domingo, 9 de outubro de 2005

Não fazer a mínima do que é perder

Conclusões da tentativa de declaração digna de Manuel Maria Carrilho: ele devia ter ganho, os lisboetas queriam que ele ganhasse e só não ganhou porque o dout... hã, professo... hã, engenheiro Carmona Rodrigues cometeu o desplante de ter mais votos do que ele. Que grande ordinário.

Acho que vou para o Altis, é que é mesmo aqui ao lado

Where's Waldo?

Caraças,

adoro isto. Um grande abraço, Manuel Maria.

Qual STAPE, qual quê

Dúvida metódica

Há mais algum país da Europa onde os comunistas tenham 10% dos votos na capital?

E a esta hora ainda sou indeciso

Mais uma vez saio de casa mais para cumprir um dever do que para exercer um direito.

sábado, 8 de outubro de 2005

Early morning com isto já é meio dia

Um gajo levanta-se Sábado bem cedinho (10:00 da manhã) porque decidiu e muito bem ir passear para um local que inclusive é património mundial, pega numa revista para companhia de actividade matinal se é que me entendem bem, e leva com coisas destas:

«A mais célebre foi um episódio em que uma "dominatrix" francesa lhe pregou (literalmente) o escroto numa tábua de madeira. Tudo em frente às câmaras.» (p. 36)

«(...) "parar com o processo de privatizações, levando o Estado a reapropriar-se do controlo bancário e dos sectores estratégicos da vida económica; para com o processo de falências e de encerramento de empresas; revogar o Código de Trabalho e defender a Segurança Social e todos os serviços públicos". Em suma, "romper com um ciclo de destruição do país iniciado há mais de 20 anos", diz-nos.» (Diz-nos Carmelinda Pereira, p. 48)

«Sentado no público está o apresentador Júlio Isidro e família. Lembra que foi ele a lançar o mágico [Luís de Matos] para os focos da TV.» (p. 51)

«Um apoiante comentou: "Eu voto no PS. Pela senhora... e pelo senhor... Mas mais pela senhora.» (Sendo a senhora a Bárbara e o senhor o Manuel Maria, p. 53)

Enfim, adequado.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Ah, e tal

Mestre Silva, n. a 6 de Outubro.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Bestseller

Um aviso, desde logo: o texto que se segue é embaraço para a escritora e penoso para os leitores em geral. Margarida Rebelo Pinto repete-se imoderadamente, copia frases de uns para outros livros, utiliza por vezes citações de escritores sem lhes atribuir a origem, tem deslizes de ortografia e comete erros gramaticais, as personagens, as situações, os temas e a estrutura narrativa são sempre os mesmos, as vidas que relata são homogéneas e monótonas, há incongruências catastróficas no vocabulário dos narradores, retirando-lhes toda a credibilidade, as representações dos homens e das mulheres são padronizadas, estereotipadas e simplistas, a escrita toca as raias do mau gosto e do anedótico, o estilo é uniforme e preguiçoso. Tudo considerado, livros deploráveis, falhados e vulgares. Não é fácil afirmar estas coisas, no início senti-me inclusivamente desapontado. É que o fenómeno Margarida Rebelo Pinto era-me simpático. Quando a comecei a ler até estava predisposto a gostar dela.

João «Bulldozer» Pedro George

terça-feira, 4 de outubro de 2005

É que não há revogações que aguentem

Não esquecer que estes senhores tem o poder discricionário de aprovar ou desaprovrar projectos a seu bel-prazer.

Outra vez o setenta e três setenta e três

O que se passa é muito simples. O que se passa é que o parágrafo que se segue é a mais pura das verdades:

O problema é simples: Há um conjunto de engenheiros, desenhadores, etc., que são capazes de produzir projectos com a legalidade e qualidade suficiente para serem aprovados pelos mesmíssimos arquitectos das autarquias e estruturas consultivas que subscrevem o manifesto da OA onde alegam o contrário dos seus pareceres: que apenas os arquitectos são capazes de produzir arquitectura.

