segunda-feira, 4 de julho de 2005
Sonhando acordado com locais distantes 43
Primeiros resultados do impacto lá da coisa da Nasa no cometa 9p não sei o quê: a partir de hoje o movimento de rotação da Terra passa a ser mais lento, muito mais lento, progressivamente mais lento. Pelo menos, e lá vêm os relativismos pós-modernos de que o outro não gosta, aparentemente. Não se prevê que a Terra chegue a parar, mas só lá mais para o meio do mês é que são esperadas melhorias no estado do tempo. Por enquanto há que ir recolhendo a poeira.
Sonhando acordado com locais distantes 42
O excesso de comunicação pode acentuar a distância, tornando-a mais evidente. Mas ninguém disse que se queria atenuá-la. Faz-se os possíveis, não os impossíveis.
domingo, 3 de julho de 2005
Sounds good to me

Sim, há qualquer coisa que cheira a injustiça nestas mulheres. Isto assim não vale. Ao contrário do que se costuma dizer, esta pode ser a prova de que Deus, afinal, não existe. Ou, se existe, é perverso.
Deep Impact
Daqui a precisamente 16 horas e 46 minutos vamos (1) rebentar (2) com um asteróide.
(Nuno Crato, no seu texto no Expresso de ontem, resume a coisa numa expressão reveladora: «A astronomia torna-se uma ciência experimental».)
(1) - Vamos, nós, a humanidade.
(2) - Não é bem rebentar, é mais fazer uma mossa, mas é uma mossa que impõe respeito.
(Nuno Crato, no seu texto no Expresso de ontem, resume a coisa numa expressão reveladora: «A astronomia torna-se uma ciência experimental».)
(1) - Vamos, nós, a humanidade.
(2) - Não é bem rebentar, é mais fazer uma mossa, mas é uma mossa que impõe respeito.
www.blogspot.com
Era uma mulher prevenida: antes de decidir sucumbir aos encantos dele foi conhecer-lhe o blogue.
sábado, 2 de julho de 2005
O arquitecto reaça
Percebemos que a arquitectura não é fácil quando ouvimos um professor da Faculdade de Arquitectura de Lisboa dizer que o Siza é «péssimo arquitecto» e que o «irrita» e que se «olharmos com olhos de ver percebemos que aquilo é péssimo» e que «se tirarmos a pala ao pavilhão de Portugal aquilo fica um edifício fascista comum» e que «todos os alunos da faculdade já sabem que quando chegarem ao quinto ano levam com ele em cima» e que «o Siza e o Souto Moura só são o que são porque são comunistas» e muitos outros disparates em apenas cinco minutos de conversa. Deu para me chatear, o palerma, ao ponto de o obrigar a dizer «dizes isso porque és novo, vais ver que quando fores mais velho vais olhar para as coisas de outra maneira» e que eu «devia libertar-me dos preconceitos que me meteram na cabeça». Não fosse o ambiente onde a curta conversa decorreu e ter-me-ia divertido a dar uma imagem de puto arrogante, ao ponto de o fazer perder a calma. Ser «novo» tem destas coisas: tomar calores com pessoas que manifestamente não o merecem. É este tipo de coisas que espero que a experiência me ensine. Deixo o achar o Siza uma merda para os ressabiados do costume.
(Aos interessados fornece-se o nome do professor via e-mail. Ou, ainda melhor, dá-se um rebuçado a quem conseguir identificar a personagem com base neste curto desabafo. Vamos lá, não deve ser difícil para quem teve a infelicidade de ser aluno dele.)
(Aos interessados fornece-se o nome do professor via e-mail. Ou, ainda melhor, dá-se um rebuçado a quem conseguir identificar a personagem com base neste curto desabafo. Vamos lá, não deve ser difícil para quem teve a infelicidade de ser aluno dele.)
Encontros imediatos
Conhecido hoje, com algum prazer, tenho de reconhecer, um arquitecto reaccionário.
(sem título)
O amor não é passível de persuasão intelectual.
