sábado, 1 de novembro de 2008

Atenção

«O que anda a ler?

Estou a ler Lacrimae Rerum, de Slavoj Zizek (...)»

Paulo Pires, Actual 1-11-2008

Intelectual curiosity

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Alerta laranja

O primeiro quiosque que consultei já não tinha a Sábado.

Aviso à navegação



Pode ser que a inebriação que me causa a sua beleza física me esteja a toldar o juízo, mas tenho andando muito espantado com as reacções que um pouco por aí pululam sobre Manuela Ferreira Leite. Lembram-se do vídeo de Sócrates a não apertar a mão a Luís Amado? Eu lembro-me. Isso, e o episódio de ontem, «todos os meus acessores usam o magalhães». E a licenciatura. E os projectos na Guarda. E o orçamento. E agora esta coisa das eleições americanas de 1960. São umas atrás das outras. E, acima de tudo, o carácter que daqui resulta, esta plasticidade cínica e medíodre. Estou farto, fartinho desta merda. Meus amigos, quando chegar a hora este blogue vai vestir-se de laranja e começar a campanha. Podem deixar de me ler já. Ficam avisados.

(O vídeo acima é um pedaço - agora passo a usar o vocabulário MFL e tudo - da entrevista do outro dia de Ferreira Leite à Sic-Notícias.)

Luvas

Estou chocadíssimo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mas o Carteiro de Pablo Neruda não é obrigatório, pois não?



Semana de comprar a Sábado, está visto.

(Obrigado ao Nuno pela dica.)

Chimp shampooed, dick tattooed

So what can a poor boy do? You come out of the hotel, the Vraimont. Over boiling Watts the downtown skyline carries a smear of God's green snot. You walk left, you walk right, you are a bank rat on a busy river. This restaurant serves no drink, this one serves no meat, this one serves no heterosexuals. You can get your chimp shampooed, you can get your dick tattooed, twenty-four hour, but can you get lunch?

Martin Amis, Money, numa citação de The Art of Fiction

Exaltou-me especialmente o duplo sentido da palavra «serves» (serves no drinks, serves no heterosexuals) e o som de chimp shampooed, dick tattooed. Era só isto, podem continuar com as vossas vidas.

Os animais

Eu vou passar a citar, na íntegra, as afirmações de Paulo Rangel que indignaram os animais o blogue da Associação Animal:

- “Não faz sentido haver um Dia do Cão.”
- “Também não [faz sentido haver um Dia dos Animais]”.
- “Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”
- “Os animais merecem protecção mas não são titulares de direitos.”
- “Não são eles que têm esse direito [de ser bem tratados e protegidos]. Nós é que temos essa obrigação.”
- “Para mim essa é uma concepção errada [a de que os animais devem ter direitos]. Acho que só as pessoas devem ser titulares de direitos.”
- “Os animais [também sofrem], mas não sofrem como nós.”
- “
A caça ou as touradas, enquanto tradições com determinadas características e determinados limites, são toleráveis. Fazem parte da Cultura.”
- “Muitas tradições não acabaram e estas [caça e touradas] são daquelas que para mim não devem acabar.”
- “Faço uma separação ontológica entre as pessoas e os animais.”
- “Num contexto cultural devidamente integrado, certas tradições [como a caça e as touradas] – ainda que possam chocar algumas pessoas – são admissíveis. É a minha posição.”
- “Não sou contra [a exibição de touradas na RTP].”
- “Desde que devidamente contextualizado [a transmissão de touradas pela RTP, televisão do Estado, expondo as crianças à violência contra os animais], não vejo nisso qualquer problema.”
- “A menos que esteja em causa a extinção de espécies, não acho mal [utilização de peles para confecção de vestuário].”
- “A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais. O Homem é ontologicamente diferente dos restantes animais.”


Estou absolutamente solidário com os animais a Associação Animal. É absolutamente inaceitável que se trace uma linha divisória entre o Homem e o Animal. Este tipo de atitude é discriminatória, e revela preconceitos conservadores que infelizmente ainda estão bem presentes na nossa sociedade. O facto de ainda não ser reconhecido em Lei o casamento entre um casal de espécies diferentes revela bem o «estágio pré-científico» em que vivemos. Está provado, há muito, que 98% do ADN do ser humano é semelhante ao ADN do chimpanzé, e infelizmente parece que são esses 2% que estão a prevalecer sobre os restantes 98%, o que revela o afastamento do comportamento democrático destas questões. E a Igreja Católica tem mantido um silêncio ensurdecedor sobre estas matérias, escondendo assim o incómodo que é o imperativo moral estabelecido no Livro do Génesis - o episódio Noé. Que o líder parlamentar de um partido que se diz «de poder» afirme coisas como «A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais» deixa-me entristecido por ser português. Mais, deixa-me entristecido por pertencer à espécie humana.

Oh meu Deus



(Atenção: em Portugal as pessoas vêem isto como «um golo de Cristiano Ronaldo.»)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

É a «falta de tempo», stôr

Ando a escrever tão mal.

