terça-feira, 15 de abril de 2008

O Costa

Um dos (um dos) problemas em chamar-me Lourenço é a falta de clareza que o nome carrega sobre se é nome ou apelido. Em determinadas companhias, não haverá dúvida de que é nome; noutras - e sobretudo nas relações profissionais - a dúvida nasce e acaba mesmo frequentemente por pender para o lado do apelido. Nada disto seria grave se não fosse a necessidade que temos, volta e meia, de nos apresentarmos. E quando eu digo que me chamo «Lourenço Cordeiro», isso pode por vezes ser equivalente a alguém que se apresenta como «Alves Ribeiro», ou «Pereira Fonseca», ou «Lopes da Silva», situação que não é, arredondemos, do meu agrado. E ainda há aquelas ocasiões em que a minha mulher se refere a mim perante terceiros como «o Lourenço», correndo o risco de fazer a figura da mulher que trata o marido por «Costa»: «o Costa vai passar por cá a buscar-me, obrigado à mesma pela boleia.» Sinto aqui alguma falta de charme e não lhe vejo solução à vista.

(Não estou a inventar nada: já fui por diversas vezes solicitado, após revelar a minha identificação onomástica, a indicar o meu «nome próprio.»)