O post do maradona intitulado «Era» é mais ou menos o artigo que o mesmo maradona fez publicar ontem no jornal Metro e que eu tive o prazer de ler. Não sei se é a primeira vez que o maradona fez isto, mas foi a primeira vez que notei. Não é o primeiro blogger a fazê-lo e não será o último. Contudo, o maradona inverteu a lógica dominante neste tipo de promiscuidade auto-plagiadora: em vez de aproveitar material previamente escrito no blogue, reescreve um artigo de jornal no blogue. Porquê? Porque o maradona sente-se numa camisa de forças sempre que escreve para a imprensa. O post é muito melhor do que artigo impresso, e isso devido apenas a uma frase: «Quem diz que é o futebol que "gera violência" ou é parvo ou é paneleiro.» É por causa disto que o maradona é um grande blogger e nunca será um grande cronista. Felizmente.
*Das mini-entrevistas do Luís Carmelo.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Gb (ou F#)
Apesar de tudo, e agradecendo o facto de perceberes que a ambição de guitar hero está apaziguada (digamos antes frustrada), acho que até podes ter razão: é uma boa ideia forçar a queda do palco daqui em diante. Mas ao contrário da personagem de Woody Allen, fá-lo-ei com a cumplicidade da assistência, numa partilha de uma cultura do falhanço e da fífia que procura a simbiose total entre artista e espectador.
P.S: Como é que 3 guitarristas trocam uma lâmpada? Enquanto um a troca, os outros dois assistem silenciosos, pensando «eu faria melhor».
P.S: Como é que 3 guitarristas trocam uma lâmpada? Enquanto um a troca, os outros dois assistem silenciosos, pensando «eu faria melhor».
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Um prego para a eternidade
Sou o gajo que começa o solo (semi-improvisado, decorar solos está francamente fora do espectro da minha habilidade técnica) na nota ao lado. O resto da banda, como se vê, actua na perfeição.
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Live Gore
Al Gore, o modelo do político moderno, certamente impressionado com os resultados avassaladores do Live Eight, decidiu organizar uma iniciativa semelhante, mudando-lhe o nome e a causa: desta feita é o Live Earth, e a «pobreza» dá lugar ao «aquecimento global». O buraco do ozono tem finalmente os dias contados. A novidade é que desta vez (por enquanto) não há U2. Ou seja, tudo boas notícias.
Uma carreira perdida na poesia
Da edição de hoje do jornal A Bola:
O feixe de luz ainda queima os olhos de Petr Cech, a Europa merecia que aquela nave espacial revestida a couro não esbarrasse numa trave insensível, mas os poderes sobrenaturais do mustang mágico e mutante não podem continuar escondidos, o FC Porto vai ter de convencer um sindicato bancário para o segurar. Indecente a forma como os árbitros permitem que se vá às suas pernas como quem abate árvores, lamentável jogo sujo de Diarra e Essien, mas o que sobra ainda são os números surrealistas de Quaresma.
