Susan Sontag, Fascinating Fascism (na versão editada em Under The Sign of Saturn que, pelos vistos, não é bem esta aqui, não.)
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Contra a parede
Se a metáfora da partida de ténis pode ser uma boa metáfora para ajudar a descrever o que se tem passado nos debates televisivos (embora não tenha ainda havido ninguém que tenha pegado nela, parece que já estou a ver tudo - «Louçã subiu muitas vezes à rede mas Manuela foi forte nos lobs», «Sócrates esteve muito bem no segundo set mas deitou tudo a perder com uma dupla falta» ou «Portas apostou num jogo conservador de fundo de court»), então os debates com Jerónimo de Sousa são sessões de treino contra a parede.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Não façam como eu
Se tiverem sido, como eu, avisados nas novas edições da Penguin das colecções de ensaios da Susan Sontag e forem à FNAC, como eu, à procura delas, vão perceber, como eu, que a FNAC organizou um rally paper muito especial para vocês: há volumes na secção de Literatura, há volumes na secção de Sociologia, e há volumes na secção de Filosofia, todos eles, sem excepção, mais caros do que na BookDepository, uma livraria sem secções arbitrárias. Há prémio para quem sugerir o critério mais criativo.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
The Profiler
Acordei com José Miguel Júdice a explicar na Antena 1 porque tinha Manuela Ferreira Leite «perdido completamente» o debate com Francisco Louçã. Porquê, perguntou a jornalista que me pareceu ser aquela do spot publicitário contra as manifestações e que escreveu a biografia de Sócrates, porquê? Porque, como explicou candidamente José Miguel Júdice, José Miguel Júdice é advogado e «está habituado» a observar as reacções dos arguidos em tribunal e percebeu em Manuel Ferreira Leite «traços fisionómicos de desconforto». Depois de este desempenho paranormal, José Miguel Júdice completou explicando que Manuela Ferreira Leite «está velha» e que ele, José Miguel Júdice, não aguentaria «nem 15 dias» no lugar de primeiro-ministro, por falta de força física. Este é o erro das pessoas que se têm como medida para todas as coisas: são pessoas que se têm como medida para todas as coisas.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
«a circunstância de pretender com isto o eurodeputado tapar»
O estilo de Mário Cláudio vence-me.
(Esta frase, por exemplo: «E se tiverem sido muito aplicados os discípulos, admite-se que hajam corrido às bibliotecas, a afanosamente consultar os manuais de história, com vista a verificar a recepção dos princípios de Maquiavel.» É K.O. técnico ao primeiro assalto.)
O! say can you see by the dawn's early light
Ontem conheci um arquitecto («liberal») americano («liberal, liberal») do Bronx («liberal» ao quadrado, pelo amor de Deus) que trabalha para um dos maiores escritórios europeus da chamada arquitectura intelectual («liberal» a níveis ilegais) que, não fora o facto de ter achado o processo de voto por correspondência «muito complicado», teria votado McCain. Foi a coisa mais bonita que ouvi nos últimos meses.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Um post doméstico
Fiquei acordado para ver a transmissão em directo do Celtic - Benfica. Mas não fiquei acordado para ver a transmissão em directo do Celtic - Benfica.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Há coisas mais importantes
O PS diz que Manuela é «velha» e «conservadora» e que não gosta dos gays. Tudo bem. Para o PS, a prioridade nas próximas eleições legislativas é o casamento de pessoas do mesmo sexo, o divórcio na hora, a separação do lixo. Tudo bem. Não concordo com Manuela Ferreira Leite no que toca ao casamento de pessoas do mesmo sexo, ao divórcio na hora, nem à separação do lixo, mas nem por isso deixarei de votar nela: não é isso que está em causa. Olhem para os gráficos, olhem para a nossa dívida externa, olhem para a hipoteca astronómica que o PS se prepara para lançar sobre a vida dos nossos filhos e netos: eles estão loucos, ou são mentirosos - na política, a mentira ganha votos; por isso, eles mentem. Manuela Ferreira Leite já disse ao que vem: mostrar, de dentro, o país aos portugueses. Prepara-se para um enorme reality check. A juventude não gosta; a juventude quer é optimismo e jogar ao ataque (assim como o Setúbal jogou na Luz, com 3 defesas.) E o PS quer convencer-nos de que o país quer optimismo e histórias de princesas e, como se diz, «mundividências» modernas e tudo lá à frente. Depois de perdermos por 8-1 é que eu quero ver.
O meu candidato ideal seria alguém que olhasse para o país económico como Manuela o olha e que juntasse a isso uma «mundividência» semelhante à minha (que é o que todos queremos). Perante a inexistência desse candidato, a minha «mundividência» que se lixe.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Bué fixe
O desempoeirado líder da Juventude Socialista, Duarte Cordeiro (no connection here), diz que Manuela Ferreira Leite lembra um «professora primária conservadora do antigamente». Di-lo, parece-me, em tom crítico, o que me espanta: «antigamente» (que Duarte Cordeiro usa como eufemismo para Estado Novo) os alunos acabavam a primária a saber os nomes dos rios e das linhas de caminho-de-ferro e das províncias portuguesas, não davam erros de português e sabiam fazer contas.
Adenda: O Filipe Nunes Vicente explica o «Portugal Moderno» que Sócrates e a Juventude têm na cabeça: «Importa é subsidiar o Ruben Micaelo para que leve à cena uma peça sobre a transmutação psico-corpórea da subjectividade narrativa da identidade de género nos espaços meta-urbanos. Isso é que é.»
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