quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O vídeo da Maitê

Antes de mais, quero começar por expressar a minha mais profunda desilusão. Quando comecei a ouvir os rumores de que circulava da net «um vídeo da Maitê», esperava outra coisa. Eu cresci, minhas hormonas cresceram (repararam na omissão do artigo definido como remissão para o sotaque brasileiro?), com Maitê e num tempo onde não havia Tv Cabo muito menos internet. «Um vídeo da Maitê», nos anos 80, podia ser muita coisa; mas «um vídeo da Maitê» em pleno século XXI anuncia outras qualidades que este vídeo da Maitê não tem. Paciência, haja confiança. E o que nos diz este vídeo da Maitê? O Francisco José Viegas já enquadrou devidamente o assunto, mas eu gostava de adicionar mais um elemento para a compreensão deste vídeo da Maitê (ah, como eu gostava que este vídeo da Maitê não precisasse de compreensão): as más companhias. Quem acompanha de perto a imprensa sentimental sabe com quem Maitê tem privado; com que português Maitê tem privado. Qual é o espanto? Pensavam que ele ia para lá como embaixador da portugalidade? Que nada. Ele foi para lá xingar de nós mesmo. Que é o que ele faz bem, que é o que lhe dá charme: olha só aí a Maitê para o provar.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Posso afirmar, com 90% de certeza, que John Kerry será o próximo presidente dos EUA

Rui Oliveira e Costa, sempre empenhado em demonstrar-nos que as sondagens não são o único assunto que não domina, acabou de dizer na RTP-N que sempre achou Alex Ferguson «um bocado bluff».

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Agustina

No Câmara Clara de ontem, dedicado a Agustina Bessa-Luís, fiquei a saber que Agustina se referiu em tempos a Sophia de Mello Breyner como «uma mulher que tem a cortesia de parecer vulnerável». Agora vou ali apagar o blogue todo.

O caso de Helena Roseta

O caso de Helena Roseta não deixa de ser extraordinário: desvincula-se do PS em «ruptura» com a direcção por esta não a nomear candidata pelo partido à CML (e pelo meio lança acusações de «falta de democracia» interna), candidata-se por um movimento independente, faz uma boa campanha, e obtém um óptimo resultado que lhe dá todas as condições para «fazer a diferença» perante um PS fragilizado. Depois, previsivelmente, não fez diferença nenhuma, fez da sua passagem pela vereação uma passagem irrelevante, e, dois anos depois, decide que a «independência» não serve para nada e aceita concorrer em numa «coligação» muito peculiar que dá pelo nome de «PS», mostrando assim que as «causas» são para as ocasiões. Há que juntar à lista das «mortes políticas» de ontem o nome de Helena Roseta.

E tu, quantos nazis tens na tua freguesia?

Tomando esta astuta observação do Rogério Casanova como sugestão, proponho que cada um divulgue e tente isolar os nazis da sua freguesia. Eu começo já: se à primeira vista a Madalena parece uma freguesia orgulhosamente Nazi-Free (0 votos para a Câmara), os 2 votos que o partido obteve para a Assembleia Municipal mancham a honra do convento e revelam que a estratégia para a chegada ao poder do nacionalismo luso é ou obscura ou simplesmente - à imagem do seu líder - muito obtusa.

A Câmara Municipal de Lisboa

Os últimos dois anos de gestão Costa transformaram a Câmara Municipal de Lisboa numa instituição sem palavra. O caos que se instalou na gestão urbanística paralisou todos os investimentos privados que se vão tentando fazer na cidade. O actual executivo terraplanou a base de entendimento que existia e não conseguiu substituí-la por outra. Ninguém se entende. Ao mesmo tempo, foram distribuídas várias encomendas através de adjudicação directa a gabinetes seleccionados para a execução de trabalhos importantes em Lisboa, sem que para isso tivesse havido concurso público. Politicamente, Costa nunca foi mais do que uma voz do governo nos paços do concelho, com a trapalhada que tem sido a «gestão» do dossier da frente ribeirinha como exemplo maior. Agora que tem maioria absoluta e que Sócrates está por aí por mais 4 anos, pode ser que Costa ganhe juízo e comece a olhar para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa como um cargo que merece a sua atenção, e não como mero trampolim político. Se isso não acontecer, estamos todos perdidos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Suction with Valcheck

Suction with Valcheck, o novo blogue de uma pessoa que eu não conheço e não sei que é, de uma pessoa que eu sei quem é mas que não conheço porque a única vez que me cruzei com ela foi a uma hora e num sítio que impossibilitaram qualquer troca de palavras civilizada*, e de uma pessoa que eu sei quem é e que conheço porque fui simpaticamente apresentado, tendo no entanto respondido a essa simpatia com uma inexplicável falta de qualidades sociais que muito correctamente poderia ser descrita como antipatia ou simplesmente estupidez**.

