre a vida dos nossos filhos e netos: eles estão loucos, ou são mentirosos - na política, a mentira ganha votos; por isso, eles mentem. Manuela Ferreira Leite já disse ao que vem: mostrar, de dentro, o país aos portugueses. Prepara-se para um enorme reality check. A juventude não gosta; a juventude quer é optimismo e jogar ao ataque (assim como o Setúbal jogou na Luz, com 3 defesas.) E o PS quer convencer-nos de que o país quer optimismo e histórias de princesas e, como se diz, «mundividências» modernas e tudo lá à frente. Depois de perdermos por 8-1 é que eu quero ver.

O meu candidato ideal seria alguém que olhasse para o país económico como Manuela o olha e que juntasse a isso uma «mundividência» semelhante à minha (que é o que todos queremos). Perante a inexistência desse candidato, a minha «mundividência» que se lixe.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bué fixe

O desempoeirado líder da Juventude Socialista, Duarte Cordeiro (no connection here), diz que Manuela Ferreira Leite lembra um «professora primária conservadora do antigamente». Di-lo, parece-me, em tom crítico, o que me espanta: «antigamente» (que Duarte Cordeiro usa como eufemismo para Estado Novo) os alunos acabavam a primária a saber os nomes dos rios e das linhas de caminho-de-ferro e das províncias portuguesas, não davam erros de português e sabiam fazer contas.

Adenda: O Filipe Nunes Vicente explica o «Portugal Moderno» que Sócrates e a Juventude têm na cabeça: «Importa é subsidiar o Ruben Micaelo para que leve à cena uma peça sobre a transmutação psico-corpórea da subjectividade narrativa da identidade de género nos espaços meta-urbanos. Isso é que é.»

Gapminder

O melhor site do mundo.

Isto está pior do que 29

Chegou a Lei Seca.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A culpa não é dele

Li numa revista «da especialidade» um famoso a declarar que, por motivos ambientais, deixara de usar o desodorizante, passando a usar, em vez, «água e sabão» (julgo que foi a Julia Roberts, mas parte do meu cérebro recusa-se a aceitar a hipótese de uma Julia Roberts fedorenta.) Durante anos pensei que a culpa era do desodorizante, que a culpa era da falta do desodorizante. Afinal não. Anos e anos a sofrer no Metro e Sítios Fechados Em Geral a rezar a Deus para que eles descobrissem o desodorizante - para perceber agora que as minhas preces têm sido em vão. Eles julgam que o desodorizante substitui a água e o sabão. Julgam que o desodorizante e o banhinho são mutuamente exclusivos. Assim não há fé na humanidade que aguente, tenham lá paciência.

domingo, 30 de agosto de 2009

Inglourious Basterds

Gostava muito que toda a gente tivesse percebido que a última linha de diálogo de Inglourious Basterds não é apenas uma linha de diálogo da personagem Aldo Raine - é Tarantino que nos fala directamente ao ouvido. Absolutamente brilhante (e um óscar para Cristoph Walz, já.)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Manuela 2009

O Programa Eleitoral do Partido Social Democrata 2009 / 2013.

«Uma ressaca para a vida toda»

Para os fanáticos de The Wire, é obrigatório ler o texto que Rogério Casanova dedica à obra de David Simon na última LER, que nos explica as tácticas e a estratégia que a série usou para nos fazer aquilo que fez.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Stieg Larsson

Stieg Larsson, Stieg Larsson, Stieg Larsson: a verdade é que ainda só li as primeiras 150 páginas mas há água que tem de ser deitada na fervura, tenham lá paciência. A edição portuguesa de Os Homens Que Odeiam as Mulheres é exasperante. Os erros de revisão são mais que muitos: não se admitem plurais omissos e pontos finais desaparecidos em combate. Um parágrafo sem ponto final é coito interrompido, pá. A tradução - do inglês, não há ninguém a traduzir do sueco em Portugal? - também me parece descuidada: há «pequenas mesas» por todo o lado, bem como «fortes portas», «gordos homens» e, imagino, «azuis carros». O próprio estilo de Larsson também me parece pouco atraente. Demasiado cinematográfico: abusa-se das descrições visuais - com mapas impressos e tudo - e dos diálogos, e as personagens parecem todas saídas do catálogo dos estereotipos mais comuns - o «velho» é sábio e compreensivo, a «jovem» é anárquica e tatuada, a «amante» é loira. Mas - surpreendentemente - aquilo funciona: as tais 150 páginas foram lidas numa noite e meia.

