Maionese: como é?
Se um dia calhar terem de perguntar a alguém como se faz maionese e essa pessoa começar com a frase «é muito simples», o meu primeiro conselho será: desconfiem. O segundo conselho, and I can't stress this enough, é: anotem bem a lista de ingredientes com especial atenção para as quantidades e confirmem, antes de dar início às hostilidades, que têm tudo em duplicado na despensa. O terceiro conselho é o mais importante: façam tudo com amor. O amor pode ser dispensável em muitas situações mas não na cozinha; na cozinha, o amor é tudo. Por isso dediquem a esta vossa maionese toda a atenção e carinho disponíveis. Demorem-se; falem com os ovos, com o óleo, com o sal, com a pimenta, com o limão, com a Mrs. Bridges Honey Mustard & Champagne. Perguntem-lhes como correu o dia; digam-lhes que estão bonitos. Ponham uma música a tocar, um instrumentalzinho, uma guitarra, o Pata Lenta do Norberto Lobo. Declarem-se!, informem o mundo de que vão fazer maionese. Depois, preparem-se para o pior. Quantas relações frutosas não tiveram que passar por momentos difíceis, momentos em que tudo foi posto em causa e o amor desafiado pelos acidentes próprios do caminho? Não é ao desânimo que se devem entregar; não, o desânimo é a opção dos fracos. O vosso caminho, a vossa glória, será resistir aos primeiros abalos e seguir com confiança na direcção certa. E, para vosso orgulho, sem a ajuda de ninguém. Seria tão fácil, meus irmãos, fazer tudo à primeira. Seria tão fácil se tudo corresse como queríamos logo na primeira tentativa. A vida seria demasiado fácil sem obstáculos que nos fizessem crescer. A glória não vem de nunca cair; a glória vem de sermos capazes de nos levantarmos a cada queda. Como disse uma vez Samuel Beckett sobre o processo de fabrico da maionese: «Ever Tried. Ever Failed. No Matter. Try Again. Fail Again. Fail Better.»
(Ora vamos lá ver então se aquilo já arrefeceu tudo.)
(Ora vamos lá ver então se aquilo já arrefeceu tudo.)

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