* Lembrei-me de que isto não é verdade: não foi a única vez, mas agora não quero estar aqui a estragar o post todo.

** Não sei se ficou claro, mas a antipatia e a estupidez são, evidentemente, minhas. Quem me conhece sabe que é assim.

O metropolitano, uma peixeirada, e filosofia de algibeira

As filas espantosas que se têm formado aos guichets do Metro para as entregas dos formulários dos passes têm decorrido de uma forma especialmente ordeira e civilizada. Demasiado ordeira e civilizada, até, pelo que não foi com surpresa que assisti hoje de manhã a uma bem definida peixeirada. Uma senhora gritava veementemente com a funcionária do Metropolitano de Lisboa, devidamente afastada da fila transformada em assistência, com o dedo espetado junto ao seu nariz (o da funcionária), num tom de voz que colocava imediatamente qualquer transeunte desprevenido do lado da funcionária indefesa (ninguém deveria correr o risco de ser colocado numa situação destas antes das 9 da manhã, é uma questão civilizacional, se quiserem) «a mim não me ignoram, a mim não me ignoram!», com ponto de exclamação e tudo que eu vi. Perante isto, há três hipóteses académicas.

Hipótese A: O postulado é falso

O postulado «a mim não me ignoram» é falso porque toda aquela situação tinha nascido evidentemente do facto de a senhora ter sido ignorada previamente. Logo, ao confirmar-se que pelo menos uma vez a senhora tinha sido, efectivamente, «ignorada», fica destruída a validade da afirmação inicial.

Hipótese B: O postulado está incompleto

O postulado «a mim não me ignoram» está incompleto porque aquilo que se pode demonstrar é uma variação subtil da afirmação, ou seja: «a mim não me ignoram quando eu estou a fazer uma peixeirada». O facto de estar uma multidão parada a assistir ao desenrolar da cena prova que a senhora não estava a ser ignorada, embora seja pouco prudente fazer o salto lógico daí para a hipótese mais abrangente que a senhora estava a colocar, isto é, o facto de ela não ser ignorada em caso algum, pois isso seria desconsiderar a relevância da «peixeirada» para o facto de ela não estar a ser ignorada naquele momento. Hipótese, repito, pouco prudente.

Hipótese C: O postulado é verdadeiro

Esta é a única hipótese que não faz da declarante uma mentirosa, mas é ao mesmo tempo a que lhe é mais desfavorável. O postulado «a mim não me ignoram» é verdadeiro, ponto final, incondicionalmente. Resta saber porquê. Declarar que «a mim não me ignoram» significa assumir que há dois tipos de pessoas, as pessoas que são ignoradas e as pessoas que não são ignoradas, e que essa distinção é óbvia. Ora, há algumas características que podem conferir a alguém o estatuto de inignorabilidade, como por exemplo a fama ou a deficiência (ninguém ignoraria Cavaco Silva se ele estivesse ali no guichet, como também é mais difícil de ignorar alguém que só tem uma perna), entre outras. A senhora não reunia nenhuma dessas condições à partida (ela tinha, no entanto, algum peso a mais, mas não creio que fosse a isso que se referia), pelo que se poderá admitir a hipótese de ela considerar que ninguém a poderia ignorar devido a uma condição social relativamente oculta, o que revelaria prepotência e má-educação (uma prepotência e má-educação que a peixeirada estaria a provar). Daí esta ser a hipótese menos favorável à declarante.

