segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Fumadores, racistas e poluidores
«(...) A grande maioria da população considera a homossexualidade uma depravação, um acto intrinsecamente desordenado e contrário à natureza. Não se trata de um preconceito, mas de uma opinião válida e legítima a ponderar. E não deve ser confundida com homofobia, que é agressão ou discriminação de pessoas. É possível discordar fortemente da orientação de alguém, tratando-o com respeito e consideração. É isso a democracia e é assim que somos chamados a lidar com fumadores, racistas, poluidores. (...)»
O problema de João César das Neves já não é de fundo; a sua visão do mundo é conhecida e só surpreenderá os mais adormecidos. O meu problema é com as tácticas usadas, e aqui reconheço que é preciso sofrer de uma mais dedicada obsessão (culpado) para começar a detectar os padrões. A última frase do troço que aqui reproduzo é um exemplo do estratagema mais usado por JCN: a redução de tudo o que considera ser amoral a um conjunto mais ou menos homogéneo. Desta vez foi uma repugnante comparação entre «fumadores», «racistas» e «poluidores», mas o mais frequente costuma ser «gays» e «pedófilos». O que JCN consegue com este tipo de coisas é a implosão de qualquer validade que os seus textos possam ter. No fundo, é um favor que nos faz.
domingo, 5 de outubro de 2008
Coen
Os irmãos Coen são a melhor coisa que aconteceu ao cinema nos últimos anos, e Clooney é o seu profeta (Brad Pitt é também absolutamente irresistível: não me ria assim desde Kiss Kiss Bang Bang).
sábado, 4 de outubro de 2008
As cobras também usam Channel
O álbum só sai na segunda-feira, mas a Antena 3 fez o favor de nos oferecer uma ante-estreia. Amigos: Magnífico Material Inútil é a melhor coisa que aconteceu ao rock português em muitos, muitos, muitos anos.
Dina Aguiar e a filha de Dina Aguiar
Dina Aguiar. É o grande momento do fim-de-semana. Ao Expresso, na reportagem sobre os ateliers dos Coruchéus, a jornalista explica: que não se lembra dos termos do contrato que fez com a CML em 1999 (uma útil amnésia), que «deixou claro» que iria partilhar o expaço com a filha «licenciada em Belas Artes», e que «o problema desta sociedade é a dor de cotovelo e a inveja.» Priceless.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
A «vontade do povo», esse empecilho
«Fidel Castro critica o Governo do irmão, acusando alguns governantes de só se preocuparem em satisfazer as vontades do povo, apesar da frágil situação económica.»
Nem que estivesse prestes a dar a luz quadrigémeos
No episódio 14 de Studio 60 on the Sunset Strip (uma série que apostou no suidício como estratégia), a personagem de Amanda Peet, grávida*, após rejeitar várias vezes as investidas amorosas do realizador do show (o Josh de West Wing), tenta explicar-lhe as razões da rejeição, dando a entender que duvida das reais intenções do pretendente. Às tantas, diz-lhe: «Is the attraction physical?» O ex-Josh indigina-se com a acusão e responde: «How could it be? Look at you: you're the size of a minivan». Isto, obviamente, indignou-me. Indigna-me (1) que as mulheres considerem a «atracção física» uma forma menor de atracção; e (2) indigna-me que alguém (this is for you, Sorkin guy) ache que consegue escapar com o argumento de que a Amanda Peet grávida não é «atraente». É que nem que estivesse prestes a dar a luz quadrigémeos.
* A personagem e Amanda Peet, acaba de me informar a wikipedia.
Jovem, usa o contraceptivo
Métodos contraceptivos negam «verdade do amor conjugal», diz Bento XVI
Ora isto é uma declaração que me conforta. Desde a sua nomeação que Bento XVI estava a construir comigo uma relação de confiança e esperança, destruindo aos poucos os preconceitos que eu tinha sobre ele. Andava a sentir-me uma pessoa muito má devido aos «maus sentimentos» que exteriorizei quando ouvi, na Renascença, e em Latim, a terrível palavra «Josephus», no dia do fumo branco. É por isso que este ressurgimento do bom e velho Ratzinger me devolve alguma dignidade enquanto «pessoa humana»: eu tinha alguma razão, eu tinha alguma razão, eu tinha alguma razão.
Ora isto é uma declaração que me conforta. Desde a sua nomeação que Bento XVI estava a construir comigo uma relação de confiança e esperança, destruindo aos poucos os preconceitos que eu tinha sobre ele. Andava a sentir-me uma pessoa muito má devido aos «maus sentimentos» que exteriorizei quando ouvi, na Renascença, e em Latim, a terrível palavra «Josephus», no dia do fumo branco. É por isso que este ressurgimento do bom e velho Ratzinger me devolve alguma dignidade enquanto «pessoa humana»: eu tinha alguma razão, eu tinha alguma razão, eu tinha alguma razão.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Consider the Benfiquista**
A logística*
* da minha vida determinou que eu me vá apresentar hoje na Luz com Consider the Lobster debaixo do braço. Convidava todos os leitores de Foster Wallace a comparecerem junto à porta 20 no final do jogo para escalpelizarmos as ocorrências desta noite embebidos no espírito wallaciano, discutirmos o conteúdo de Up, Simba, e alinharmos estratégias para o endorsement oficial a McCain.