O feixe de luz ainda queima os olhos de Petr Cech, a Europa merecia que aquela nave espacial revestida a couro não esbarrasse numa trave insensível, mas os poderes sobrenaturais do mustang mágico e mutante não podem continuar escondidos, o FC Porto vai ter de convencer um sindicato bancário para o segurar. Indecente a forma como os árbitros permitem que se vá às suas pernas como quem abate árvores, lamentável jogo sujo de Diarra e Essien, mas o que sobra ainda são os números surrealistas de Quaresma.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Enfim, já me subsidiavam o blogue
O Vasco sabe que eu tenho uma esquerda fraca e vai daí joga quase todas as bolas para aí. Reconheço que a minha amostra de teatro e cinema luso é quase tão má como as das sondagens daquele tipo do Sporting que disse em directo na Sic-Notícias que «com 90% de certeza, John Kerry será o novo presidente dos EUA». E, ainda mais grave, é óbvio que não «tenho competência» para os avaliar, aliás, não tenho competência para quase nada, o que não me impede de ir fazendo algumas coisas. Impede-me, sim, e com muita pena minha, de escrever alguma coisa que se veja sobre a política de subsídios às artes. Por isso fico-me na questão das vanguardas. Vasco, quando a vanguarda é apenas uma atitude que não chega a deixar pegada histórica a questão da «qualidade» terá de surgir mais tarde ou mais cedo. E as pessoas como VPV ganham o direito de questionar a política dos subsídios. E quanto à poesia, à música e às artes plásticas, acho que o caso não é o mesmo. Primeiro, porque a quantia dos respectivos subsídios é bastante menor (penso não estar a dizer um disparate); segundo, porque felizmente apesar (ou por causa?) disso, a penetração social de cada uma delas é significativamente superior à do cinema e do teatro (exceptuando os exemplos comerciais, bastante vergastados pela crítica). A questão não é fácil, e reconheço que artisticamente há coisas boas que não são financeiramente viáveis a curto prazo, e aí o Estado pode e deve intervir. Mas num país tão pequeno como o nosso em que toda a gente é cunhada ou vizinha do outro, as coisas tendem facilmente para o livre arbítrio e para os amiguismos. Enfim, já me subsidiavam o blogue.
O Último Rei da Escócia
Forest Whitaker (um personal favorite) numa África descontrolada e violenta. Obikwelu dizia numa entrevista há semanas que em África a violência tem um grau de intensidade que não é sequer entendível na Europa, uma violência quase sub-humana e sempre absurda. É essa violência que nos assalta n'O Último Rei da Escócia. Não é um grande filme, mas tinha um objectivo a cumprir e fê-lo decentemente. É mais um objecto para nos fazer lembrar como decidimos (porque só pode ser uma decisão) ir esquecendo África aos poucos, abandonando-a a essa violência cuja distância é suficiente para não nos incomodar.
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Movimentos de vanguarda há muitos
Quando VPV diz que uma orquestra tem de saber tocar uma sinfonia e um pianista tem de saber tocar piano, esquece os movimentos de vanguarda, que usam - na música, nas artes plásticas, na poesia - códigos incompreensíveis para o cidadão comum.
E não é vanguarda quem quer. Isso tem muito que se lhe diga, e não é bem assim. Entre o que diz VPV e o que diz Vasco Barreto não pode viver um vazio. A vanguarda só deve ser apelidada de «vanguarda» a posteriori, depois do juízo do tempo. Quem o fizer ao vivo e a cores está a cometer uma farsa, ou a expressar um desejo. É como aquela pergunta que um dia fizeram a Louis Kahn, se ele poderia explicar como iria ser a arquitectura do futuro. Ao que ele respondeu que se soubesse fá-la-ia nesse momento. Uma pescadinha de rabo da boca, um paradoxo. Temos de aguardar com serenidade, mas por enquanto estou com VPV: a generalidade do cinema e do teatro luso é uma merda.
E não é vanguarda quem quer. Isso tem muito que se lhe diga, e não é bem assim. Entre o que diz VPV e o que diz Vasco Barreto não pode viver um vazio. A vanguarda só deve ser apelidada de «vanguarda» a posteriori, depois do juízo do tempo. Quem o fizer ao vivo e a cores está a cometer uma farsa, ou a expressar um desejo. É como aquela pergunta que um dia fizeram a Louis Kahn, se ele poderia explicar como iria ser a arquitectura do futuro. Ao que ele respondeu que se soubesse fá-la-ia nesse momento. Uma pescadinha de rabo da boca, um paradoxo. Temos de aguardar com serenidade, mas por enquanto estou com VPV: a generalidade do cinema e do teatro luso é uma merda.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
A Igreja e o resultado do referendo
Pacheco Pereira, numa nota muito acertada:
Há alturas em que se percebe muito bem por que razão a Igreja sobrevive no tempo. A análise que a Conferência Episcopal portuguesa faz dos resultados do referendo é um excelente exemplo de ponderação e de atenção à realidade e à mudança. Contrariamente ao que toda uma escola de ressentidos do "não", muito representada nos blogues "de direita", faz, a Igreja afirma haver significativas mudanças de mentalidade na sociedade portuguesa, identifica essas mudanças pela maior importância dada à autonomia individual (não usa este termo, mas quase), dá importância ao resultado, tenta compreender o "sim" sem anátemas, nem minimizações. É por isso que vai continuar a ter um papel decisivo, diferente do passado, mas fundamental.
