sexta-feira, 6 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Se é para ser arquitecto assim, prefiro ser pedreiro

(Foto: João Carmo Simões)
Passaram-se dez anos desde que fui aluno do Manuel Vicente. Quando o conheci, um ano antes de ser seu aluno, nunca tinha ouvido falar dele. Estava num anfi-teatro para ouvir um arquitecto americano que fazia coisas com toldos («estruturas tensionadas», quero eu dizer), e o Manuel Vicente estava lá para fazer a devida apresentação. Lembro-me de ficar com a ideia de que era alguém de quem o Manuel Vicente era amigo, porque aqueles toldos não eram assim tão interessantes. E passados estes anos, não faço ideia de quem era esse arquitecto americano, e não me ficou na memória nenhuma imagem ou palavra que ele tenha dito. Mas lembro-me perfeitamente da apresentação que o Manuel Vicente lhe fez: cheia de generosidade e provocação (afinal, aquilo eram toldos, convenhamos), dita num inglês impecável (que é raro nos portugueses da geração do Manuel Vicente). A somar a isto, estávamos perante um homem fisicamente debilitado, de sorriso constante, que não se vestia como os arquitectos: no primeiro ano do curso assisti a uma palestra onde nos era explicado que os arquitectos se vestem de uma determinada e acertada maneira, porque a arquitectura é «um modo de estar na vida». O modo de estar na vida do Manuel Vicente, vim depois a perceber, nunca alinhou pelo modo de estar na vida que se convencionou atribuir à elite da arquitectura portuguesa. Sobretudo porque o Manuel Vicente sempre foi um expansionista: de Moçambique à Pensilvânia de Khan, até chegar a Macau, que, anos depois, passou a ser a Macau de Manuel Vicente, o seu desejo nunca encontrou no Portugal continental espaço suficiente. Num certo sentido, a sua energia compara-se à energia de uma criança que nunca se deixa confinar e tem na curiosidade a sua força motriz. Uma curiosidade que o levava a cortar maquetes ao meio, a virar desenhos de pernas para o ar, sempre na procura de alguma coisa que o surpreendesse, que não tivesse visto antes. Pedagogicamente, esta atitude era algo errática, no sentido em que era pouco programática e muito aberta ao exterior (e vulnerável às suas variações de humor), o que fez com que nunca se pudesse construir uma «escola» à sua volta. Por isso é que o seu impacto numa instituição como o Instituto Superior Técnico terá sido muito mais relevante do que noutra escola qualquer. Isso dava-lhe especial prazer, estar no meio dos engenheiros, sempre à procura de confrontos que servissem de estímulo aos alunos. E era um curso novo, uma ideia nova, e tudo o que é novo lhe interessava. Não havia crise, não havia esta crise, e o optimismo ainda podia evitar ser confundido com ingenuidade.
Tudo isso mudou, é claro, e nota-se nesta conversa que a revista Estudo Prévio (da Universidade Autónoma) manteve com o Manuel Vicente. Há muita coisa que eu reconheço, sobretudo esta maneira de explicar a arquitectura através de histórias e episódios, contaminando-a com todas as imperfeições humanas. Mas há um tom de desencanto que não estava lá há dez anos, um desencanto que se sedimentou e que se percebe estar quase a levar ao rancor. Uma desilusão com o estado das coisas presentes, uma desilusão tanto maior quanto a extraordinária capacidade para a invenção do Manuel Vicente. Se é para ser arquitecto assim, diz às tantas, prefiro ser pedreiro.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Don Vicente
Não há nada que eu não goste em Vicente Del Bosque: a começar no nome, nos olhos, na educação, passando pelo bigode (que envergonha a actual vergonha portuguesa no bigode) e a acabar no futebol que vimos ontem. Obrigado por tudo.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Os desanimados
Os tempos enclausurados, de Alberto Gonçalves, sobre as actividades de «tempos livres» a que as crianças de hoje em dia são submetidas. Mas este não é só um problema das crianças: é ver a «programação» de verão das praias algarvias, que promete sempre muita «animação» (também a praia onde passo férias há alguns anos, durante muito tempo imune a este tipo de progresso, já conta com a sua «tenda» e as suas «actividades»). É um sinal dos tempos: o povo precisa de ser animado.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Onze para mais logo
Bento;
Sérgio Conceição, Fernando Couto, Pepe, Fábio Coentrão;
Mário Coluna, Paulo Sousa;
Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo;
Eusébio.
Até os comemos.
Sérgio Conceição, Fernando Couto, Pepe, Fábio Coentrão;
Mário Coluna, Paulo Sousa;
Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo;
Eusébio.
Até os comemos.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Condições para obter sucesso
«Não acho que estejam criadas as condições para obter sucesso.»
Manuel José, 5.6.2012
Manuel José, 5.6.2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
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