Battlestar Galactica



Tudo se passa num «futuro distante». A raça humana colonizou o espaço, mais precisamente 12 planetas que apelidou de, err, colónias. Essas colónias têm nomes aparentadas dos signos do zodíaco. A Terra, essa, desapareceu da história e transformou-se num mito religioso. O sistema monoteísta foi substituído por um sistema politeísta («may the Gods help you»). Uma sub-espécie foi criada, os «Cylons». Essa sub-espécie desenvolveu-se e, surpreendentemente, «revoltou-se». Houve um ataque massivo e quase toda a espécie humana foi dizimada. Restaram 50 mil almas que conseguiram fugir para o espaço e vivem em naves que fogem constantemente dos Cylons. Para fugir teletransportam-se («saltam») para coordenadas distantes. Há uma presidente, há uma hierarquia militar estabelecida, há imprensa, há bares, há putas, há tudo. Para ajudar à festa, as personagens são incoerentes, os diálogos frequentemente embaraçosos, e as explosões deixam a desejar.

Daqui só poderia ter saído uma série merdosa. Não saiu. Não saia daí. Eu explico.

As coisas tornam mais interessantes. Os Cylons ganharam a capacidade de reproduzir modelos de seres humanos que são indistintos dos seres humanos, mesmo quando submetidos a análises médicas. Os Cylons, por outras palavras, andam entre nós. Se Battlestar Galagtica fosse a típica série de ficcão científica - ursos que falam, homens verdes, apertos de mão esquisitos - os Cylons seriam todos maus e esquisitos. Mas Battlestar Galagtica não é uma típica série de ficção científica: os Cylons humanóides são emocionalmente complexos e apaixonam-se por humanos. Os humanos, que não sabem que aqueles Cylons são Cylons, apaixonam-se pelos Cylons que - e aqui é que as coisas se tornam interessantes - também não sabem que são Cylons. E de repente o ponto de interesse numa série de ficção científica não são as naves e os planetas e as explosões mas é o amor - um amor que se passa em naves e planetas distantes e durante explosões mas ainda assim o amor. Mas não só. Os Cylons - que maravilha das maravilhas -, contrariamente aos humanos, são monoteístas, acreditam num deus único. E depois há umas eleições, e o sistema democrático é posto em causa, e...

Enfim. Better than The Wire? Não sei. Mas que é a melhor coisa que vocês podem ver depois do The Wire, isso ó meus amigos é certo.

9:10 da manhã

(...) Se todas as discordâncias retóricas fossem tão fáceis de resolver, nunca teria havido necessidade de inventar o diálogo socrático, o argumento crítico sofisticado, ou o Pacheco Pereira. É evidente que há maus escritores que usam mal o ponto de exclamação; mas é altamente provável que os que o fazem, também usem mal as reticências, a vírgula, a metáfora, e a cabeça. Nas imediações de um ponto de exclamação abusivo há sempre delinquências tão ou mais relevantes a serem cometidas. E isto acaba por dizer mais sobre as pessoas que quiseram levar a arma do crime a tribunal - não como prova, mas como réu - do que sobre os esporádicos infractores. Se num mau livro, ou numa passagem particularmente má de um mau livro, o maior defeito que o equipamento estético do leitor consegue detectar é um ponto de exclamação mal posicionado tacticamente, então o leitor é tão superficial quanto o escritor que está a tentar denunciar. (...)

Rogério Casanova, que a esta hora deve estar a caminho da praia para jogar ténis de praia.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Plantar uma árvore

As pessoas que interpretaram mal um post meu de 16 de Janeiro de 2008 podem agora reciclar essa interpretação porque ela ganhou recentemente uma orgulhosa validade.

Bom dia

Como não sou pessoa para deixar passar em claro as grandes questões do nosso tempo, queria aproveitar este minuto para me pronunciar oficialmente sobre as declarações da mandatária de José Sócrates para a Juventude, Carolina Patrocínio. Patrocínio disse num programa de televisão destinado a explorar a vida privada de Patrocínio que não gostava de «fruta com caroços» e que só comia uvas quando a sua empregada separava cuidadosamente a parte comestível das graínhas. A esquerda à esquerda do PS aproveitou rapidamente a oportunidade para denunciar a «arrogância» (sic) de Patrocínio e o seu modo de vida burguesa, imperialista, xenófoba, racista e, escandalosa e provavelmente, «de direita». Eu, que anseio pelo dia em que poderei ter uma pessoa contratada só para me desgrainhar as uvas, fiquei estupefacto. Não tanto pelo que Patrocínio disse - qualquer mandatário para a juventude é perfeitamente irrelevante para o futuro do país - mas porque entendo que criticar Carolina Patrocínio por coisas que ela diz é a mesma coisa que criticar Vasco Pulido Valente por ter um rabo flácido - tese puramente académica e hipotécica, ressalve-se.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Pizza