Eu acrescentaria que neste caso não se trata da «Igreja», mas sim da Conferência Episcopal, que reúne homens como D. José Policarpo e D. Carlos Azevedo, de onde pode muito bem vir o tom «ponderado» do comunicado. Digo isto não como crítica à Igreja, mas sim como elogio à Conferência Episcopal.
Há alturas em que se percebe muito bem por que razão a Igreja sobrevive no tempo. A análise que a Conferência Episcopal portuguesa faz dos resultados do referendo é um excelente exemplo de ponderação e de atenção à realidade e à mudança. Contrariamente ao que toda uma escola de ressentidos do "não", muito representada nos blogues "de direita", faz, a Igreja afirma haver significativas mudanças de mentalidade na sociedade portuguesa, identifica essas mudanças pela maior importância dada à autonomia individual (não usa este termo, mas quase), dá importância ao resultado, tenta compreender o "sim" sem anátemas, nem minimizações. É por isso que vai continuar a ter um papel decisivo, diferente do passado, mas fundamental.
Eu acrescentaria que neste caso não se trata da «Igreja», mas sim da Conferência Episcopal, que reúne homens como D. José Policarpo e D. Carlos Azevedo, de onde pode muito bem vir o tom «ponderado» do comunicado. Digo isto não como crítica à Igreja, mas sim como elogio à Conferência Episcopal.
O princípio da incerteza
The first point to make is that the word «banal» is difficult to use because it always defeats itself. It is an impossible word. If you want to condemn or praise something for being banal, that thing is no longer banal.
(...)
If «banal» is a label applied to a building, a painting, a person, a situation, a conversation, or a conference, it is a unique kind of label that actively transforms whatever it is applied to. It is precisely the word for a quality that is there before you before you point, before you look too directly. The banal is exactly that which you do not face. So, a conference panel devoted do «facing the banal» will necessarilly destroy its own subject.
Mark Wigley, no Porto, a 02.06.2001, numa conferência dedicada ao tema «Facing the Ordinary», originalmente intitulada durante a troca prévia de emails como «Facing the Banal»
Papéis de diferentes tamanhos
Há uma série de assuntos que tenho aqui anotados em papéis de diferentes tamanhos que merecem atenção: Carmona e a CML; o bom artigo no ipsilon de hoje sobre a arquitectura de baixo custo; a demissão da direcção do DN (o 24 Horas não interessa); e a entrevista a Ana Tostões e a uma italiana de cabelo curto que agora não me ocorre sobre o Do.Co.Mo.Mo na Arquitectura e Vida; e o álbum dos Oioai. Fica tudo a boiar, menos a entrevista da Ana Tostões que, apesar de ser a responsável por quase tudo o que sei sobre a arquitectura moderna, tem de ser comentada, vergastada, parodiada, assinalada, marcada a preto. Me aguardem.
E agora, Mark Wigley.
E agora, Mark Wigley.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
I do have a few thoughts jotted down on different sized pieces of paper
I am happy to be here - in this astonishing city and this enjoyable event - but I am not sure that I can offer much here at the very end. (...) What could be added? I do have a few thoughts jotted down on different sized pieces of paper.
Mark Wigley, no Porto, a 02.06.2001
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