Dubaya

O problema de W. é corresponder tão explicitamente à visão que tanta gente quer ter de George W. Bush e de não lhe acrescentar nada. Formalmente, aquele meio-tom que adopta, de sátira mas não tanto assim, falha porque não se percebe o objectivo. Como sátira é fraco, não arrisca quase nada e não tem assim tanta graça. A primeira cena, que mostra a discussão na sala oval que levou à expressão «eixo do mal», é particularmente infeliz ao assemelhar-se a um mau sketch de Saturday Night Live: as personagens são apenas caricaturas inconsequentes, com alguns altos e baixos, é certo, mas até essa irregularidade mostra como a sátira não foi levada a sério: os «maus» (Rumsfeld, Karl Rove e Cheeney) são relativamente bidimensionais; os «bons» (Powell) são relativamente poupados e aparentam ter uma espinha dorsal. Se quisermos, podemos comparar W. a um exercício aparentemente semelhante - uma sátira a um presidente ainda em exercício - que é Our Gang, de Phillip Roth, para percebermos o que W. poderia ter sido e não é. E a questão não é a suposta meiguice que Oliver Stone terá revelado para com Bush: W. é tudo menos meigo ou imparcial, como irracionalmente alguns críticos apontaram. W. apresenta Bush como a personagem que todos nós já construímos na nossa cabeça e fá-lo com um sucesso discutível, num exercício estilisticamente medíocre. E é cínico. Porque parece insinuar que só não foi mais longe porque quis ser bem educado. É um aluno que não faz o trabalho de casa e que se apresenta perante o professor a dizer que a culpa foi do cão.

Egomaniac

«All writers are slightly set by status anxiety, you have to be an egomaniac to write, up to a point.»

Martin Amis, nesta conversa aqui

Pára tudo

"A la Selección la voy a dirigir yo"

W.

Já aqui venho explicar porque achei W. uma merda.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Performance anxiety



Começo a ser perito em comentar assuntos que desconheço quase por completo com base apenas na observação - astuta, quase sempre - dos efeitos que essas questões provocam no meio ambiente e social - como o maradona, por exemplo, que não precisa de ver os jogos do Sporting para lhes adivinhar o andamento (e aqui há que dignificar o nome do post do maradona, «Marcelo Rebelo», porque é importante exteriorizar que percebemos a referência: maradona cita Marcelo Rebelo de Sousa como exemplo de comentário sem rede, eu cito o maradona, etc, tudo está na ordem certa.) Como é evidente, este post serve para comentar o mais recente post de Rogério Casanova, datado de 28 de Outubro, que precede o anterior, datado de 08 de Outubro, ficando nítido aos nossos olhos quando visto em contra-luz, e após ser banhado com sumo de limão, um hiatus temporal entre os dois posts de, aproximadamente, 20 dias. Eu não queria estar aqui a precipitar-me em conclusões infundadas, portanto vou socorrer-me de provas materiais que mostrarão, beyond reasonable doubt, que Casanova está a sofrer, talvez devido a um processo de mimetismo involuntário, de um mal semelhante ao que Casanova acusa Wood de sofrer:

«(...) O que me parece é que Wood terá sucumbido à maldição do crítico: a pressão da coerência. A partir do momento em que uma série de argumentos justíssimos contra um tipo de excesso recorrente cristaliza numa teoria estética, o crítico vê quase sempre, paradoxalmente, o seu leque de ferramentas reduzido, pois depara-se com a necessidade de deformar as suas análises futuras para que coincidam com o novo ângulo de visão.(...)»

Longe de mim acusar Casanova de «coerência», e portanto deixo claro que não é a coerência que está a pesar sobre os ombros de Casanova, mas antes a performance. O que Casanova tem feito desde Julho de 2006 é semelhante ao que Federer fez no ténis: elevou esta merda para outro patamar, um patamar relativamente inacessível para o resto de nós., e agora, depois de se ter apercebido dessa mudança de paradigma operada pelo próprio, começou a intervalar os seus textos em períodos que começaram a exceder o razoável, de forma a permitir ao texto sofrer as iterações necessárias até atingir o estado de apuramento desejado. Ora, tal como acontece com, por exemplo, a Rondanini Pietà, que deixou um braço solto ali caído, também o presente texto de Casanova apresenta um pormenor que deixa antever um longo período de gestação do mesmo: o facto de, inexplicavelmente, Casanova não fazer referência a este texto de James Wood. Como é possível dizer-se que «(...) James Wood (...) tem andando em campanha eleitoral nos últimos dias» e não citar o texto que o mesmo dedicou a Saramago? Eu avanço com a resposta: o texto de Wood data de 27 de Outubro, apenas um dia antes do deadline que Casanova tinha para entregar o seu post aos engenheiros do blogger, e portanto não houve tempo para refazer o equilíbrio da estrutura argumentativa do post, que andava a ser esculpido há, pelo menos, 15 dias. Não quero com isto emitir juízos de moral, mas achei importante alertar a população para o facto de se ter tornado evidente que este senhor sofre de performance anxiety. Esta é a minha teoria, porque ainda não estou preparado para admitir que coisas destas se escrevem entre a leitura do Record e a consulta das cotações da maionese nos mercados internacionais.