Manuel Pinheiro

Acontece que o território nacional se encontra num estado perfeitamente execrável, e acontece também, sem medos, que isso se deve aos "projectos" que foram sendo aprovados (os legais e os menos legais) desta gente que possui essa extraordinária habilidade que é cumprir os mínimos para que um conjunto de plantas, cortes e alçados seja licenciado junto da autarquia. Como não acredito que mais leis ou melhores leis mudem alguma coisa, parece-me que só há uma solução para a coisa: a mudança radical da exigência do consumidor. Ou seja, o impossível. Cada um tem a merda que merece, e nós merecemos a merda que temos, porque somos um país pobre e entre um apartamento de 60 metros quadrados no Cacém com garagem que custa 20 mil contos e um apartamento de 50 metros quadrados nos Terraços de Brangança que custa 45 mil contos só podemos escolher o primeiro, a arquitectura que se lixe. É um beco sem saída, lamento, o mercado não resolve a situação. Nem tão pouco é legítima essa comparação entre os gestores e os arquitectos porque a actividade de gestão diz apenas respeito aos directamente envolvidos na coisa, enquanto que a arquitectura é quase sempre uma actividade com um altíssimo impacto público. Há um interesse colectivo (o chamado "território nacional") que não pode ser deixado à mercê da selvagem colecta do metro quadrado por parte do construtor. E é por isso que assinarei quantas vezes forem precisas para que o decreto seja revogado. Por muita merda que os arquitectos façam é sempre melhor do que a "arquitectura" do desenhador a contracto com a Simões e Orlando Construções (nome fictício). A situação é dramática e exige uma porrada valente. Ou seja, obrigatoriedade dos projectos de arquitectura serem assinados por arquitectos. Há um potencial enorme que anda a ser desperdiçado (centenas e centenas de arquitectos à espera de uma oportunidade) e só uma sociedade egoísta e mal-encarada não fará os possíveis para rentabilizar esse capital humano. Só assim podemos nós (como se chama agora, a sociedade civil) ter uma réstia de esperança em como o gajo que desenhou o prédio que vai ser construído do outro lado da rua tem o mínimo de sensibilidade para aquilo a que chamamos de espaço público.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

O cantinho do consumista



Transbordo estilo.

domingo, 2 de outubro de 2005

E, de repente, o outro lado do mundo fica mesmo ao virar da esquina

So para dizer que esta tudo bem.

Mail de um amigo que está em Bali.

«Um contabilista que se queixa de que já não há valores»

(...) O casamento é a única festa que tem dois lados. Duas tropas, às vezes bastante fandangas. Os do lado dela e os do lado dele. Isso faz com que a boda seja também um constante estudo e enfrentamento. As pessoas exibem status. Exibem esposas troféus. Testam piadas. Comentam cós e alinhavos. Há sempre três casais (geralmente amigos da noiva) cuja relação está colada com cuspo., o que se nota tão penosamente que apetece organizar ali mesmo uma festa de divórcio. Depois, há os engates. Há sempre duas meninas (geralmente amigas da noiva) que têm uns decotes do outro mundo e a quem os amigos solteiros (e alguns casados) perguntam coisas que não lhes interessam nada. Depois, há os tipos que discutem política, e que dizem que a culpa de todo é do Costa Gomes ou do Gomes da Costa. Há os literatos, que recitam Omar Khayyam enquanto debicam azeitonas. Há os cépticos, que repetem o dito segundo o qual uma pessoa na China comunista pode sair de casa mas não do país e uma pessoa casada pode sair do país mas não de casa. Há gente gargalhando a bandeiras despregadas. Há gente com uma expressão obstipada. Clichés sobre a noiva como estava linda e como ela teve muita sorte porque o Rodrigo é uma jóia de moço tão diferente do Vasco que não valia mesmo nada e já anda com uma vadia e fez mesmo sofrer a Joaninha que é amorosa o Vasco tinha era uns olhos verdes muito giros lá isso benza-o Deus. (...)

Pedro Mexia, «As Bodas», Grande Reportagem 247