Ivan
Sim e não, Ivan, sim e não. Talvez o problema esteja na palavra persuasão, mas se a substituirmos por sedução (ou coisa parecida) teremos de riscar a palavra «não» dessa frase. Ainda que mesmo a mais inteligente das mulheres (escrevo na condição de homem) nos diga que «nenhuma mulher quer ser mais inteligente do que bonita». Dito com alguma crueldade, como se vê. Mas às vezes um par de neurónios pode ser tão estimulante como um par de. O amor, e perdoem-me os românticos, não é irracional. O que não quer dizer que não se cometam muitos disparates em seu nome, mas se a palavra fizer sentido durante todo o processo então os disparates nunca chegam a sê-lo. Porque se o amor fosse irracional não nos poderíamos orgulhar dele. E isso seria trágico.
Ivan
Sim e não, Ivan, sim e não. Talvez o problema esteja na palavra persuasão, mas se a substituirmos por sedução (ou coisa parecida) teremos de riscar a palavra «não» dessa frase. Ainda que mesmo a mais inteligente das mulheres (escrevo na condição de homem) nos diga que «nenhuma mulher quer ser mais inteligente do que bonita». Dito com alguma crueldade, como se vê. Mas às vezes um par de neurónios pode ser tão estimulante como um par de. O amor, e perdoem-me os românticos, não é irracional. O que não quer dizer que não se cometam muitos disparates em seu nome, mas se a palavra fizer sentido durante todo o processo então os disparates nunca chegam a sê-lo. Porque se o amor fosse irracional não nos poderíamos orgulhar dele. E isso seria trágico.
sexta-feira, 1 de julho de 2005
passa a palavra
«das árvores invejava quase tudo — folhas e troncos e frutos — mas sobretudo as raízes.»
letra minúscula, um blogue minimal de josé mário silva.
letra minúscula, um blogue minimal de josé mário silva.
Sonhando acordado com locais distantes 41
(Ou como pôr os amigos mais chegados a fazer contas de cabeça)
A 30 de Abril de 2004:
Hoje: mais uma pista sobre a minha misteriosa atracção por edifícios. É o controlo. Num desenho mandamos em tudo. Pomos e dispomos. Somos deuses num microcosmos. A liberdade é quase infinita. Tudo é ao nosso jeito. Porque é que isto me atrai? Porque na vida, caríssimo leitor, é exactamente o oposto.
Na altura interpretava isto como uma coisa má. Agora continuo a achar que não é uma coisa boa, mas duvido que isto (a vida) tivesse muita graça se fosse diferente. No fundo, o aborrecimento da rotina é tão grave como qualquer tirania, como nos explicou há dias o Rui Ramos. Precisamos, no fundo, de pequenas guerrilhas inofensivas de tempos a tempos, para isto não acabar numa inevitável revolução.
Nota: Para que os selvagens do costume não se ponham em divagações voyeurísticas descontroladas, informa-se que este post foi praticamente escrito a quatro mãos.
A 30 de Abril de 2004:
Hoje: mais uma pista sobre a minha misteriosa atracção por edifícios. É o controlo. Num desenho mandamos em tudo. Pomos e dispomos. Somos deuses num microcosmos. A liberdade é quase infinita. Tudo é ao nosso jeito. Porque é que isto me atrai? Porque na vida, caríssimo leitor, é exactamente o oposto.
Na altura interpretava isto como uma coisa má. Agora continuo a achar que não é uma coisa boa, mas duvido que isto (a vida) tivesse muita graça se fosse diferente. No fundo, o aborrecimento da rotina é tão grave como qualquer tirania, como nos explicou há dias o Rui Ramos. Precisamos, no fundo, de pequenas guerrilhas inofensivas de tempos a tempos, para isto não acabar numa inevitável revolução.
Nota: Para que os selvagens do costume não se ponham em divagações voyeurísticas descontroladas, informa-se que este post foi praticamente escrito a quatro mãos.
Barnabé, o blogue capitalista
É criado, gera audiência, transforma-se em livro, vende, vende um pouco mais, esgota o produto. Acaba.
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