** Consider the Benfiquista, uma das obras que Wallace não pôde acabar, onde explorava a questão sobre o direito que os jogadores e equipa técnica do Benfica têm de causar tanto sofrimento aos adeptos, nomeadamente através de jogos como o do Sporting no passado sábado, que trouxe a esperança de vermos a equipa a jogar bem hoje e a passar a eliminatória, esperança que será violentamente sodomizada à frente de toda a gente e que obrigará a ERC a ordenar a interrupção da transmissão da Benfica TV.
* da minha vida determinou que eu me vá apresentar hoje na Luz com Consider the Lobster debaixo do braço. Convidava todos os leitores de Foster Wallace a comparecerem junto à porta 20 no final do jogo para escalpelizarmos as ocorrências desta noite embebidos no espírito wallaciano, discutirmos o conteúdo de Up, Simba, e alinharmos estratégias para o endorsement oficial a McCain.
** Consider the Benfiquista, uma das obras que Wallace não pôde acabar, onde explorava a questão sobre o direito que os jogadores e equipa técnica do Benfica têm de causar tanto sofrimento aos adeptos, nomeadamente através de jogos como o do Sporting no passado sábado, que trouxe a esperança de vermos a equipa a jogar bem hoje e a passar a eliminatória, esperança que será violentamente sodomizada à frente de toda a gente e que obrigará a ERC a ordenar a interrupção da transmissão da Benfica TV.
George Parr
(Obrigado André.)
Não conhecia esta dupla, John Fortune e John Bird, nem a sua personagem, George Carr. Aconselho vivamente uma agressiva deambulação pelo YouTube.
the big dialogue of literature
(...) "There is powerful literature in all big cultures, but you can't get away from the fact that Europe still is the centre of the literary world ... not the United States," he told the Associated Press. "The US is too isolated, too insular. They don't translate enough and don't really participate in the big dialogue of literature ...That ignorance is restraining." (...)
No Nobel prizes for American writers: they're too parochial
No Nobel prizes for American writers: they're too parochial
Casas da câmara
O pecado original desta trapalhada toda sobre as casas da câmara é a semântica: casas da câmara. A câmara, por definição, não deve ter casas. Aquele mecanismo que obriga as cooperativas de habitação a entregar 10% dos fogos à autarquia devido à cedência dos terrenos é absurdo. Se há uma compensação a pagar, que se seja paga em dinheiro. Façam as contas, um levantamento, qualquer coisa, e afiram o valor patrimonial dessas casas todas. Façam também um levantamento dos inquilinos que por lá andam e tentem perceber quantos deles se enquadram num regime qualquer de apoio social. Aos que não conseguirem provar ser meritórios de subsídios sociais, despejem-nos. Depois, vendam essas casas. Acaba-se com esta história toda e ainda se paga umas contas a uns fornecedores, que andam aí que nem bancos americanos a abrir falência.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Penúria
«E há os ateliês dos Coruchéus; os de Belém. Cedidos, como em toda a Europa, a artistas, que não vivem propriamente na penúria.»
Obviamente, Baptista-Bastos não percebeu nada.
Obviamente, Baptista-Bastos não percebeu nada.
Mêlée
Quando calha acordar bem disposto e optimista sobre a espécie humana* - aconteceu todos os dias até à idade da consciência e outra vez em 1993 - esse sentimento tem a infelicidade de provar apenas algumas horas de vida. Sobrevive exactamente até ao momento de entrada na carruagem do Metro, onde, sem motivo aparente, sou empurrado, pisado, carga-de-ombrado, ensanduichado, à bruta. Não sei o que se passa com os outros, apesar de saber que são o inferno, para que dia após dia insistam neste tipo de conduta totalmente incivilizada. Tentei descobrir um objectivo, um incentivo que levasse aquela gente toda a tratar a entrada e saída da carruagem como uma mêlée**, mas ou eu sou muito pouco perspicaz ou a coisa foge ao meu entendimento. Caro empurrador dos outros à entrada do metro: se estás a ler isto, para com isso.
* Num momento de pré-consciência, quando já não estamos a dormir mas ainda não estamos acordados, a «humanidade» apresenta-se aos meus olhos reduzida a um único exemplar, a minha mulher, e esse dado pode levar a que seja cometida essa imprudência.
** «Melee (from the French mêlée IPA: [meˈleː]) generally refers to disorganized close combat involving a group of fighters. A melee ensues when groups become locked together in combat with no regard to group tactics or fighting as an organized unit; each participant fights as an individual.»
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