A não ser, claro, que a berraria «a mim não me ignoram» não é uma constatação de um facto mas um pedido ou uma imposição: ela estava a exigir que não a ignorassem. A ser assim, escolheu o pior caminho de todos: mais vale ser ignorado do que não ser ignorado pelas razões erradas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Enfim

A «construção europeia»

Porque se dá o caso de a minha cozinha bloquear grande parte das frequências FM à excepção da frequência do Rádio Clube Português, aconteceu ter ouvido ontem uma conversa sobre o «sim» da Irlanda ao Tratado de Lisboa (ou só «Lisboa», aparentemente) que envolveu Miguel Portas e Jamila Madeira. Do que disse Jamila nada retive, muito menos do que disse Miguel Portas, mas guardei para memória futura a intervenção do moderador, que repetiu, várias vezes, a pergunta «Podemos estar optimistas em relação à ratificação do Tratado de Lisboa?» A falta de preparação do moderador impediu-o de perceber que o «optimismo» de Miguel Portas não seria exactamente o mesmo do seu (para Portas, o cenário «optimista» envolveria sempre o chumbo «democrático» do tratado), mas nem foi isso que me comoveu, foi o facto de estar instituída esta inevitabilidade da «construção europeia», inevitabilidade suficientemente forte para que um jornalista se sinta à vontade de declarar o «optimismo» de toda uma nação, de todo um continente, sobre aquilo que é, na essência, uma opção política. Que o mundo em geral se sinta optimista em relação, sei lá, à irradicação da pobreza, isso eu percebo; agora que a «europa» se deva sentir «optimista» em relação à «construção europeia» já me parece motivo de desconfiança. Afinal, o que é que o tratado vem resolver? Vem resolver alguns «impasses» e criar novos cargos: o de Presidente da Europa Toda (Tony Blair como candidato, parece) e um super-ministro dos negócios estrangeiros, uma figura que ficará condenada à insignificância, certamente. De resto, tudo continuará como dantes: a Alemanha será sempre o motor económico e a primeira a sair da «crise» (e ela já aí está) e Portugal será sempre o bom aluno que quer continuar a receber subsídios. Daqui não resulta uma entidade supra-nacional, como quer «Lisboa»: resulta um conjunto de interesseiros que devem coçar as costas uns dos outros de vez em quando. E já não é nada mau termos alguém para nos coçar as costas quando precisamos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

3/1?

O Amos Oz continua com as odds de 3/1 que tinha antes deste post do Eduardo Pitta. Tendo em conta o que se passou no ano passado, é caso para concluir que os tipos da Ladbrokes são totalmente irresponsáveis.

Londres e Telheiras

«O que é que se passa com esta gente? Murakami é uma daquelas modas orientais, como o yoga ou o sushi, que aterram de repente em Londres e Telheiras e nunca mais de lá saem.»

Rogério Casanova goes to the Ladbrokes 2009 Nobel Literature Prize Odds List.

P.S.: O Ondaatje está na lista. Já vos disse que confundo sempre o Ondaatje com o Ondjaki? Também tenho outros problemas, é uma questão de ir passando por aqui regularmente.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Luta de classes

Também há uma luta de classes por fazer no futebol: se este golo tivesse sido do Messi estaria espetado em tudo o que é blogue a armar ao atento. Como foi do Pedro, só aqui o justiceiro é que dá o corpo ao manifesto. Vocês não o merecem:

Descubra as diferenças

Valentim, em Gondomar, oferece frigoríficos. É um cacique. Costa, em Lisboa, oferece bicicletas. É um estadista.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

DVD

State of Play (um blockbuster sobre relações perigosas na política com um twist a meio e outro no fim competente) tem um casting feminino sexualmente muito subil: Rachel McAdams no papel da jovem inocente (e quase que é mesmo inocente não fossem aqueles olhos), Robin Wright ora Penn ora não Penn no papel da quarentona (e ficamos sempre mais felizes quando o Penn cai do nome), e Helen Mirren, sempre no papel de Helen Mirren, ou seja, por amor de Deus não é suposto sentirmos isto por uma mulher que nasceu em 1945. Nenhuma delas fará capa de revista masculina. Rachel McAdams é demasiado comum; Helen Mirren nasceu antes de 1988; e Robin Wight Penn tem escapado misteriosamente ao rótulo, ela que é loira e tudo. Apesar de tudo, a memória que fica é delas: não fossem elas e o filme estaria entregue ao bocejante Russel Crowe e ao desastroso Ben Affleck, o homem com menos carisma da história do cinema.