Há uma pizzaria ali em Belém, em cima do Tejo, que cobra 4 contos por uma pizza. É a melhor pizza que já comeram? Não é (se é, segue daqui a minha compaixão.) Os «chefes-de-sala» (não sei como se chamam os senhores cuja única função nos restaurantes parece ser apontar aos clientes as mesas obviamente vagas) são umas bestas: ele um Kalu do chinês, ela uma Cláudia Vieira das badalhocas (vi-lhe a roupa interior; isto não se admite num restaurante onde o prato mais barato, uma pizza, custa 4 contos) nem um sorriso oferecem naquilo que é, obviamente, um favor que nos estão a fazer. 4 contos, quatro queijos todos fundidos e indistintos, não se admite. O meu conselho? Vão ao La Finestra (ali em S. Sebastião), comam uma pizza fabulosa por metade do preço (ainda assim a 2 contos), e depois vão passear junto ao Tejo, de borla. E estava cheio, o restaurante. Mas aquela gente vai para ali porquê?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Google Maps Street View!

É fácil, é muito fácil, façam-no imediatamente: vão ao Google Maps, metam lá Lisboa, e façam zoom in, zoom in, zoom in...

(Um ponto de exclamação e umas reticências no mesmo post, que é para verem o meu estado neste preciso momento.)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Até logo

Detecto dois erros (um plural omisso e um tempo verbal refém de uma edição) num email que enviei ontem. Vou para casa tomar aspirinas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Encaremos a realidade com frontalidade

Agora que tem sido impossível fintar as transmissões de comemoração (um tipo faz rádio-zapping mas elas são omnipresentes) chego à conclusão - com um grande pedido de perdão àquela geração - que 94% da música de Woodstock é perfeitamente dispensável para quem está sóbrio.

Expliquei o melhor que pude

Para quem não vive o futebol de forma obsessiva - para quem não vive o futebol - assistir a uma flash interview pode ser uma experiência surreal, como constatei pela cara que a minha mulher fez quando Carlos Carvalhal disse, sem qualquer motivo aparente, «e não me venham falar de autocarros.»

sábado, 15 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

1915-2009

Pelo sound + vision fico a saber que morreu Les Paul, o inventor da guitarra eléctrica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tenho andado desantento

Só hoje reparei que o Lourenço Viegas publicou a 21 de Julho mais seis textos, a saber:

(...) Cuidado, não caia nos bifes, castigados, castigados, castigados (a não ser que seja, como o embarcado da anedota, que pedia à prostituta que lhe fizesse uma certa e determinada coisa, mas o mais mal feito possível, não por não por lhe apetecer aquilo, mas apenas por estar com saudades da mulher). (...)

Na Feira do Livro dos Restaurantes


(...) O problema é que enquanto um restaurante indiano bom é normalmente mau e um restaurante indiano mau é normalmente bom, nos restaurantes chineses se passa exactamente o contrário: os restaurantes bons são bons, e os maus são maus. (...)

O indiano que não pica


(...) Voltando ao Darwin, o que importa é que tenho a certeza de que uma das características de desenvolvimento evolutivo das espécies é, além da oponibilidade do polegar, da estupefacção pelo sucesso de Mário Cláudio, a capacidade de distinguir entre um restaurante bom e um restaurante muito bom. (...)

Onde é que te apetece ir jantar?


(...) O tom é o daquela moda luso-retro que tem como papisa a Catarina Portas (juram-me que é mentira que vá ser candidata à Junta pelo PS depois de ter ficado com a concessão dos quiosques das bebidas). (...)

O ideal da esperança


(...) Não há, não pode haver, qualquer justificação para um estabelecimento aberto ao público se chamar Cova Funda. (...)

Descer para subir


(...) É quando vemos que a televisão não mostra a Júlia Pinheiro no seu terrorismo proctoemocional, mas a BBC e o conflito do médio oriente, que a chamuça que se ia trincando deixa de ser apenas perfeita e nos faz engasgar. (...)

Ali seja louvado

Vão lá lê-los para poderem ir à vossa vida, vá.